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sábado, 24 de agosto de 2019

UM JOGADOR DE BILHAR

Rua Barão do Rio Branco - Centro de Garanhuns na década de 40


GARANHUNS - Passou há pouco pelo Recife onde teve oportunidade de fazer algumas exibições, o campeão mundial de bilhar Enrique Navarra, de nacionalidade argentina. O homem faz diabruras num bilhar.

Com 50 anos de idade, o Sr. Navarra começou a jogar desde os 5 anos, o que lhe valeu durante esse longo período aperfeiçoar-se de modo a sagrar-se campeão mundial em disputa na Bélgica e em outros países da Europa e da América. As suas exibições demonstram na verdade, tratar-se de um excepcional jogador com jogadas verdadeiramente incríveis, enfim um estilista completo.

Lembramo-nos, então, de um filho desta terra (Garanhuns) - Antônio Hilário Sobral - que desde cedo começou a jogar bilhar, tornando-se exímio jogador, sem contudo possuir estilo e as facetas do campeão argentino. Com calma, estudando as posições das carambolas, vencia a todos os seus concorrentes.

Já não tinha com quem jogar taco-a-taco. Os parceiros que conseguia precisavam necessariamente pontos de usura para poderem travar as partidas. As apostas por fora eram muito fortes torcidas na maioria das vezes.

Formava-se uma verdadeira aglomeração em redor do bilhar em que jogava. Uma festa para os assistentes.

De uma feita lá pelo já distante ano de 1923, num dos salões de bilhar de Antônio Fogo - GARANHUNS RECREIO OU RECREIO MONTE CARLO - ali na Rua Santos Dumont, o grande número de pessoas que assistia a uma partida de bilhar prorrompeu aos brados e aplausos com inusitada vibração. Antônio Hilário acabava de dar uma tacada de 1.070 carambolas. A então pacata cidade de Garanhuns não se ocupou de outro assunto durante dias: a façanha do nosso conterrâneo.

Viajou Hilário algumas vezes ao Recife para jogar com Brandãozinho, o mais  conhecido e afamado jogador de bilhar da Capital pernambucana na década de 20. As partidas se travavam no grande salão de bilhares do RECIFE HOTEL, à Rua do Imperador onde  existiam na época 18 mesas de bilhar.

Quando os dois iniciavam as partidas e Antônio Hilário começava a esboçar superioridade, crescia o número de assistentes, os restantes bilhares paravam a sua movimentação e as atenções se voltavam unicamente para o jogo principal. Os que assistiam entusiasmados faziam apostas e davam palpites. Antônio Hilário regressava sempre com a vitória.

Além de jogar bem, Antônio Hilário foi boêmio. Tocava bem o violão e quando se aproximavam as festas juninas, era disputado por aqueles que organizavam danças para marcar a "quadrilha". Morreu ainda moço e quase de repente.

Jornalista e Historiador
Jaime Luna
27 de agosto de 1977

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