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segunda-feira, 30 de março de 2020

SÃO JOÃO DO MEU TEMPO

ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA E CULTURAL DE SÃO JOÃO - Ano de 1954 - 
Equipe que disputou o primeiro Campeonato promovido pela LDG no campo
 do  Sport, onde hoje está  localizado o Terminal Rodoviário de Garanhuns. 
Em pé da esquerda para a direita: José Vieira, Severino  Oliveira  
(com a antiga farda do Colégio  Diocesano), Elias Lopes, 
Aníbal, Pereira Tiago, Barbosa. Agachados:José 
Elói., Hermes, Totinha, Luiz, Deda e Gomes
São João do meu tempo teve suas figuras folclóricas. Chico Zebu, por exemplo, era famoso fogueteiro e tornou-se símbolo das alegrias das festas juninas e de outros eventos, que sabia embelezar com o ribombar de seus foguetes. Júlio Caboré era o afamado contador de peripatéticas histórias, com que atraía a grande massa para ouvi-lo nas calçadas da Padaria de Seu Manoel Rodrigues. João Pistão, com seu assovio artístico, fazia inveja aos melhores instrumentistas de sinfônica da época, tendo-se tornado  célebre pela magia dos acordes que emitia.

Inseriu-se também no folclore de São João o popular Aníbal considerado como bom jogador de futebol e exímio gozador. Pela excelência de suas hábeis gozações, viveu sempre às turras  com o Cabo Canjica, do destacamento de polícia local.

Dentre os políticos da época, merecem enfática menção os nomes de João de Assis Moreno, "PSD" e Pedro Lima, "UDN", homens que honraram seus mandatos na Câmara de Vereadores de Garanhuns e que, em sua  missão de defensores dos interesses de seu povo, trabalharam realmente pela comunidade. 

O comerciante Elias Lopes e sua esposa D. Júlia, representantes do monopólio de exportação de cereais em São João, únicos moradores da cidade que conheciam a Europa. Do Velho Mundo traziam notícias fantásticas, sobretudo de Portugal, terra de D. Júlia.

As famílias Bahia, Vilela e Correia, oriundas da mesma  Gênese, estão, hoje, espalhadas por todo o Brasil e fazem tudo o que podem para prestigiar a saudosa terra natal.

Em que pese a ação metamorfoseante do tempo e do progresso, a paisagem da São João de meus tempos de menino ainda não foi destruída. Ela permanece no açude para onde tantas vezes fugi para tomar banho, poço sagrado e aplacador da sede dos rebanhos no tempo das prolongadas secas. Não existia ainda água encanada. As duas fontes de água mineral existentes desempenhavam importantíssimo papel. A primeira situada na Fazenda Machado, abastecia a cidade através do sistema de chafariz, pela lei da gravidade, características das comunas de então. A segunda no Sítio Onça, pertencia a meu avô, que jamais cobrou um centavo dos que iam matar a sede.. Como me lembro de ti São João! Que divertimento era ver o trem passar, a velha Maria Fumaça com seu apito saudoso! Meu orgulho de menino sanjoanense era ainda maior nos dias de festa, quando ia ver o garboso desfile do Grupo Escoteiro de Seu Zeca Gomes. Nesses dias, eu sentia São João como sendo o centro do mundo. A estrada de Garanhuns a São João, considerada na época como um grande trajeto, era encurtada pelo FORD 29 de Seu Zé Luiz, veículo que, no entanto, não foi o primeiro da cidade, já que esse pioneirismo coube ao meu pai, de quem São João viu e admirou o primeiro carro. Nesse tempo, a Charrete de Seu Antonio Vilaça ainda era, em matéria de transporte, uma característica dos caminhos de São João.

Deixando meu pai prematuramente este mundo, passei a viver em companhia de meu avô, de quem herdei o gosto pelas coisas do campo, sob os cuidados de minha zelosa Mãe, ia, aos domingos, à Igrejinha Presbiteriana, em cuja Escola Dominical me inicie nas lições do Santo Evangelho.

Adolescente ainda, deixei o querido torrão natal sanjoanense do qual devo comigo gratíssimas recordações pela vida afora, plasmadas na imagem do seu povo ordeiro e na simplicidade e paz de seus campos.

Antônio Correia Filho
2 de Fevereiro de 1980

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