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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

DONA ALÓDIA DA MOTA VALENÇA

Alódia da Mota Valença
SÃO PAULO - Conheci D. Alódia como económa do velho Ginásio Diocesano, dirigindo a administração doméstica de nossa casa, cuidadosa na compra de mantimentos e supervisionando a despesa e a feitura da alimentação sadia dos alunos internos. Lembro a postura e a dignidade com as quais a cozinha como refeitório se impunha, aos alunos e serventes, no mesmo ritmo de poder ordenado quanto afável.

Ainda na década de 40 , o velho Fausto, meu pai, entregou-me aos cuidados do Padre Adelmar como aluno interno, mesmo residindo na cidade, pois menino treloso estava lhe dando muito trabalho. Naquela época foi-me difícil aceitar o internato, a rigidez dos métodos e os puxavões de orelhas feitos pelo Padre. Certo dia, de castigo no galpão, durante o recreio, comecei a chorar, quando a bondosa D. Alódia, saindo da bodega (apelido que dávamos a cantina que vendia merenda) veio consolar-me dizendo: "Olha Rinaldo, o que  o Padre deseja é o que seu pai quer, fazer de você um homem; comporte-se, não seja anarquista como é, que não sofrerá castigos, com o tempo pode até sair do internato e voltar para casa".

Vejam bem, o que D. Alódia fez naquela ocasião foi exatamente o que D. Irenita, minha saudosa mãe, teria feito em iguais circunstâncias. Não poderia ter tido uma substituta mais exemplar!

Morreu D. Alódia em 10 novembro passado (1981), e com ela desapareceu mais uma grande mulher de uma geração que já já está fazendo muita falta a juventude dos conturbados dias atuais. Rendo-lhe meu pleito de gratidão, e comungo da dor de seus familiares, porém persigno-me na certeza de que ela irá compartilhar da Justiça Divina junto ao Padre Agobar sob a égide de seus pais Abílio e Emília Valença.

*Rinaldo Souto Maior
São Paulo, novembro de 1981

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