NATAL

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Garanhuns do Passado: Velho Cedro

Cedro Rosa .
Foto: Blog do Anchieta Gueiros.

José Inácio Rodrigues

Majestoso cedro, sentinela avançado!
Perdulário das procelas do tempo!
Enternecido, em tua fronde, atento,
Jactancioso, viril, és um herói alado...
Equânime, adelgaçado, inefável, altivo,
A vaticinar, imponente, participativo,
O fim das conspirações e dos lamentos,
Sempre firme e no solidário intento
De persuadir a um promissor lenitivo!

A história nos conta que, Salomão,
No intuito de agradecer ao Soberano, 
Pois em prática seu antigo plano,
Construindo uma casa de oração.
Pretendendo fazer a decoração,
Enviou súditos ao Líbano, buscar
Esta estoica árvore milenar,
Concluindo, assim, aquela mansão,
Um belo templo para se louvar
A Jeová Deus, em Santa Comunhão.

Aqui, num pródigo e glacial agosto,
Celso Galvão acreditou no futuro.
Num terreno, na época, obscuro,
Com sol, no horizonte, lúdico e posto,
Visão voltada para o alto e disposto,
Um palácio resolveu construir então.

Estacas foram fincadas naquele chão,
Entre eles, por acaso, um cedro emergente,
Egresso do lendário e belo oriente,
Hoje, imarcescível, é causa de emulação.

No curso daquela edificação,
Entendeu-se que a árvore, incipiente,
De tão bela, era um talismã do oriente, 
E no ubérrimo terreno ficasse então
Para que no futuro, todos admirassem
Um lindo cedro e uma ingente construção.

Exuberante, para o alto, evoluiu.
Ao lado da prefeitura induziu,
Entenderem que é debalde a ostentação.
Que os caprichos da desonestidade,
Ferem a altivez da lealdade,
Conduzindo ao logro e a corrução.

Pouco fiz, amigo cedro, por ti merecer,
Porém, logo cedo, comecei a entender
Os desígnios da política inconsequente,
Porque os que chegaram ao poder, levados
Por interesses próprios estão fadados,
A destilar prepotência à nossa gente!

Árvore amiga, com o decorrer do tempo,
És um estendal, cheio de alumbramento,
A observar em teu fastígio de glória,
Um povo equânime, ético, concludente,
Lutador, perseverante e inteligente,
Imerso na sua própria história!

Livro Relendo o Passado " Em linguagem poética" de José Inácio Rodrigues, mochileiro de Saudosa Memória.

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