sábado, 9 de fevereiro de 2019

GARANHUNS: JOÃO RUFINO DA SILVA "CEGUINHO DO PIADO"

João Rufino da Silva "Ceguinho do Piado"
Por Carlos Janduy

João Rufino da Silva, filho de José Rufino da Silva e Isabel Josefa da Conceição, nasceu em 13 de junho de 1948, no Sítio Pedrinha, município de Venturosa-PE. Aos 6 anos de idade foi residir no Sítio do Piado, Capoeiras-PE, do qual herdou o pseudônimo. Perdeu a visão com 11 anos. Aos 12, começou a tocar viola, mas em pouco tempo, ganhou  uma sanfona do seu pai, comprada com ajuda dos amigos. A partir daí, o Ceguinho do Piado, iniciou seu apego ao instrumento, desenvolvendo sua contundente veia musical. Sua primeira apresentação em rádio se deu no início da década de 80, tendo sido levado por Cláudio de Zé Neto, ao programa do saudoso Pajeú, na Rádio Meridional.

Sua primeira gravação profissional aconteceu no estúdio da Somax (Recife), quando participou, a convite do seu compadre Zezinho de  Garanhuns, do disco "Em paz Com a Natureza", da dupla Rivaldo e Zezinho. Esse trabalho contou também com a participação de Duda da Passira, com quem faz amizade.


João Rufino em 1996
Créditos do vídeo: Josenildo Silva

O segundo disco da dupla também teve a participação de João Rufino, que dividiu faixas com o também acordeonista Genaro. Desde então, o Ceguinho do Piado começou a ser convidado para participar de shows e discos de vários artistas da região.

Com o apoio de Zezinho de Garanhuns e outros amigos, gravou, na década de 90, seu primeiro disco solo, intitulado "Puxa o Fole", numa gravadora de São Paulo, tendo gravado, em 2006, o segundo CD (Trio Garanhuns), também na capital paulista, ambos com músicas de sua autoria e em parceria com Messias Santiago e de outros compositores, como Luiz Gonzaga, Jacinto Silva, Trio Nordestino, Ivan Bulhões, Rivaldo, Zezinho de Garanhuns, Adeildo Soares, Ademário Coelho, Assis Monteiro, entre outros.

Em entrevista cedida a este colunista, Zezinho de Garanhuns, uma das pessoas mais próximas falou sobre o Ceguinho do Piado, seu compadre e amigo:

"Conheci Ceguinho do Piado na década de 70, tocando em Garanhuns, nas feiras livres, mostrando o seu trabalho, para arrecadar dinheiro das pessoas que paravam para ouvi-lo tocar e que inclusive faziam pedido de músicas pra que ele executasse. E ele executava tão bem; com aquela qualidade de grande músico que era.

No final de 70, eu me aproximei dele, quando nos tornamos amigos e eu comecei a tocar zabumba pra ele, nas festas da região. Em 1983, quando, a pedido de Cláudio de Zé Neto, ele foi tocar na Rádio Meridional, no programa do saudoso Pajeú, eu também estava com ele.


Zezinho de Garanhuns: "O Povo quer Forró"
Créditos do Vídeo: Marcos André

Desde que eu ingressei no campo radiofônico, ele sempre esteve comigo, nos programas que fazíamos com música ao vivo. Também sempre esteve ao meu lado nas apresentações dos meus shows. Dos discos que gravei, ele só não participou de dois, justamente na época em que eu o levei pra São Paulo, na tentativa de conseguir o transplante de córnea e ele ficou por lá durante dois anos, mas não conseguiu. Foi então que através de um primo meu, gravou o seu primeiro disco.

Na década de 90, ele me convidou pra ser padrinho de uma filha dele. Ele era um amigo muito íntimo. Houve um tempo em que ele chegou a morar uns dias na casa do meu pai. Era um laço de amizade muito forte, não só pela música, mas também no lado pessoal. A gente se considerava família.

Eu senti muito a morte do meu compadre João Rufino e ainda estou muito triste, porque não é fácil perder um amigo e um grande músico como ele. Ele tinha uma boa vontade, nunca se negava a ninguém. Estava sempre disposto a ajudar as pessoas que precisassem dele. Ele queria sempre agradar a todos ao mesmo tempo.

João Rufino, faleceu em 25 de agosto de 2007, aos 59 anos vítima de infarto.

No dia 31 de agosto, daquele ano o Programa MUSICAMP, levado ao ar pela rádio FM Sete Colinas, sob o comando de Zezinho de Garanhuns, foi totalmente dedicado ao Ceguinho do Piado. Cerca de 200 pessoas (artistas ou não), compareceram à emissora para prestar homenagens ao extraordinário João Rufino.

Transcrito do Jornal Correio Sete Colinas de setembro de 2007.

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