domingo, 20 de janeiro de 2019

VENTUROSA / SONHO DE UM NORDESTINO


Revelando os Brasis Ano II
Instituto Marlin Azul
10 de abr de 2013
Documentário - Sonho de um Nordestino 
Venturosa - PE
Roteiro, direção e produção: Genildo Bezerra dos Santos

Sinopse: Desde criança, Genildo sonhava em ser artista. Em 1984, ele foi para São Paulo tentar a sorte, trabalhando como vendedor, funcionário de fliperama, cobrador de ônibus e palhaço, até conseguir gravar seu primeiro disco com a ajuda dos amigos. Vieram apresentações em programas populares de TV e outros discos em vinil e CD, mas, em 2000, Genildo (que se define como “um nordestino à procura de seus sonhos”), decidiu que era hora de retornar a Venturosa.

sábado, 19 de janeiro de 2019

CAMINHOS

Caminhos
Imagem/Anchieta Gueiros


Por João Marques*

Garanhuns - Gosto dos caminhos. Pequenos, estreitos, que vão só de uma casa a outra. Tortos, mas que  a vista possa acompanhar as curvas à frente. Caminhos brancos, de areia, cheios de rastros de pés descalços e de cascos de animais. Sair pisando, passando as voltas... para mim, é como o malabarista que exibe os passos na corda bamba. Pisar o chão, com o prazer de andar. Uma intimidade com o ambiente. Uma afinidade com a simplicidade, que desenha o itinerário. Como nos primeiros passos da criança. A graça da andar. A beleza do caminho. O significado da rota.

Os caminhos da minha infância... Lá vou correndo atrás de minha mãe, que caminhava. Eu notava que ela, apenas, caminhava. Eu achava graça, porque era preciso correr, para acompanhá-la. Eu achava graça. Divertia-me (brincava) com o caminho pequeno como eu. Eram muitos, meus irmãos. O caminho da cacimba. O caminho da bodega. Caminhos, cada qual com seu jeito, mas todos meus irmãos pequeninos. Depois, fomos crescendo, fomos ficando mais longe.

As trilhas viraram estradas. As estradas, pistas. Passei a andar com passos largos, a percorrer avenidas. Pouca, alguma simplicidade dos meus caminhos ainda carrego. Faço poesias e músicas a eles, meus irmãos que se foram. Saíram, como eu. Uns se perderam, quando deram em estradas mais largas e mais transitáveis. Outros, acidentalmente, desapareceram. Não sei para onde. Sei que não estão mais em seus lugares. Só existem comigo, qui na saudade.

A propósito, penso em quem nasceu na cidade grande. Nasceu e cresceu. Vive sem caminhos. Cresceu com os  edifícios. As saudades são outras. Não sei de que sente saudades. Mas, sente, porque é gente também. Contudo, ao ler reminiscências como estas, dos caminhos, padecerá, de alguma forma, como eu, a falta deles. Que caminhos seriam os seus? Por entre ruas, o roteiro da escola? A linha de ônibus que levava ao parque? Não sei. Acredito que todos nós temos caminhos, diferentes, mas caminhos.

Um dia, já grande, tomei uma estrada e fiz dela meu caminho, como gosto. Tinha andado cerca de seis quilômetros, quando, ao ver um besourinho de asas coloridas no chão, parei. De cócoras, fiquei apreciando o bichinho, enquanto o fazia subir em um jato, que eu tinha à mão. Antes, encaminhava-me em direção do sítio, indo da cidade (sem os caminhos). Aconteceu que, estando eu ali, parado, um transeunte que ia, também, da cidade, alcançando-me perguntou-se se eu vinha do sítio. Antes de dar a resposta, senti que  estava satisfeito pela caminhada e, imediatamente, resolvi voltar. Respondi que sim, que vinha do sítio. Voltei para cidade. Mais tarde, no mesmo dia, chegou um portador do sítio, vindo, também, a cavalo, para perguntar a mandado de meus pais, o que tinha acontecido, pois souberam que eu havia sido visto do sítio para a cidade, quando não havia saído de lá. Foi-me muito difícil das as explicações convincentes, pois, nem todos que viajam entendem os caminhos.

* João Marques dos Santos é escritor, poeta, diretor/redator do jornal O Século, autor do Hino de Garanhuns e ex-presidente da Academia de Letras de Garanhuns - ALG

IATI / COMBATE DE LAMPIÃO NO SÍTIO AGUAZINHA (1935)

Caminhos de Lampião na sua quarta viagem à Pernambuco
Imagem/Frederico Bezerra Maciel

Lampião pela quarta vez voltava à Pernambuco, aparecendo, em 3 de maio de 1935, no povoado Garcia, município de Águas Belas  próximo da divisa do município da  Pedra / PE, onde trocou tiros duas vezes com o tenente Zé Jardim, enquanto outro grupo seu atacava uma povoação a duas léguas de Cacimbinhas, no município alagoano de Palmeira dos Índios. Ainda no mesmo dia, Luís Pedro, com três homens, saindo de Santana de Ipanema, "Quartel General" de Lampião, penetrou em Águas Belas, onde se demorou apenas um dia. Em perseguição ao grupo saiu o tenente Zé Jardim com oito praças, inclusive um sargento.
Lampião lendo a revista "A Noite Ilustrada"
e Maria Bonita com o cachorro "Dourado"
No sítio Aguazinha, próximo de Mucambo (Iati), município de Águas Belas, em 27 de maio de 1935, foi realizado um duro combate entre Lampião, com seis homens e duas mulheres, e as forças volantes com quinze praças comandados pelo tenente Zé Jardim. A única perda foi o cachorro de estimação de Lampião chamado "Dourado". Morto varado por uma bala de fuzil no momento em que avançava feroz sobre um soldado. Lampião lamentou muito a perda desse fiel amigo. Em seguida, dirigiu-se para Bom Conselho, enquanto o capitão Miguel Calmon, delegado regional, reforçava a guarnição daquela cidade. Fonte: Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado de Frederico Bezerra Maciel.
Sítio Aguazinha - Local onde foram encontradas várias cápsulas de bala em 1971
Imagem/Anchieta Gueiros

Sítio Aguazinha - Volta da Meia Noite ou Volta de Lampião
Imagem/Anchieta Gueiros


Anchieta Gueiros e o Sr. José Leite 
de Carvalho (Zé Leite)
Sítio Aguazinha - Em 1971, trinta e seis anos após este combate, homens que trabalhavam no corte da caatinga preparando o solo para o plantio da palma, encontraram entre pedras uma grande quantidade de  cápsulas (casca de bala). Conversei em Iati com Sr. José Leite de Carvalho (Zé Leite) que me confirmou o fato pois o mesmo trabalhava no local quando foi encontrado o material.   Ele revelou que a propriedade pertencia na época ao Sr. Luís de Barros Silva (Lulu)  avô deste blogueiro e que o local era de caatinga fechada e de difícil acesso. 

GARANHUNS / LANÇAMENTO DO BLOG DO PAULO CAMELO


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

FPM / SEGUNDO DECÊNDIO DE JANEIRO VEM COM SALDO POSITIVO

Com desempenho melhor que do ano passado, o segundo repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) do ano entra nos cofres municipais nesta sexta-feira, 18 de janeiro. O valor a ser partilhado entre as 5.568 prefeituras será de R$ 1,2 bilhão, segundo estimativa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) com base em dados oficiais. Ao considerar o porcentual constitucional destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), o montante sobe para de R$ 1,5 bilhão.

O valor do segundo decêndio de janeiro será 6,14% maior que o montante repassado no mesmo período do ano anterior, segundo cálculos da Confederação, em termos nominais – sem considerar os efeitos da inflação. A soma das duas transferências deste ano apresenta crescimento de 15,61%, em comparação com os dois primeiros repasses de 2018. O montante partilhado foi de R$ 4,7 e R$ 5,5 bilhões, em 2018 e 2019, respectivamente.

Veja o levantamento completo, com valores brutos e com os descontos constitucionais, respectivos.

Por Raquel Montalvão 
Agência CNM de Notícias

GARANHUNS / MEMÓRIAS DO PADRE ADELMAR VALENÇA (PARTE III)

Padre Adelmar Valença aos 17 anos
Imagem/Cora Valença
Em 1916, continuamos na Escola de Artur Maia, onde muito aproveitamos, exceto espiritualmente, pois ele não tinha a base da fé e tinha, na sala, um retrato de Raul Pompéia. Em 19 de abril de 1916, Agobar e eu fizemos a primeira confissão, com Padre Heliodoro Bastos, cara a cara. Sei que ele tinha a testa fria. No outro dia, a primeira comunhão, sem a solenidade própria: era a quinta-feira Santa. Na véspera da Hecatombe, Sr. Lira e Antônio Rosa, alegres, conversaram em frente à nossa casa. Ambos, bem simpáticos; no dia seguinte, porém, confrontaram-se no horror daquela tragédia. Nessa Hecatombe, foi grande a minha aflição, com as  notícias trazidas por Maria Luna. Ia saindo, quando, chorando, com medo, pedi que ficasse. Mas, depois que ela saiu, sem medo nenhum, Agobar  e eu nos dirigimos para a cidade; já perto da rua São Francisco, ouvindo os tiros, aconselhados por um homem, voltamos. Dos que morreram, eu conhecia: Júlio e Argemiro Miranda, Sr. Veloso (que passava, todos os dias, em frente à Vila Regina), Sátiro Ivo, Manuel Jardim, Luís Gonzaga Jardim e o Cabo Cobrinha (este, sempre o via, acompanhado de um carneirinho). Na escola de Artur Maia, tínhamos um colega, mais velho do que eu, na cadeia, assistiu à morte do pai, Argemiro Miranda, naquele triste dia 15 de janeiro de 1917. 

Garanhuns - Antigo Beco do Engole-Homem (Atual Rua Dom Luís de Brito)

Por causa das consequências da Hecatombe, o professor Artur Maia comunicou que,  naquele ano, sua escola não funcionaria. Matriculamo-nos no querido Ginásio de Garanhuns. Antes, Agobar e eu fomos buscar os estatutos. Padre Antero sorriu quando Agobar pediu "os substitutos" e, sem corrigir, entregou-lhe os estatutos. Tivemos a primeira aula, naquela segunda-feira, 5 de março de 1917. O Ginásio era o primeiro prédio da rua Santo Antônio, ao lado direito da Catedral, mas as aulas funcionavam por trás, nas duas primeiras casas do beco que era chamado de Engole-Homem (rua D. Luís de Brito). Fomos para a terceira classe e éramos considerados os melhores alunos. O professor era Deoclécio Cabral, de quem nunca mais tive notícias. Numa sabatina, dei bolos em muitos, mas um que dei em Agobar doeu mais em mim do que nele e ainda me dói. No fim do ano, fui coroado no festival de encerramento e cantei, com Agobar e Flávio Lira, a canção "Sou Reservista da Marinha". 

Em 1918, a 11 de março, fui crismado por D. Sebastião Leme, tendo escolhido Padre Castelo como padrinho meu. Nesse ano, assisti, comovido, à festa da posse do prefeito Doca Ivo, com a Banda de Música tocando "O Guarani!". Infelizmente, o meu grande pendor musical não foi estimulado por mim nunca. Mudamo-nos para a rua Santo Antônio, casa nº 27, onde nasceram Asnar, Abgar, Abigail, Adisa. No Ginásio, ficamos na 4ª classe. Estudávamos muito, ainda sem luz elétrica, até tarde da noite e pela madrugada, com luz de candeeiro. Em setembro, por causa da gripe espanhola, o Ginásio suspendeu as aulas (ano de 1918). Eu estava com essa doença, quando o padre Antero mandou dar esse aviso. Meu pai estava com o gado na Serra das Antas, onde eu sempre via muitos anuns, em maior número do que os que eu  via na Vila Regina. Em 1919, para a posse de D. Moura, o Padre Castelo escolheu-nos para acólitos. Éramos seis: Antônio e Emanuel Leite, Cláudio e Clemente Peres, Agobar e eu. Gostávamos muito de tudo o que o padre ensinava. No Ginásio, sempre bem nos estudos e comportamento. Mas cometi uma falta: ficara preso, até 5 horas, um colega interno, chamado Carlos de Carli. As aulas tinham terminado às 4 da tarde; fui à padaria, ali perto, comprei seis pães doces, por um tostão, bati na janela e dei a ele. No dia seguinte, logo às 8 horas, quando entramos para as aulas, o Padre Antero, na aula de Religião, mandou que eu dissesse quais eram as 14 Obras de Misericórdia. Disse todas. Falou,  então, o Padre Antero: "Você, ontem, cometeu uma falta, as fica perdoado o castigo porque, além de saber as Obras de Misericórdia, praticou duas delas: Dar de comer a quem tem fome e visitar os encarcerados. 

"No fim do ano, fui novamente, coroado e, na festa do encerramento, recitei a poesia "L'incendie de  la chaumière", tendo, na véspera, recitado diante do Maestro Jouteux, francês, que nada quis corrigir. Nesse festival, contamos com a presença de D. Moura, que tomara posse na Diocese a 26 de outubro, cujas festas duraram três dias, festas nas quais, como acólitos, tivemos parte importante. Fonte: Livro "O Diocesano de Garanhuns e Mons. Adelmar de Corpo e Alma" do escritor Manoel Neto Teixeira

RENATO SIQUEIRA É ELEITO PRESIDENTE NACIONAL DA UBE

Alexandre Santos, Colly Holanda e Renato
Siqueira 
Uma trajetória meteórica, assim, podemos classificar a chegada do escritor, Renato Siqueira a Presidência Nacional da UBE. Apaixonado por literatura Renato teve o apoio imprescindível de alguns escritores da região do Agreste meridional para a implantação do Núcleo da UBE em Garanhuns. Assumiu a  presidência da Instituição Literária e, em apenas 2 anos, fez uma gestão exemplar, ganhou destaque e confiabilidade no meio, foi além fronteira, graças ao seu comprometimento com as causas literárias, respeito e bom relacionamento com os demais núcleos e seus membros espalhados pelo país a fora.

Renato assumiu a Câmara de Desenvolvimento Literário e Cultural do Agreste, a tesouraria da executiva nacional e passou a ser, homem de confiança do presidente, Alexandre Santos.

Agora, o fundador do núcleo Garanhuns entra para a história da União Brasileira de Escritores como, o mais jovem escritor a assumir a presidência da UBE Nacional e o primeiro membro do interior do Estado a ser eleito ao cargo maior da entidade.

Na quinta-feira (17) em Garanhuns, dia de votação, o clima já era de alegria e descontração entre os membros do núcleo local, com a certeza da eleição do agora, escritor mais ilustre do seu quadro, já, que, por motivos superiores a outra chapa concorrente teve problemas documentais na reta final que, a impossibilitou de concorrer a eleição. Assim, às 19h30 de ontem 17 de janeiro de 2019, foi declarado eleito pelo voto livre, democrático e soberano, o mais novo Presidente Nacional da União Brasileira de Escritores, Sr. José Renato da Silva Siqueira.

O Núcleo de Garanhuns, através do seu presidente, Sr. Natanael Vasconcelos, vem de Público, parabenizar o presidente eleito, Renato Siqueira e todos os demais membros da chapa vencedora.

Nos sentimos orgulhosos com a vitória, e, ao mesmo tempo, comprometidos em colaborar com a nova equipe e sua gestão, que acreditamos será coroada de êxitos. Com informações do Blog da UBE-Garanhuns

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

ENTRE COBRAS, CURANDEIROS E HOMEOPRÁTICOS



Por Clovis de Barros Filho*

Às vezes tem coisas que acontecem com você na infância e só muito tempo depois paramos para pensar e entender a razão daquele fato ter acontecido e passado durante muito tempo sem que despertasse a nossa atenção. Foi o que aconteceu comigo. Descobri que dois parentes meus mais precisamente o meu avô paterno e um tio usavam a medicina para curar o pessoal da redondeza onde moravam. Não era bem medicina. Meu tio estava mais para curandeiro do que farmacêutico, mesmo porque não tinha qualquer formação ou estudo para exercer aquela atividade. Já o meu avô não se sabe de onde tinha aprendido, exercia a função de homeopata é óbvio, sem nunca ter cursado sequer uma escola de segundo grau. Graças a Deus estou vivo para contar a história e que por  pouco não bato as botas em função das pajelanças do meu nobre tio. 

Esse tio meu vivia desse negócio de vender "remédios" produzidos claro, por ele mesmo, com altíssima tecnologia. Seus chás, infusões, lambedores, tinturas  e que tais eram baseados numa forma primitiva do que seria um fitoterápico. Ele vagava a pé  pela região, de povoado em povoado vendendo seus produtos milagrosos. E a freguesia era fiel. Numa dessas andanças ele me encontrou por coincidência na casa da sua irmã. Eu não andava muito bem de saúde coisa simples, apesar de ter só 10 anos. Falta de apetite, indisposição coisas de criança mal alimentada. Nada sério que uma alimentação mais adequada não poderia resolver.  Ao me ver abatido ele perguntou o que eu sentia e eu falei o que se passava. Ele então me disse que aquilo era fácil de resolver. Abriu a sua mala inseparável onde levava os seus remédios e me consultou dois tipos que até hoje não esqueço. Ele disse: olha esse aqui apontando para um pequena frasco chama-se Teu creum marum verum você toma todo dia um colher de chá antes das refeições meu filho é um vermífugo. Esse outro aqui disse ele é o Chá Parangaba você tome também três vezes ao dia antes das refeições é um santo remédio para fraqueza. Eu não paguei nada mesmo porque não tinha um puto no bolso. Quando cheguei em casa mostrei aos meus pais e ele foi enfático ao dizer que eu ia ficar bom logo logo pois meu tio não errava uma. Já minha mãe mais ressabiada falou que por ela eu não tomaria aquela coisa.

Bem comecei a tomar os remédios no dia seguinte conforme solicitado. Após uma semana de uso comecei a sentir dores fortíssimas no fígado, tontura e a urina parecida com coca-cola. Minha mãe ficou apavorada, jogou os dois remédios fora e me levou imediatamente para Garanhuns onde depois de um tratamento me recuperei. Depois desse dia perdi o contato com meu tio Gustavo. Já o meu avô era mais cuidadoso. Apesar de não ser homeopata formado era um homeoprático, aprendera lendo livros específicos sobre o assunto. E como as doses prescritas eram muito pequenas e as diluições dos produtos muito mais ainda, suas receitas nunca fizeram mal a ninguém pelo contrário muita gente o tinha como verdadeiro doutor. A mesma sorte não teve o meu tio que morava num sítio próximo ao vilarejo de São Serafim. Esse tio meu era o irmão mais velho da minha mãe. Pensem num cabra teimoso e brabo. Meu tio vivia metido em encrencas quando jovem e àquela altura mais velho, parecia ter aposentado a sua valentia. Vivia no sítio cuidando do cafezal e de uma pequena criação de gado com seus filhos e a mulher. Frequentemente se queixava de fortes dores na coluna e por mais que tomasse remédios não conseguira até aquela data se recuperar totalmente do incômodo.

Um belo dia aparece no seu sítio a mando não se sabe de quem, uma pessoa que dizia ter o remédio perfeito para suas dores na coluna. Depois de breve conversa convenceu meu tio a fazer o tratamento no mínimo estranho e bizarro. O remédio se baseava na farinha de cascavel. Isso mesmo. Porém como ele falou, meu tio haveria que seguir o ritual de preparo exatamente como ele iria prescrever. Primeiro ele teria que capturar uma cascavel bem velha. O que não seria problema na região. Lá os moradores tropeçavam literalmente nas cobras. Seguindo com a receita, ele falou para o meu tio cortar as duas extremidades da cobra. A cabeça  e a cauda, e descartá-las.  Primeiro, ele deveria tirar todas as escamas, limpar os miúdos do réptil, tirar fora a sua espinha, e o filé deveria ser seco ao sol até ficar totalmente desidratado e pronto para ser amassado até formar um pó fino. Após isso, meu tio deveria colocar o pó em um frasco  e completar com um litro de cachaça. O tratamento consistia em tomar à noite antes de dormir uma colher de chá da infusão. E foi o que meu tio fez. Na primeira semana tomando aquela mistura tétrica  começou a reportar um boa melhora nas dores. Claro era mais um efeito psicológico, mais ao passar a primeira semana ele começou a sentir uma leve coceira nos braços que quase imediatamente se espalhou por todo corpo. Após essa coceira um verdadeiro prurido se instalou dos pés a cabeça dele transformando-o numa verdadeira ferida ambulante. Ficou tão deformado que tiveram que mante-lo num quarto para que ninguém o visse. Levado ao hospital em Garanhuns o médico ao ouvir o seu relato deu o diagnóstico prontamente: envenenamento agudo devido ao veneno de cobra liofilizado. Só depois de muito tratamento e muito tempo depois conseguiu se recuperar. Meu tio prometeu um dia encontrar o  sujeito que por pouco não o matou envenenado. Certamente eu não gostaria de estar na sua pele.

O mundo gira. E não é que voltei a reencontrar meses depois o meu tio Gustavo? Assim que me viu foi logo falando: e ai? Ficou bom da fraqueza? Meio sem graça, não quis contar o acontecido e falei apenas que tinha sentido uma dorzinha, mais que tinha melhorado. Ele de repente se vira pra mim e fala: olha eu tenho um ótimo remédio pra dor de tudo quanto é tipo. E eu perguntei curioso. E tio qual é esse remédio. Ele virou pra mim e disse: pó de veneno de cobra, um santo remédio. Eu quase cai de costas.

*Clovis de Barros filho nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz/SP.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

UBE / ELEIÇÃO 2019


COMUNICADO:

O Presidente da UBE – União Brasileira de Escritores, Núcleo Garanhuns, Sr. Natanael Vasconcelos, no uso das suas atribuições legais, vem de público comunicar a todos os membros da Instituição Literária que, a Eleição para a escolha da nova Diretoria Nacional, vai ocorrer nessa quinta-feira, dia 17/01/2019. Informa também que, uma urna vai está instalada no Auditório da Navasil Gus, Av. Rui Barbosa, 1138, bairro Heliópolis. OBS: em frente ao Clube AGA.

A votação acontecerá das 09:00 h. às 19:00 h. como recomenda o estatuto da UBE.

Esperamos que todos os membros da Nossa Instituição Literária exerçam este instrumento democrático, “O Voto”, para o fortalecimento da UBE Nacional. 

Desde já, agradecemos a todos que comparecerem a mais este pleito da nossa UBE. 

Garanhuns, 16/01/2019

Natanael Vasconcelos
Presidente UBE-Garanhuns

GARANHUNS / O GALO DE CAMPINA DO GOVERNADOR

Década de 70 - Ivo Tinô do Amaral,  Governador Moura Cavalcanti e Amílcar da Mota Valença 

Por Pedro Jorge Valença*

O meu pai Amílcar Valença era um excelente criador de Galos de Campina e possuía os melhores pássaros da Região adquirindo através de compra ou presenteado pelos amigos. O terraço de nossa casa na Vila de São Pedro era repleto de gaiolas. Na fazenda tinha um tirador de Leite de nome Emídio que gostava de capturar Galos de Campinas  que procuravam refugio numa plantação de Algarobas de quase um  hectare que ficava nos fundos de nossa residência. Como exímio conhecedor sabia distinguir os pássaros machos das fêmeas. Sua distração e até renda era  capturar os Galos de  Campinas colocando umas iscas com milho triturado. Tendo capturado uma fêmea fez  um sinal cortando uma ponta da calda. Outra observação foi que quando os seus parceiros eram apanhados dias depois ela retornava com um novo companheiro. Emídio nas horas vagas ficava observando quais eram os Galos de  Campina que tinham o canto limpo e os melhores entregava para a coleção de Papai. Os outros eram vendidos.

A fama de Amílcar como bom criador de Galo de Campina chegou até ao Governador Moura Cavalcanti, que também era apaixonado criador daqueles pássaros. E num certo dia chega na nossa Fazenda dizendo que compraria por qualquer preço o Galo de Campina mais famoso. Papai disse que o pássaro seria um presente e que o Governador ficasse a vontade para escolher entre os dois melhores. Moura Cavalcanti depois de ouvir atentamente as cantorias dos Campeões, levou o Galo de Campina para o Palácio onde ficou em local de destaque e sempre se gabava de ter o melhor Galo de Campina de Pernambuco. Só que o Governador era um grande líder Político, mas não soube escolher o  melhor pássaro deixando o campeão no terraço da Fazenda na Vila de São Pedro.

* Pedro Jorge Silvestre Valença é escritor, economista e pecuarista