domingo, 20 de maio de 2018

ALFREDO CORREA DA ROCHA - MEMÓRIAS DE GARANHUNS

Alfredo Correa da Rocha
Por Maviael Medeiros 

O poeta e prosador Alfredo Correa da Rocha militou por muito tempo  na imprensa local. Pessoa simples, meticulosa, arguta e sobretudo talentosa. Alfredo Correa da Rocha nasceu aos 8 de agosto de 1912 no Sítio Muniz deste Município. Filho de José Cipriano da Rocha e de D. Maria Joaquina de Melo, fixou residência em Santos-SP e lá tornou-se reservista de 1ª categoria, pelo 5º Grupo de Artilharia de Costa na atual Praia Grande. Durante o período de 1934/1938, quando, nesta última data, solicitou sua baixa, constando de sua caderneta o posto de  sargento para a reserva e no  mesmo ano curso madureza em São Vicente-SP. Ainda em 1938, ingressou na Companhia Docas de Santos como conferente e em 1951 fez curso de professorado do 2º Ciclo de São Paulo e quatro anos mais tarde cursou contabilidade e 1º ano de inglês. 

Por longo período lecionou Português e Matemática, dentre outras disciplinas, na cidade portuária. Em 1962 fez Curso de Oratória no SESI e durante o período de 1941/1964 foi diretor em várias funções, do Sindicato dos  Empregados da Companhia Docas de Santos. Em 1966 tornou-se jornalista por Concurso de Títulos, exame efetuado na redação da "Folhas de São Paulo". Colaborou para inúmeros jornais a saber: "Letras Portuárias", "O Diário", "A Tribuna" e o "Boletim Mensal do Sindicato acima citado. Foi redator e Revisor,  durante muitos anos, de "A Tribuna". Dentre os autores clássicos de sua predileção destacamos o Pe. Manoel Bernardes, Alexandre Herculano e poetas do período de transição clássico-moderno como: Almeida Garret e Guerra Junqueira. Dentre os prosadores leu Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, Humberto de Campos, Camilo Castelo Branco, além dos poetas: Gióia Júnior, Carlos Drumond, Manoel Bandeira, Catulo da Paixão e Guilherme de Almeida. 

Dentre os inúmeros prêmios destacamos o Prêmio Literário outorgado pela Rádio Record de São Paulo, em 1959, Prêmio literário patrocinado pela Companhia Docas de Santos em 1962, Medalha de Prata pela composição da letra do Hino Oficial do Ginásio de Capoeiras-PE e Medalha de Prata outorgada pelo SESC de Três Rios-RJ, por  ocasião de sua participação no Concurso de Trovas de Âmbito Internacional, em 1976. Dentre as obras publicadas destacamos: "Peregrinação" (poesias), "Imagens e Ritmos no Tempo" (antologia). 

Alfredo Rocha é como  afirmou o Prof. Mauro Mota, Presidente da Academia Pernambucana de Letras; "uma figura de sólido poder de intuição" e o compara ao artista plástico Maritain, dotado deste mesmo poder. Ao continuar sua análise em torno de "Imagens e  Ritmos no Tempo" assim se expressa: "Suponho que Imagens e Ritmos no Tempo nem precisaria da introdução tradicional, pois afirmar se por si mesmo; representa a antologia em prosa e versos de Alfredo Rocha". Faleceu em agosto de 1977.


ROCHA MORREU COMO VIVEU - ENGOLFADO NAS LETRAS

Homenagem do Grêmio Cultural Ruber van der Linden

O peso dos seus 65 anos não seria capaz de deter a indomável inteligência de um dos mais preclaros intelectuais de Garanhuns que se chamava Alfredo C. Rocha. O Grêmio Ruber van der Linden, sofre o rude golpe da perda do grande e insubstituível companheiro. Quem diria Rocha, que você terminaria seus dias como sempre desejou: vivendo  a atmosfera das letras; disseminando cultura, doando-se à nova geração, formulando convites através dos seus magníficos trabalhos, para que os jovens de hoje, tomem mais interesse pelas letras.

Naquela terça-feira quando era delirantemente aplaudido no SESC o formidável jornalista, poeta e escritor, sofre uma parada cardíaca e tomba.

Tomba seu corpanzil ante à plateia perplexa. Seus amigos mais próximos vão em seu socorro. Ainda balbucia: "O que está acontecendo comigo? - Responde o próprio - Estou morrendo". - Rocha, somente a morte seria capaz de  imortalizá-lo.

Foi brutal termos que acenar os lenços. Você, Rocha, sacramentou no castear dos dias, lindos capítulos de humildade. Nunca se empavorou com o manancial de cultura de que era possuidor. Dos seus lábios nunca partiram frases de desdem contra quem quer que fosse. Naquela noite triste, você falou como se estivesse "cuidando da despedida", conforme Humberto de Morais. E foi um grande adeus. Que não tem tamanho.

Não há adjetivo que o dimensione. Em nome e em respeito a tudo que você representou em vida pela cultura brasileira, permita-nos enxugar nossas últimas lágrimas fazendo de alguns versos do poema "A Palavra" de sua autoria o ponto final da nossa homenagem:


A PALAVRA

Alfredo C. da Rocha

A palavra no ser é coisa viva
Gasta-se e morre, se não recriada
É planta de jardim que só dá flores
Quando pacientemente cultivada

Duas faces lhe dão força suprema
Com imenso poder de idade em idade
Uma que cava o abismo da mentira
Outra que busca Deus pela verdade
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