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segunda-feira, 31 de julho de 2017

História de Garanhuns (PE) Parte VI: Simôa Gomes de Azevedo

Busto de Simôa Gomes de Azevedo.

A SESMARIA DOS ARANHAS

A capitania de Pernambuco foi repartida em várias sesmarias. A atual cidade de Garanhuns pertencia ao território da Sesmaria dos Aranhas, que assim se chamou por ter sido doada em 29/12/1658,  à pessoas da família Aranha: Nicolau Aranha Pacheco, Antonio Fernandes de Aranha e Ambrósio Aranha de Farias. 

O mestre de Campo Nicolau Aranha Pacheco foi uma importante figura nas guerras de restauração do território pernambucano que estava sob o domínio holandês.

A Sesmaria dos Aranhas abrangia a área onde hoje estão situados os municípios de Águas Belas, Buique,(região do Rio Ipanema e do Rio Moxotó) e Garanhuns, etc. Uma região de terras férteis e rios perenes. 

Nesta Sesmaria foram fundadas fazendas e sítios: Fazenda da Lagoa (Buíque) e  a   Fazenda do Garcia e os sítios Flamengo e Buraco (Garanhuns). 

A Fazenda do Garcia foi assim denominada  por ter sido fundada por Antonio Garcia que era o foreiro dos Aranha Pacheco no Campo dos Garanhuns.

O nome Garanhuns origina-se, provavelmente, dos primitivos habitantes desta região, uma tribo indígena do grupo linguístico Cariri , chamada garanhus, descoberta por Gabriel de Brito Cação, que recebeu como prêmio pela descoberta, a propriedade denominada Sítio do Buraco. 

Este período, coincide com a fuga dos negros dos engenhos de açúcar e formação de  quilombos e mocambos em várias regiões da capitania.  

Os  quilombolas costumavam pegar alimentos às escondidas das plantações e dos engenhos existentes em regiões próximas. Isto incomodava muito os habitantes. 

Na região da atual Garanhuns formou-se o Quilombo do Magano, uma extensão do Quilombo dos Palmares de Alagoas que foi destruído por tropas do Bandeirante Domingos Jorge Velho. 

Durante a  fuga dos escravos e a posterior perseguição a Fazenda do Garcia foi tão depredada que passou a ser chamada de Tapera do Garcia. 

SIMÔA GOMES DE AZEVEDO

Com o fim da  Guerra dos Palmares, começaram a chegar a esta região muitos negros e índios perseguidos. A mesma foi se povoando e formando diversas comunidades negras, ou pequenos quilombos, como também mocambos. 

Com a vitória, Domingos Jorge Velho ganhou como prêmio uma sesmaria de seis léguas de terra. Não querendo aqui ficar, entregou tudo ao seu filho, Miguel Coelho Gomes.

Tudo isso aconteceu em 1694. Domingos Jorge Velho não era flor que se cheirasse, foi um cruel perseguidor e assassino de índios e negros. Sua maldade era sem limites.

Simôa Gomes nasceu em dezembro de 1693.  Filha do Sr. Miguel Coelho Gomes com uma índia Cariri, da tribo dos Unhanhú. Neta de Domingos Jorge Velho e Dona Jerônima Fróes.

Simôa Gomes herdou sua parte de terra, ao falecer seu marido, Manoel ferreira de Azevedo, em 1729.  Em 1756, Simoa Gomes já viúva , através de Escritura Pública doou uma parte de terra da Fazenda do Garcia à Confraria das Almas da Igreja Matriz da Freguesia de Santo Antonio do Ararobá, a atual igreja Matriz de Garanhuns. Simôa Gomes faleceu em 1763.

A igreja foi erguida sob a égide de Santo Antonio, possivelmente em homenagem  ao fundador da Fazenda, Antonio Garcia. 

As Confrarias eram grupos de pessoas que se associavam para promover a devoção e o culto a um santo. Às vezes erigiam um altar em algum lugar, e às vezes já havia uma capela dedicada ao santo e a função da Confraria era cuidar e zelar pela capela. 

Além disso, os membros da Confraria se ajudavam mutuamente, promoviam sepultamentos, oravam pelas almas dos falecidos, cuidavam das viúvas e dos órfãos etc. 

Havia, também, pessoas que designavam a sua própria alma como herdeira de seus bens. Assim, doavam seus bens à Confraria, e, depois de sua morte, a Confraria administrava aqueles bens e orava pela alma da pessoa que doou. Desta forma, o doador, garantia a realização de missas pela sua alma, para que ela se salvasse no juízo final.

Em 10 de março de 1811 o  Povoado  de Santo Antonio dos Garanhuns passa à Vila. Segundo o historiador Alfredo Leite Cavalcanti, a esta altura já havia um povoado com 156 prédios  na propriedade da Confraria, que desde 1813 já se chamava Vila de Santo Antonio de Garanhuns. 

Mas, ao que parece, depois da morte de Simôa Gomes, os membros da Confraria esqueceram o combinado. O deputado Austerlino Correa de Castro contou ao seu neto, o vereador Fausto Souto Maior  e este mandou escrever, o seguinte fato:  "Em 1855, o Juiz de Direito Dr. José Bandeira de Melo, verificando o estado de abandono do patrimônio doado por Simôa Gomes, instaurou um processo que determinou o sequestro e a incorporação dos bens ao Patrimônio Nacional, a sentença saiu em 26 de Julho de 1855". 

Em 1872, o  Juiz de Direito, Antônio Manoel de Medeiros Furtado, regularizou a cobrança do foro e os pagamentos das missas para as almas, supondo-se que tenha sido anulada a sentença do sequestro do patrimônio da Confraria das Almas, mas tudo indica que em nada resultou por que não existem documentos que comprovem essa anulação.

Assim nasceu Garanhuns no seio da propriedade doada por Simôa Gomes de Azevedo à Confraria das Almas.

Fonte da pesquisa: "Livro Garanhuns em Versos" de Luiz Gonzaga de Lima - "Gonzaga de Garanhuns". 

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