>>>>>>>>>>>>> MEMÓRIA - RESGATANDO E PRESERVANDO NOSSA HISTÓRIA

terça-feira, 11 de agosto de 2020

SENAC OFERECE VAGAS EM CURSOS GRATUITOS DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

O Senac Pernambuco está com inscrições abertas para o preenchimento de vagas em cursos gratuitos de qualificação profissional à distância.  Com aulas na modalidade de Educação à Distância (EAD), por meio do Programa de Senac de Gratuidade, as turmas são direcionadas ao setor do Comércio, com vagas para cursos de Agente de Projetos Sociais, Libras Básico, Representante Comercial e Vendedor.

As inscrições podem ser realizadas pelo portal do Senac EAD (www.ead.senac.br/gratuito). Os interessados devem atender aos pré-requisitos do curso escolhido, aos critérios do PSG, como ter renda familiar per capita de até dois salários. Podem se inscrever pessoas de todo o Estado para as formações que têm carga-horária de 160 horas. 

As vagas são limitadas e estarão disponíveis até o esgotamento. Mais informações sobre as formações podem ser consultadas por meio do site www.ead.senac.br/gratuito, pelo e-mail ead@pe.senac.br e através dos telefones 0800.081.1688, 3413.6728/6729/6730.

Lista de cursos disponíveis:

Agente de Projetos Sociais
Libras Básico
Representante Comercial
Vendedor

MÁRCIO QUIRINO DECLARA APOIO A SIVALDO ALBINO

O ex-vice-prefeito do município de Garanhuns, Márcio Roberto de Barros Quirino, resolveu declarar apoio à pré-candidatura do Deputado Sivaldo Albino (PSB), que irá concorrer à Prefeitura de Garanhuns.

Nascido na zona rural do município, onde passou sua infância, Márcio Quirino foi funcionário da Celpe durante mais de 30 anos, onde construiu uma sólida carreira em que ocupou quase todos os cargos daquela empresa, tendo inclusive recebido homenagem da Assembleia Legislativa do Estado pela brilhante atuação à frente daquela companhia energética.

Márcio foi também eleito vice-prefeito nas duas eleições em que teve o ex-prefeito Silvino Duarte como cabeça de chapa, exercendo seus mandatos durante os anos de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004. Segundo ele, o motivo do seu apoio é a admiração que sempre teve pela carreira exitosa e atuante do parlamentar Sivaldo Albino,  tanto quando passou pela Câmara de Garanhuns, durante os quatro mandatos, quando atualmente exercendo o mandato de deputado estadual.

Márcio disse ainda que “Sivaldo é um jovem parlamentar que consegue reunir experiência e competência, sem nunca ter deixado de lado a lealdade aos amigos e correligionários”. E completou: “Com a maturidade e a capacidade de articulação que Sivaldo foi adquirindo ao longo dos anos, tenho a confiança de que Sivaldo tem tudo para fazer uma grande gestão à frente da prefeitura de Garanhuns, a partir de janeiro 2021”. 

Por sua vez, Sivaldo disse à imprensa que recebeu com muita serenidade e comoção o apoio do ex-vice-prefeito Márcio Quirino. Segundo ele, “receber o apoio de uma pessoa querida e respeitada como Dr. Márcio nos enche de orgulho, mas também de muita responsabilidade, porque se trata de uma pessoa ilustre que é reconhecida em Pernambuco como um dos mais competentes e honrados gestores públicos que já serviram ao nosso estado”. 

Para Sivaldo Albino, Dr. Márcio é uma amigo de longa data que representa não apenas um apoio de peso à sua campanha, mas que será sobretudo um grande conselheiro durante sua gestão, caso o povo de Garanhuns decida honrá-lo com o mandato de prefeito.

CONCURSO PREFEITURA DE GRAVATÁ - PE COM INSCRIÇÕES PRORROGADAS


A Prefeitura de Gravatá retificou novamente o edital n° 01/2020 do concurso público com oferta é de 515 vagas para 155 cargos. O cronograma do concurso Prefeitura de Gravatá foi atualizado e agora as inscrições poderão ser feitas até 30 de agosto de 2020.

As provas objetivas continuam sem previsão de aplicação, em razão da pandemia da COVID-19. Dessa forma, os candidatos devem continuar atentos a todas as informações que forem publicadas na página oficial da organizadora.

O certame vai selecionar novos servidores da administração pública que ocupem carreiras de nível fundamental, médio e superior.

Os aprovados e efetivados receberão vencimentos variados entre R$ 1.000,00 a R$ 11.000,00.

Inscrições ao concurso Prefeitura de Gravatá

As inscrições para o concurso Prefeitura de Gravatá podem ser realizadas no site da organizadora ADM&TEC, até 30 de agosto de 2020.

O valor da taxa de inscrição obedecerá a tabela a seguir:

Cargo de nível fundamental R$ 50,00; cargo de nível médio e técnico R$ 70,00  e cargo de nível superior R$ 80,00 

Click no link abaixo e saiba mais:

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

FUNDAJ RECEBE ACERVO DE MIGUEL ARRAES


Por Folha de Pernambuco

Peças de arte, fotografias, manuscritos, registros pessoais, cartas e livros compõem um acervo, com cerca de 30 mil itens, do advogado e ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar (1916-2005).

Também integram o arquivo, recortes de jornais, charges e uma vasta produção que documentam sua importância para a história de Pernambuco e do Brasil.

Desde 2013, considerado Patrimônio Cultural de Pernambuco, a herança intelectual e documental de Arraes foi doada à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) pelo instituto Miguel Arraes. Na próxima quarta-feira (13/08), são celebrados os 15 anos do seu falecimento e seis anos da morte de seu neto, Eduardo Campos.

Antônio Campos, presidente da Fundação Joaquim Nabuco, e neto de Arraes assinou o termo de doação do acervo juntamente com José Almino de Alencar e Silva Neto, diretor-presidente do Instituto Miguel Arraes e filho mais velho do político.

Campos vê com entusiasmo a chegada do acervo do avô. “Uns lutam sempre, esses são para sempre. É com emoção que recebemos esse importante acervo, de alguém que está no panteão dos heróis da pátria. Junto de Joaquim Nabuco, Delmiro Gouveia e outros importantes acervos preservados pela Fundaj”, disse.

Pouca gente sabe, mas além de tudo, Miguel Arraes era um excelente datilógrafo. Escrevia cartas e textos na máquina de escrever, utilizando papel carbono, o que garantiu cópias e, como consequência, a preservação da sua história que, agora, ficará no Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade (Cehibra), braço documental da Fundaj, em Apipucos, bairro da Zona Norte do Recife. Onde estão as coleções de outros políticos e governadores pernambucanos, como Manoel Borba (1864-1928), Eraldo Gueiros Leite (1912-1983) e Moura Cavalcanti (1925-1994).

Albertina Malta, Coordenadora do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Melo Franco de Andrade (Cehibra), destaca que a doação é fruto de uma negociação antiga. “É uma coleção que possibilita estudos em várias linhas: sociológica, política, econômica, das relações exteriores, entre outras. A família reconhece a estabilidade da Fundação Joaquim Nabuco, uma Instituição pública, de renome, ligada à Educação. Assim, os acervos estarão aqui preservados para as futuras gerações, como os servidores e técnicos da Casa estão para trabalhar pela memória da história brasileira”, comemorou.

A história

Nascido em 1916, no Araripe, município no Sertão do Ceará, Miguel Arraes era o primogênito de Maria Benigna Arraes e José Almino de Alencar e Silva, produtores rurais. Mudou-se para o Crato para concluir o Ensino Fundamental, à época ginásio, no Colégio Diocesano. Desses anos, um fato marcou muito a sua personalidade: flagrou um curral com três flagelados presos simplesmente por tentarem fugir da seca para Fortaleza. Lembrava dessa fase da vida e dizia: “É uma lembrança que guardo para sempre. Era um horror difícil de compreender e marcou meu jeito de ver as coisas.”

Aos 17 anos, foi aprovado para Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) e, simultaneamente, aprovado no concurso para escriturário do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), no Recife. Após a posse no cargo, conseguiu a transferência para a Faculdade de Direito do Recife, incorporada posteriormente a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Formou-se em 1937.

Sua carreira política começou em 1948, quando assumiu a Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, por indicação do advogado, historiador, jornalista, escritor e político, Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, que governou Pernambuco de 1948 a 1951. Barbosa Lima Sobrinho, como era conhecido, havia trabalhado com Miguel Arraes no IAA.

Família

Miguel Arraes casou-se pela primeira vez com Célia de Sousa Leão, de família pernambucana tradicional, descendente do Barão de Vila Bela. O casal teve oito filhos José Almino de Alencar e Silva Neto (1946), Ana Lúcia Arraes de Alencar ( 1947), Carlos Augusto Arraes de Alencar (1950), Miguel Arraes de Alencar Filho (1953), Marcos Arraes de Alencar (1956), Maurício Arraes de Alencar (1956), Carmen Sílvia Arraes de Alencar (1957) e Luís Cláudio Arraes de Alencar (1959). Após a morte da primeira esposa, em 1961, casou-se com Maria Magdalena Fiúza Arraes de Alencar, com quem teve mais dois filhos: Mariana Arraes de Alencar (1963) e Pedro Arraes de Alencar (1966). 

Entre seus inúmeros netos, notabilizou-se  Eduardo Campos, governador de pernambuco por duas vezes e falecido em um acidente aéreo em 13 de agosto de 2014, mesma data do avô, Antônio Campos, advogado, escritor, membro da  Academia Pernambucana de Letras e presidente da Fundaj, Marília Arraes, deputada federal -PE, e Luisa Arraes, atriz.

Visagem

João Marques

Em algum lugar do mundo, uma mulher de cabelos brancos, de rosto humilde e abatido, ajoelha-se em casa, à frente de um quadro na parede, de um Coração de Jesus, com uma fita enlaçada. A expressão do rosto é do mais profundo recolhimento, de quem se sente longe e pobre. As mãos cruzadas, em prece. Não fala, balbucia, pensa, e se dirige intencionalmente a Deus. Mas de tão longe e de tão fraca, que se acha um trapo, uma coisa imprestável, inútil. O que lhe resta é o sentimento de amor, e pede por todos, não por si mesma, para que estejam livres. Pede, principalmente, pelos que estejam mais longe, que não conhece. Com tudo, as mãos trêmulas, agradece por restar-lhe ainda o amor, e pelas mãos de ajuda dessa força levanta-se, beija o santo, vai à janela, abre-a e escancara o maior sorriso que se possa dar ao mundo. Esperem!

RETRATOS DA HISTÓRIA DE GARANHUNS - FEVEREIRO DE 1991


Acontecimento marcante na vida cultural de Garanhuense, foi o lançamento no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, do livro "Luís Jardim, As Múltiplas Faces do Talento", de autoria de Marcílio Reinaux, editado pela Prefeitura de Garanhuns, sendo prefaciado pelo Mons. Adelmar da Mota Valença, e com apresentação do poeta Maurilo Matos.

Na oportunidade, houve também o lançamento do livro do poeta José Mário Rodrigues, filho de Garanhuns, intitulado "Os Motivos da Eterna Brevidade", que foi apresentado pela poetisa Luzinette Laporte, tudo ocorrendo dentro das festas de emancipação política de Garanhuns.

Na foto, vemos o prefeito Ivo Amaral, ao cumprimentar o autor Marcílio Reinaux, sob as vistas do secretário de Educação Luiz Henrique.

DOIS DEDOS DE PROSA COM O GEÓGRAFO E PROFESSOR CARLOS UBIRAJARA

O GEÓGRAFO E PROFESSOR CARLOS UBIRAJARA É O ENTREVISTADO DESTA SEMANA DO PROFESSOR CLÁUDIO GONÇALVES

Carlos Roberto Cruz Ubirajara é Doutor em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará, Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco. Especialista em Metodologia do Ensino Superior e Programação do Ensino de Geografia pela Universidade de Pernambuco. Especialista em Metodologia do Ensino de Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco e Licenciado em Geografia pela Universidade de Pernambuco. Nesta entrevista, o geógrafo e educador Carlos Ubirajara nos fala de suas origens, sua trajetória acadêmica, suas pesquisas e produções no campo da Geografia e da Educação. Carlos Ubirajara é um educador incansável que não para de trabalhar, pesquisar e se aperfeiçoar, lecionando Geografia Regional e Geografia Política na Universidade de Pernambuco/Campus Garanhuns, participando e ministrando palestras em seminários, conferências, simpósios e congressos e, concomitante estruturando dois livros promissores a partir de estudos sobre o turismo e as ações educativas em nossa região.

1. Professor Carlos Ubirajara, primeiramente fale um pouco de você e de suas origens?

R - Eu sou Carlos Roberto Cruz Ubirajara, Especialista em Educação e em Metodologia do ensino de Geografia, Mestre e Doutor em Geografia, professor da UPE/Campus Garanhuns, natural de Águas Belas-PE, descendente de família tradicional naquele município. Minha mãe a professora Edméa Cruz Ubirajara natural de Caruaru e formada no Colégio Sagrado Coração daquela cidade em 1943, foi uma das pioneiras em nossa região quando da implantação de uma pedagogia nova no Brasil em um período em que havia a necessidade de uma proposta de superação do método tradicional de ensino, vinculado aos jesuítas, sobretudo, na superação de um modelo elitista de escola. Transferida de Caruaru para Bom conselho em 1948 foi uma das agentes de um método de ensino, que buscava instituir uma luta social e política pela ampliação da escolarização em nome de uma nova forma de organização social: a democracia, a partir da passagem do modelo de produção colonial para o agrário industrial tendo como prioridade acrescentar à instrução a inserção de valores morais para a melhoria da cultura da população, que deixa de viver no campo e vem para as cidades, em busca de melhores condições de vida. Acompanhei quando criança já nos anos sessenta, sua luta em prol de uma educação voltada para os princípios morais e éticos de um povo. Meu pai Acy Ivo Ubirajara, neto do Cel. Sátiro Ivo de Garanhuns e Cel. Nicolau Siqueira de Águas Belas, foi agente arrecadador do Estado o que seria hoje, auditor fiscal da SEFAZ e, também, fazendeiro. Assim, minha vocação de educador foi estimulada pela vivencia de uma mãe professora/educadora e, de um pai proprietário de terras e arrecadador de impostos, o que me possibilitou refletir sobre as condições de vida de um povo e a necessidade de compreender a lógica que permeia as engrenagens sociais e econômicas por meio da educação, encontrando respaldo na Ciência Geográfica.

2. Antes de falarmos sobre suas produções acadêmicas, comecemos pelo início de tudo: O que despertou o seu interesse pela Geografia? Era mais o conhecimento geomorfológico ou outros campos de estudos?

R - A geomorfologia é apenas um campo da Geografia, esta ciência é muito mais abrangente, tem como objetivo principal compreender a lógica da organização dos espaços e a definição dos territórios. Busca entender a dinâmica de organização do espaço conforme o Geógrafo Milton Santos, enquanto um conjunto indissociável e contraditório de sistemas de objetos e sistemas de ações. Estabelecendo relações entre o contexto histórico na formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza, por meio da leitura do lugar, enquanto relação efetiva, sentimento de pertencimento, e, do território enquanto porção do espaço definido por e a partir de relações de poder. Sendo analisado, através da leitura do texto, que a sociedade e a natureza imprimiram sobre a superfície terrestre que são as paisagens, que é nesse caso, a materialização física de uma sociedade que a construiu. Ou seja, por traz do que a gente vê existe uma dinâmica social que a determina. Desse modo, auxilia no planejamento das ações do homem sobre o espaço, buscando a compreensão das formas de relevo, dos fenômenos climáticos, das composições sociais, dos hábitos humanos nos diferentes lugares que são imprescindíveis para a manutenção da vida em sociedade. Neste sentido, essa ciência também, de acordo com Rui Moreira, passou a ser utilizada para desvendar as máscaras sociais, uma vez que revela como os sistemas econômicos, políticos, ideológicos e sociais se manifestam sobre as pessoas e sobre o espaço. Temas como a segregação espacial, o processo de favelização, a evolução e espacialização da violência e marginalidade são estudados e explicados em suas raízes pela Geografia, o que pode auxiliar no planejamento social, bem como nas críticas e ações populares que auxiliem no combate a este e outros problemas socioespaciais. Daí o meu interesse pela ciência geográfica.

3. Conte-nos um pouco sobre a sua formação acadêmica e sua trajetória como educador.

R - Como já frisei, a partir do momento que decidi ser um educador busquei e busco me aperfeiçoar sempre para contribuir com alguma coisa e para valorizar o mundo. Para tanto, fiz graduação em Geografia pela UPE, especialização em metodologia do Ensino Superior e em Programação do ensino de Geografia também pela UPE, Especialização em Metodologia do Ensino de Geografia pela UFPE. Mestrado em geografia pela UFPE e Doutorado em Geografia pela - UECE - Universidade Estadual do Ceará. Iniciei minha vida profissional lecionando no Colégio Municipal Gerson de Albuquerque Maranhão em Águas Belas-PE quando era apenas Técnico em Contabilidade (1974), em seguida na Escola Estadual João Rodrigues Cardoso na mesma cidade (1979), dez anos depois, em 1989, me submeti a uma seleção e fui selecionado para compor a equipe interdisciplinar (Geografia) na Gerência Regional de Educação do Agreste Meridional para implementar uma nova concepção de Educação já que estávamos saindo do Regime Militar. Já residindo nesta cidade de Garanhuns, onde tenho fincada raízes familiares, uma vez que sou bisneto de Sátiro Ivo, atuei como professor de Geografia durante seis anos no ensino médio do Colégio Santa Sofia. Atualmente leciono Geografia Regional e Geografia Política na Universidade de Pernambuco-UPE/Campus Garanhuns.

4. Qual a sua concepção do papel do profissional em Geografia?

R - Na sociedade atual, conforme afirmado por (Santos: 1997) graças à unicidade da técnica que possibilita a convergência dos momentos, configurando o que se denomina meio-técnico-cientifico-informacional, que impulsiona sobremaneira, o processo de globalização, torna-se evidente que os impactos das novas tecnologias impulsionam novos olhares, novos conceitos e, novas formas de produzir, consumir e pensar estimulando nesse sentido, novas posturas no campo educacional, a partir de uma escola voltada não apenas para ensinar conteúdos e sim desenvolver competências, para um mundo cada vez mais complexo e multifacetado, cheio de conflitos e contradições, para um novo mercado de trabalho, para sociedades multiétnicas e multiculturais conformando desse modo, um novo conceito de cidadania. Neste sentido, o processo de ensino e aprendizagem passou a exigir das práticas pedagógicas a organização de um currículo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades, inteligências múltiplas e atitudes, ou seja, novas formas de apropriação e compreensão de conhecimentos e saberes que possibilitem a formação dos sujeitos numa perspectiva integral, dinâmica e contemporânea. Diante do exposto, a Geografia está inserida neste processo, pois é uma ciência dos fenômenos cotidianos. Assim, no âmbito da sociedade da informação e na construção do meio técnico-científico-informacional, conforme já apontava Milton Santos, o professor se vê inserido em um ambiente em que muitas informações e dados sobre os mais diversos processos e fenômenos são disseminados no espaço da sociedade. Por isso, mais do que oferecer conteúdo escolares para os seus alunos, o profissional de Geografia tem a missão de auxiliá-los na absorção e na reflexão crítica de toda essa massa de informações que lhes chega todos os dias. Desse modo, o novo contexto tecnológico deverá propiciar as condições epistemológicas para o educando emancipar-se, sendo o aprender uma atividade contínua, e a emancipação total do sujeito é meta prioritária para toda a vida. Assim sendo, em função do aparato tecnológico vivenciado na atualidade, a escola deverá rever seus desafios, que é trabalhar o conhecimento, não só a informação. As novas tecnologias digitais têm um papel primordial nesses encaminhamentos, processar as informações, e a escola, sistematizar, normatizar, hierarquizar as mesmas. Neste sentido, o professor deverá ter noção da “realidade tecnológica” e das competências do novo aprendiz já que precisa desenvolver um novo perfil: ser pesquisador, não mais um repetidor de informações; articulador de saberes, não mais fornecedor único de conhecimentos; gestor de aprendizagens, não mais instrutor de regras; motivador da aprendizagem pela descoberta, não mais transmissor de informações empacotadas a serem assimiladas e reproduzidas pelo aluno. Neste sentido, o profissional em Geografia deve oferecer a partir de uma metodologia de ensino mais dinâmica e propositiva, as condições necessárias para que o educando compreenda as transformações estabelecidas no espaço geográfico de sua vivência, tendo em vista que o mesmo é dinâmico e complexo, e, a sua construção, se dá em função das relações que vão se estabelecendo entre o contexto histórico na formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza. Nesta perspectiva, Edgar Morin (2002), destaca que o homem cria o meio, e, este, por sua vez, cria o homem. Desse modo, homem e meio se retroalimentam. Pois, todas as formas de ações abstratas política/jurídicas estão conectadas a dinâmica das formas e dos conteúdos espaciais, uma vez que de acordo com George (1993), “toda a geografia é solidariamente, uma explicação da condição humana, mais precisamente, das formas e vicissitudes da existência dos homens nos espaços mais ou menos delimitados, uniformes e diversificados, num dado momento da evolução geral dos grupos humanos e seus confrontos”. Diante desse contexto, é possível reafirmar a importância do profissional de Geografia tanto para a pesquisa quanto para a formação de sujeitos que reconheçam a dimensão social de sua participação na apropriação do espaço, que é construída a partir da operacionalização de categorias e conceitos que fundamentam a ciência geográfica.

5. Como os conceitos geográficos de materialidade na configuração do espaço e de sua dinâmica sócio-espacial podem contribuir para uma visão de mundo e da realidade?

R - De acordo com o professor Antônio Carlos Robert de Moraes, uma primeira questão a ser considerada, que já contém uma diversidade incrivelmente grande, e que o planeta é naturalmente diversificado, há diferenças de lugar a lugar, de porção a porção da superfície da Terra. Existem diferenças zonais, de relevo, de clima, de vegetação, enfim, o mundo está dividido em biotas, biomas, em ecossistemas, termos que tentam dar conta (já numa visão sintética) da diversidade natural da Terra. Mas, além da diversidade natural, há que relevar a ampla diversidade das culturas. Os habitantes do planeta se formaram, vivem e convivem imersos em culturas diferentes, que vão redundar em diferentes formas de apropriação dos lugares, em diferentes construções sobre o espaço terrestre. As formas espaciais criadas por um grupo humano, por exemplo, revelam de imediato muito do acervo cultural e tecnológico que ele dispõe. Assim sendo, é necessário levar em conta os meios técnicos disponíveis, para entender as formas de instalação e de transformação dos habitats. Essas formas de construção, de organização, também respondem a arranjos sociais vigentes, isto é, os espaços construídos visam ser funcionais ao modo de vida de seus habitantes. Com isso eu quero dizer que é possível ler nas formas que se materializam na superfície da Terra, as relações sociais vigentes na época da sua edificação. Cada época cria as suas formas, cada modo de organização da sociedade gera as suas paisagens. Assim, é possível ler, nas formas criadas, os processos sociais que engendraram essas formas. Pode-se citar como exemplo o feudalismo que em um determinado momento cria a forma castelo e aldeia, o escravismo colonial que explica a casa grande e a senzala, e, num certo momento o capitalismo concorrencial pode ser lido na existência da fábrica com a vila operária do lado, assim como essa aglomeração na qual nós estamos inseridos hoje em dia é uma forma do nosso tempo. Em suma, as formas criadas, materializadas pela sociedade se ajustam à sociabilidade reinante. Desse modo, os lugares vão se tornando diferentes, não só por suas características naturais, mas também pelas heranças espaciais acumuladas, pelos espaços construídos que cada um contém. São heranças espaciais variadas. Para usar uma bela expressão do professor Milton Santos, essa diferenciação do espaço significa “tempo materializado na paisagem”. Os lugares têm uma temporalidade distinta, e cada época agrega, a um dado lugar, as formas que lhe são próprias.

6. Algumas das suas produções acadêmicas são voltadas para a análise geo-ambiental, diante dessa problemática, o que você considera relevante para elaboração de um planejamento territorial ambiental e necessidades concretas de desenvolvimento sustentável e educação ambiental, tendo como campo de estudo Garanhuns e Agreste Meridional.

R - Como sabemos o espaço geográfico é a porção da superfície terrestre que abriga as sociedades, envolvendo também os pontos utilizados para a exploração e consumo dos recursos naturais. Não se trata apenas de um palco ou um produto, pois ele é resultado e também resultante das ações humanas. Diante do exposto, torna-se imperativo compreender que além do próprio ser humano, compõem o espaço geográfico todas as suas obras e os meios naturais que interferem em suas atividades, como as cidades, as plantações, o meio rural, as indústrias, os objetos, os rios, os climas etc. Desse modo à produção do espaço geográfico - ou seja, o processo pelo qual o homem transforma e habita o meio em que vive - depende da natureza. A partir da exploração e do aproveitamento dos recursos naturais, o ser humano desenvolve as suas atividades para a sua reprodução e sobrevivência. Dessa forma para o desenvolvimento de um estudo e/ou planejamento geo-ambiental sustentável devemos analisar a paisagem não apenas a partir da simples localização deste ou daquele objeto geográfico particular, mas a distribuição de todos os objetos e as diversas fisionomias de conjunto que revelam o meio, influenciando desse modo na forma pela qual os homens interagem com o seu entorno, tirando proveito do mesmo. Desse modo, ao estudarmos a região de Garanhuns, deveremos buscar a compreensão de que o espaço é uma localização física, uma peça de bem imóvel, e ao mesmo tempo o local geográfico da ação e a possibilidade social de engajar-se na ação. Num plano individual, por exemplo, ele não só representa o local onde ocorrem os eventos (recebe), mas também significa a permissão social de engajar-se nesses eventos (função da ordem social).

7. Uma das temáticas que também envolvem o seus estudos é a difusão da função turística e o Ecoturismo. Neste sentido, como você avalia a reorganização sócio-espacial do município no contexto do seu desenvolvimento turístico? Quais as potencialidades, perspectivas e desafios?

R - A Região de Garanhuns oferece um patrimônio de paisagens pouco usuais e de extrema beleza que vão desde a presença de remanescentes de vegetação florestal de altitude, até esculturas naturais e cachoeiras de águas frias e permanentes. Há uma combinação rara de patrimônio natural e estrutura de assentamentos tradicionais (fazendas e sítios). Neste sentido a região que já foi calçada pelo pisar vigoroso das boiadas e que se tornou importante devido ao consorcio das atividades agropastoris abre-se também agora - em função da implementação das atividades turísticas - àqueles que a procuram pelo interesse de investir em hotéis (urbanos ou hotéis fazendas), bem como em atividades associadas aos eventos em um cenário de um verdadeiro Oásis - área ecologicamente diferenciada - em pleno interior do nordeste semiárido. Assim a difusão da função turística na Região de Garanhuns está relacionada com os condicionantes naturais, uma vez que a mesma possui características diferenciadas daquelas dominantes no semiárido do Agreste Pernambucano. Isto possibilita a implementação de iniciativas de uso turístico na região, um turismo diferenciado, peculiar e raro, do tipo serrano e interiorizado, o que contrasta com o padrão dominante do turismo comumente desenvolvido no nordeste do Brasil (Padrão litorâneo/praias ou que os estudiosos chamam do tipo SSS: ‘sun’ = sol, ‘sea’ = mar e ‘sand’=areia). A inserção dessa nova dinâmica funcional começa por redefinir a região funcionalmente, ao mesmo tempo em que redesenha as paisagens, e reforça características herdadas (história, fazendas, café) nessa área integrante do agreste meridional Pernambucano. A difusão do turismo tem sido extremamente relevante na organização e redefinição da dinâmica de uso do solo regional e, por conseguinte das alterações ocorridas nas paisagens, alterações ocasionadas pela implementação de uma nova via de turismo interior, integrando a região de Garanhuns a dinâmica dos serviços turísticos, e criando rupturas nos estilos de vida das populações regionais ao alterar códigos de valores, padrões de consumo e horizontes profissionais e de negócios (abertura de bares, restaurantes, postos de gasolina, hotéis, etc.). Diante do exposto a região tomou um grande impulso e vem buscando melhor se equipar para receber os visitantes vindos de toda parte do nosso Brasil a procura dos seus hotéis, de seus colégios, de suas fazendas, de seus encantos serranos. Este progresso evidenciou-se na configuração das paisagens com o crescimento e estilização dos equipamentos urbanos (Parques, ruas saneadas e pavimentadas, cinemas, praças e ajardinamentos e etc.) além do incremento do comercio local. Porém, torna-se imperativo e necessário valorizar os seus espaços de cultura, como por exemplo, o centro cultural, um belo patrimônio que precisa de mais cuidados. Além de uma melhor qualificação dos agentes sociais e econômicos locais envolvidos com o processo. Por exemplo, taxistas, empresários, funcionários de hotéis, bares e restaurantes precisam conhecer além da técnica de atendimento, os valores e atrativos locais para quando questionado saber responder adequadamente. Vender de forma positiva a imagem de Garanhuns e Região. Desse modo, o desencadeamento das atividades turísticas cria mudanças - uma vez que também impulsiona os agentes públicos (Estado e Município) - em fragmentos do ambiente físico e sócio cultural do município e região redefinindo e redesenhando paisagens.

8. Garanhuns-PE, Ações Educativas e Dinâmica SocioEspacial: Um Análise Geo-histórica das Relações Estabelecidas entre Religião, Estado e Educação foi sua tese de defesa do Doutorado pela Universidade Estadual do Ceará. Que contribuições a pesquisa trouxe para a compreensão da análise de espacialidades, complexidade das ações dos agentes (sociais, políticos e econômicos) e das alterações sócio-espacial?

R - As ações educacionais materializadas a partir da implantação e expansão de instituições educativas resultam no desenvolvimento de sistemas de objetos, sobretudo aqueles relacionados ao ensino bem como, no surgimento e potencialização de fluxos e/ou sistemas de ações correlatas. Em nossa pesquisa, percebe-se que as diversas ações educativas, desenvolvidas ao longo de um contexto histórico, ocasionaram diferentes formas de uso do solo, refletindo-se isto diretamente na dinâmica das paisagens tendo em vista que as referidas ações educacionais operacionalizadas pelo Estado, Município e pelas igrejas (Católica e Presbiteriana) em Garanhuns-PE a partir da instalação das instituições de ensino (Fundamental, Médio e Superior) estão correlacionadas/associadas com a materialização da dinâmica socioespacial e na definição de territórios, ou seja, as ações educativas ancoradas nas normatizações estatais à partir da instalação de instituições de ensino em Garanhuns-PE estão correlacionadas/associadas com a dinâmica socioespacial. Entretanto, apesar da reconhecida importância desses estudos, a análise das espaciais advindas de ações na área educacional ainda não se acha muito presente na produção acadêmica nacional, muito embora, os estudos sobre geografia urbana e serviços analisem o assunto, apenas como reflexo das políticas de desenvolvimento econômico. Neste sentido, reduzir essa análise tão somente como consequência de outros macroprojetos políticos institucionais, ao nosso ver, sempre inviabilizaram pesquisas que tivessem a probabilidade de analisar a dinâmica sócio espacial tendo, como fundamento maior, projetos no âmbito educacional. Desse modo A minha pesquisa busca oferecer uma contribuição ao estudo desta temática. Tem por objetivo compreender como as ações educacionais a partir da instalação de instituições de ensino passam a desempenhar a função articuladora no contexto urbano e regional em que estão inseridas. Para o entendimento desse processo partimos do pressuposto de que a organização da dinâmica sócio espacial, ocasionada pelas ações educacionais, enquanto práticas espaciais, promovidas inicialmente pelas igrejas e pelo Estado, viabilizaram uma demanda para o desdobramento do ensino superior, propiciando desse modo a instalação e ampliação das referidas instituições em Garanhuns-PE - em meados dos anos 60 (UPE) e AESGA e a partir de 2005 (UFRPE/UAG) e várias outras IES. Desse modo as práticas espaciais estabelecidas a princípio pelas igrejas (Católica e Presbiteriana), possibilitadas pelo Estado, criaram uma estrutura educacional de referência na região, pela concentração de estabelecimentos de ensino de qualidade, instituindo desse modo uma centralidade regional, direcionando sobretudo fluxos e refluxos de pessoas e ideias e propiciando desse modo, novas demandas sociais e econômicas. Podemos então concluir que a criação desse polo educacional, considerando que esta ação localizada em um núcleo urbano criou processos e formas espaciais concentradoras de um determinado serviço, juntamente com outras ações políticas, consorciado a um ecossistema diferenciado no semiárido nordestino, foi responsável por uma nova lógica espacial e uma concentração populacional expressiva, gerando vida e movimento ao espaço urbano, transformando Garanhuns na principal cidade do agreste meridional pernambucano.

9. Pretende publicar futuramente um livro a partir desta tese?

R - Pretendo sim, estou apenas atualizando dados e muito em breve estarei lançando os dois trabalhos, os estudos sobre o turismo e as ações educativas em nossa região.

10. São muitos geógrafos que tem contribuído para a compreensão da configuração e produção do espaço. Que correntes filosóficas e geógrafos se alinham ao seu pensamento geográfico contemporâneo?

R - O entendimento dos mecanismos e da importância dos fatos geográficos, naturais, culturais e econômicos passa necessariamente pela compreensão do significado do espaço geográfico, definido por Milton Santos (1994) em sua vasta obra sobre o assunto, como um [...] conjunto indissociável de que participam de um lado, certo arranjo de objetos geográficos, objetos naturais e objetos sociais, e, de outro, a vida que os preenche e os anima. Nesta perspectiva, avalia-se que as ações humanas enquanto ação pontual que tem repercussão no próprio ponto e no que está à sua volta, ou seja, no seu entorno, compõe a ideia de espaço geográfico que passou a ser constituída a partir do conjunto de localizações e de ações vividas. Dessa forma evidencia-se por sua vez, a questão da identidade territorial que no dizer de Santos (1999, p. 08): (...) não é apenas o conjunto dos sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas. O território tem que ser entendido como o território usado, não o território em si. O território usado é o chão, mais a identidade. A identidade é o sentimento de pertencer àquilo que a nós pertence. Reportamo-nos também - estabelecendo é claro, as devidas adequações - as teorias desenvolvidas por Zeny Rosendahl (2001) onde a autora formula teorias acerca da Geografia e Religião, tendo como maior desafio esquadrinhar o entendimento das dinâmicas espaciais envolvendo a religião e sua influência na organização espacial. Este comparável facilita e auxilia na compreensão da dinâmica espacial permitida pelas ações educacionais. E, grandes outros Geógrafos como: Rui Moreira, Antônio Carlos Robert de Moraes, Paulo Cezar Gomes, só para citar alguns.

11. Diante do mundo globalizado e seus eternos conflitos, qual a contribuição da Geografia para a compreensão da Nova Ordem Mundial?

R - Globalização é o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista, e para seu entendimento devemos levar em conta: o estado das técnicas e o estado da política. As técnicas são oferecidas como um sistema e realizadas combinadamente através do trabalho e das formas de escolha dos momentos e dos lugares de seu uso. Portanto, a globalização não é apenas a existência desse novo sistema de técnicas, é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um mercado dito global, responsável pelo essencial dos processos políticos atualmente eficazes. Neste sentido a contribuição da ciência geográfica está contida em sua finalidade que é compreender a dinâmica social e espacial, que produz, reproduz e transforma o espaço geográfico nas diversas escalas (local, regional, nacional e mundial). Desse modo as relações socioespaciais devem ser consideradas tendo em vista a historicidade do espaço, não como enumeração ou descrição de fatos que se esgotam em si mesmos, mas como processo de construção social numa relação estabelecida entre o contexto histórico na formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza.

12. Reconhecido no campo educacional, qual a sua visão de Educação e Sociedade?

R - Historicamente os sistemas educacionais capitalistas vêm desenvolvendo mecanismos de filtragem social para garantir o acesso diferenciado aos diversos graus e ramos de ensino que terminam por privilegiar o acesso e permanência no sistema escolar dos representantes da classe dominante e de seus aliados, contudo a socialização da política nas sociedades contemporâneas, ao proporcionar às classes menos favorecidas maiores espaços de controle social da riqueza e do poder - apesar de que nos dias atuais, estamos sofrendo uma pressão muito grande, por parte do governo recém instalado em nosso pais, quando observa-se a tentativa de desqualificação das universidades e dos educadores, demonizando-os-vem possibilitando também o controle social da produção e da transmissão do saber. O controle democrático das políticas educacionais constitui, desse modo, um elemento fundamental para que a escola garanta, ao trabalhador, conteúdos necessários à compreensão e à intervenção na civilização técnico científica, instrumental político indispensável ao exercício pleno de sua cidadania. A sensação de que se vive em uma época de grandes transformações que se desdobram em novos desafios e oportunidades deixou de ser um dado subjetivo para se tornar uma diretriz que orienta a agenda de governos e a atuação de movimentos sociais, partidos políticos e organizações públicas e privadas, inclusive instituições de educação superior e centros de pesquisa.

13. Se pudéssemos usar os óculos da Geografia como enxergaríamos o mundo em nossa volta?

R - Extremamente complexo e multifacetado, cheio de conflitos e contradições, torná-lo inteligível é, para nós geógrafos, uma tarefa inicial. Decifrando-o, como diz Lefébvre, revelamos as práticas espaciais dos diferentes grupos que nele produzem, circulam, consomem, lutam sonham, enfim, vivem e fazem a vida caminhar.

14. Atualmente está trabalhando em novos projetos?

R - Sim, além da atualização de dados dos meus trabalhos sobre a Região de Garanhuns e a Difusão da Função Turística (Dissertação de Mestrado) e Ações Educativas e a Dinâmica Socioespacial (Tese de Doutorado) para publicação, estou trabalhando também na orientação do programa Residência Pedagógica da CAPES em parceria com a UPE, que naturalmente rendera boas produções textuais sobre o assunto.

15. Agradeço pela oportunidade de entrevistá-lo e peço-lhe que deixei uma mensagem aos seus alunos, amigos de profissão e aqueles que pretendem seguir formação em Geografia.

R - Eu é que agradeço a atenção e, me ponho sempre à disposição para quando se fizer necessário uma boa conversa. Aos meus queridos alunos só tenho a dizer que, como afirmado por Jigoro Kano fundador do Judô: “só se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo com muita humildade”. Vamos à luta!

José Cláudio Gonçalves de Lima, Garanhuense, professor, Pós-graduado em História, Pesquisador, escritor e Sócio fundador do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns.

domingo, 9 de agosto de 2020

MENSAGEM DO DEPUTADO SIVALDO ALBINO EM HOMENAGEM AO DIA DOS PAIS


"Com meu pai aprendi muitas coisas, desde as mais simples, como jogar bola, até as mais difíceis, como discursar para os maiores públicos de forma sincera e verdadeira. Ele ensina, é amigo, aponta os erros e encontra as soluções.

Com meus filhos, aprendi o amor que nunca senti. A necessidade de ensinar, proteger e ser amigo deles, para que confiem em mim e possam pedir ajuda sempre que precisar, pois além de pai, ser o melhor amigo é também se realizar como pai.

Agradeço ao nosso Deus por cada ensinamento que todos me proporcionaram e proporcionam. Sei que tenho muito a aprender, mas ser pai é isso, aprender a cada dia e se reinventar nesse amor infinito.

Parabéns a todos os pais pelo seu dia. Felicidades, Prosperidade e que o bom Deus nos abençoe!

Um grande abraço".

Sivaldo Albino
Deputado Estadual

MODAS E COSTUMES DE ANTIGAMENTE

A Revolta dos Marimbondos, ocorrida na cidade de Paudalho, era a prova cartorial que acontecia nas igrejas e renegada pela população. Em Jaboatão havia um costume bem comum até os idos de 1918, pois quem assinava os atestados de óbitos era o vigário que contava nessa tarefa com a ajuda do sacristão. Só em 1919, começou a funcionar no Recife o serviço de Verificação de Óbitos, tendo a frente  a figura do médico sendo ampliado, com a construção de um pavilhão anexo à Escola de  Medicina, no bairro do Derby, mas a forma primitiva perdurou por longo tempo em outros recantos.

Os enterros ocorriam à noite até os fins do século XIX, no acompanhamento viam-se tochas ardentes, caixões alugados a prefeitura, conhecidos por babau, que depois do sepultamento eram devolvidos sem a menor higiene.

O cortejo fazia-se a pé, tendo a frente choronas contratadas, conhecidas como carpideiras que pranteavam os mortos. Nos cordões de acompanhamento estavam as  cantoras de benditos, com suas vozes anasaladas  e melosas. O velório acorria na sala principal da casa do falecido e era conhecido como "quarto", durando  em média 24 horas.

Durante a noite de vigília era servido café, chá, bolacha canela, brotes e até bebidas fortes para espantar o sono.

No início do século XX, lá pelos anos dez surgem os caixões vendidos, nas cores, preto ou roxo para adultos, branco para as virgens e azul para os anjinhos. O morto trajava mortalha do santo da sua devoção. Quanto mais rico o defunto mais  movimentado o velório, mais tocha, mais choro, mais compadres, mais afilhados, mais honras prestadas e mais expectativa de herança. Os defuntos pobres não possuíam  tantas regalias, em lugar de caixão era rede e sem floreio baixavam à cova rasa. Nos dois casos (pobre ou rico) as flores vinham em sua maioria dos jardins das residências e eram dálias, cravos, cravinas, saudades, cajado de São José e sorriso de Maria.

Os ataques histéricos estavam em moda, de longe se ouviam os ai... ai... ai... e quase sempre terminava com tapas no rosto, escalda-pés, fricção de alho no pulso, água de flor de laranjeira, todos excelentes calmantes. Sepultado o falecido, as portas das  casas eram "cerradas" e a família se recolhia até a concorrida missa de sétimo dia, sempre por parentes  e amigos. Esse período era chamado de nojo. A família se vestia de preto por tempo distinto: para pai, mãe, esposo e esposa, usava-se um ano de luto fechado (só preto). Por morte de avô, avó, tio e tia, seis meses de luto, sendo três meses de preto e três meses de preto e branco. Para outros parentes o luto era de três meses. Os homens usavam uma tira preta conhecida como fumo, presa no braço, no bolso ou na lapela. Os amigos que não podiam comparecer enviavam cartões de condolências, trazendo, no envelope uma tarja preta.

Outro costume comum era a mudança imediata de residência e enterrar os pertences do falecido. A missa de trigésimo dia era menos concorrida, pois, já tendo sido aberto o inventário (quando havia), já se encontravam satisfeitos e insatisfeitos entre os herdeiros. Os suicidas recebiam tratamento diferenciado, sem direito a cruz, a missa e a cemitério comum sendo sepultado em local a parte conhecido como cemitério dos enforcados.

Quando a peste de bexiga assolou Pernambuco, o enterro ocorria sem velório, sem cortejo, indo a frente do caixão um homem que gritava: - bexiga... bexiga... bexiga.... As  portas das casas se fechavam, o povo se recolhia e a cova era comum a mais de um corpo.

No Dia de Finados os parentes chegavam de véspera ao cemitério, passando a noite limpando e adornando a última morada. No final da tarde voltavam aos seus lares trazendo consigo a coroa de flores de papel crepom parafinado que penduravam na parede do quarto, aguardando o próximo Dia de Finado.

As almas iam para o céu, mas sempre que podiam voltavam para assombrar os vivos, dar botijas, pedir missas, fazer penitências nas igrejas ou resolver problemas de família.

Contam os antigos que uma procissão saia de uma determinada igreja, tendo a frente a alma do padre Antônio Vieira e no cortejo "alma penadas" trazendo nas mãos enormes velas, enquanto cantavam com vozes fanhas: "No tempo em que  nós éramos vivos, por aqui que nós passamos, agora que nós somos mortos procuramos nossos corpos." O padre respondia: "Eu sou alma do padre Antônio Vieira venho a procura de José Ferreira", (seu antigo empregado). Lembrei do filme de John Ford, "O homem que matou o facínora", quando diz: "quando a lenda for mais forte que a realidade, publique-se a lenda."

Hoje tudo mudou, até os pequenos animais têm direito a sepultamento. Os defuntos são maquiados. Podem ser cremados. As almas já voltam com tanta facilidade. O que vimos são coisas do passado.

Adiuza Maria Vieira Belo
Professora, poeta, escritora pesquisadora

Foto: http://www.interrogaes.com/

sábado, 8 de agosto de 2020

MONSENHOR ADELMAR DA MOTA VALENÇA - 18 ANOS DE SAUDADES

Mons. Adelmar da Mota Valença
"VIDAS QUE NÃO MORREM" - Esta frase é do escritor Jorge Fernandes da Silva, o qual foi também professor deste Estado, com grandes serviços à educação. Seu livro tem o título acima (ano de 1982).

O Monsenhor Adelmar da Mota Valença, o "Eterno Diretor do Colégio Diocesano de Garanhuns", se enquadra perfeitamente com o nome dessa obra que o seu autor mandou pra mim, acompanhado de uma carta de 29/06/1989, procedente do Recife onde faleceu.

A querida "Irmã Maria Mirtes de Araújo Corrêa" solicitou a minha colaboração sobre o "Padre Adelmar", com orgulho, atendi o justo pedido.

O aludido sacerdote nasceu no sítio Beira Mar, em Pesqueira, "berço de tantas figuras magistrais tanto do passado, como do presente. 

Apenas eu diante do seu túmulo, nesta cidade, usei da palavra. Éramos amigos. O "Padre Adelmar" veio ao mundo a 4 de julho de 1908. Desde menino tinha inclinação da vida sacerdotal, até mesmo nos finais momentos de sua morte. Veio em companhia de seus pais. Aqui, nesta bendita cidade, onde nasci, foi ordenado sacerdote a 30 de novembro de 1937. Mas durante os saudosos anos de 1915 e 1916, estudou na Escola Artur Brasiliense Maia. Ainda hoje, a Escola continua seguindo os passos do Mons. Adelmar. "A 5 de março de 1917, entrou para o Ginásio de Garanhuns, no qual estudou durante 6 anos". O tempo corria e depois da sua ordenação, foi nomeado para ser diretor do Ginásio de Garanhuns, hoje Colégio Diocesano desta terra. O "Padre" Adelmar ficou à frente do mesmo até 31 de dezembro de 1981.

O autor deste pequeno trabalho, entrou no "Diocesano" em 1933 e saiu em 1938. Fui assim, seu ex-aluno em 1938 e antes, estive no "Querido lar" sob às ordens do Padre Tarcísio e do Monsenhor Callou.

Devo ao referido Educandário, quase tudo na minha vida. Ela insere fatos saudosos, inclusive os "bolos de palmatória", dados pelos dois Sacerdotes. Contudo, o Monsenhor Adelmar acabou com esse uso. Mesmo assim, ainda tenho saudades deles, inclusive dos bolos...

Assisti à transmissão dos cargos de direção do "Alto padrão de civismo e de glória", cujo bonito hino e música, foi do Mons. Godoy. Participei de muitos desfiles do "Gigante da Praça da Bandeira", hoje, praça Mons. Adelmar Valença, graças a uma sugestão deste Ulisses. Tal projeto de Resolução da Câmara Municipal foi de autoria do ex-vereador Augusto Acioli, do distrito de São Pedro, também ex-aluno. Tanto ele como ei fizemos discursos, entre outros oradores. Meu Deus, como é confortante escrever estas linhas confortantes também para os que irão ler esta obra de importância, graças aos beneplácitos, de alunos, ex-alunos, amigos sinceros que elevaram o "Diocesano". E quem eleva esse imorredouro Colégio, está também enaltecendo o Monsenhor Adelmar. Num trabalho do ex-prefeito, ex-deputado estadual e sobretudo ex-aluno, Luís Souto Dourado, disse através do Diário de Pernambuco, 17 de maio de 1980: "O Padre Adelmar não é a simples marca de uma pessoa numa instituição, e a própria pessoa que se transformou numa instituição, sem perder as melhores e mais essenciais qualidades humanas"!

O imorredouro "Padre Adelmar", durante 44 anos foi exemplar Diretor da Casa do Saber. Mons. Adelmar, faleceu no dia 8 de agosto de 2002. Um momento triste para Garanhuns, Pernambuco e o Brasil. Nas comemorações do Centenário de Nascimento do "Padre Adelmar", foi distribuído um volume que diz: "A história do Colégio se confunde com sua própria história"!

É o maior benemérito do Diocesano, sendo um dos maiores exemplos de educadores do Nordeste". No livrinho aludido insere que ele "construiu 2 pavilhões de aulas, o auditório, a Capela, a cozinha e o refeitório, a quadra de esportes, a piscina, prédio do curso primário e o Ginásio do Arraial, que hoje, com muita justiça, chama-se Colégio Mons. Adelmar da Mota Valença".

Falar das honrarias recebidas (dezenas de medalhas e diplomas).

Foi este Ulisses que a pedido do Mons. Adelmar, leu na Câmara de Garanhuns, a sua rica Mensagem durante a solenidade de entrega do Diploma de Cidadão Honorário desta terra ao seu grande amigo, o "padre Godoy", autor do Hino do Colégio Diocesano de Garanhuns. Também o Mons. Adelmar era possuidor desse diploma de cidadania local. Foi prestada significativa homenagem ao querido "Padre Adelmar" pelos alunos e alunas do Colégio Mons. Adelmar da Mota Valença (antigo Ginásio do Arraial) pelos 100 anos do seu fundador com a sua foto. Fui sabedor que a sentimental iniciativa coube a Associação dos que estudaram no aludido Colégio.

Também os ex-alunos do Colégio Diocesano, através da sua direção, Carlos Alberto  Oliveira e Julião Marques, prestaram a homenagem pelo centenário de nascimento no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, no dia 10 de outubro do ano em curso, às 20 horas. O Grupo Diocesano de Artes enriqueceu a dita homenagem.

A bondade do Monsenhor Adelmar da Mota Valença foi sem limite, haja vista ter dado, de graça, estudos a centenas de alunos e que hoje, são bem equiparados em soas vidas, tanto em Garanhuns como em outras plagas.

Rendo a saudação fraternas as Irmãs Cândida, Mirtes e Terezinha, do Colégio Monsenhor Adelmar da Mota Valença,  heroínas dignificantes. Dedico uma frase histórica que o "terno Diretor", gostava de pronunciar: "tu és um verde ninho murmuroso de eterna poesia" (do poeta dos escravos, Castro Alves).

Ulisses Peixoto Pinto
Jornalista, historiador, cronista e ex-aluno do Colégio Diocesano
Garanhuns / Julho de 2008

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

CARAVANA SOLIDÁRIA DO SESC ENTREGA CESTAS BÁSICAS A INSTITUIÇÕES ASSISTIDAS PELO BANCO DE ALIMENTOS EM GARANHUNS

A Caravana Solidária do Sesc chegou a Garanhuns nesta quinta-feira (6/08) e entregou 200 cestas básicas a três instituições sociais assistidas pelo Banco de Alimentos do Sesc. A APAE recebeu 80 cestas, assim como a Creche Maçônica Marta de Abreu. Já o Abrigo São Vicente de Paulo recebeu 40 cestas básicas.

As entregas foram feitas pela gerente do Sesc Garanhuns Ivânia Barros. “Hoje nosso coração se aqueceu, apesar do frio de Garanhuns. Através do projeto Caravana Solidária, entregamos as cestas básicas em momentos de fortes emoções, não só para nossa equipe, como também para as famílias e instituições”, ressaltou a gerente.

A Caravana Solidária, ação realizada pelo Banco de Alimentos do Sesc Pernambuco, acontece em parceria com o Sistema Fecomércio/Sesc/Senac e os sindicatos a ele filiados. As cestas foram compradas com o valor arrecadado, aproximadamente R$ 400 mil, das lives promovidas pelo Mesa Brasil, em parceria com o projeto Fome de Música, realizadas durante o período de isolamento.

A CAMPANHA DE PETRÔNIO FERNANDES

GARANHUNS ANTIGA - Foi nos anos 60 quando eu estava passando férias regulamentares na minha cidade, que eclodiu o movimento cívico pelo qual o presidente Petrônio Fernandes, da Câmara Municipal, udenista de quatro-costados fiel à política orientada por Aloísio Pinto, foi  feito candidato para disputar o mandato de prefeito.

Lembro-me bem como se fosse hoje. Ao chegar na casa dos meus pais no número 485 da avenida Santo Antônio, à sombra das duas "Palmeiras Imperiais", vizinha à direita do prédio da Associação Comercial e do Fórum e, à esquerda, da residência senhorial de dona Julinha, irmã de Sátiro Ivo e viúva do português Antônio Pereira, o velho Fausto foi logo chamando-me à sala de visitas e me deu um carão daqueles que somente ele sabia dar.

"Você não tem juízo mesmo. Vir de tão longe, gastando dinheiro em passagens de avião, para passar férias aqui, justamente numa época em que a política de Garanhuns esta fervendo. Veja lá se não vai criar-me aborrecimentos. Bastam os que Rildo e Roberto estão dando, metidos a comunistas com esse tal de Arraes".

Meu pai conhecia bem todos os filhos, as tendências de cada um e, à época estava inconsolável com a perda da sua filha mais querida, Miriam. Conhecia como poucos os meandros da política local. O calor esfuziante das campanhas, e aquela que se prenunciava era das brabas. De um lado, Amílcar Valença, seu antigo liderado na bancada do PSD, do outro lado, o jovem Petrônio Fernandes apoiado por Aloísio Pinto que, na UDN houvera trabalhado muito para fazer o velho Fausto candidato de consenso, na campanha de dez anos antes.

E o carão teve prosseguimento quando ele chamou minha mulher, a paulista Maria Oliva a quem considerava como nora predileta e, no seu entendimento sagaz, muito mais ajuizada do que eu. "Vê se bota freios em seu marido, com bridão e tudo mais, não o deixe meter-se no que não foi chamado. Passem aqui férias tranquilas e prenda Rinaldo, porque esse moço é danado para intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito como, por exemplo, essa política de garanhuns e de Pernambuco".

Não valeram o carão nem os freios que minha mulher tentou colocar-me, porque  uma semana depois estava eu intrometendo-me naquilo que não fui chamado. Em lugar de descansar nas férias, usufruindo as delícias do clima serrano da cidade, e os passeios a sítios de lazer como os do Pau Pombo, jardins floridos e os do Parque Euclides Dourado, dentre tantos outros que adoro em Garanhuns, fui procurar saber o clima político em que se desenvolveria a campanha de Amílcar e de Petrônio. A coisa estava braba mesmo, como houvera advertindo-me  meu pai. Todo município estava pegando fogo pela política.

Falei com Othoniel e seu filho Everardo; tirei meu irmão Rogério do comitê estudantil de Amílcar e passei frequentar reuniões e comícios nos bairros da cidade e nos distritos. Estava novamente acesa a chama que um dia o deputado Elpídio Branco, discípulo-maior do grande Souto Filho, despertara em mim para os caminhos da política. Que dividendos de qualquer espécie me deram até hoje.

Reencontrei-me com José Cardoso que apresentou-me um neto de Sátiro Ivo, o jovem funcionário do Banco do Nordeste. Airton Diógenes que postulava a vereança. Fiquei conhecendo outro jovem, estudante de medicina no Recife, sobrinho de Petrônio, de nome Pedro Hugo Maranhão Fernandes que, à época, dizia-se admirador do que escrevia para os jornais, mesmo que ele discordasse de alguns pontos de vista, sobretudo aqueles de fidelidade às minhas raízes "elpidianas" quanto pessedistas.

Meu saudoso Antônio Fininho - Antônio Florentino de Almeida Filho - que fez comigo a campanha de Agamenon contra João Cleofas, que ajudou-me tanto a organizar a Ala-Jovem do PSD de Garanhuns sob a orientação de Elpídio, ficou bastante aborrecido pelo fato de eu estar desfraldando a bandeira de um udenista. Ponderei-lhe que Amílcar não havia apoiado meu pai, seu antigo líder na Câmara, enquanto os udenistas Francisco Figueira, Abdias Branco, Aloísio Pinto, Othoniel Gueiros, e Deusdedit Maia, dentre outras importantes figuras do partido do Brigadeiro, precursores de Petrônio Fernandes, tinham sido simpáticos à candidatura do velho Fausto quando Agamenon decidira patrociná-la para pacificar Garanhuns. Candidatura que deu com os "burros n'água" que não vingou mesmo com o apoio do governador do Estado.

Rinaldo Souto Maior
Jornalista, cronista e historiador
 São Paulo, 17 de Janeiro de 1987