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sexta-feira, 28 de julho de 2017

História de Garanhuns (PE) Parte III

Sertanista Domingos Jorge Velho.
Créditos da foto: Saber em Ação .
No fim do século XVII, em 1694, sendo governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro e dominando os escravos pretos foragidos os quilombos dos Palmares, perturbando a vida econômica da província, pelos frequentes assaltos às fazendas e engenhos, em busca de gêneros e armas e à paz de mulheres ou "negras", com as quais pudessem amasiar-se nos seus feudos e redutos, fortemente entrincheirados dentro da mata, contando com uma população de aproximadamente, quinze mil almas, resolveu o Capitão-Mor dar-lhes combate e, para esse fim, tendo recorrido ao Governador Geral, D. Matias da Cunha.

Robert Southey, em sua "História do Brasil", disse que "resolveu Caetano de Melo fazer um vigoroso esforço para extirpar os Palmares antes que eles se tornassem muito poderosos, recorrendo ao Governador Geral e solicitando o auxílio de Domingos Jorge Velho, Mestre de Campo de um regimento de paulistas, estacionado em Pinhancó, no sertão da Bahia, com uma  tropa de mil homens".

O Governador Geral, então, conseguiu do Rei de Portugal, D. Pedro II, a determinação expressa de que o referido  Mestre de Campo, Domingos Jorge Velho, grande sertanista, comandante de um terço de paulistas, que se encontrava no domínio da Casa da Torre, se encaminhasse para Pernambuco, a fim de exterminar os quilombos e reduzir, novamente, os pretos fugidos à escravidão primitiva.

Ernesto Enes, no seu livro "A Guerra dos Palmares", afirma que, já em 20 de julho de 1690, "informava aos oficiais da Câmara de Porto Calvo o Governador de Pernambuco, D. Antonio Felix Machado, Marquês de Montebelo, que brevemente sobe para o sertão dos Palmares o Mestre de Campo do Terço dos Paulistas, Domingos Jorge Velho, a tratar de sua conquista e da extinção dos negros fugidos que o habitam".

"Os negros fugidos aproveitaram da oportunidade para se recolherem nos Palmares, onde desfrutavam um solo fecundo e uma natureza privilegiada; onde os rios, as lagoas, a caça, a pesca, as matas e os frutos eram abundantes. É possível, e até certo ponto seguro, que nesta emergência de guerra, nem só escravos e cativos se utilizassem do seguro asilo dos Palmares, que também os negros libertos, mulatos, índios mansos a até brancos criminosos e desertores covardes procurassem ali o refúgio seguro contra as calamidades de guerra".

Foi assim que se constituiu e desenvolveu essa famosa Confederação dos Palmares, que quase ocupa inteiramente o século XVII e embora, para alguns autores, ela não passe de uma monótona revolta de escravos, para outros constitui uma república forte e organizada, e talvez até queiram ver nela os primeiros movimentos de independência da raça, senão a  constituição de um estado negro, que mereceu a crítica severa de Nina Rodrigues: "A todos os respeitos menos discutíveis é o serviço relevante, prestado pelas armas portuguesas e coloniais, destruindo de uma vez a maior das ameaças à civilização do futuro povo brasileiro, nesse novo Haiti, refratário do  progresso e inacessível à civilização, que Palmares vitorioso teria plantado no coração do Brasil".

D. João da Cunha Souto Maior, Governador de Pernambuco, em 8 de agosto de 1685, ao assumir o cargo, enviou esforços para que Fernão Carrilho intentasse uma segunda expedição aos Palmares, a qual foi realizada em 10 de janeiro de 1686, com aparente sucesso, em relação à sua excursão anterior, no governo de D. Pedro de Almeida, em 1677, na qual  fracassara dadas as suas atitudes dúbias, pelas quais foi punido com a prisão de cárcere.

Reabilitado na segunda entrada ao sertão de Pernambuco e Alagoas, com a efêmera vitória sobre os quilombolas, reclamou o rei com insistência as vinte léguas de terra que lhe foram prometidas em sesmaria, além de "88 mil réis de tença nos dízimos das terras dos Palmares e de outra tanta quantia a seu filho pelos serviços que havia feito naquelas guerras".

Não obstante, essas guerras e muitas outras anteriores, que moveram aos quilombolas os expedicionários D. Pedro de Almeida, em 1674, e D. Manuel  Lopes, 1675, os pretos foragidos, uma vez reorganizados os seus arraiais, continuaram as sortidas invasões das fazendas e currais de gado dos vaqueiros sertanejos, e dos engenhos da zona da Mata, motivo que levou o Governador D. João da Cunha Souto Maior, em de 11 de março de 1687, a pedir a EL-REI D. Pedro II o auxílio do sertanista paulista Domingos Jorge Velho, segundo documento publicado por Ernesto Enes: "No princípio do meu governo, comecei logo a entender na guerra dos Palmares, movido das contínuas queixas que me faziam os moradores das vilas que lhes são vizinhas, requerendo-me acudisse a socorrê-los, porque os negros, vendo  a pouca oposição que lhes faziam, se desaforaram mais do costumado. Na mesma ocasião, tive notícias que uns homens da Vila de São Paulo se achavam no sertão do rio São Francisco, ocupados com os seus esquadrões na acostumada conquista dos gentios; mandei-os convidar que me quisessem ajudar na guerra que determinava fazer, assegurando-lhes mercês e prêmios, em nome de Vossa Majestade; entraram as doenças e com uma nova vaga que conceberam de que eu era falecido, se frustaram  todas as minha esperanças, porque faltou o seu socorro. Neste mês de março, mandaram uns enviados pelos quais me representaram que se achavam com poder bastante para se disporem à empresa, com pouco  dispêndio da fazenda de Vossa Majestade, e que só queriam remuneração da conquista dos negros que asseguram, e aceitasse alguns partidos com que acometiam; eu os aceitei, por me parecerem convenientes, e lhes fiz outras promessas, com que se  despediram satisfeitos, providos de algumas munições com que os mandei socorrer. Já dei conta a Vossa Majestade dos primeiros progressos desta empresa. Agora que se oferece este caminho tão fácil e tão certo para se conseguir a vitória mandará Vossa Majestade dispor o que mais conveniente a seu serviço; eu tenho por sem dúvida, segundo o parecer de todos que só por meio poderão os moradores de Pernambuco livrar-se do pejo que está má vizinhança lhes causa; do que Vossa Majestade resultará a glória de ver livre de tanta opressão estes seus vassalos e acrescentada muito a sua real fazenda; como também acabada uma guerra que tantos desvelos tem custado em tantos anos".

Fonte da Pesquisa: Professor João de Deus de Oliveira Dias e o Livro "História de Garanhuns" de Alfredo Leite Cavalcanti.

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