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quinta-feira, 2 de abril de 2020

MOSTEIRO BENEDITINO DE GARANHUNS COMPLETA 80 ANOS

Garanhuns, PE - Mosteiro de São Bento na década de 1970

O Mosteiro de São Bento de Garanhuns, foi fundado no dia 3 de abril de 1940, sendo Bispo da mesma Diocese de Garanhuns, Dom Mário de Miranda Villas Boas e Arquiabade da Congregação Beneditina do  Brasil: Dom Lourenço Zeller O.S.B. e Dr. Celso Galvão era o prefeito do Município naquela época.

Por decisão do Capítulo Geral da nossa Congregação e indicação do Arquiabade Dom Lourenço, os monges Beneditinos da Abadia do Rio de Janeiro: Dom Domingos de Silos Tavares e Dom Gerardo Martins foram encarregados de fundar, no Nordeste, um Mosteiro, que teria como tarefa principal dirigir e manter uma Escola Claustral, que viesse a formar jovens candidatos para as Abadias brasileiras, especialmente para as do Nordeste, a saber: Bahia e Olinda.

Dom Gerardo
A escolha de Garanhuns para sede do novo Mosteiro se deve, em grande parte a Dom Mário, o jovem Bispo de Garanhuns, que era amigo dos monges do Rio e, de modo especial, de Dom Gerardo Martins.

Dom Mário havia se preparado para sua consagração episcopal, no Mosteiro do Rio. Ali também havia escrito sua primeira carta pastoral, carta que marcou época, uma vez que abrangia com profundidade e elegância do estilo, os temas teológicos e pastorais do momento: Ação Católica, doutrina do Corpo Místico de Cristo e Liturgia.

Dom Mário iria, mais tarde, contar muito com os monges para a irradiação do movimento litúrgico e da Ação Católica.

A Casa de Garanhuns foi constituída, desde sua fundação, como Priorado Simples, dependendo diretamente do Arquiabade da Congregação.

Dom Beda Keckeisen, da Abadia de São Sebastião da Bahia foi seu primeiro Prior, nomeado por D. Arquiabade Zeller. Dom Gerardo Martins era o Reitor dos oblatos, Dom Domingos o vice-reitor e Celereiro da nova fundação.

O imóvel, isto é, a Casa e a área do terreno em volta da mesma, foi comprado a Dona Inalda Colaço, então sua proprietária.

Garanhuns, PE - Mosteiro de São Bento na década de 1950

A antiga casa que fora residência do primeiro Bispo de Garanhuns, Dom João Tavares de Moura, foi aproveitada durante alguns anos, enquanto as diversas dependências do Mosteiro iam sendo construídas: Refeitório, salão de estudos, dormitório dos oblatos, área das celas dos monges, hospedaria, claustro etc.

Finalmente em 1946, a antiga casa seria demolida e no local edificadas a Igreja e a Cripta. Em 1948, estando concluída a última etapa da construção do Mosteiro, Dom Domingos regressa à Abadia do Rio.

Dom Jerônimo de Sá Cavalcante
Dom Jerônimo de Sá Cavalcante, do Mosteiro da Bahia, veio para a fundação de Garanhuns ainda em 1940, no começo de outubro, voltando da Europa, aonde havia terminado seus estudos teológicos.

Dom Atanásio, da Abadia do Rio, veio integrar a equipe do Mosteiro de Garanhuns no ano seguinte. Aqui ficou dois anos, antes de seguir para as Missões Beneditinas, no Amazonas.

No início de 1944 Dom Gerardo Martins regressava ao Rio e Dom Bento Martins dos Santos vinha para substituí-lo nos cargos de Prior e Reitor dos oblatos. Também no ano de 1944, Dom João Marinho Falcão, veio participar da comunidade garanhuense, e por sua vez, meses depois, Dom Jerônimo voltava à Bahia onde passou a desempenhar o cargo de Prior.

D. Bento, D.  Domingo, D. João e Posteriormente D. Norberto da Bahia formavam, nesta fase, a comunidade de Garanhuns. (1947-1948). Em princípios de 1948, quando D. Domingos regressou ao Rio, D. Alberto (da Abadia do Rio) veio passar um ano em Garanhuns.

No fim de 1948 novas mudanças foram efetuadas e a comunidade de Garanhuns começou o ano de 1949 assim constituída: D. Bento Martins (Prior e Reitor dos oblatos), D. Jerônimo de Sá Cavalcante e D. Gerardo Wanderley - Este já havia estado em Garanhuns no ano da fundação, como oblato, fazendo então o seu último ano de colégio, no colégio Diocesano, antes de entrar no Noviciado de Olinda.

O Mosteiro de Garanhuns mantinha uma média de 35 oblatos. Estes frequentavam o Colégio Diocesano e tinham aulas suplementares de Latim, Grego, Religião e Canto, no Mosteiro.

Os monges, além do atendimento dado aos oblatos, trabalhavam no magistério, nos colégios da cidade, bem como davam assistência a Capelanias de Irmãs. D. Atanásio desenvolveu seu apostolado no bairro do Arraial que foi por assim dizer, um trabalho precursor para a formação da nova paróquia, que surgiria anos depois, naquela parte da cidade.

A Capelania do Sanatório Tavares Correia começou em 1943 e até hoje está aos cuidados dos Beneditinos. A reforma da Capela foi feita por Dom Gerardo Martins.

A ajuda na pastoral da Diocese sempre foi uma das atividades dos monges de Garanhuns. Retiros, aulas de Liturgia, de Ação Católica, pequenos Cursos bíblicos, ou de formação para o Matrimônio, foram atividades desempenhadas pelos monges, especialmente por Dom Jerônimo. Não somente na Diocese de Garanhuns, mas em vários outros pontos do Nordeste, a irradiação do trabalho beneditino, através de Retiros, Semanas Bíblicas ou Litúrgicas ia-se fazendo. O apostolado radiofônico também tem sido até hoje, uma das formas de prestação de serviço dos monges aos irmãos nordestinos.


Desde o começo, o Mosteiro se tornou um centro de procura, sobretudo dos jovens, sedentos de orientação para a caminhada na vida.

Vez por outra, homens de hoje, já experimentados e cultos, aludem em crônicas pelos jornais ou em palestras, às influências benéficas recebidas dos monges, quando eles eram ainda jovens irrequietos em Garanhuns.


Não só em termos de formação cristã específica, mas também no que tange à formação cultural, de modo mais amplo: música, literatura, teatro, artes em geral, etc. O Mosteiro era  um ponto de apoio para os jovens.

Sem dúvida alguma, o que mais atrai o garanhuense ao Mosteiro é a Celebração Litúrgica. As nossas Missas são muito frequentadas e participadas. As celebrações da Semana Santa e do Natal marcam o auge de frequência de público. O Mosteiro é também muito procurado para celebrações especiais: casamentos, bodas de prata ou de ouro, primeira comunhão de Escolas, formaturas etc. 


Em janeiro de 1952, D. João Marinho Falcão volta a Garanhuns e este cronista (Dom Gerardo Wanderley) é chamado a Olinda.

Em fins de 1953 novamente a permuta é feita em sentido contrário. Dom João iria ser o primeiro Reitor do Colégio de São Bento de Olinda, que começaria a funcionar em janeiro de 1954.

Em fins de 1958, D. Jerônimo segue novamente para a Bahia.

D. Francisco Lambello, de São Paulo, veio nos ajudar em 1956 e aqui permaneceu por cinco anos.

Em 1963, D. Lucas Brasil, de Olinda, integra a comunidade garanhuense mas, já no ano seguinte, regressa à Abadia olindense.

Em julho de 1963 D. João Evangelista Falcão está de novo em Garanhuns e assume pouco depois, o cargo de Celereiro do Mosteiro.

Ainda devemos registrar a presença de D. Basílio Mendes, do Mosteiro da Bahia que aqui passou os  anos de 64 e 65.

Em março de 1965, D. Gerardo Wanderley depois de uns meses da Abadia de Montserrat, Espanha, aonde estudou Canto Gregoriano, regressa a Olinda.

D. Bento Martins (Prior), D. João Evangelista Marinho Falcão e D. Felipe Hegemann (de Olinda) foram durante os anos de 1965 a 1968 os componentes da equipe monástica de Garanhuns.

Em janeiro de 1968, D. Bento regressava ao Rio de Janeiro, após 24 anos de dedicação  sem reservas à comunidade monástica, aos oblatos e aos garanhuenses em geral.

Era muito conhecido pela solicitude com que visitava os encarcerados, procurando mitigar-lhes os sofrimentos com sua palavra evangélica e com auxílios materiais, que angariava entre amigos, para socorrer os detentos.


Era também muito estimado pelos alunos do Curso Noturno do Colégio Diocesano, aos quais dava aulas de Religião.

Em 1970, o Mosteiro de Garanhuns, já então Priorado simples, dependente da Abadia de Olinda, entrou numa nova fase de sua história.

É que D. Abade Basílio  e a comunidade de Olinda desistiram de manter aqui a Escola Claustral.

Já não se considerava proveitoso manter meninos, ainda do Curso primário ou do ginasial, como candidatos futuros ao monaquismo. Hoje, preferimos que o candidato já tenha passado a fase de adolescência, e menores de 18 anos não poderão entrar no Mosteiro.


D. Abade Basílio resolveu assim enviar uma equipe de monges da Abadia de Olinda, para aqui viverem o ideal monástico, no "ora te labora" e na vida comum. A pequena comunidade foi constituída desta maneira:

D. Gerardo Wanderley (Prior) - D. João E. Marinho Falcão - D. Mariano Costa Rego - Ir. Tarcísio Costa - Ir. Rafael dos Santos.

Esta nova etapa começou precisamente na festa da Imaculada Conceição, 8 de dezembro de 1969.

Em pouco tempo a comunidade se reduziu a três membros apenas, uma vez que D. João Ev. Marinho Falcão, foi para São Paulo, o professor trienal Ir. Rafael voltou à vida secular e D. Mariano foi substituído por D. Basílio Stehle, da Abadia de Olinda.

A 15 de março de 1976, D. Basílio veio a falecer no Hospital Português, Recife, após uma cirurgia de próstata.

A 30 de abril, do mesmo ano, D. Gerardo Wanderley, viajou à Europa, a fim solicitar uma ajuda de 2 monges da Abadia portuguesa de Singeverga. Somente a 2 de maio de 1977 é que essa ajuda se concretizou com a chegada do Pe. José Gabriel Araújo de Oliveira ao Mosteiro de Garanhuns.

A presença dedicada a amiga do Pe. José Gabriel, que veio trazendo animação e alegria, aumentou nossas esperanças quanto ao futuro deste Mosteiro.

De 1978 para cá, começaram a aparecer candidatos à vida monástica, desejando fixar-se aqui na Casa de Garanhuns.


O Mosteiro de Garanhuns foi construído e é mantido na base do empenho e do trabalho de seus membros. Não temos outras fontes de renda. Sempre contamos, porém, com o apoio e ajuda dos grandes amigos, que aqui temos, tanto entre os membros do clero como entre as religiosas e leigos.

A casa é considerada ponto turístico importante na cidade, graças à beleza de suas linhas arquitetônicas, devidas ao talento do engenheiro arquiteto Dr. Helio Feijó, ao bom gosto e à dedicação sem reservas de D. Gerardo Martins e D. Domingos Tavares. O seu claustro, em estilo rústico e muito envolvido de folhagens, trepadeiras e flores, e com um pequeno lago ao centro, é um recanto muito aprazível e acolhedor.

O engenheiro Dr. Otávio Tavares, irmão de D. Domingos é o autor da planta da primeira parte do Mosteiro, a saber: Refeitório, Cozinha, Banheiros, Dormitórios dos oblatos e 4 celas para monges.

A fachada do Mosteiro, a torre, a Igreja e a Cripta são de autoria de Dr. Hélio Feijó, sobrinho afim de D. Gerardo Martins.

Outro artista que deixou sua marca em nosso Mosteiro foi o Dr. Eros Martim Gonçalves, sobrinho de D. Gerardo Martins, que pintou o mural de Cripta: quadro que representa S. Mauro, retirando das águas o pequeno Plácido. O milagre da Obediência, como é conhecido pelo dos Diálogos de S. Gregório Magno.

De Ir. Paulo Lachenmayer, do Mosteiro da Bahia é o desenho do altar da nossa Igreja.

Nesse esboço de retrospecto de caminhada do Mosteiro constatamos que sete membros da Comunidade de Olinda são ex-alunos da Escola Claustral, que aqui funcionou de 1940  1969. O Mosteiro do Rio de Janeiro tem dois ex-alunos daqui, e o Mosteiro da Bahia um. Muitos nos honra saber que alguns destes ex-alunos, já hoje monges, desempenham com responsabilidade cargos importantes nas comunidades monásticas a que pertencem.

Foi a convite do Sr. Prefeito, Ivo Tinô do Amaral, que rabiscamos estas linhas sobre o Mosteiro de Garanhuns.

Dom Gerardo Wanderley

Click no link abaixo e saiba mais sobre Dom Jerônimo de Sá Cavalcante

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