domingo, 10 de fevereiro de 2019

LAMPIÃO CAUSA PÂNICO EM GARANHUNS (1935)

Lampião em 1936
Imagem/https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46491014
Noites de inquietação e pavor de 26 de maio  a 1º de junho, em Garanhuns, com as notícias de Lampião nas proximidades. De fato, no dia 29 de maio, esteve ele, com seis homens e duas mulheres, em Mandarraia, arruado a 6 léguas de distância. Atacou a residência do comerciante Zé Berunga, obrigando-o  a entregar-lhe todo o dinheiro que possuía, em castigo do que havia dito, de ter dinheiro, não para dar a Lampião, e sim para persegui-lo. E ainda obrigado a conduzir Lampião em seu automóvel, até o povoado Mimoso, apenas duas léguas de Garanhuns. Aí Lampião deixou o automóvel e se internou na caatinga, passando no dia seguinte por Brejão, de onde tomou rumo desconhecido.

O presidente da Associação Comercial de Garanhuns, Álvaro Viana, telegrafou ao presidente da Associação dos Retalhistas do Recife, Camucé Granja, solicitando seus préstimos junto ao ao governador. Este garantiu a Camucé tomar as providências devidas. Mas 0 2º delegado auxiliar, Etelvino Lins, não deu crédito às notícias. Só admitia se fossem "oficiais", partidas do comandante geral. Acrescentando que a cidade estava suficientemente guarnecida com 25 militares: 4 sargentos, 5 cabos e 16 soldados; que seriam enviados 15 homens para reforço de Garanhuns e Brejão, além de 20 fuzis, e 6.000 tiros para armar a guarda civil da primeira cidade; que Manuel Neto, saindo de Jatobá, se dirigira para Águas Belas com 250 homens sob seu comando; finalmente, que Lampião se internara em Alagoas.

Caminhos de Lampião na sua quarta viagem a Pernambuco
Imagem/Frederico Bezerra Maciel

O jornal Diário de Garanhuns, de 28, 29 e 30 de maio, assim como O Monitor, protestaram contra as declarações do governo, publicadas no Diário da Manhã, do Recife, classificando de "invencionistas" as notícias de Garanhuns. Adiantando ser desesperadora a situação da cidade, cujo destacamento "oficialmente" se dizia de 25 praças, mas na realidade, apenas 15 ou 10 havia no momento; que a cidade, despoliciada, sem garantias e sem luz, era teatro de atentados, crimes impunes, furtos vultuosos, chegando mesmo os presos a fugirem da cadeia!...

No dia 30 passou Lampião pelo Sítio Minador, a 6 léguas de Garanhuns, seguindo para São Pedro, povoado do município de Pedra. Aí atacou o fazendeiro Francisco Dionísio, levando nove contos e exigindo que o mesmo assinasse uma promissória de quatro contos. Depois, sempre ziguezagueando, esteve em Guaribas, de Buíque, que faz divisa com Pedra, onde arrecadou a importância de um conto e trezentos dos irmãos Dão e Zeca Vaz, este, genro do coronel Lourenço Tenório. Daí, declarou, seguiria pela ribeira, até Alagoinha, "onde havia muitos cortiços de mel de uruçu, pois os de Moxotó já tinham secado"

Em 2 de junho, Santo Antônio do Tará, de Pedra, onde fez um varejo vultoso de doze contos e desceu até a fazenda Caraíba, ainda no mesmo município. Barrado pelo tenente Zé Jardim, deu a entender que rumava para a Paraíba.

Enquanto o delegado regional sediado em Garanhuns, capitão Miguel Calmon, enviava quinze homens para Brejão e o tenente Ibraim Lira, outro delegado regional, com sede em Rio Branco, deslocava força para Santo Antônio do Tará, os tenentes Luís Mariano e Manuel Neto* demandavam as fronteiras da Paraíba.

Burlando a todos, desceu Lampião para Piranhas, em Alagoas.  Entrementes, Corisco voltando mais "iracioso" a Alagoas, operava em Mata Grande e Dois Riachos.

E, mais tarde, passava Lampião os festejos do Senhor São João em Pão de Açúcar.

Fonte: Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado do escritor Frederico Bezerra Maciel

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