sábado, 13 de outubro de 2018

CRÔNICA - ELEIÇÕES HÁ 60 ANOS

Givaldo Calado, Dr. José Tinoco, Antônio Edson,
Ivo Amaral, entre outros.
Por João Marques*

Garanhuns/PE - As eleições, como tudo, mudaram. É muito diferente, agora, o dia da eleição. O tempo político, as campanhas eleitorais, as falas, tudo acontece às conveniências das novas leis eleitorais e dos novos meios de comunicação.

Antigamente, eram os períodos eleitorais mais longos e os  candidatos falavam mais. Os comícios pelos bairros toda a noite. Eram tantos os comícios acontecia um por cada candidato. E, depois de cerca de 10 oradores falarem em cada comício, os candidatos a prefeito eram acompanhados até suas residências por pequenas multidões. Espocares de fogos de artifícios, balões músicas e frevo nos pés dos participantes, os mais populares. Comida de graça para os eleitores não residentes na cidade. Por paredes e muros, retratos dos candidatos. E as chapas, cédulas indicando o nome do candidato, eram distribuídas com muita antecedência como meio de propaganda e de  votar, sendo colocada na urna.

O dia da eleição era festivo. O povo vinha para rua, não só para votar, mas também para passear. Muita gente na rua. E até desfiles de carros, com material de propaganda e pessoas gritando nomes de candidatos. Daí, após a eleição, o interesse e o acompanhamento do povo à apuração dos resultados. O rádio noticiava, todo tempo a contagem voto a voto e por urna. E a maior festa vinha com a vitória dos candidatos. Corria gente para todo o lado, gritando e se abraçando. Um tempo de nunca ser esquecido por quem vivenciou.

Nas eleições de agora não há tantas manifestações. Parece que o voto eletrônico automatizou não apenas a forma de votar, mas tornou frívolo o acontecimento. E, se no futuro, o eleitor poder votar, cada um, em sua própria casa, pela interne? (Jornal O Século).

* João Marques dos Santos é escritor, poeta, autor do Hino de Garanhuns e ex-presidente da Academia de Letras de Garanhuns.
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