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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

OS HERÓIS DE GARANHUNS II

TIRO DE GUERRA 45 - Outubro de 1930 - No Parque Euclides Dourado - Garanhuns. Primeiro plano: Mário Lira, José Gaspar, Dr. Ivo Júnior, Tenente Amâncio Nunes. No segundo plano: Dr. Eurico P. Lira e Josafá Pereira

Garanhuns através dos seus filhos, esteve presente em todos os grandes acontecimentos que envolveram o Brasil na luta pela sua soberania, na defesa da terra e da liberdade. Durante a Guerra do Paraguai, diversos garanhuenses fizeram parte do "11 (onze) de Voluntários da Pátria", batalhão que partiu do Recife para combater  a tirania do ditador Solano Lopez.

Os seus nomes estão escritos no livro "O Onze de Voluntários da Pátria", do Visconde de Taunay livro raríssimo, dificilmente encontrado até mesmo em bibliotecas públicas.

Ano de 1953 - Tiro de Guerra 45 - Tipógrafo Antônio
Fernandes da  Silva e o professor Erasmo Bernardino
Vilela
A Revolução de 1930 contou com a participação direta dos então jovens garanhuenses. "O Tiro de Guerra 45", denominado de "Coluna Louca", com aproximadamente 100 (cem) homens, sob o comando do saudoso Mário Lira, invadiu Alagoas, tomou Maceió, tendo o governador abandonado o palácio, quando recebeu um telegrama com os seguinte termos: "Segue uma avalanche". Telegrama que o então capitão, comissionado Mário Lyra, numa manobra estratégica, mandou que o chefe da estação da antiga Great Western, hoje rede ferroviária, transmitisse ao governador. Aquela capital ficou inteiramente sob o controle dos rapazes da "Coluna Louca", que ainda se deslocaram pelos estados de Sergipe e Bahia, onde fizeram o encontro com as tropas que vinham do Sul, sob o comando de Juarez Távora, o então tenente, já chamado de "Vice-Rei" do Nordeste. Foi uma revolução onde ainda existiu o romantismo quixotesco e o lado humorístico.

Alguns soldados queriam trazer um bonde para Garanhuns; Hemetério foi à praia levando sabonete e toalha; e um deles, quando recepcionados em Glicério, hoje Paquevira, gritou bem alto "Viva a mulher glicerina".

Dois anos depois a revolução constitucionalista de São Paulo, só hoje compreendida, recebe naquele Estado os filhos de Garanhuns, que serviam no Exército e na Brigada Militar, Polícia Militar. Vem a Segunda Grande Guerra, na Europa, Garanhuenses atravessam os mares e vão lutar contra as hostes nazistas e fascistas, em defesa da democracia e da liberdade do Brasil e do mundo. Seus nomes devem ser lembrados pelas novas gerações: Ivan Pedrosa, Eliazar de Barros, Francisco  Paes de Melo, Luís Alexandrino de Araújo, Luís do Cinema, este último falecido vítima de doença contraída nos campos de batalha. Garanhuns está devendo a ele, uma placa com o seu nome em uma rua da cidade.

*Nelson Paes de Macedo
Jornalista e Historiador
25 de dezembro de 1976

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