sexta-feira, 9 de novembro de 2018

AMÍLCAR DA MOTA VALENÇA: O COMERCIANTE E CAMINHONEIRO

Amílcar da Mota Valença
Imagem/Jornal Correio Sete Colinas
Por Pedro Jorge Valença*

Garanhuns/PE - Aos 18 anos instalou uma padaria em São Pedro, onde atendia aos habitantes da Vila e mantinha uns "Pãezinhos" que percorriam a zona rural oferecendo o produto. De posse da sua "Carta de Motorista", foi convocado por seu padrinho de casamento: Abdias Branco, dono da Agência da Ford, para fazer parte da equipe que ia até São Paulo, apanhar os caminhões que eram montados naquele Estado. Devido à liberação lenta dos veículos, seus retornos eram isolados e duravam em média 25  dias. Saindo de São Paulo para Belo Horizonte, Pirapora, Vitória da Conquista, descendo em direção de Salvador, para Alagoinha e depois cruzar o Rio São Francisco na cidade de Penedo. Então era construída uma espécie de balsa, utilizando quatro grandes jangadas, onde eram amarradas cada um dos quatro pneus.

Incentivado por seus amigos Antônio Brasileiro e José Dourado, que adiantaram parte do numerário, foi comprar o seu caminhão. Carregado com fardos de seda, iniciou a viagem, contando com uma boa reserva de gasolina. No caminho deu uma "carona" e depois revelou que ia "correndo" pois era contrário ao Estado Novo. Nas estradas desertas da Bahia, depois de abastecer, notou que estavam faltando dois fardos de  seda. Quando se preparava para voltar, apareceram dois homens com os dois fardos que tinha encontrado na estrada. Segundo Amílcar, só podem ter sido dois anjos, mandados por São José, atendendo os pedidos de sua Mãe Emília, que rezava por ele.

Depois de 28 dias chegou em Garanhuns e com o dinheiro do frete e das compras isoladas que fez, pagou aos seus amigos incentivadores. E foi carregar lenha para a Empresa de Luz, com o veículo quitado. Ganhando dinheiro e comprando a Fazenda São Pedro.

Vendeu seu caminhão e foi ser comerciante, abrindo uma mercearia a loja de tecidos, com oito portas que na área de vendas, no carnaval virava salão de danças ao som de um rádio Phillips.

Comprou outro caminhão, um Ford 1946, de chapa 5833, e fundou uma pedreira, passando a fornecer pedra para Garanhuns. Iniciando os  carregamentos às 5 horas da manhã e só terminando no início da noite, quando aproveitava para comparecer as reuniões da Câmara de Vereadores, como o representante de São Pedro.

Por muito tempo todas pedras de Garanhuns foram conduzidas por Amílcar e Antônio Chofer, que carregava os produtos da pedreira de Chico Tenório.

Uma vez por semana tinha um frete certo, que era uma carga de Algodão para Caruaru e na volta trazia farelo de algodão. Quando aproveitava para comprar os discos de Luiz Gonzaga, maior novidade da época. Mania que o obrigou a implantar um serviço de som para o deleite da população de sua Vila, que conhecia os sucessos musicais antes da cidade de Garanhuns.

O caminhão denominado Nossa Senhora das Graças, pois não se pagava passagem, servia de ambulância, camburão, para levar os raros presos e transporte dos leiteiros.

Trocou seu velho Ford por outro, que assumiu o transporte, trabalhando até quando levado pela população foi ser prefeito de Garanhuns, sua terra natal. (Jornal Correio Sete Colinas - Direção do Jornalista Roberto Almeida - 06/2005).

*Pedro Jorge Silvestre Valença é Economista, Pecuarista e filho de Amílcar da Mota Valença

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http://blogdoanchietagueiros.blogspot.com/2017/10/memorias-de-pernambuco-amilcar-da-mota.html
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