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sábado, 18 de janeiro de 2020

DONA CATÉ

Dona Caté e o seu auxiliar José
ARCOVERDE - Certa feita, Ascenço Ferreira, grande poeta pernambucano, foi interpelado por uma senhorita no cemitério de Santo Amaro, em Recife, no sepultamento do jornalista Júlio Barbosa, com a seguinte pergunta que não deixou de ser um mote: "Poeta! Por que pesa tanto o morto fechado no seu caixão?" Ascenço Ferreira, que segurava uma das alças do esquife, do alto dos seus dois metros e cinco centímetros, respondeu: "Não pesa o morto, querida, pesa a saudade da vida trancada no coração!"

Mas a saudade da vida também se tranca nas covas e gavetas dos túmulos. O cemitério é o lugar certo para se guardar a memória dos entes queridos. Por injunção natural o campo santo é um local onde mora o silêncio e reina uma paz  consentida em cada canto; em cada cova aberta à espera de novos moradores; em cada lápide textuada por passagens bíblicas e declarações de saudade eterna. Muitas até recheadas de hipocrisias.

Não há precisão quanto à data e o ano em que foi construído o cemitério do São Miguel. Fala-se que em 1918 ou até na década de vinte. A única referência de data existente está no necrotério, que exibe no seu frontispício esta legenda: "REFORMULADO PELO GOVERNO REVOLUCIONÁRIO DE 1934". Depreende-se que se foi construído no ano de 1918 ou na década de 20, ainda éramos Rio Branco (distrito de Pesqueira).

Dona Caté

Dona Caté, figura muito estimada em Arcoverde, foi por trinta e oito anos a zeladora do cemitério do São Miguel. Sucessora de Maria Coutinho, dona Caté integrava-se ao corpo e alma a todo tipo de cuidados com os mortos a quem chamava de filhos com muito carinho. 

Rossini Moura / Jornal de Arcoverde (2002)
Acervo / Memorial Ulisses V. de Barros Neto

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