sexta-feira, 25 de maio de 2018

MEMÓRIAS DE GARANHUNS: NELSON PAES DE MACEDO

Nelson Paes de Macedo
Por Ulisses Pinto

Na história das comunidades, sejam elas pequenas ou grandes, há personagens que precisam ter o pranto da gratidão, o silêncio em sinal de respeito, de veneração, de  solidariedade cristã, de amor. Nelson Paes de Macedo, que acaba de tombar, sem dúvida alguma, ficará eterno em nossa Garanhuns que ele amou até a morte. A sua Garanhuns querida parece que ficou pequena. O meu amigo, amigo de verdade mesmo, apesar dos 59 anos de idade, era aquela árvore frondosa, aquela criatura que politicamente falando, não tinha partido. Sei que nos "velhos tempos" pertencia a UDN como eu. Digo que ele não tinha agremiação porque, na verdade, o Tenente do Exército Nelson Paes, pertencia ao partido de Garanhuns e da sua gente.

A sua morte foi cruel para o mundo intelectual da cidade. Foi ele o autor do Hino do Centenário de Garanhuns. Recebeu com orgulho, a Medalha do Centenário como  prova de seus grandes e inestimáveis serviços prestados à terra de Souto Filho, à terra dos "Mochileiros" que ele tinha orgulho de dizer.

Era poeta, jornalista, compositor, pesquisador de fatos e coisas da nossa história. Era um "raio de luz", um denodado defensor das causas sagradas de minha terra, da sua terra. Ele era a expressão do bem comum. Era possuidor de um caráter sem contestação e sobretudo, leal aos seus princípios, grande por ser simples, poderoso por ser humilde.

Foi bom pai, bom filho, bom irmão e gostava dos seus parentes, grandes ou pequenos. Fui seu amigo, de longas datas, inclusive quando serviu como sargento no saudoso 21º Batalhão de Caçadores aqui sediado no tempo da última guerra mundial.

Lutador por uma Garanhuns progressista, por uma Garanhuns sempre com tendências para o alto como está no seu brasão da Cidade Centenária.

Era membro do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, instituição preciosa pelo bem da cultura da sua Garanhuns, terra das "Colinas Verdejantes".

O Colégio Diocesano do padre Adelmar, com suas histórias foi seu segundo lar. E como era lindo, edificante, vê o Nelson Paes, elogiando o seu Educandário e participando do desfile dos ex-alunos. A história o guardará para sempre, mesmo depois de morto.

Era Nelson que gostava de dizer que a morte era apenas uma passagem para uma vida melhor. Creio que suas palavras estão certas como bom católico que era. Falar da vida de Nelson Paes, dos seus trabalhos na imprensa, inclusive no jornal O Monitor que ele amava tanto, seria enfadonho. Afinal de contas, o querido cidadão-soldado que hoje dorme o sono dos justos, foi sempre um homem preocupado em servir ao seu semelhante, ao homem do povo, aos seus parentes. Ele era o sol da fraternidade em defesa dos humildes, a chama viva de sempre querer lutar pela sua terra - Garanhuns.

O pranteado morto, não tinha mágoas de ninguém e era querido por todos os segmentos políticos.

Admirava as cores rubro-negras, em se tratando do futebol.  Muito gratificante foi o gesto de reconhecimento público, sentimental do prefeito José Inácio Rodrigues de ter decretado luto oficial por três dias em todo o município pela grande perda que nossa cidade sofreu. Também é digna de nota, de compreensão, a atitude do presidente da Câmara Municipal, vereador Pedro Leite Cavalcanti em cooperação com todos os vereadores da Casa  Raimundo de Morais, de ter mandado colocar no salão principal o corpo inerte de Nelson Paes antes da sua sepultura.

Ele já objetivava tomar providências para as solenidades do nascimento do grande Souto Filho, a correr no dia 29 de agosto do ano em curso quando será comemorado nesta cidade o seu centenário. Eis o que dizia em carta dona Gerusa Souto Malheiros a minha pessoa, no dia 27 do mês passado: "O nosso parente Nelson Paes, aqui residente, tem se interessado bastante sobre o Centenário de Papai". Era assim, este baluarte com os filhos ilustres de Garanhuns, que já se preparava lançar três livros inclusive um de poesias e poemas.

Nelson: Quero prestar minha especial homenagem neste momento, reproduzindo as palavras de Bertolt Brechet: "Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam uma ano, e são melhores. Há os que lutam muitos anos, e são muitos bons. Mas há os que lutam toda vida, e estes são imprescindíveis". Você, meu querido amigo e parente, foi assim sua luta pela vida, semeando o bem.

Uma artéria em Garanhuns certamente terá seu nome. Será mais uma homenagem póstuma a Nelson Paes de Macedo, relíquia da grande terra outrora habitada pelos "cariris".

Adeus amigo, você viverá eternamente no coração dos que seguirão o seu exemplo de homens simples, patriota, cristão, correto, digno, bravo lutador pelo progresso de Garanhuns e da sua gente que chora a sua perda irreparável. Mas Deus já o acobertou com o manto da bondade, pois você Nelson, em vida foi a suprema Bondade.

(Texto Lido pelo jornalista Ulisses Peixoto Pinto no Cemitério São Miguel em Garanhuns, por ocasião do seu sepultamento em 15 de fevereiro de 1986).

Nelson Paes de Macedo era natural de Garanhuns, nascido no ano de 1926. Era filho de Antonio Francisco Paes de Macedo e de Alice Paes de Macedo. Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns.


No período da Segunda Guerra Mundial serviu ao Exército no 21º BC, atingindo o posto de Sargento, quando se desligou por motivo de doença

Nelson Paes de Macedo faleceu, em Recife no dia 14 de fevereiro de 1986.



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