>>>>>>>>>>>>> MEMÓRIA - RESGATANDO E PRESERVANDO NOSSA HISTÓRIA

segunda-feira, 13 de julho de 2020

MORRE O VEREADOR DANIEL DA SILVA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE GARANHUNS

Internado para tratamento de um acidente vascular cerebral (AVC) desde o final de junho, o presidente da Câmara Municipal de Garanhuns,  vereador Daniel da Silva, morreu no início da noite desta segunda-feira, no Hospital da Unimed, em Caruaru.

Daniel reagiu bem à cirurgia e ao tratamento médico realizado, deu esperanças à família de que ficaria bom e voltaria ao nosso convívio.

Ele exercia seu quarto mandato parlamentar, o primeiro como dirigente da Casa Raimundo de Moraes. Tinha 53 anos. 

Mais de uma vez um dos filhos do vereador gravou áudios falando da melhora do pai. A expectativa era boa e todos achavam que o pior tinha passado.

O prefeito do município, Izaías Régis, publicou a seguinte nota, tão logo tomou conhecimento da morte do dirigente da Câmara:

Infelizmente, acabei de receber mais uma triste notícia. O vereador Daniel, presidente da Câmara de Vereadores de Garanhuns, faleceu há pouco. Um homem bom, prestativo, cheio de compaixão com os outros. Serviu há muitas pessoas em Garanhuns, mesmo antes de ser vereador. Mais uma grande perda para o nosso município. Vou decretar luto de três dias no município, por toda a contribuição dele à nossa Garanhuns. Que Deus nos conforte e à família, sua esposa, filhos e demais amigos.

TCE - CAUTELARES DETERMINAM SUSPENSÃO DE LICITAÇÕES EM BOM CONSELHO

O conselheiro Valdecir Pascoal expediu, monocraticamente, duas Medidas Cautelares endereçadas à prefeitura de Bom Conselho, tendo como responsável o prefeito Dannilo Cavalcante Vieira, para a suspensão de um Pregão Presencial e de uma Tomada de Preços.

Em relação ao processo (n° 2053971-0), relativo à Tomada de Preços n° 01/2020 que tinha por objeto a construção de duas quadras poliesportivas ao custo total de R$ 1.421.876,64, a Cautelar surgiu a partir de Representação Interna do Ministério Público de Contas (MPCO), da lavra da procuradora-geral, Germana Laureano. Nela, a procuradora citou a ausência de justificativa plausível para o modelo de certame, de forma presencial, em dissonância com o entendimento do Tribunal de Contas em Consultas respondidas no Pleno do TCE.

Além disso, houve um Alerta, de 15 de junho, emitido pelo Tribunal e pelo MPCO, no sentido da necessidade de adoção de modelagem eletrônica nas licitações deflagradas ou processadas durante o estado de calamidade de saúde pública decorrente da COVID-19. O conselheiro acatou a representação e determinou a suspensão da Tomada de Preços até decisão do Tribunal.

PREGÃO PRESENCIAL – Já o processo (n° 2053918-6) relativo ao Pregão Presencial nº 01/2020, que tinha por objeto a aquisição de materiais químicos para atender às necessidades das adutoras teve como origem uma Representação da empresa "Bidden Comercial Ltda.” que alegou desclassificação indevida do certame.

O conselheiro acatou a representação da empresa e acrescentou, em seu voto, outros aspectos irregulares atinentes ao Pregão, visto que, com bases em decisões do TCE citadas anteriormente, é recomendando aos municípios atribuírem procedimentos eletrônicos às licitações concebidas para ocorrer de modo presencial, diante da situação de emergência de saúde pública causada pela pandemia da COVID-19. O conselheiro também citou como motivação para a Cautelar o Alerta expedido pelo TCE junto ao MPCO.

Por estes motivos o relator determinou a suspensão do Pregão Presencial e caso já homologado, que o prefeito Dannilo Cavalcante Vieira e o pregoeiro responsável, Igor Ferro Ramos não assinem o respectivo contrato até exame de mérito deste Tribunal.

Por fim, o relator também determinou a abertura de Auditoria Especial para exame de mérito de ambos os processos. As Cautelares seguem para referendo da Primeira Câmara.

PCB MANTÉM O DIÁLOGO COM O PT GARANHUNS E DEFENDE FORMAÇÃO DE FRENTE DE ESQUERDA

Blog do Roberto Almeida

A Direção Municipal do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de Garanhuns, aprovou a manutenção do diálogo com o PT local, em busca de "verificar os pontos em comum rumo a uma Coligação na Majoritária". 

Integrantes do Partidão esperam que a  coligação seja a nível dos partidos de esquerda,  PCB e PT, rumo a consolidação da terceira via e a instalação de um Governo Popular no município. 

A Direção do PCB enviou um Programa Mínimo de Governo para o PT analisar, contendo 21 capítulos.  A partir daí serão iniciadas as conversações preliminares.

"Para nós do PCB, a majoritária não é objeto de pleitear cargo A ou B, mas temos interesse em participar da mesma", defendem os líderes comunistas Garanhuenses.  

O engenheiro Paulo Camelo, que já disputou a prefeitura em mais de uma oportunidade, é um dos integrantes do Partido Comunista Brasileiro na cidade.

O médico Pedro Veloso é hoje o principal nome do PT no município, pré-candidato do partido à sucessão municipal. 

RETRATOS DA HISTÓRIA DE GARANHUNS


Primeira Miss Garanhuns, Maria Teresa Valença que teve sua festa de comemoração promovida pela senhora Gracieth Branco em 1938.

O NATÁ DA MINHA INFÂNCIA

Gonzaga de Garanhuns

Inda hoje me arrecordo
De quando eu era criança
Daqueles tempo tão bom 
Inda hoje tenho lembrança
Principalmente o Natá
O Natá da minha infança

Mãe matava um pirú
Qui a tempo tinha cevado
Um bom doce de mamão
Também era preparado
Cum coco e cum rapadura
O doce era bem cuidado

O meu pai matava um boi
Toda vespa de Natá
O boi para a vinzinhança
A carne mode comprá
Um poico baé tombém
Ali num ia fartá

As safra boa de mio
Cuma tombem de fejão
E além de tudo isso
As safra de argudão
As de mandioca e mamona
E argumas criação

As safra, meu pai vindia
E o dinhêro qui apurava
Cum a gente vinha pra rua
Rôpa e carçado comprava
Pra mode nois ir pra festa
Do Natá quando chegava

Quando era mode nois ir 
A gente se aprontava
Direto pra Garanhún
A gente se infiava
E só bem de tardizinha
Na rua a gente chegava

Aquela tropa de gente
Na maió das aligria
Tornava a festa gostosa
Só prazé era qui havia
A festa só era boa
Quando a pé a gente ia

Tudo ali de rôpa nova
Cum os carçado entre os dedo
Bem no cumeço da rua
Na casa de padim Pêdo
A gente chegava lá
Era ainda um pôco cedo

Ele já tava isperando
Em ver a gente chegá
E madrinha Bastiana
Tratava logo em cuidá
Eu digo cuidá da janta
Que era mode nois jantá

Na casa de Padim Pêdo
Meu padim do coração
Pra ele e gente levava
Muita farinha e feijão
E tombém um pirú e fejão
E tombém um pirú gordo
Levava na ocasião

Dispois que a gente cumia
Logo as muié se pintava
Cum pó de arroz e batón
E tombém se prefumava
E assim sem perdê tempo
Na cidade nois entrava

De luz e de brinquedo
A rua se infeitava
De vez enquando no povo
Um de nois ali peitava
E assim a gente ia
Inté quando nois vortava

Todo mundo andava junto
Ninguém ali se apartava
Cum medo de se perdê
Bem assim a gente andava
Causava inté mangação
Adonde a gente passava

Se curria nos brinquedo
nas ondia e nos carrocé
E nas canoa tombém
Nos istrivulim inté
A gente se abuzá
Com coragem e muita fé

Nois tombém se divertia
Lá nos jogo de azá
Nas tuia de abacaxi
Tombém num ia dexá
De fica lá um tempim
Mode as frutas nois chupá

E nos butiquim de paia
De coquêro tombém ia
Muita gasosa e cevêja
E cachaça nois bibia
Dispois de passiá muito
Pra igreja nos siguia

Pra nois assistí a Missa
Do galo chegava a hora
Dispois da missa rezada
A gente vinha s'imbora
Todo mundo intrambecando
Siguindo de istrada afora

Na casa de meu padim
Pêdo minguém mais passava
Já era de madrugada
Quaje bem cedo chegava
Todo mundo cunversando
Só aligria reinava

Todo mundo cunvessando
Uns cum pacote na mão
De bolo ou de bulacha 
Ou inté mermo de pão
Todo mundo satisfeito
Na maió animação

Quando a gente ie pra festa
Dinhêro a gente levava
Eu mermo meu dinherim
Além do qui pai me dava
Eu arranjava inda mais
Da mamona que eu catava

Eu me danava nos mato
De baxo das mamonêra
O sol era de rachá
Achava inté brincadêra
Catando mamona ali
Eu levava a vida intêra

Fazia meu dinherim
Somente pra eu gastá
Nos brinquedo e nas bibida
E nos jogo de azá
Nas tuia de abacaxi
Quando nois ia pra lá

E assim era todo ano
Quando o Natá chegava
Tombém nas vespa de ano
O povo se preparava
No natá e ano novo
Todo mundo se alegrava

Cumeço a me alembrá
Dos cazá de namorado
Qui passiava na festa
cada quá de braço dado
As vez inté casamento
Nessas festa era arranjado

Eu sô titimunha disso
Meu casamento arrumei
Bem numa festa de ano
Cum essa moça me ingracei
Cum essa moça mermim
E cum ela eu me casei

Cum essa moça bunita
Cumecei a namorá
Cum essa morena bela
Cumecei a me ingraçá
E terminô nois casando
Isso foi de admirá

E bem assim era as festa
Dqueles tempo passado
Hoje somente saudade
É qui em nois tem restado
Tempo bom cuma aquele
Só no pensá tem ficado

Na Avenida Santo Antonio
A festa se istindia
de gente de todo canto
dentro da festa havia
Era tanta gente que 
Na avenida num cabia

Do Natá qui se passô
Só resta n'eu a lembrança
O Natá daqueles tempo
De quando eu era criança
Aquilo sim qui era festa
Dos Natá da minha infança.

PRESIDENTES DA CÂMARA DOS DEPUTADOS DURANTE O IMPÉRIO - 1845 A 1847


JOSÉ JOAQUIM FERNANDES TORRES - Mineiro. Formado em leis pela Universidade de Coimbra. Lente da Faculdade de Direito de São Paulo. Exonerou-se par ser magistrado e político em sua província. Deputado de 1834 a 1841 e de 1845 a 1847. Em 1846, Presidente da Câmara, e, em 1847, Senador, Ministro da Justiça e do Império. Faleceu em 1869.

Fonte: Presidentes da Câmara dos Deputados Durante o Império - Carlos Tavares de Lyra - Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados - 1978

SESMARIAS DO MOXOTÓ

HISTÓRIA DE GARANHUNS - Em uma das Sesmarias do Moxotó, a que como dissemos na capítulo I, foi pelos concessionários: João Alves Pereira, Manoel Moreno, Amaro Fernandes Tinoco, Manoel Gonçalves e Domingos Fernandes, doada à Congregação de São Felipe Neri, já tinham sido organizados, em 1759, muitos sítios, entre os quais eram: Olho d'Água do Sabá, Cacimba dos Porcos, Fazenda Nova, Poço Comprido, Prazeres, Sambambaia, Caraíbas, Puitá, Poço do Boi, Jeritacó e Cupeti.

O Padre Miguel Batista, na qualidade de procurador da referida Congregação, vendeu vários daqueles sítios, como a seguir veremos nas vendas de alguns deles.

Em 15 de maio de 1759, vendeu a Antônio de Rezende de Melo o Sítio Poço do Boi com o respectivo território, começando do Poço da Cruz e pelo Rio Moxotó acima atá a barra do Riacho do Mel "onde extrema com as terras compradas a Congregação por Pantaleam de Serqueira Barboza - Jeritacó, e para o poente seguindo rumo direito légua e meia de terra descendo a parte do nascente confrontando com a Serra do Caldeirão outra légua e meia". Foram testemunhas desta venda o Sargento-mór João Mendes Branco, o Capitão Frutuozo Marques de Souza e José Gomes de Sá.

As terras que compunham o Sítio Fazenda Nova, começavam "na passagem do Mulungu correndo pelo Rio Cupety acima até a passagem do Maracajá dando lhe para as Ilhargas do dito Riacho para a Nascente disse ele vendedor lhe dava meia légua e para a parte do Poente outra meia légua" e foi comprado por Cosme Rodrigues de Almeida em 15 de novembro de 1753, sendo testemunhas: Manoel Gonçalves, José Barbosa, Antônio de Oliveira Cortes e Pantaleão de Siqueira Barbosa.

O Sítio Olho d'Água do Sabá se compunha de uma légua em quadra de território e foi, em 16 de novembro de 1759, comprado por Antônio de Oliveira Cortes, sendo testemunhas: Cosme Rodrigues de Almeida, José Barbosa Gomes, Manoel Gonçalves e Pantaleão de Siqueira Barbosa.

A outra Sesmaria do Moxotó, que conforme também foi dito no capítulo II, dela foram judicialmente empossados os seus concessionários: Padre João Pereira Campos, João Peixoto Vilela e Paulo Pereira Pacheco, em 10 de março de 1725. A esse tempo nela já eram organizados os sítios: Gameleira, Priaré, Monari e Priapé, tendo sido depois organizados mais três sítios: Puiu, Quiridalho e Cana Brava.

Entretanto, toda esta Sesmaria, como também uma grande parte da que foi doada à Congregação, ficavam no âmbito de outra que fora anteriormente concedida pelo Governador Geral do Brasil ao Ouvidor Geral Dr. Cristóvão de Burgos de Conteira, em data que desconhecemos, mas que em 1760, Manoel de Souza de Essa, procurador de dona de dona Florência Maria Madalena de Essa e Burgos, herdeira do referido Ouvidor, apareceu na Capitania do Ararobá, munido de documentos julgados por sentença do Tribunal de Relações da Baia, pelo que, foram as autoridades da Capitania constrangidos a lhe empossar em cada sítio desta Sesmaria e nos sítios: Olho d'Água do Sabá, Cacimba dos Porcos, Fazenda do Poço, Jeritacó, Piutá, Salgado, Prazeres, Fazenda Nova, Sambambaia e Caraíbas, todos da Freguesia de Nossa Senhora do Ó do Porto da Folha, termo da Vila de Penedo, pois naquele território foi o mencionado procurador empossado nos sítios: Sobrado, Pau Grande, Pipepam, Tinguí, Pau Ferro, Terra Nova, Moxotó e Cachoeira do Rio São Francisco.

Empossado que foi o referido Procurador, no Sítio Priaré, em 6 de setembro de 1760, acontece que, em 22 do mesmo mês e ano, o vendeu inclusive a sesmaria pelo preço de duzentos mil réis, "para evitarmos contendas e litígios", ao Padre João Pereira Campos que, como já sabemos, tinha sido ela um dos concessionários.

Do Sítio do Olho d'Água do Sabá, na outra sesmaria, o dito Procurador foi empossado em 6 de setembro de 1760 e, em 1º de outubro do mesmo ano, o vendeu a Francisco da Fonseca Rêgo.

Também o Sítio da Sambambaia, do qual o mesmo procurador havia tomado posse em 18 de setembro de 1760, logo no dia seguinte o tinha vendido ao mesmo Francisco da Fonseca Rêgo, deste modo limitado: "a partir pela parte do Norte com a Fazenda da Nova a saber pelo riacho acima légua e meia e para baixo o mesmo e para as ilhargas uma légua de terras".

Três anos depois destes acontecimentos, estas referidas sesmarias, inclusive toda a Região de Buíque, foram desmembradas do termo da Capitania do Ararobá, como veremos adiante, e incorporadas ao da Vila de Cimbres, também desmembradas da Capitania, e na parte da Sesmaria da Congregação de São Felipe Neri, que não ficava no âmbito da dos Burgos, entre outros, foi organizada a Fazenda  da Lagoa de Baixo, na qual se formou uma povoação. (Mantida a grafia da época / Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti / Volume I / Outubro de 1968 / Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto).

JOÃO MARQUES DOS SANTOS, UM REFERENCIAL DA CULTURA DE GARANHUNS COMPLETA 80 ANOS

João Marques dos Santos
O escritor, poeta, cronista, romancista e compositor, João Marques dos Santos, ex-funcionário do Banco do Brasil, nasceu em Garanhuns no Sítio Timóteo em 13 de julho de 1940, na Mochila, filho de Vicente Quirino dos Santos e Maria Marques dos Santos, descende da fundadora de Garanhuns Simôa Gomes de Azevedo, ocupou honrosos cargos na Cultura de Garanhuns, entre eles, Ex-Presidente da Academia de Letras de Garanhuns e Diretor de Cultura de Garanhuns. O Mochileiro João Marques também é um dos sócios fundadores do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG.

João Marques tornou-se uma das verdadeiras reservas culturais existentes hoje em nosso município. De origem humilde esse homem determinado trilhou durante toda sua vida um caminho de perseverança, lutas e conquistas, que vieram ao longo dessa sua trajetória de sucesso. João Marques nunca teve vida fácil, tendo que trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas de sua casa, o que impossibilitou inclusive de ingressar em uma Universidade. Seus estudos foram no Colégio Diocesano de Garanhuns, onde fez o curso de técnico em contabilidade. Mas foi trabalhando com afinco durante vinte e sete anos  no Banco do Brasil, onde inclusive se aposentou, que ele conseguiu constituir e solidificar sua família.

Inicia sua dedicação à cultura em 1968 quando conhece o Grêmio Cultural Ruber van der Linden, antes, porém já havia frequentado na época de estudante, nas décadas de 50 e 60, o Clube Juvenil de Cultura, que já era uma espécie de advento para todo jovem que desejasse se dedicar à literatura e à cultura, foi quando escreveu suas primeiras poesias, contos e crônicas, tudo ainda em caráter experimental. O Grêmio Cultural contava com uma estrutura de Academia, que propiciava excelentes condições e a possibilidade de exposição dos trabalhos para a nata da sociedade garanhuense, pois as reuniões eram frequentadas por políticos, médicos, advogados e os melhores artistas da cidade. 

Em 1995 João Marques inicia a edição do jornal "O Século", um veículo de comunicação que ganhou notoriedade em Garanhuns e em boa parte do Estado. Jornal em tamanho tabloide, voltado totalmente para a cultura, principalmente para a literatura, e que pela sua correção e dignidade em tratar de cultura sob o ponto de vista jornalístico, rompeu divisas, chegando em outros estados do Brasil.

Em dezembro de 1995 no governo do então Prefeito de Garanhuns, Bartolomeu Souto Quidute, este enviou um convite ao Grêmio Cultural Ruber van der Linden solicitando a composição de um hino para o município, pois desejava concluir o seu mandato deixando um hino para Garanhuns. João Marques ficou com a incumbência da composição.

Encarregado de compor o hino, João Marques pegou o velho violão Giannini, e sabendo apenas ensaiar alguns acordes, conscientizou-se de que fazer o Hino de Garanhuns seria uma tarefa difícil e importante. 

No dia 02 de fevereiro de 1996, o Prefeito de Garanhuns, Bartolomeu Quidute, sanciona a Lei nº 2793 aprovada pela Câmara de Vereadores de Garanhuns, tornando oficial o Hino do Município de Garanhuns. 

O Hino de Garanhuns foi executado pela primeira vez no dia 3 de fevereiro de 1996, em solenidade acontecida à noite no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, sendo o hino interpretado por Dalva Diniz e Jurandir Tenório com acompanhamento do 71º Batalhão de Infantaria Motorizado de Garanhuns. 

Em 1997 João Marques assume a presidência da Academia de Letras de Garanhuns, ano que marcava o aniversário de vinte anos da Academia, criada em 1977, mas que estava em recesso, existindo apenas o seu prédio, então João Marques e todos que faziam parte do  Grêmio Cultural Ruber van der Linden, um grêmio que acolhia poetas e literatos de Garanhuns já há 50 anos, mas que estava praticamente com suas atividades encerradas, decidiram então que seria melhor ingressarem na Academia de Letras, para assim revitalizá-la. Torna-se conhecido como poeta e literato publicando os livros "Temas de garanhuns" que são poemas em homenagem a Garanhuns, sobre sua história e sua natureza, uma bela obra que recebeu ilustrações da artista plástica Sueli Medeiros, e "Partições do Silêncio", um trabalho erudito, que  representa bem o seu amadurecimento como escritor, e que ganhou elogios e reconhecimento de grandes nomes da literatura pernambucana.

Como compositor ainda escreveu outros trabalhos, que foram gravados pelo Quinteto Violado e pela cantora Dalva Diniz, com quem fez parceria em várias obras.

13 DE JULHO
- aos 80 anos -

João Marques

Este hoje chega natalício
com o sol passando
o vento não sei de onde
e o chão que me segura
meio árvore meio gente

o tempo, das manhãs
repondo rios e serras
o caminho da minha escola
aprendiz sempre aprendiz
da vida minha e dos outros
o que há atrás do mundo 
e das serras que não vejo

a poesia a mais da alma
do canto  -  me ensinam os pássaros
tudo, o sorriso a lágrima
florescentes como florescem as pedras
que vieram comigo ao mundo
e me enfeitam flores e espinhos
miro espelho e os sonhos,
a vida a mim encanta viver
por amor e remoçar dos anos.

Click no link abaixo e saiba mais sobre o Hino de Garanhuns:

DOIS DEDOS DE PROSA COM O ESCRITOR JUNIOR ALMEIDA

Escritor Junior Almeida
O ESCRITOR JUNIOR ALMEIDA É O ENTREVISTADO DESTA SEMANA DO PROFESSOR CLÁUDIO GONÇALVES

Historiador e pesquisador de Histórias e personagens da saga do Cangaço, o escritor Junior Almeida tem se destacado entre os principais estudiosos e escritores do tema, com publicações que abordam a trajetória do Rei do Cangaço e outros importantes personagens do Cangaço que atuaram no cenário do agreste pernambucano. Nessa entrevista conheceremos um pouco da sua trajetória literária, o amor pelo Cangaço, suas obras publicadas e detalhes da vida desse pesquisador que queima alpercata  para trazer aos estudiosos e leitores o fascinante mundo de cangaceiros, volantes e coronéis. 

1) Conte-nos um pouco da sua história: as suas origens, família e infância. 

R - Meu pai Euclides Almeida chegou a Capoeiras em 1934, vindo do Distrito de Mulungu, hoje pertencente a Sanharó, mas na época, São Bento do Una. Era o mais velho de dez irmãos e veio trabalhar para o potentado João Borrego. Minha mãe é capoeirense. Só teve um irmão, que fez a vida em São Paulo. Eu sou o caçula de cinco irmãos. Quando nasci, na então Casa de Saúde Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em novembro de 1972, meus dois irmãos mais velhos, Eduardo e Aurélio, já moravam e estudavam em Recife. Como a maioria dos meninos das cidades pequenas do interior eu brinquei muito de coisas que faziam suar (na minha infância não existia internet nem celular), fiz “artes” de menino levado, fui a festas, muitas festas... Casei com 19 anos e, hoje com 28 de casado, sou pai de um “menino” de quase 27, Euclides Netto, o Nettinho, e uma menina de 16, Yasmim, além de ser avô de Helena, meu xodó, que ainda vai fazer 2 anos.

2) Como ocorreu o seu primeiro contato com o mundo da literatura?

R - Meu terceiro irmão, Roberto, é jornalista, e desde pequeno foi um devorador de livros. Lógico que eu como criança não ia ler as obras que ele lia, então ele me incentivava ler gibis. Sempre tinha em casa Turma da Mônica, Disney, Fantasma, Mandrake, Tex, Ken Parker...  Uma passagem engraçada de quando eu era moleque, em relação à leitura, foi que o programa Sítio do Pica Pau Amarelo, da Rede Globo, apresentou episódios com o personagem Dom Quixote, que era o Visconde de Sabugosa. Em casa tinha o livro de Cervantes, capa dura, bonitão, e tal, então, comecei a ler e não gostei. Óbvio. Não era leitura pra minha idade. O primeiro livro que lembro bem, a minha apresentação à literatura, foi “O Mistério do Cinco Estrelas”, de Marcos Rey. Li como trabalho das aulas de literatura do Colégio XV. Adorei, viajei pelas palavras até São Paulo e sofri com o enredo do autor.

3) Como surgiu o seu interesse pelo cangaço e quando decidiu escrever o seu primeiro livro “A Volta do Rei do Cangaço”?

R - Mesmo com toda aculturação promovida pela mídia, a cultura nordestina é muito forte. Forró, o cordel, violeiro, embolador, cangaço... Quantos meninos do interior, assim como eu, nunca se empolgaram com histórias de valentia e de frouxura, nas voltas de Lampião? Cresci ouvindo essas coisas, então, a partir de 2010/11, comecei me aprofundar no tema. Em 2009 tinha sido lançado o filme “Bastardos Inglórios”, onde Quentin Tarantino “mudou” o final da Segunda Guerra, matando Hitler num cinema. Então pensei: se o cara mudou o enredo de um evento tão grandioso como uma guerra, por que não posso “mudar” a história de fatos menores, como o cangaço? Começou assim, como uma brincadeira, que fui colocando no papel, mas sempre pesquisando para que o enredo ficasse bem elaborado.

4) O seu primeiro lançamento foi o Livro “A Volta do Rei do Cangaço”, uma narrativa romanceada e ficcional. Qual a repercussão dessa obra entre os estudiosos e leitores desse fenômeno nordestino? 

R - O meu primeiro contato com estudiosos do cangaço foi em Princesa Isabel, na Paraíba, em março de 2015. Lá estava reunida a nata da temática, além de parentes de grandes nomes da história nordestina, como por exemplo, Geraldo Ferraz, neto de Theophanes Ferraz, o homem que prendeu o cangaceiro Antônio Silvino e também envolvido na Hecatombe de Garanhuns, a doce Lili, filha do sanguinário Moreno, do bando de Lampião, além dos descendentes do Coronel José Pereira, homem que sacudiu o Nordeste, em 1930. Timidamente fui interagindo com essas pessoas, e explicando o meu tipo de trabalho. Mesmo não sendo apreciadores de romances, muitos adquiriam a obra, e depois, pelas redes sociais procurei saber a opinião deles. Ouvi de experientes pesquisadores que “meu trabalho era diferente, honesto, por deixar claro que se tratava de uma ficção” e principalmente que “daria um ótimo roteiro de filme de ação”. Claro que adorei.

5) Nesse primeiro lançamento você recebeu uma menção honrosa no I Prêmio Pernambuco de Literatura promovido pela Secretaria de Cultura do Estado. Como foi esse momento para um escritor estreante? 

R - Fique surpreso e, claro, bastante feliz em ter recebido essa menção honrosa. Pra mim, um “marinheiro de primeira viagem”, concorrer com aproximadamente 500 obras, e alguém do ramo (os julgadores) dizer “sua obra merece ser lida”, foi mesmo que ter conquistado o primeiro lugar. Quando mandei o livro para Recife, ainda no Word, e impresso por mim, reconheço que ainda carecia de correções, então, imagino que se as tivesse feito, talvez essa “bola na trave” se transformasse num gol.

6) Em 2018 você lançou mais uma obra sobre o Cangaço: “Lampião, O Cangaço e Outros Fatos no Agreste Pernambucano”. Como foi o processo de criação dessa obra?  O que ela trouxe de novas revelações para o estudo do Cangaço? 

R - Como disse antes, comecei a pesquisar para o meu primeiro livro em 2010/2011 e a partir dos seminários denominados Cariri Cangaço, em 2015, Princesa, na Paraíba, e Piranhas, em Alagoas, cidade onde foi tirada a famosa foto das cabeças dos cangaceiros numa escadaria, fui adquirindo livros e mais livros sobre temáticas nordestinas, em especial sobre cangaço. Quando lia alguma coisa da nossa região eu fazia anotações e algumas delas eu percebia que a história não era como eu conhecia e outras, com informações incompletas, então, percebi que o Agreste Meridional ainda tem muita história pra contar sob várias óticas, também do cangaço. Nessa obra eu mostro que o Agreste foi o porto seguro de alguns protagonistas da saga cangaceira, que deixaram para trás o Sertão, epicentro de velhas rixas. Coronel João Nunes, que foi comandante máximo da corporação é de Águas Belas, onde foi prefeito, além de também ter exercido o mesmo cargo em Canhotinho e Garanhuns, Muniz de Farias foi outro oficial que chegou a comandar a hoje PMPE, que se refugiou em Canhotinho, assim como o Capitão José Caetano, um dos maiores perseguidores de cangaceiros de que se têm notícias, valentia reconhecida até por que foi seu inimigo. O velho volante passou seus últimos dias de vida na pacata Angelim, além do homem “que deu cabo de Lampião”, coronel João Bezerra, o qual residiu e faleceu  em Garanhuns. No livro trago o depoimento de Paulo Britto, seu filho, de como era a vida da família aqui na terra de Simoa.

7) Um pesquisador do Cangaço percorre vários estados em busca de informações para resgatar fatos e personagens. Fale-nos um pouco com faz para encontrar personagens e colher os seus depoimentos.

R - Em nosso meio usamos a expressão “queimar alpercata”, que é andar em busca de informações. Trabalhando para o meu livro sobre o cangaço na região, certa vez eu viajei 200 quilômetros para tirar a foto de um túmulo e ouvir um senhor de quase noventa anos, depoimento esse e foto que não foram para o livro, pois precisava de mais elementos que comprovassem tal informação. Pois bem, isso acontece. Se fosse fácil não teria graça. Geralmente as pessoas não sabem por completo de determinado fato, mas sabem de alguém que pode saber. E assim vai, é ter paciência para pegar o fio da meada, mas mesmo quando sigo um caminho que acho que está correto, é minha obrigação confrontar versões, passar numa espécie de peneira, e tudo dando certo, é como se tivesse encontrado o lugar de uma pecinha de um quebra cabeça de dez mil peças. É muito gratificante.

8) Teve alguma entrevista que lhe marcou na sua extensa trajetória de pesquisas? 

R - Não foi bem uma entrevista, mas sim um depoimento para todos os presentes. Em julho de 2015 estávamos participando do Cariri Cangaço de Piranhas e, em visita técnica à Fazenda Patos, local da suposta vingança de Corisco, que chacinou em 2 de agosto de 1938 a inocente família Ventura, dizendo “estar vingando o compadre Lampião”. O ex-prefeito da “Lapinha do Sertão”, Celso Rodrigues, discorreu como ocorreu a barbárie. Enquanto “Seu” Celso falava, o silêncio era ensurdecedor. Muitos choraram, inclusive eu. É diferente você ler e você conhecer o local do fato, além de ouvir de uma pessoa que teve parentes com envolvimento naquele fato. O local é triste, o clima pesado. Seis inocentes morreram por conta de uma mentira. Esse fato me emocionou e marcou.

9) Que personagens lhe fascinam no universo do Cangaço?

R - O maior de todos os cangaceiros: Lampião. Não quero dizer com isso que ele é meu herói, longe disso, mas o cabra era um gênio em tudo que fazia, era um verdadeiro general das caatingas. Técnicas de sobrevivência na caatinga usadas hoje pelas polícias nordestinas, já eram usadas por Virgulino há cem anos. Hoje em dia, prestes a completar 82 anos de sua morte, Lampião é uma marca poderosa, que vende desde livros (é o brasileiro mais biografado que existe), chapéus, camisetas, chinelos, chaveiros, e uma infinidade de produtos. Têm pessoas que estudam Hitler, Napoleão, Domingos Jorge Velho, Lenin, dentre outro personagens que não foram bem exemplos de pacifistas, eu como nordestino orgulhoso que sou, optei por buscar nossas raízes, com temas bem nossos, e cangaço é um deles.

10) Várias obras sobre o Cangaço já foram publicadas. Você considera que esse fato histórico ainda é um tema inesgotável?

R - Parece que ainda se tem muito que saber. No Sertão, por exemplo, mesmo com tantas obras, com tudo que já se falou sobre o tema, vez por outra aparece uma novidade. Também não deixam de aparecer certas invencionices, que tentam vender fantasias por verdade. Já foi publicada uma obra em que dizia que Virgulino Ferreira era gay, outra que ele não tinha sido morto em Angico e sim morrido de velhice em Minas Gerais, recentemente lançaram um livro que diz que o Rei do Cangaço morreu de velho em Alagoas, e assim vai. Como em tudo, existe o que presta e o que não presta, cabe a nós leitores, discernir o que nos serve ou não.

11) Você escreve um pouco todos os dias ou em período concentrados? Existe uma meta diária de escrita e hábitos que precedem sua produção? 

R - Escrever pra mim é uma terapia. Eu me satisfaço fazendo o que gosto. Todo dia eu escrevo, seja em minhas redes sociais, seja em blogs, como por exemplo, o de Roberto Almeida, meu irmão, em grupos de temas nordestinos. Tem dias que tenho inspiração para escrever uma enciclopédia, mas há outros que não sai nada, então, não forço. As ideias surgem do nada. Vêm como um vento, um estalo. 

12) Atualmente você participa de algumas instituições do Cangaço? 

R - Sou membro do conselho “Alcino Alves Costa”, do Instituto Cariri Cangaço do Brasil, com sede em Fortaleza, instituição que reúne os maiores nomes de temáticas nordestinas como coronelismo, messianismo, cangaço e afins, e sou um dos 27 fundadores da ABLAC – Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, com sede em Aracaju, ocupando a cadeira número 9, que tem como patrono o escritor Rui Facó. A academia era um sonho antigo de renomados estudiosos. Através de seus membros, ela já nasceu grande, com aproximadamente 300 livros publicados.

13) Analisando a sua trajetória como pesquisador e historiador do Cangaço, você ainda pretende publicar novos trabalhos sobre essa temática? 

R - Sim. Atualmente tenho no prelo outra ficção onde “brinco” com a história, além de estar trabalhando na segunda edição de “Lampião, o Cangaço e Outros Fatos no Agreste Pernambucano”. Leio sobre tudo e escrevo sobre diversos assuntos, mas o tema cangaço, é minha paixão, é a “minha praia”.

14) Como você definiria o seu estilo literário?

R - Sou muito detalhista. Gosto que meu leitor imagine os locais e cenas que eu descrevo. Certa vez um professor universitário me disse: “escrever bem é escrever simples, vide Guimarães Rosa”. Lógico que gostei de ouvir isso, mas não ouso me comparar com um gigante da nossa literatura. Gosto muito de Dan Braw (nada haver com Nordeste), de como ele descreve suas cenas, de como envolve o leitor com seu enredo, então, guardadas as devidas proporções, é lógico, temos um estilo semelhante.

15) Você ainda pretende escrever outro romance? 

R - Sim, vários, se o bom Deus assim me permitir. Deixar a imaginação fluir, escrever sem o compromisso da verdade (no bom sentido) é maravilhoso.

16) Que momento de sua trajetória literária o escritor Junior escolheria como o mais marcante? 

R - Em 2015 eu fui lançar meu primeiro trabalho na Bienal do Livro, no Centro de Convenções em Olinda. Lá, além de estandes com milhares de obras, havia um bocado de feras da arte literária, e eu, um matutinho atrevido, no meio dessas feras. Marcou.

17) O seu mais recente lançamento foi o livro, Capoeiras: Pessoas, Histórias e Causos. Como surgiu a ideia de homenagear a Terra da Grande Feira de Gado?

R - Cobrança, um puxão de orelha bem dado. No meu primeiro trabalho, parte do enredo de ficção se passa na terrinha, no segundo, de pesquisa histórica, tem um capítulo de nome Capoeiras, onde discorro sobre a morte do célebre cangaceiro André Tripa, isso lá no distante 1904, mas era cobrado por amigos de quando publicaria um livro só com as coisas de Capoeiras. Veio agora, em 2020.  De início o nome do livro seria “Os Causos da Minha Terra”, onde contaria só as passagens engraçadas de Capoeiras. Alguns textos eu postei no meu Facebook e à medida que as pessoas iam lendo, entravam em contato para me contar outras histórias, nem sempre engraçadas. Percebi com isso, que certas narrativas mereceriam registro, e assim eu fiz.

18) Quais os planos literários para o futuro? Já está trabalhando uma nova obra? 

R - Sim, em algumas. Além de textos pequenos com causos, que dão mais três volumes de “Capoeiras: Pessoas, Histórias e Causos”, tenho uma obra de ficção, onde misturo realidade com fantasia, que já passa de 200 páginas escritas. Outro trabalho sobre o Padre Cícero e outro livro que quero dar de presente ao meu Padroeiro e ao município que moro, esse com data marcada de entrega: março de 2026, e que terá o seguinte título: “50 Anos da Paróquia de São José de Capoeiras”. 

19) Agradeço pela entrevista e peço-lhe que deixe uma mensagem para os seus leitores e admiradores. 

R - Eu que agradeço. Sou apaixonado pelo Nordeste, admirador de sua cultura, do seu povo e de suas tradições. Problemas, lógico que temos, mas o que me deixa possesso é ver alguém, até mesmo nordestinos, menosprezar seus conterrâneos ou mesmo falar mal da “minha” terra, então, acredito que mesmo modestamente posso contribuir para que algumas visões estereotipadas que se têm de nós possam ser mudadas. Juntos, eu, você, mas outro que escreve, mais outro que faz música, que faz rádio, televisão, aos poucos podemos mudar isso. Sempre com respeito e humildade. Aliás, humildade é tudo, em todas as áreas. Obrigado a todos.

José Cláudio Gonçalves de Lima, Garanhuense, professor, Pós-graduado em História, Pesquisador, escritor e Sócio fundador do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns.

domingo, 12 de julho de 2020

SEBASTIÃO DO ROJÃO

Sebastião do Rojão
Sebastião Ferreira Costa, Sebastião do Rojão, nasceu em uma fazenda perto de São Pedro, município de Garanhuns, Fazenda Rogério, que na época pertencia a São Bento do Una. Cursou quatro anos de Medicina em São Paulo, deixou a Faculdade para ser cantor de forró.

Saiu de Garanhuns aos 12 anos, trabalhando num circo, como cantor, palhaço, equilibrista, acrobata e tudo que a vida no circo exigisse e por isso demorou quatro anos para chegar ao Rio de Janeiro, onde morou oito anos e iniciou sua carreira de cantor no Programa César de Alencar, que o batizou 'Sebastião do Rojão'.

A carreira artística profissional começou em São Paulo, 1960, na Rádio Nacional, que tinha a direção de Manoel da Nóbrega, pai de Carlos Alberto de Nóbrega. Sebastião do Rojão fez quatro anos de Medicina, na Cruz Vermelha. Eram quatro amigos trabalhando juntos: Sebastião do Rojão, Carlos Alberto de Nóbrega, Ronald Golias e Moacir Franco.

Gravou seu primeiro disco na RGE, com a música "Rela Bucho", (https://www.youtube.com/watch?v=ruLpOqwaFEM) que fez muito sucesso. 'Aproveita o rela bucho Maricota vem pra cá, você rela eu também relo e nós tornamos a relar..." Outro grande sucesso foi "Meus Canarinhos" (https://www.youtube.com/watch?v=f14-Uk2zl7g). Em 1965 estourou seu maior sucesso "Chorando por Alguém", regravada nos Estados Undos por Johnny River, na época do rock in roll, pela gravadora RCA Victor. Por causa dessa música ele parou os estudos e se dedicou somente à música.

Na década de 1960, o forró era a grande sensação do País. Porém na década de 1970, caiu, inclusive o rei do baião Luiz Gonzaga, também sofreu com a decadência do forró. Segundo Sebastião do Rojão, Luiz Gonzaga fazia shows em circos com ele. Inclusive, numa dessas vezes, o show foi no Circo Penacho e apesar de muito anunciado na hora do espetáculo tinha apenas 16 pessoas e mesmo assim ele cantou.

Na gravadora Copacabana, o contrato de Sebastião era de cinco anos e com decadência do forró ele precisava produzir. A alternativa foi a mudança no gênero musical, por sugestão o produtor Paulo Rocco, que foi o primeiro produtor de Luiz Gonzaga em disco, e por achar a voz de Sebastião muito bonita sugeriu que ele cantasse um bolero e ele passou então a gravar bolero, música romântica. E a primeira música romântica que ele gravou foi 'Paixão de Homem', de Valdick Soriano, regravada pelo autor no ano seguinte. Com essa mudança de ritmo, Sebastião do Rojão deixou de ser 'Rojão' e o seu  disco de músicas românticas saiu com o título de 'As Duas Faces de Sebastião', o segundo foi "Sebastião, o Romântico Popular' e esses nomes persistiram em seus Lps românticos.

Foram 12 Lps de forró e de 16 músicas românticas. Ao todo são 28 discos gravados,  fora os Lps gravados a cachê, ou seja, ele emprestava a voz para a gravadora sem outro tipo de compromisso. Essas gravadoras eram a Cartaz, a Inspiração, a Beverly. Quatro discos foram gravados em espanhol, somando um total de 32 Lps. Com um sucesso em Portugal 'Tudo é Corintiano'. Segundo Sebastião quem o incentivou a cantar foi o cantor alagoano radicado em garanhuns, Augusto Calheiros.

Trabalho muito com Dercy Gonçalves, num programa de televisão da TV Farroupilha, onde ele podia cantar e fazer humor. Sebastião do Rojão considerava-se uma garanhuense e amava sua terra.

Sebastião do Rojão faleceu em Caruaru, PE, em 25 de outubro de 2011 aos 76 anos de idade. (Fonte: Jornal O Monitor / 25 de Junho de 1994).

sábado, 11 de julho de 2020

HOJE É SÁBADO

Garanhuns, PE - Feira livre na Avenida Santo Antônio - Década de 1940

Hoje é sábado. Eu gosto dos sábados. Para mim, gosto que eles aconteçam sem meu planejamento. É um dos únicos  dias que para ele, não planejo nada ou quase nada. Gosto que  os sábados e as coisas boas deste dia aconteçam com o sentido de surpresa, esperando é claro, que sejam aqueles agradáveis que todos nós sempre desejamos e esperamos.

As coisas ruins que não venham... que fiquem para outros cantos.

Também não gosto muito que outros façam "planos" para os meus sábados. Lembro que na minha pré-adolescência, eu era livre para nos sábados dar uma esticada até a feira desta minha querida Garanhuns, à qual chamo em um poema/livro: "A Enevoada Pérola Fugidia". Um "mundo" maravilhoso: a feira. Gente, muita gente, frutas deliciosas, pássaros aprisionados em gaiolas, quinquilharias, pequenas figurinhas de barro com "cenas" do cotidiano, guloseimas, a "caramba", os tabuleiros de bolos e doces. Caçuás com galinhas, patos e ou pequenos animais: preá, cutia.

E mais as figuras tipicas da Feira, tais como: o barbeiro, o "homem da cobra", o cego pedindo esmola, um malabarista fazendo "mágicas" bestas, bêbados desengonçados e meu ligrar preferido: a tenda do meu Tio (avô) Chiquinho e da Tia Satu. Ali eu parava e ele me dava - invariavelmente - um níquel. Saia pulando para tomar caldo de cana com pão doce...

O sábado, o dia das  surpresas (agradáveis?), o dia da feira de Garanhuns, era para mim sempre, um dia de  alumbramento.

Manhã inteira do sábado na feira, vendo e revendo tudo.

Com o níquel dado por Tio Chiquinho, querendo comprar tudo, depois do pão doce.

E o sábado ia passando e eu correndo na feira, vendo, revendo tudo afugentando a fadiga. Quase meio dia a viagem de volta... Voltar para  casa descendo e subindo  ladeiras.

No quintal da nossa casa, outra maravilha, que ocorria somente no sábados: amigos e "parentes" comadres e compadres do Sítio Mulungu (da minha Tia Naninha) e de outros sítios próximos, literalmente "estacionavam" seus carros-de-boi, seus cavalos, mulas e burros, no nosso espaçoso quintal.

O quintal era muito grande aos meus olhos. Um estacionamento mesmo.

Eles, aqueles mesmos "visitantes" homens e mulheres,  a cada sábado, traziam dos sítios, muitos "agrados" para Dona Francisquinha (minha mãe). Traziam frutas, verduras, ou uma "franga", ou galinha gorda. Não era "pagamento" do estacionamento. Era parentesco distante, mas era fidelidade amiga que prevalecia, em troca também de favores de meu pai, comerciante.

Ali, por entre cavalos, selas, arreios, carro de boi, latas d'água, coxo de capim e muito cocô dos bichos, eu passava a tarde do meu sábado. Cenas que se repetiam a cada semana, mas sempre carregadas de emoções. Tudo se completava com as  "histórias" e "estorias" daquela gente, ali sentada em caixotes, tamboretes ou tronco de árvores. Ficavam fumando seus cigarros de palha, contando um mundo de coisas, com certeza mentiras e invenções.

Algumas verdades, claro.

As vezes acho que de certa forma "enriqueci" meus primeiros conhecimentos com aquele tipo de "cultura" rude e grosseira, mas sobremodo revestida de autenticidade e inocência.

Tirando aquele aspecto do estrume dos animais, e odor dos cigarros, o resto era beleza pura. Emoções incontidas e guardadas até hoje.

Um dia, uma égua grande acabou de urinar e permaneceu uns minutos com as pernas abertas. Fui por trás da bicha, peguei no rabo dele e tentei me balançar... Não deu certo. Ela fazendo-se de durona, (ou metida a besta) ameaçou um coice. Pulei fora em tempo.

Que bom o sábado. Melhor ainda quando ele retorna com lembranças inapagáveis. como hoje. Por isso eu gosto do dia de Sábado.

Marcílio Reinaux
Escritor, poeta e jornalista 
Abril de 2012

sexta-feira, 10 de julho de 2020

SIVALDO COMENTA VOLTA DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS EM GARANHUNS E REGIÃO


Amigos e amigas de Garanhuns e região,

Na próxima segunda-feira (13), conforme decisão do Governo de Pernambuco, analisando os dados da pandemia, estaremos autorizados a passar a uma nova etapa do Plano de Convivência, o que nos permite o retorno de diversos segmentos econômicos. Se por este lado é positivo, pela volta das atividades laborais e impacto positivo na economia, por outro, precisamos ainda continuar atentos ao aumento dos números de infectados e óbitos na região. Por isto, fazemos o alerta para que todos continuem com as medidas de prevenção individual, como uso da máscara e álcool em gel, e se possível, ficarem em casa, e pedimos aos comerciantes, entre outros responsáveis pelos segmentos que retornarão às atividades, para que atendam às determinações do Plano de Convivência, para um retorno gradual e seguro no atendimento aos clientes e população em geral.

É importante o retorno das atividades econômicas, mas elas devem estar dentro dos padrões sugeridos pelas autoridades sanitárias do estado e do país. Aproveitamos para nos dirigir à CDL Garanhuns, que fez um belo trabalho educativo nos meios de comunicação e sabemos do compromisso dos dirigentes com a saúde da população.

Aproveitamos para informar que as atividades religiosas também retornam, conforme conversamos com o governador Paulo Câmara, e já adiantamos ao Bispo D. Paulo Jackson e pastores evangélicos de nosso município.

Agradecemos a todos o apoio e oramos juntos para superar este momento com o mínimo de perdas para as famílias do Agreste, por isto trabalhamos intensamente para oferecer a melhor estrutura de saúde nos hospitais da Rede SUS, gerenciados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Abraço a todos,

Sivaldo Albino
Deputado Estadual

REMEMBER - DR. RAIMUNDO DE MORAES

Dr. Raimundo de Moraes
Para encerrar o ciclo desta série de crônicas - "Remember" - iniciada com Luiz Pereira Júnior, e, cronologicamente, seguida pelas lembranças de João de Assis Moreno, Dão, e do Deputado Elpídio Branco, vou deter-me na figura humana do Dr. Raimundo de Moraes.

Não ser-me-à fácil nesta evocação, sentimental, separar, com a isenção que se faz necessária, o filho Humberto do pai Raimundo, pois, sem o primeiro, um amigo cuja convivência espiritual cultivo há mais de 40 anos,  não teria condições de escrever sobre o segundo. Ao leitor desprevenido isto poderá parecer uma inversão, de vez que o pai sempre precede o filho, mas, no caso, ocorre justamente o contrário.

Ouvi pela primeira vez no nome do Dr. Raimundo de Moraes no ano de 1947, quando, fundador em Garanhuns do Partido Trabalhista Brasileiro, ele candidatou-se à deputado estadual, apoiando a candidatura do Coronel Francisco Figueira, da União Democrática Nacional, à prefeitura do Município. Eu e o meu saudoso pai estávamos do lado oposto.

No pleito eleitoral, se a legenda não fosse tão fraca em Pernambuco, o Dr. Raimundo de Moraes, um dos mais votados em Garanhuns e no Agreste Meridional, teria sido eleito, mas, mesmo assim, coube-lhe a primeira suplência. E deputados eleitos, tando da UDN como do PSD, tiveram menos votos que ele. Cirurgião-dentista pela Faculdade de Odontologia de Araraquara, São Paulo, o Dr. Raimundo de Moraes também foi emérito escritor, poeta e jornalista de pena assanhada. Um apaixonado pela vida! Tudo que fazia, fazia bem e com paixão! E Garanhuns foi uma das suas grandes paixões. Talvez, quem sabe, sua maior paixão.

Residiu numa chácara situada na Rua da Areia, logo no início, na confluência da curva onde termina a Rua 7 de Setembro, onde começa o bairro do Magano, e lá cultivava na terra fértil, hortaliças, flores - as rosas de Garanhuns - e até café além do pequeno e bem cuidado pomar. Morava na cidade em pleno sítio do interior, e fazia, diariamente, longas caminhadas da casa até o consultório que lhe dava o sustento da família, da esposa e dos filhos Cláudio, Lourdinha, Humberto e Luís, uma prole conhecida e respeitada na sociedade citadina.

Foi vereador em diversas legislaturas e sua presença na Câmara condiz com o nome "CASA RAIMUNDO DE MORAES", que Ulisses Pinto, este "mochileiro" de boa cepa, das melhores raízes garanhuenses, houve por bem sugerir, em reparo à omissão de um prefeito que não quis dar-lhe o nome honrado a uma praça pública da cidade a que tanto amou, sob todos aspectos.

Meu pai teve uma boa relação de amizade com o Dr. Raimundo de Moraes, mesmo e apesar de opositores políticos. Respeitavam-se como cidadãos de bem que foram, colocando, sempre, Garanhuns acima de eventuais interesses partidários. Se não foram amigos íntimos - como fui e sou do seu filho Humberto -, não deixaram de ser  adversários civilizados, que respeitavam reciprocamente.

Morreu o Dr. Raimundo de Moraes, lúcido e trabalhando, na idade avançada dos 81 anos, quando meu pai não chegou aos 74 anos, já afastado de Garanhuns, em seu retiro de Olinda. Nesses 7 anos de de diferença, a cidade serrana continuou recebendo as saudades de Fausto Souto Maior, mas, essencialmente, a presença contínua do escritor, do poeta, do espiritualista, sobretudo, que foi o pai do meu amigo de infância, de adolescência, e, ainda, desta terceira e definitiva idade - Humberto Alves de Moraes.

Rinaldo Souto Maior
Jornalista e historiador
São Paulo, 19 de Maio de 1984