sábado, 7 de julho de 2018

SETE DE SETEMBRO: O ALVIVERDE GARANHUENSE E A HISTÓRIA DE UMA BANDEIRA

1969 - Início das obras do Campo do Sete, com a bandeira
 "Pareia" Júlio Paleado
Tudo começou nos idos dos anos 50, quando uma turma de bons desportistas que moravam na rua Sete de Setembro, formam um time de futebol que passaram a disputar os acontecimentos esportivos de Garanhuns. A desenvoltura do time empolgou a todos que alimentavam as emoções de ver a agremiação jogar defendendo a rua. Até que Maí, um antigo sapateiro residente na mesma rua, junto com Bernardo, Antônio Resende, Severino Couto, Abílio Tenório, João Ferreira e outros admiradores, resolveram colocar o nome de Sete de Setembro para homenagear a rua onde nasceu o time. 

Tomou-se a iniciativa de alugar uma casa na mesma rua, onde hoje funciona uma igreja Protestante, que serviu como sua primeira sede. Jogos e mais jogos com o time deslanchando talento admirável, seus primeiros diretores resolveram transferir a sede para a rua do Recife (Dr. José Mariano), no centro de Garanhuns. Na época o Dr. João Ferreira Lima, era deputado federal, morava no Recife e era também diretor da Caixa Econômica Federal, recebeu a comitiva representante do Sete de Setembro, através do Sr. Pedro Lima, para tratar de uma solicitação de ajuda ao novo time de Garanhuns. Nas conversações, a procura de um prédio para servir de sede, foi apontado para um local que já havia à pouco tempo servido de sede da AGA, na rua Dr. José Mariano. O prédio pertencia ao Sr. Barros Lins, que se prontificou a alugar para o Sete. Em pouco tempo abriu-se o entendimento para a compra.

Apelidado de Mata Rato, o time do Sete, melhor localizado em termos de sede e de equipe, ganha a figura de Júlio Paleado como diretor esportivo e ganha em 1958 o seu primeiro campeonato. Em 1962 o time ganha um segundo campeonato com Júlio como presidente da entidade, até 1967. Num período de quatro anos, esse apaixonado alviverde, compra a sede do time, dotando-o de uma expressividade como clube esportivo, dos mais admiráveis. "Era uma sociedade das mais organizadas de Garanhuns", informou Júlio Paleado. 

"Os diretores recebiam diplomas como termo de responsabilidade ao trabalho que cada um devia desenvolver em suas tarefas específicas. "De modo que cada um carregava uma palha, como uma formiga", afirma. Revela Júlio que infelizmente parte da história do Sete de Setembro foi queimada, mas  ainda constam alguns documentos da vida social e esportiva do clube, em termos de fotografias. A ata de fundação, todos os documentos de quitação e outros de atividades do clube, foram injustificavelmente queimados. "O Sete foi comprado da forma mais limpa possível", garante. "Nós compramos para pagar em oito anos e pagamos em apenas quatro, tudo na forma da lei". Meu sonho era quando eu estivesse velho, passar por ali, e dizer para mim e minha geração: isso foi comprado no meu mandato e encostar uma mesinha verde e branca para tomar uma cerveja", confidencia.

Nessa época de sonhos e amor, esse presidente chegou a criar um departamento de educação com expediente de 13 professores que administravam aulas pela manhã, à tarde e à noite. Criando um dos mais movimentados carnavais de clube, o Sete de Setembro possuía ainda uma banda marcial que desfilava na data de seu aniversário, com a confecção de todos os instrumentos de percussão pelo próprio Júlio que seguia a frente também regendo marcialmente o seu clube querido. Quando tudo caminhava bem o clube começou a receber interferências políticas. A utilização da entidade com fins políticos, fez com que seu principal presidente se afastasse definitivamente.

Mesmo com tantas desilusões o setembrino mais importante, mantém suas esperanças de ver novamente o seu clube, soerguido. "O Sete é minha vida, meu sangue - basta que lhe diga que todos os documentos que procurava assinar em nome do Sete, eram assinados com caneta de tinta verde", revela com emoção. (Do Jornal o Monitor de 08 de janeiro de 1994).
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