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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

RECORDAÇÕES DE JOSÉ CARDOSO

Garanhuns, PE - José Cardoso da Silva na Catedral de Santo Antônio na década de 50
Imagem/Lúcio Cardoso

O meu último encontro com o carismático líder popular José Cardoso deu-se no ano de 1986 na Rádio Difusora de Garanhuns, onde ele redigia a apresentava diariamente a crônica das dez, abordando temas de grande significação sociológica como parâmetro político à sua segunda tentativa eleitoral de chegar deputado à Assembleia Legislativa de Pernambuco, da qual houvera sido cassado pelo golpe militar de 1964.

Naquela oportunidade de seis anos passados ele de improviso acrescentou à crônica diária um parágrafo a mim dedicado, recordando que trinta e seis anos antes eu havia patrocinado em 1950 seu ingresso no Partido Trabalhista Brasileiro, e a indicação que fiz a Manoel Joaquim do Nascimento e Álvaro Rocha para que integrasse a chapa de vereadores em substituição a Arêudo Pessoa que houvera desistido de concorrer ao cargo legislativo.

Meu conhecimento e aproximação com José Cardoso data do tempo em que ele atendia pelo apelido de José Mojica, numa oportuna alusão as canções que cantava em castelhano, imitando com muita arte o Frei José de Guadalupe Mojica, faceta essa que somente alguns velhos conterrâneos da nossa geração conhecem em Garanhuns. Em particular Humberto de Moraes que comigo frequentava o Salão Gueiros para prosear com Albino Gueiros e seu jovem auxiliar de cognome José Mojica!

Firmou-se naquela época a versão de que ele, por trabalhar e ser muito íntimo de mestre Albino Gueiros, o único que fazia incômoda concorrência ao velho Belarmino na arte de cortar cabelos e aparar barbas, se já não fosse tornar-se-ia com certeza mais um comunista da cidade, sob o proselitismo marxista do patrão e do cirurgião-dentista Osório Souto, que em Garanhuns foi sentinela avançado do partido da foice e do martelo.

Antigo frequentador da oficina de prótese dentária de Humberto de Moraes, desde os tempos em que se situava na travessa da rua Dom José com a São Francisco, mais tarde transferida para um andar do edifício Tomaz Maia, e posteriormente para a rua do Recife esquina com Nilo Peçanha, eu e Betinho um dia tiramos a dúvida com Natan, cunhado de José Cardoso que trabalhou durante muito tempo como gerente do Posto Texaco de Jorge Branco!

"Que comunista, que nada. Zé é apenas um rapaz muito inteligente que gosta de política e é contra tudo que cheira a governo" - protestou em tom de convicção absoluta o nosso amigo Natan, na presença de Lula Ramos Machado, por sua vez cunhado de Jorge Branco! O tempo veio a confirmar que o líder populista jamais tornou-se comunista, mesmo que ele sempre admita que sua porção esquerdista vinha da época em que  foi auxiliar de Albino no Salão Gueiros, não como barbeiro mas exercendo seu trabalho na caixa-registradora e já naquela distante época afirmando-se excelente discípulo de Dale Canergie, na arte de fazer amigos e influenciar pessoas. Tinha a política no sangue que circulava nas veias, ao contrário de Betinho que dizia não gostar de política e assim mesmo foi vereador várias vezes, tendo  disputado uma eleição de prefeito.

Por indicação do Cel. Francisco Figueira e do doutor Godofredo de Barros, respectivamente, José Cardoso e o autor deste artigo foram responsáveis pela difusão da propaganda escrita e falada, na campanha em que o doutor Celso Galvão disputou a Prefeitura com Lula Branco numa refrega eleitoral memorável. Hoje em dia esse tipo de trabalho profissional e denominado modernamente de marketing político-eleitoral e, sem qualquer modéstia, afirmo que fizemos uma campanha limpa quanto democrática, digna dos  conceitos expendidos por Peter F. Drucker, o papa do marketing abrangente, que tornou-se a ciência auxiliar da sociologia, macro e micro-economia em diferenciados países que cultivam e levam a sério a economia de mercado.

*Rinaldo Souto Maior
Jornalista e escritor
23 de maio de 1992

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