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domingo, 20 de outubro de 2019

GUMERCINDO DE ABREU

Garanhuns, PE - Avenida Dantas Barreto e Praça Dom Moura, no final da década de 40. (Atual Mano Imóveis, prédio alto com muitas janelas)

MEMÓRIAS DE GARANHUNS - Declamando os seus poemas, as brancas auras refrescavam à fonte de sua voz. Portador de cultura humanística muito sólida, considerava intocável a pessoa humana, que segundo ele,  é a obra mais comovente da criação. Também filosofava, era um verdadeiro amante da sabedoria. Quando fazia versos inspirados na beleza da vida, considerava-se um visionário, viveu espalhando os seus conhecimentos gostava do magistério, porém a sua maior vocação era a poesia. Jornalista, orador, conferencista e advogado dos mais brilhantes. Falava e escrevia corretamente em francês, sabia um pouco de latim e gostava das catilinárias de Cícero.

Gumercindo de Abreu, nasceu em 11 de agosto de 1895 em Garanhuns e formou-se no dia 4 de maio de 1935 no Recife. Seus pais o então professor João Frederico de Abreu Rêgo e D. Filomena de Abreu Rêgo.

Recebeu as primeiras letras na escola particular mantida por seu pai mostrando-se logo ser uma criança de inteligência precoce e muito estudiosa. Na classe era de um comportamento exemplar não suportando brincadeiras de mau gosto, nem repreensões.

Autodidata completo, estudou por conta própria e alcançou muito alto. A sua visão era de um homem genial que superou o meio e a época. Já nessa altura militava no fórum de Garanhuns, sendo advogado notável, possuidor de estilo próprio, capaz de persuadir com palavras cheias de fé e convicção, de clareza na sua maneira poética de falar, os mais austeros corpos de jurados. Fez defesas admiráveis, entre as quais a do seu amigo o Dr. Rigueira Costa.

Seus conhecimentos em Medicina Legal, matéria esta que muito o auxiliou na carreira, por isso mesmo foi atacado e rudemente caluniado perseguido sem tréguas por seus inimigos gratuitos. Mas nele persistiu o desejo de evoluir de galgar um posto mais  elevado no cenário intelectual de sua terra, sujeitou-se muitas vezes a levar um companheiro seu - bacharel dos mais cultos, completamente embriagado para casa, recebendo em troco lições de direito. 

*José Francisco de Souza
Advogado, cronista, historiador e jornalista
04 de junho de 1977

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