domingo, 4 de novembro de 2018

CRÔNICA - ALFREDO CORREIA DA ROCHA

Alfredo Correia da Rocha, ao centro, por ocasião do lançamento
 de seu livro "Imagens e Ritmos no Tempo" em 20.08.1974. A sua
 direita, Dr. Aurélio e, à esquerda o advogado José Francisco
Por João Marques*

Garanhuns/PE - Alfredo Rocha continua com a sua poesia entre nós, saudosos e sempre admiradores.

Morrerá talvez, no esquecimento do futuro distante. Este pertence as gerações que serão conduzidas, por certo, por outras memórias. Mas no futuro presente, que tem dimensões da eternidade, ele nunca será esquecido, enquanto estivermos compreendidos nesta memória amiga. Quem negará que  "hoje mesmo" não estaremos no "paraíso", com nossos poetas e até... com os nossos "ladrões"? Quem? A dúvida é uma forma de negação, é também vizinha da afirmação. O ladrão pode ser o vizinho do poeta. Se eles se conhecem, conhecidos ganharão a eternidade. O ladrão acabará fazendo poesia, porque "o poeta não morre". Para se ganhar a eternidade, é preciso, antes, ser poeta, como ser criança para conquistar o céu.

Imortalizado o poeta, passemos a viver os versos. Alfredo Rocha fez poesia com a responsabilidade de quem sabe que não morre. Convivendo com o "ladrão", demonstra muitas vezes angústias, desespero e defeitos comuns da alma que ainda sofre, mas, nas chamadas "entrelinhas", vejo o poeta verdadeiro, dando uma mensagem de amor e de verdade. Tudo passa. Tudo se renova. E por sempre se renovar, acaba concebendo a eterna poesia e sendo o poeta do "instante" que nunca mais se acaba.

RITMOS DA VIDA EM SONETO

Alfredo Rocha

Vai-se a invernia, vai-se o frio, passa
A tristeza que o tempo compungia.
Já se escuta vibrar a sinfonia
Em cada ninho. O céu é festa e graça.

Foram-se as sombras, foi a nostalgia,
O bando festival de aves esvoaça.
Virente, a natureza a Deus enlaça.
Na primavera em luz que se anuncia.

Fulge o Sol, vibra o Ar na alacridade
Com que o céu vem lenir a Humanidade,
Nas desdidas que a ferem neste mundo.
Surge a flor matizando o campo e a vida,
Passa o tédio - a beleza é ressurgida,
Só não passa o meu mal - esse é profundo!

Tinha sido "copy-desk" na Tribuna de Santos, reescrevendo matérias para o jornal. Tornou-se exímio revisor e conhecedor de nosso idioma. Literato sobretudo, voltado para a busca da felicidade, a correção dos costumes, o correto, o bom. Não perdia oportunidade para ensinar a escrever e falar bem o vernáculo no programa radiofônico "Garanhuns Literária", mantido pelo Grêmio Ruber van der Linden na Rádio Difusora, o poeta dava aulas sobre delicadas questões da gramática. Alfredo Correia da Rocha faleceu em 23 de agosto de 1977.

* João Marques dos Santos é poeta, escritor, autor do Hino de Garanhuns e ex-presidente da Academia de Letras de Garanhuns.
Postar um comentário