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sexta-feira, 28 de julho de 2017

História de Garanhuns (PE) - Parte I

Foram exterminados a grande maioria das
populações indígenas que habitavam o vale.
No meado do século XVI, o monarca D. João III, interessando-se pelo desenvolvimento do sertão do Nordeste, ordenou no Regimento entregue ao Governador Geral D. Tomé de Souza, em 17 de dezembro de 1548, que, "sendo de muita conveniência descobrirem-se as terras sertanejas, para esse cometimento, logo que chegasse ao Brasil, enviasse alguns bergantins com soldados da Milícia, pelo rio São Francisco acima, com línguas e práticos, fincando marcos e tomando posse das terras descobertas".

Sucedendo a D. Duarte Coelho, na Donataria de Pernambuco, seu filho Duarte Albuquerque Coelho o primogênito ainda no Reino, tratou logo desta conquista e, regressando à sua Capitania, uniu-se ao seu irmão, Jorge de Albuquerque Coelho, empreendendo no ano de 1560 uma grande expedição ao rio São Francisco.

"Nesta jornada", disse Pereira da Costa, "restaurou algumas pequenas povoações situadas à sua margem, em cujo número fique a do Penedo e, consequentemente, com uma campanha de conquista dos silvícolas se consumiram cinco longos anos, em cujas lutas percorreu o exército pernambucano as planícies, as montanhas e os desertos daquela zona sertaneja, desde os seus limites ao sul pelo mesmo rio, até o extremo norte, exterminando a grande maioria das populações indígenas que habitavam o vale".

Foi somente no ano de 1573, que o feudatário da Casa da Torre, Garcia d'Ávila, chegou a Sergipe, na margem direita do rio São Francisco, onde chantou marco de fundamento de sua Capitania.

Quando Cristovão de Barros tomou posse do governo da Bahia, em 1590, empreendeu e conseguiu a conquista das terras de Sergipe, obtendo pelas vantagens da escravidão, a que foram submetidos os índios Caetés vencidos, poderoso incentivo para a vitoriosa empresa de que, efetivamente, disse Pereira da Costa, resultou avultado concurso de gente de Pernambuco e da Bahia.

Não podendo os selvagens resistir ao embate de um considerável exército, dispondo de grossa artilharia e de numerosas forças de infantaria e cavalaria, além de quase três mil índios frecheiros aliados, viram eles, inopinadamente, invadidas e taladas as suas terras, destruídas as suas aldeias e lavouras e, por fim, depois de uma defesa heroica em combates e assédios, saem vencidos, custando-lhes a terrível campanha cerca de três mil mortos e caindo prisioneiros e escravos quatro mil, que foram divididos pelos expedicionários, como vantagens da guerra".

Através, portanto, dessa inglória campanha de extermínio dos silvícolas e mediante a instalação dos currais de gado e penetração dos rebanhos, tangidos pelos valentes vaqueiros do Nordeste, é que se processou realmente o desbravamento daquela região ignota e feraz, consolidando-se a posse indiscutível dos vastos latifúndios devolutos, em face do direito adquirido pelo "uti possidets".

Esse foi o processo primário empregado pelos colonizadores para a conquista das terras sertanejas, mediante a outorga de sesmarias pelo Reino.

Fonte da Pesquisa: Livro "História de Garanhuns" de Alfredo Leite Cavalcanti.

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