NATAL

sexta-feira, 28 de julho de 2017

FIG 2017: "Enchente", de Flávia Pinheiro, encerra temporada de Dança

Espetáculo e inspirado em obra de Hermilo Borba Filho.
Desde o último domingo (23), o teatro Luiz Souto Dourado foi palco dos espetáculos de Dança que compuseram a programação do Festival de Inverno de Garanhuns 2017. Balé clássico, danças populares e contemporâneas foram os principais estilos explorados pelas companhias e dançarinos que passaram por lá. Nos quatro dias de atividades, cerca de 1000 pessoas, entre  Idosos, jovens e crianças prestigiaram às apresentações, que foram encerradas na quinta-feira (27), com a performance “Enchente”, dirigida pela bailarina e performer Flávia Pinheiro.

Um dos homenageados do FIG 2017, Hermilo Borba Filho também serviu de inspiração para a criação do espetáculo “Enchente”. A partir de um conto de nome homônimo do dramaturgo pernambucano, Flávia concebeu uma montagem que mistura performance e a linguagem audiovisual para tornar mais palpável a obra do autor. Durante 45 minutos de espetáculo, as dançarinas Marcela Aragão, Marcela Felipe e Gardênia Coleto simulam o esforço para sobreviver a uma espécie de correnteza. Força, aliás, é o principal recurso utilizado pelas bailarinas.

A coreografia encenada no palco é balizada por uma série de imagens reproduzidas no fundo do palco por Rogério Samico, que leva o público a refletir sobre reconstruções, idas e vindas, recomeços, superação, cheadas e partidas. Além de arquivos da vida pessoal de Hermilo Borba, a projeção mostra imagens de imigrantes clandestinos europeus. Flávia provoca o público a refletir sobre a globalização e a indiferença diante de problemas cotidianamente vividos por pessoas do mundo todo. Coreografia, vídeo e som se unem à iluminação assinada por Natalie Rêvoredo para criar uma atmosfera de serenidade mesmo diante do caos.

Áudio e vídeo foram selecionados com a ajuda de Leandro Oliván, que abriu o seu arquivo pessoal, além de trechos de trabalhos de cineastas experimentais e de arquivos de vídeos da Fundação Joaquim Nabuco e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.  Cenas de inundações que ocorreram nas cidades do Recife e Palmares também foram projetadas criando uma identificação maior com a plateia, que pode refletir simbolicamente sobre o caos deixado por uma enchente.

Flávia Pinheiro lançou mão de tábuas de madeira para costurar a performance com um tom de resistência, força e determinação que normalmente servem de combustível para vítimas de enchentes recomeçaram suas vidas. O encerramento da apresentação se deu com muitos aplausos do público, que ficou de pé para saudar o trabalho dedicado e concentrado das dançarinas que estiveram em cena.

http://www.cultura.pe.gov.br/canal/fig2017/enchente-de-flavia-pinheiro-encerra-temporada-de-danca-no-fig-2017/

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