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domingo, 5 de maio de 2019

OS IRMÃOS DE LAMPIÃO


Créditos do vídeo: Cangaço na Literatura
Apresentação: Robério Santos
Produção: Xiquita Filmes
Traços biográficos, em ordem cronológica, dos nove irmãos Ferreiras, filhos de José Ferreira da Silva  e D. Maria Vieira Lopes

1 - Antônio - Nascido a 15 de julho de 1895. Batizado na capela de São Francisco pelo Padre Quincas, sendo padrinhos os avós maternos, Manuel Pedro Lopes e D. Maria Jacosa Vieira. recebeu o nome de Antônio em homenagem ao avô paterno, Antônio Ferreira Lima. Incomparável amestrador de cavalos, almocreve, agricultor, feireiro. Entrou no cangaço acompanhando Lampião, em 1920, aos 25 anos de idade. Tinha o apelido de "Esperança". Terrível no comando de retaguardas arrasadoras.

Voz geral, inclusive daqueles que combateram Lampião, por exemplo, os nazarenos sargentos Lero (Aureliano de Souza Nogueira), Lero Chico (Aureliano Flor) e Luís Soriano:

- "Enquanto existiram Antônio Ferreira, Luís Pedro e Antônio Rosa, a volante da Nazaré não teve vez!" Eles eram uma espécie de três Mosqueteiros do Rei - o Rei do Cangaço, Lampião.

Morreu Antônio Ferreira de um acidente de tiro, em 1926, aos 31 anos de idade.

Avó materna e pais de Lampião com seus
irmãos. Bico de pena de Lauro Villares
utilizando antigos retratos
2 - Livino - Nasceu a 7 de setembro de 1896. Batizado na capela de São Francisco, sendo padrinhos Luís Barbosa Nogueira e Gertrudes Vieira, irmã de sua avó D. Jacosa. Seu padrinho de crisma, Manuel Alexandre Gomes Lima, "Neco Jurubeba", de família de Tacaratu, irmão do Major Inocêncio Lima Jurubeba, residente em Betânia e ex-prefeito de Custódia, tio do ex-deputado Metódio Godoi. Mais dado a almocrevia. Também agricultor e feirante. Entrou igualmente para o cangaço em 1920, acompanhado do seu irmão Virgulino. Tinha o apelido de "Vassoura", o que bem definia sua atuação nos combates, sempre na vanguarda, com coragem indômita, varrendo aos inimigos do campo de batalha ou perseguido-os frontalmente. Dotado de excelente pontaria. ferido no combate do Tenório, em junho de 1925, do que veio a falecer, contando apenas com 29 anos de idade.

3 - Virgulino - Nasceu a 4 de junho de 1898. Virgulino, aos três meses de nascido, foi levado à pia batismal por seus avós maternos, que lhe foram os padrinhos de vela. Padre Quincas, o vigário, encantado com os olhinhos vivos daquela criança irrequieta, apertando-lhe carinhosamente as bochechas e sem intenção de ser profeta, disse uma coisa que, por coincidência, deu certo:

- "Sabem o que quer dizer o nome Virgulino?" - perguntou ele.

- "O nome, seu vigário, foi tirado do Lunário Perpétuo" respondeu a madrinha.

- "Virgulino - explicou o padre - vem de vírgula, quer dizer, pausa, parada". E arregalando os olhos: - "Quem sabe , o sertão inteiro e talvez o mundo vão parar de admiração por ele!"

A primeira comunhão de Virgulino, com sete anos de idade, foi na festa do orago da capela de São Francisco, em 1905. Durante a primeira e grande desobriga quaresmal de Floresta, em 1912, foi Virgulino, aos catorze anos de idade, crismado pelo recém-empossado primeiro bispo Dom Augusto Álvaro da Silva, sendo padrinho o Padre Manuel Firmino, vigário de Mata Grande, em Alagoas, vindo só para isto. Lampião morreu em 28 de julho de 1938.
  
A família de Lampião reunida pela última vez
4 - Virtuosa - Nasceu em 1900. Morando em Poço do Negro, casou-se em 1919, com Luís Marinho, sobrinho de Antônio Matilde. Por causa das perseguições mudou-se Luís para Alagoas, daí tomando parte em várias lutas de seu tio. Depois da morte de José Ferreira, transferiu-se Luís, com sua mulher e dois filhos, para Propriá, Sergipe. As perseguições continuando, foi embora, em 1930, sozinho para São Paulo, deixando a mulher com três filhos; Francisco, José e Francisca. E a partir do início de 1931, deixou de dar notícias. João Ferreira, estando nessa época em Picos, no Piauí, mandou buscar essa sua irmã e fixou-se numa casa que, para ela e os filhos, comprou no Juazeiro do Padre Cícero. Morreu Virtuosa ali no Juazeiro, em 1934. Os filhos Francisca  e Francisco ficaram morando em Juazeiro; José, após a morte da mãe, entrou no grupo de Lampião, a 25/07/1938, em Angico. No dia que seria sua investidura no cangaço, houve o ataque a Angico, escapando ileso da tragédia e desaparecendo.

5 - João - Nasceu em 1902. Dos cinco filhos de José Ferreira da Silva apenas João não quis entrar para o cangaço. Mas mesmo não tendo participado dele, chegou a ser preso, judiado, humilhado, maltratado, e mesmo assim não quis usar vingança. Faleceu em 11 de agosto de 1981.

6 -Angélica - Nasceu em 1904. Casou-se em 1926, no Juazeiro, com o almocreve potiguar Virgínio, morrendo, meses depois de peste bubônica, de cuja febre não resistiu 24 horas. Virgínio era tipão robusto de quase dois metros de altura. Muito ativo e trabalhador. Viúvo, entrou em 1927 para o cangaço recebendo o apelido de "Moderno", comandando um dos grupos de Lampião. No primeiro semestre de 1936, atuou na região pernambuco-paraíba do Tigre, na Serra do Ororubá, em Pesqueira, nas ribeiras do Ipanema e do Moxotó, morrendo em outubro do mesmo ano.

7 - Maria (D. Mocinha) - Veio à luz do dia em 1906. Notável por sua grande beleza. Casou-se, em 1925, no Juazeiro, com Pedro Raimundo de Queirós, empregado da Fábrica da Pedra e depois vendedor de redes, com burrama de almocreve. Pedro morreu de acidente. A viúva veio morar em Pedra de Delmiro, Alagoas, com seus dois filhos e suas duas filhas: Expedito, Iraci, Valdeci (menina) e José. Depois mudou-se para Camaragibe, zona da mata alagoana.

8 - Ezequiel - Nasceu em 1908. Afilhado de Joaquim Godoi (irmão do ex-deputado Metódio Godoi) Com  a morte de Livino e Antônio, entrou, em 1927, aos 19 anos de idade, para o cangaço, no grupo de seu irmão Lampião. Tomou o nome de "Ponto Fino", justificado pela sua pontaria rápida e segura. Inteligente e de uma valentia desassombrada. Seria, na certa, com o tempo, o sucessor de Lampião, segundo a opinião de Luís Pedro, cangaceiro lugar-tenente de Lampião. Morreu valentemente, em combate na Várzea do Touro, Bahia, em 1932, aos vinte e três anos de idade.

9 - Anália - Nascida em 1910. Genista, voluntariosa, decidida, respondona e destemida. Casou-se em 1931, em Pedra de Delmiro, Alagoas, com Eliseu Norberto, "redeiro" ou vendedor de redes fabricadas em Caraibeiras (Tacaratu), indo morar em  Várzea do Pico, sertão alagoano. Morreu de parto gêmeo, em 1941, deixando três filhos: José Norberto, Rivaldo Norberto e João Norberto.

Todos os nove irmãos nascidos na fazenda Ingazeira, foram batizados na capela da vila de São Francisco.

Fonte: Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado de Frederico Bezerra Maciel

Um comentário:

  1. Dom Augusto Álvaro, Primeiro bispo diocesano de Floresta e que ministrou a crisma a Lampião, destacou-se na Igreja do Brasil tendo sido agraciado com o cardinalato sendo arcebispo-primaz do Brasil na arquidiocese de Salvador durante longo tempo. Dom Moura, Primeiro bispo de Garanhuns foi seu secretário particular ainda na diocese de Floresta.

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