quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz 2021


João Marques 

Então esperemos a manhã 

os pássaros voarão como sempre

mas voarão com nossos olhos 

o vento vem acariciar todos os rostos 

mover as nuvens, sacudir os prados 

o sol subirá outra vez aos céus 

e os caminhos continuarão iluminados

desabrocham as flores com os nossos olhos 


esperemos, que as crianças sorriem 

a vida caminha com os pequenos pés 

os rios os grandes seguem seus itinerários 

ah os acenos dos amigos na passagem 

as chegadas após cada partida 

a saudade existente do que foi 

e a esperança da renovação do tempo 

que chega com as asas do imenso azul


o amor, esperemos a manhã

no momento então de mais esperar

porque o amanhecer é a vida viva

do amor do norte da existência 

não veem os montes se abraçarem

o mar se repartir nas praias 

e o giro da terra na manhã da espera 

ser de novo em redor de todos...

Garanhuns, 31 de dezembro de 2020

Ivo Amaral - Administrador do Futuro

Edjenalva e Ivo Amaral
Transcrevemos nesta quinta-feira (31), artigo do premiado jornalista Gildson Oliveira. Uma homenagem do blog ao ex-prefeito de Garanhuns e ex-deputado estadual, Ivo Amaral, que durante 50 anos militou na vida pública de Garanhuns e região e hoje com 86 anos ainda esta contribuindo para o progresso de Garanhuns.

Gildson Oliveira*

Por uma decisão do Governo, Eduardo Campos esteve na residência de Ivo e lhe comunicou que o próximo FIG será realizado em sua homenagem, por dois motivos.

Primeiro porque o Estado, definitiva e oficialmente, através de suas lideranças políticas, culturais, artísticas e o público em geral, reconhecem Ivo Amaral o único criador desse evento histórico atravessando o tempo na projeção turística  e econômica do município e da vasta região do Agreste Meridional. E, ainda hoje, 23 anos depois, ganhou fronteiras, enaltecendo o nome de  Garanhuns e do próprio Estado de Pernambuco. 

O governador argumenta. como segunda opção para a homenagem, os 80 anos  que o ex-prefeito completará em 2014. É uma justificativa que poucos prefeitos e ex-prefeitos continuam a ser lembrados e respeitados pelo trabalho sério, evidenciando programas e projetos realizados e voltados unicamente em benefício da coletividade.

Foi preciso o governador Eduardo Campos se deslocar a Garanhuns, visitar Ivo em sua casa, na Avenida Rotary e, ali, na presença deste e de seus familiares, comunicar a decisão governamental de homenageá-lo reparando ingratidões e injustiças praticadas há tantos anos.

Ivo, de forma carinhosa e democrática, lúcido e ainda trabalhando, divide essa honraria com antigos assessores, funcionários e alguns amigos que o ajudaram a criar o 1º Festival de Inverno de Garanhuns, em julho de 1991.

Essa realização, anualmente promovendo Garanhuns e o Agreste é, tão somente, um pequeno detalhe de suas administrações como prefeito realizador e pioneiro em vários pontos. Os companheiros de mídia, como Roberto Almeida, Inaldo Sampaio, Ivanildo Sampaio, Joezil Barros, João Alberto e a colunista  Kitty  Lopes, dentre outros, atestam que Ivo Amaral e, sem a menor dúvida, o "administrador do futuro", o homem que governava com poucos recursos financeiros, pequenos repasses do Fundo de Participação dos Município (FPM).

Contendo gastos, conseguiu implantar galerias de águas pluviais, calçamento de ruas, reforma de pontos atrativos como o Alto do Magano, Parque Euclides Dourado, Pau Pombo, O Relógio Flores, instalado na Praça Tavares Correia, único ainda hoje no  Norte/Nordeste, afora investimentos nas festividades tradicionais.

Durante o "Centenário de Garanhuns", em 4 de fevereiro de 1979, chegou a editar publicação específica enfocando a trajetória histórica do município. Não ficou só nisso. Nos mandatos de Ivo, Garanhuns foi a primeira cidade pernambucana a ter ruas e avenidas asfaltadas e, nessa época, era "invadida", semanalmente, por centenas de turistas e visitantes que lotavam hotéis e hospedarias.

É importante lembrar a construção de salas de aula na área rural, reforma do edifício da prefeitura e descentralização dos serviços. Cobriu a cidade de belas praças, ruas e avenidas, como a Rui Barbosa. Ali nos canteiros centrais, a mulher  de Ivo, Sra. Nalva Amaral, era a "artesã das flores", plantando rosas e transformando a cidade de Garanhuns em extensos jardins com hortênsias e gerânios.

Foram muitas  as realizações, num planejamento técnico sob o comando do saudoso Jaime Pinheiro, que estimulava o prefeito, varando madrugadas. É importante não esquecer o lado cultural e das artes.

Vários foram os lançamentos de livros, guias turísticos, encontro de poetas, violeiros, cantadores de cordéis, escritores, sanfoneiros e cantores, como Dominguinhos, que sempre estava em sua cidade natal animando noitadas de São João, São Pedro e Santo Antônio, não esquecendo Luiz Gonzaga, que encerrou os festejos do centenário em 4 de fevereiro de 1979 e presenteou Garanhuns com a música "Onde o Nordeste Garoa" em parceria com o compositor Onildo Almeida.

Também o comércio e a indústria recebiam incentivos diversos. Em resumo, este é o retrato, sem retoque, do ex-prefeito, agora plenamente justiçado pelo próprio governador do Estado, Eduardo Campos.

* O jornalista e escritor Gildson Oliveira, faleceu em 11 de novembro de 2014. Foi editor regional do Diário de Pernambuco por 30 anos e publicou, dentre outras obras "Luiz Gonzaga, o Matuto que Conquistou o Mundo", "Câmara Cascudo - Um Homem Chamado Brasil" e "Frei Damião - O Santo das Missões".

Texto transcrito do Jornal Correio Sete Colinas de dezembro de 2013.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Duda da Ceaga perde a luta contra a Covid-19


José Leôncio Sobrinho, conhecido como Duda da Ceaga, morreu ontem, no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,  vítima da Covid-19.

Natural de Correntes, Seu Duda tinha 78 anos. Morava em Garanhuns há cinco décadas e recebeu em 2014 o título de Cidadão Honorário da cidade, por conta de proposta do ex-vereador Marcelo Marçal.

Por conta da atividade comercial, que exerceu até se aposentar, na Central de Abastecimento de Garanhuns, José Leôncio passou a ser chamado de Duda da Ceaga.

Deixou oito filhos e 17 netos. A esposa, Salomé, também teve a Covid, mas recebemos a informação que ela está bem, se recuperando em casa.

Dois dos seus filhos dão continuidade aos negócios do pai, na Ceaga.

Seu Duda era extremamente católico, ministro da Igreja, ligado à Paróquia da Boa Vista.

Em 1988, quando Ivo Amaral se elegeu prefeito pela segunda vez, Leôncio disputou um mandato de vereador, tendo tido votação suficiente para uma vaga na Câmara, mas como a legenda do partido na época foi alta ele ficou de fora.

Mas permaneceu fiel a Ivo até o fim, inclusive na campanha deste ano votou em Sivaldo Albino para prefeito, acompanhando a mesma posição política do seu amigo de tantos anos.

Muitos em Garanhuns de ontem para hoje externam seus sentimentos pela perda deste homem que era querido por muitos, uma pessoa extremamente correta e bondosa que fará falta à cidade.

“Mais uma vítima desse vírus terrível! Uma pessoa tão boa, humana, vai embora! Enquanto o despresidente faz piadinhas ridículas e de mau gosto com a pandemia”, assim se expressou a garanhuense Graça Barbosa (Gal), ao escrever sobre a morte de Seu Duda.

Fonte: Blog do Roberto Almeida

Rua William Queiroz de Miranda - Garanhuns, PE

Sivaldo Albino eleito presidente da CODEAM


Eleito prefeito de Garanhuns, no dia 15 de novembro passado, o deputado Sivaldo Albino foi escolhido hoje para ser o novo presidente da Consórcio Público para Desenvolvimento do Agreste Meridional (Codeam), a partir do próximo ano.

Socialista foi eleito por aclamação, com o voto de 27 prefeitos presente à sede da Codeam, no bairro do Magano.

Objetivo de Sivaldo é tornar o consórcio das prefeituras mais fortes, atraindo para a região investimentos dos governos estadual e federal. 

Douglas Duarte (PSB), prefeito de Angelim, que era vice de Neide Reino, continuará como vice de Sivaldo. 

Fonte: Blog do Roberto Almeida

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O Vagão

Década de 1980 - Garanhuns - Bar "O Vagão", Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti  
Ailton Guerra*

Apenas os paralelos  trilhos que serviram de caminhos por essas terras de Deus, guardam meus segredos.

Belo e forte como um cavaleiro, caminhei sobre a milimetrada bitola, cortando o  vento de peito aberto, levando nas minhas entranhas, o progresso do meu tempo. Nos rumos de meu caminho muitas saudades deixei e aprendi ao longo dos anos a  ver, ouvir e calar, como uma testemunha muda, mera  observadora das transformações psicossociais dos meus contemporâneos passageiros.

O sino da estação, o apito, o estoicismo dos pioneiros, a liberdade dos campos, a lágrima da partida e o sorriso da chegada me ajudaram a entender os aspectos contraditórios na natureza humana, feita, segundo Pascal de grandezas e de miséria.

Na rota Agreste-Mata e Mata-Agreste, muitos eventos justificaram minha existência. tempos  heroicos. Reminiscências.

Hoje, em retalhos, habito sobre o Centro de Cultura da Cidade das Flores. Sou chamado de "O Vagão - Restaurante". A sorte não foi  tão ingrata, muitos de meus irmãos já se transformaram em pó.

A mudança de trilhos paralelos para um Centro de  Cultura, mesmo sendo em retalhos, deve ter sido um sonho acalentado por muitos "Vagões" de minha época.

Mesmo que quisesse e que  pudesse não teria escolhido outro fim, senão este, para testemunhar os tempos modernos. Recebendo o oxigênio das minhas frondosas árvores vizinhas, posso hoje, passado tantos anos, afirmar que um velho Vagão não poderia ter tido de Deus melhor esmola ecológica.

Aqui, costumo receber passageiros como antes. Tornei-me, não resta dúvida, um confidente mais eclético. As "falas" de agora giram em  torno de petróleo, política, teatro do absurdo, música universal, guerras frias e quentes, hodiernas preocupações que afligem meus passageiros presentes.

No aspecto físico, modernas caixas acústicas vieram contrastar com os meus velhos bancos de saudosas recordações. Às vezes a saudade me pega de surpresa e no espelho posto à minha disposição, vejo meu passado brilhante através das  ilusórias imagens.

A culpa é daquele casal que sob a luz do velho lampião pendurando saudades, fala coisas de amor ou daquele seresteiro boêmio que desligando o "estéreo" toma de seu pinho e espalha pelo as canções de outrora.

Momentos que me são caros e plagiando o poeta Ascenço Ferreira relembro baixinho o poema de todos os trens:

Vou danado pra Catende

Vou danado pra Garanhuns

Vou danado pra Catende

Vou danado pra Garanhuns

com vontade de chegar.

Enquanto minhas lágrimas se misturam com os reprimidos desejos e a trepidante alegria dos meus contraditórios passageiros.

Garanhuns, 23 de Abril de 1977

João Rodrigues da Rocha

Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo) - Antigo local de encontro dos boêmios de Garanhuns
Foto: Anchieta Gueiros

Natural de Garanhuns, nasceu em 1 de julho de 1935. Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns onde concluiu o Curso de Técnico em Contabilidade, profissão que exerceu por mais de 30 anos, com escritório de atendimento ao público em Garanhuns, onde prestou serviços sendo bem quisto por todos os seus clientes.

Foi bem conhecido por seu amor à música romântica, tinha um verdadeiro amor a essa modalidade de arte, sendo conhecido como "Seresteiro de Garanhuns", possuía uma bela voz sendo admirado por todos que apreciavam cantar.

Fez muitos amigos durante a sua vida, pois era de índole pacifica, de uma educação a toda prova. Não recusava um convite para mostrar a sua arte do canto. Faleceu em 16 de julho de 2001.

Garanhuns

Praça Dom Moura
Foto: Anchieta Gueiros

Oliveira Netto

Com altiplanos e despenhadeiros

A centenária e bela Garanhuns

Foi exaltada por Lauro Cysneiros

Em versos memoráveis, incomuns.

Terra berço de nobres cavalheiros

- E pode no Brasil haver alguns,

Não conhece a palavra aventureiros,

Pelo mundo de hoje tão comuns.

Em sublime versos decantada

Garanhuns - a cidade muito amada

Nos seus mais variados atrativos,

É a morada padrão dos democratas,

De mulheres galantes e mulatas

- Encantos de passados primitivos...

Garanhuns, 5 de julho de 1980

Livro mostra a trajetória de Geraldo de Freitas Calado

Geraldo de Freitas Calado e o Presidente Lula, em 2007
Natural de Correntes, Geraldo de Freitas Calado veio morar ainda menino em Garanhuns, tendo se destacado como líder estudantil e sido eleito vereador do município, na legislatura de 1955. Foi companheiro na Câmara de Amílcar da Mota Valença, eleito posteriormente prefeito duas vezes. Inteligente, culto e irrequieto, Geraldo desenvolveu várias lutas em sua época, dentre elas a da instalação de uma universidade no Agreste Meridional e a construção da Casa do Estudante Pobre de Garanhuns.

Essa trajetória de Geraldo, que depois estudou Direito, no Recife, lecionou na  área jurídica na Universidade Estadual de Maringá (PR), publicou livros e depois assumiu o cargo de Procurador Federal, tendo sido selecionado num concurso público, depois de tirar o primeiro lugar, é contada no livro "Geraldo de Freitas Calado: Um Semeador de sonhos". A biografia é escrita pelo jornalista Fernando Jorge, autor de vários títulos e um dos  colabores da prestigiada revista Imprensa.

O escritor mostra Geraldo como uma pessoa obstinada, que luta com todas as suas forças para realizar seus projetos. É um idealista desde a mocidade, capaz de sonhar, mas também de  transformar o desejo em realidade. Essa determinação é reconhecida pela população de Garanhuns, que o elegeu vereador com apenas 21 anos de idade.

Fernando Jorge mostra como Geraldo, em Garanhuns, no Recife ou no Sul/Sudeste do País, se mobilizava e conseguia audiências com as autoridades, em busca de concretizar seus  objetivos. Em Pernambuco esteve com o governador Etelvino Lins, no antigo Estado da Guanabara  foi amigo de Carlos Lacerda, em Brasília estreitou relacionamento com o ministro da Educação, solicitando deste a criação da Universidade Federal do Agreste Meridional.

O livro mostra que as lutas de Geraldo Calado não estão só no passado. Há pouco tempo, o ex-vereador de Garanhuns teve um encontro com o presidente Lula (foto), quando entregou ao líder petista sua biografia, escrita pelo respeitado jornalista. Geraldo de Freitas Calado faleceu em maio de 2008, no Rio de Janeiro.

Texto transcrito do jornal Correio Sete Colinas de março de 2008.


O livro "Geraldo de Freitas Calado: Um Semeador de sonhos", você pode adquirir em Barros Livros e Revistas. Rua Severiano Peixoto, 78 - Centro, Garanhuns.

Rua João Rodrigues da Rocha - Garanhuns, PE

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Grêmio Polimático

Alfredo Leite Cavalcanti e Augusto Calheiros

História de Garanhuns - Fundado em 2 de julho de 1922 por uma turma de afeiçoados à arte cênica, com um número limitado de 25 sócios, de ambos os sexos. Na primeira diretoria: Presidente - Tranquilino Viana, Vice-presidente - Pedro Firmino, Secretário - José Elesbão, Vice - Abdísio Vespasiano, Tesoureiro - Manoel Pires, Orador - Arthur Maia, Diretor de Cena - J. J. Carvalho, Diretor Musical - João Braga, Cenógrafo - Horácio Siqueira. Além dos membros acima, faziam parte do Grêmio os seguintes associados - Dario Rêgo, Sebastião Bastos, Antônio Leite, João Misael, Emanuel Leite, Sebastião Viana, Jesuíno Veras, Augusto Calheiros, Alfredo Leite Cavalcanti, Manoel Vicente da Cruz Gouveia, Maria Augusta da Silva Santos. Contava com a colaboração das pianistas Emília e filha Iracema Braga, Augusto Calheiros e Maria Augusta eram os astros de primeira grandeza. No dia 7 de setembro de 1922, no Cine Grossi, houve a abertura da temporada, com o drama "Operários em Greve" e o quadro apoteótico "As Três Datas" - "15 de Novembro", "Sete de Setembro" e "Treze de Maio" representados,  respectivamente, por Arthur Maia, José Elesbão, J. J. Carvalho e Tranquilino Viana.

O Grêmio em 13 de janeiro de 1923 se confraternizava para dar posse  a nova Diretoria e levar ao palco mais um de seus espetáculos - Presidente - J. F. Braga. Em 5 de maio de 1923, outra encenação com Augusto Calheiros, Arthur Maia, Jesuíno Veras, Raimy Leite, Dario Rêgo, Maria Augusta dos Santos, Alfredo Leite, Sebastião de Araújo, J. J. Carvalho e na orquestração João e Hermilia Braga. Na eleição seguinte, tem-se na Presidência Dario Rêgo. Em 1925, com a retirada de Augusto Calheiros que viajou para o Rio de Janeiro a fim de se integrar ao grupo "TURUNAS DA MAURICÉA"  e Maria Augusta dos Santos que  se transferiu para Recife, a fim de continuar seus estudos, esta associação suspendeu as suas atividades.

Em abril de 1934 surge a notícia de que Dario Rêgo e Tranquilino Viana estavam em ação para a reorganização do Grêmio. Em 1938 ele volta a atuar, com os elementos antigos e uma geração nova. Vamos assinalar, então: J. J. Carvalho, José Cordeiro, José Elesbão, Tranquilino Horácio Siqueira, Arthur Maia, Alfredo Leite, Manoel Gouveia, Dario Rêgo do grupo de "22" aos quais se juntaram: Aurides Cardoso, Luís Maia, Jayme Luna, Valderedo Veras, Bartolomeu Queiroz, Arnaldo Carvalho e as senhoritas, Iracema Correia, Anésia Sales, Lindinalva e Quitéria Teixeira, Nair Moreira, Cremilda Carvalho, Maria Galindo, Luiza Portela e Luís Lins. Em junho levaram à cena a peça "As Doutoras" de França Júnior. Em 7 de abril de 1939 outro espetáculo que constituiu um verdadeiro sucesso. Em 15 de maio a peça "O Interventor" de Paulo Magalhães, interpretada por: Everaldo Marques, Luís Cavalcanti, Manoel Gouveia, José Elesbão, Arnaldo Carvalho, Alfredo Leite, Cremilda Carvalho, Maria e Luiz Pereira.

Era o Grêmio considerado pela crítica pernambucana, dada a seriedade dos seus trabalhos, como "o melhor conjunto teatral do interior do Estado". Em 1940 ainda funcionava tendo à frente: Presidente - Amalarico Moreda, Vice - Deusdedit Maia, Secretário - Dorval Santos, Tesoureiro - Raimundo Clemente, Vice - Manoel Gouveia, Orador - Erasmo Peixoto, Vice - Senyr Jatahy de Sampaio; Conselho Fiscal - Alfredo Leite, Tranquilino Viana e José Elesbão.

Fonte: Coleção Tempo Municipal / Centro de Estudos de História Municipal / Os Aldeões de Garanhuns / Alberto da Silva Rêgo / 1987

Viver pelo pensamento


Pelo que pensamos poderemos viver outro mundo que existe em cada um de nós. Basta que haja identidade de pensamentos edificantes. Não depende de esforço, nem de preferências de um desejo. O entendimento é muito eficaz. Essa eficácia proporciona o alcance à profundidade das coisas. Isso se relaciona em algo altamente qualificado pela psicologia do silêncio.

Nesse estado de silêncio se vive em constante modificação com o ser humano. Isso pode não solucionar alguns problemas, contudo, ajuda a se constatar a sua origem. Quando se constata o motivo do problema a sua complicação desaparece. Na esfera desse esclarecimento os  fatos se determinam. Dentro de nós mesmos, de nosso universo moral, encontramos novas perspectivas que poderão se projetar nos domínios do exterior.

Quando o tempo começa a soprar o vento do medo, o apercebimento filosófico do homem e torna mais forte e intemerato em todos os ordenamentos de  suas conduta. Removidos esses obstáculos poderemos seguir o reto caminho da existência. Importante missão, a cumprir, todos nós temos, aqui na Terra. O certo e criterioso é que sua importância, não obstante definida, nunca é superior a nossa capacidade de realização. Não existe prova superior as forças destinadas às possibilidades do resgate.

Não poderemos ser menos espectadores desta grande empresa de alto porte com finalidade indeclinável à evolução na escala espiritual. Todos teremos de trilhar corretamente os caminhos iluminados pelo progresso do ser humano. As nossas atribuições são resultados de nossa capacidade em potencial. Assim não há um só indivíduo que não tenhas meios suficientes ao seu desenvolvimento intelectual. É no meio da sociedade que ele encontra o necessário para abastecer-se e criar o seu estado.

A experiência mostra que vivemos sempre pressionados por força dos problemas. Nesse sentido, o importante é não deixarmos ser dominados, por certa compressão de ordem moral. Essa coação age com muita habilidade, existem muitos elementos convocados especificamente para esses fins. As propagandas organizadas por técnicos em comunicação do pensamento, se propõem a dominar por meio de repetições renovadoras até, o indivíduo transformar-se num instrumento humano, ou melhor em inocente útil.

Esses agentes de manipulação de massa. Existir para eles é durar, é permanecer no tempo.

Entendemos que não é a importância do comando que deve contar como força respeitável, e sim, o respeito à liberdade que deve ter todo indivíduo de pensar, sentir e agir harmoniosamente. Buscar elementos de ordem psicológica no sentido de dominar a livre manifestação legal do seu pensamento, é mais um atentado contra a manifestação da sublime faculdade de ouvir de acordo com o seu entendimento em todos os setores de suas atividades.

O indivíduo que aluga a sua experiência funcional, no sentido de empanar o  brilho da inteligência de seus concidadãos, atenta criminosamente contra o desejo de se manifestar livremente, que é uma das modalidades de ser gente digna de viver. Só os que nunca foram tocados por qualquer espécie de sentimento nobre, é capaz de se tornar instrumentos levianos contra a liberdade pelo pensamento puro e consubstanciado em fatos.

*José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 20 de setembro de 1986.

Foto: Anchieta Gueiros

Prefeito Sivaldo Albino divulga equipe de trabalho


O prefeito eleito, Sivaldo Albino (PSB), anunciou agora pela manhã, na AESGA os nomes dos secretários e demais ocupantes de cargos de primeiro escalão do Governo Municipal. 

CONFIRA LISTA

Adriana Carvalho, advogada, professora efetiva da Autarquia Municipal de Ensino, será a presidente da AESGA. 

Sargento Rodolfo Melo, formado em história e direito, policial militar desde 1998, do BPM Garanhuns, será o presidente da AMSTT. 

Claudomira Andrade, advogada, pós graduanda em direito penal, irá comandar os destinos do Instituto de Previdência de Garanhuns.  

Sivaldo fundiu quatro secretarias  numa só e criou a pasta do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Segue a relação dos secretários municipais, que assumirão seus cargos a partir do dia primeiro de janeiro:

Hélio Faustino, diretor de Obras, engenheiro e graduado em física, ex-secretário de obras

Joctan Barros, diretor de Desenvolvimento Econômico – administrador de empresas UNICAP, coordenador da Junta Comercial e empresário

Socorrinho Gueiros, diretora de cultura, artista plástica, com participação em exposições em Garanhuns e no Recife.

Comunicação - Ronaldo César, blogueiro e publicitário, bacharel em direito e funcionário público

Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – Alexandre Marinho, advogado, ex-secretário, chefe de gabinete de Sivaldo na Assembleia.

Administração – Acácio Godoy – graduado em administração, trabalhou muito tempo no Grupo Pérola, no auge da empresa garanhuense.

Secretaria de Governo, Articulação Política e Ouvidoria – Gedécio Barros, vereador por dois mandatos, é agropecuarista.

Procuradoria Jurídica – Paulo Couto, advogado, ex-presidente da OAB local, atuou em vários municípios do Agreste Meridional e na Câmara Municipal de Garanhuns.

Controladoria – Daniel Penaforte, funcionário público, ciência de computação, pós-graduado em gestão pública.

Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer – Carlos Tevano, esportista, professor de judô há 39 anos.

Secretaria da Mulher – Betânia da Ação Social, vereadora, já atuou na Secretaria de Assistência Social da prefeitura de Garanhuns.

Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Ivaldo Bispo, com formação em geografia, atuou em programas de cidadania e coordena programas de habitação em Pernambuco.

Agricultura, Abastecimento e Pecuária – Lucimar Oliveira, professora de história, presidente do PT Garanhuns

Secretaria de Infraestrutura, Obras e Serviços Públicos – Sinval Rodrigues Albino (Fá Albino) – Assessor de vereadores e deputados, secretário municipal em São João, coordenador do escritório regional de Sivaldo.

Secretaria de Turismo e Cultura – Givaldo Calado de Freitas, advogado, empresário, ex-vereador e escritor.

Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos – Eliane Madeira, atuou em empresas públicas e privadas, coordenador a saúde de Araçoiaba, Lar da Criança Santa Maria.

Secretaria de Educação – Wilza Vitorino, professora, com graduação em pedagogia e diversas especializações na área.

Secretaria de Saúde - Catarina Tenório - Trabalha em saúde pública desde os anos 90. Gestora da Geres e direção do Hospital Dom Moura. 

Finanças - Vera Sarmento. Única pessoa da equipe que não é de Garanhuns, foi indicada após consulta ao governador Paulo Câmara.

Fonte: Blog VEC Garanhuns

O Padre

Mons. Adelmar com seus familiares: Dr. José Henrique de Barros Neto, Pedro Gerson Lima Silvestre, Maria Cristina Valença Silvestre, Evaldo Vieira César, Amílcar da Mota Valença e Asnar da Mota Valença, no dia dos 60 anos de Ordenação Sacerdotal de Mons. Adelmar (30.11.1997).
Pedro Gerson Lima Silvestre

Nasceu em um lar abençoado, onde a nobreza de sentimentos do casal Abílio Camilo Valença e Emília da Mota Valença se perpetuou através de seus descendentes, que continuam testemunhando o amor, a integridade, a fé, a cultura, enriquecendo assim o patrimônio cultural de Garanhuns. Uma família cujo lema foi sempre servir.

Foi desta grande estirpe que surgiu o nosso inesquecível Mons. Adelmar da Mota Valença. Sacerdote íntegro, vigoroso e destemido, gloriosamente respeitado por  todos. Homem de fé, humilde, justo, acolhedor, grande servidor dos irmãos.

Nasceu na Fazenda Beira Mar, perto de Pesqueira, no dia quatro de julho de 1908, em um sábado às 15 horas. Foi o oitavo filho do casal Abílio e Emília.

Deram-lhe o nome de Adelmar, como homenagem ao poeta pernambucano Adelmar Tavares, cujas poesias seus pais gostavam de ler.

Esse homem singular a quem Garanhuns tanto deve, sempre disse à sua população que ele é que devia a Garanhuns, e assim se expressava: "Garanhuns nada me deve; ao contrário, devo tudo a Garanhuns, sobretudo o maior tesouro que me deste - a graça da vocação sacerdotal. Tu fazes Garanhuns, parte da minha vida, desde aquela tarde chuvosa e fria de maio de 1913, quando aqui cheguei."

Adelmar passou por uma adolescência comum, igual a todas as outras.

No dia 24 de janeiro de 1921 Adelmar sofreu muito com a partida de Agobar, seu irmão, para o seminário de  Olinda, onde no dia seguinte vestiu a batina. Eles eram muito unidos. No fim deste mesmo ano Adelmar viajou sozinho para o Recife, para prestar exame no Ginásio de Pernambuco. Passou vinte dias em Olinda e sempre que podia ia visitar seu irmão de peito.

Passou por muitas experiências e provações de fé, conseguindo sempre levar sua mensagem de amor e esperança a todos que o cercavam.

Aos 10 anos de idade foi crismado, e desde então começou a se interessar cada vez mais pelo que a vida religiosa poderia oferecer. Era um ótimo aluno, gostava de religião e sabia todas as obras de misericórdia.

Seu primeiro contato com a Igreja em si foi realizado após um convite recebido por Dom Moura, um amigo que o ajudou na escolha de sua carreira, mas por timidez, acabou recusando o convite.

Desde então Adelmar passou a imaginar como seria viver no seminário, quando finalmente, ainda menor, mas decidido, foi em busca do seu destino. Recebeu empregos e seguiu em frente.

Sua mãe ficava preocupada e dizia que era melhor se trabalhasse mais por perto.

Um dia, numa viagem de volta da Bahia, onde trabalhava, e pensando na morte do irmão padre, Agobar, pela primeira vez, sentiu-se chamado ao sacerdócio. Era um primeiro de novembro, e ele pensava na morte santa que seu irmão tivera, e pensava fazer-se sacerdote para ter também uma morte santa.

Mesmo em casa com sua família, vivendo o luto pela morte de Agobar ele continuava pensando na possibilidade de entrar para o seminário.

Queria muito, mas não sabia com quem falar.

Até que um dia Padre Godoy o viu estudando latim e o encorajou para a decisão que ele estava prestes a tomar.

Dias depois, um automóvel chega a sua casa a fim de  levá-lo para trabalhar no Recife numa mercearia, como contador, e viu ai desmoronar seus sonhos de ser padre.

Lá, adoeceu e achou até que iria morrer, mas Deus o ajudou, e cinco dias depois o dono da mercearia vendeu o  estabelecimento e assim ele poderia voltar para Garanhuns. Não sem antes passar pelo seminário, onde havia encontrado pela última vez, seu irmão Agobar. La chegando, falou ao bispo Dom Hildebrando, de sua vontade de entrar para o seminário sendo por ele desencorajado, por achar que ele não suportaria os estudos, pois estava muito abatido.

Voltando para casa teve muitas desilusões por ter o Padre Godoy quer o estimulava sempre, ter sido designado vigário da paróquia de Barreiros. Entretanto dias depois, chega um bilhete de sua irmã Arlinda, dizendo que o Padre Godoy estava de volta e que havia nomeado reitor do  seminário. E não só isso, mas que tinha conversado com Dom Paiva, e precisava falar com Adelmar.

Quanta alegria e ansiedade! No dia seguinte foi logo conversar com o bispo, agora dependia apenas dele. Pensava nas duas vidas: a que ele tivera até aquele dia e a que teria se optasse por realmente seguir a religiosa.

Dia seguinte, naquele inesquecível 24 de fevereiro de 1931, ele entrou para o seminário. Ali terminava sua primeira vida e começava aquela que mais tarde seria lembrada por todos.

O Grande dia  de sua ordenação sacerdotal 30 de novembro de 1937, foi em uma celebração simples na  Catedral de João Pessoa, na Paraíba.

Sua ascensão religiosa deixa explícita a vocação que ele tinha para o serviço à Igreja de Jesus Cristo. Sua simplicidade e disposição para o serviço a Deus fizeram com  que sua vida fosse repleta de fatos que demonstram sua  grandeza enquanto pessoa. Desempenhou, com muito amor, a missão de sacerdote que lhe foi confiada.

Passou sua vida dedicada à causa de Deus, a caridade com seu próximo, a esta casa, seu querido DIOCESANO, e ao Filho estimado, o GINÁSIO DO ARRAIAL, (hoje, Colégio Mons. Adelmar), do qual dizia: "Nas agruras da minha vida, o Ginásio do Arraial é o meu alento."

Em oito de agosto de 2002, aos 94 anos de idade, em sua residência e cercado do amor de seus familiares, Padre Adelmar se despede, com a certeza do dever cumprido.

O monsenhor Adelmar foi e sempre será um exemplo de integridade, lealdade e bondade. Um verdadeiro baluarte da educação e da fé, que ascendeu para junto do Criador, deixando saudade a todos que compartilharam dos seus ensinamentos e de sua história.

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra - Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Irmãs Cândida Araújo Corrêa e Maria Mirtes de Araújo Corrêa. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

Identificação de ser

João Marques

A mulher se parece...

a flor das pétalas mais abertas

e dos orvalhos da manhã rosa

o canto da natureza que sorri

à vida e à beleza da formosura

os sonhos da alma entregue

às possibilidades e às crenças


a mulher se parece...

a infância de laço de fita

o aconchego dos braços maternais

o capricho do bonito e da personalidade

de mansidão e da ternura do sorriso

o gosto pelo belo e os sentimentos

de enobrecer a vida e colorir


a mulher se parece...

a ilusão que é da existência

o romance e a poesia

que movem o tempo que chega

a sabedoria de sua gênese

de Eva pisando a cabeça da serpente

e de sua graça de anjo bom.

Garanhuns, 27 de dezembro de 2020

Presidentes da Câmara dos Deputados Durante o Império 1826 a 1889


Francisco José Furtado - Piauiense. Formado pela Faculdade de  Direito de São Paulo. Magistrado. Político de raríssima capacidade. Representou o Maranhão: na Câmara, em 1848, e de 1861 a 1864; no Senado, vindo da Presidência da Câmara, a começar de 1864. No mesmo ano, Ministro da Justiça duas vezes: no segundo Ministério de Zacarias de Góes e no que ele próprio organizara, como Presidente do Conselho. Faleceu em 1870.

Fonte: Presidentes da Câmara dos Deputados Durante o Império - 1826 a 1889 / Carlos Tavares de Lyra / Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados/ 1978.

Primeira Igreja de Garanhuns é Demolida

Ano 1891 - É totalmente demolida a primeira Igreja de Garanhuns e os tijolos são aproveitados na construção de um cemitério edificado com uma capelinha, onde hoje é o Parque Euclides Dourado.

São Bento do Una

História de Garanhuns - Povoações formadas em sítios na Sesmaria dos Vieiras de Melo e que são cidades sedes de Municípios

Empregamos todos os esforços e o máximo intento para  constatar o território de qual sítio ou fazenda se formou a povoação que hoje é a cidade de São Bento do Una, porém sendo tudo isso debalde nos  leva ao uso da lógica para não deixarmos de historiar.

Levando em conta a denominação do Sítio Una que se limitava pelo Norte com o Rio Una e pelo Leste com o Sítio Queimada Grande concluímos que no território deste último se organizou o Sítio da Santa Cruz e o lugar de São Bento, já existentes em 1819, conforme tópicos em autos de corpo de delito e devassa, que a seguir transcrevemos na íntegra.

"Traslado do auto de corpo de delito indireto que mandou fazer o Juiz Ordinário Jozé Bento Velozo pelas mortes feitas a tiros de espingarda em o creolo Felis de Tal e Maria de Tal cazada com Manoel Martins no lugar da Cabana ou retiro de baixo termo da Villa de Garanhuns - Escrivão Costa.

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil oito centos e dezoito aos vinte e trez dias do mez de outubro do dito anno nestes sítio do Reachão em cazas de morada do Juiz Ordinário Jozé Bento Velozo do termo da Villa de Garanhuns da nova Comarca do Sertão de Pernambuco...

"Assentada"

"Aos quinze de setembro de mil oito centos e dezenove nesta Villa de Garanhuns em cazas de appozentadoria do Doutor Dezembargador Ouvidor Geral e Corregedor Antonio Joaquim Coutinho por elle forão enquiridas e perguntadas as testemunhas seguintes de que fiz este termo Joaquim José de Carvalho Escrivão da Correição.

"Francisco José Bezerra, branco, cazado, morador na Fazenda do Poço dôce deste termo idade de sessenta annos que vevi de suas lavras de criar Francisco de Abreu, Cazado, morador no Retiro de Sima...

"José Gomes del Oliveira, pardo, cazado, morador no Retiro de baixo "Theodozio Gomes de Moura, Cazado, morador no lugar de São Bento...

"José Fernandes preto forro, Cazado, morador no São Bento...

"José Fernandes preto forro, Cazado, morador no São Bento...

"João Luiz Pereira, Indio, Solteiro, morador em São Bento...

"Vicente Ferreira da Silva, pardo, cazado, morador no lugar de São Bento...

"Jozé Francisco da Rocha, Semebranco, Solteiro, morador em Una...

"João Alves de Souza, Semebranco, viuvo, morador na Ribeira do Una no Sítio Santa Cruz...

"Jozé Alves de Souza, pardo, Solteiro, morador no Sítio da Santa Cruz...

"João Baptista de Souza, pardo, Cazado, morador no Caldeirão...

"Anastácio Rodrigues, pardo, Cazado, morador no Gurjão.

Jozé Clemente da Rocha, branco, cazado, morador no Sítio Bazilio (187)...

- Logicamente concluímos que nas terras do "Lugar de São Bento" foi organizada a "Fazenda de São Bento" já existente em 1829, talvez por iniciativa de José Rodrigues Valença, pai do Padre de igual nome que nela conforme um dos livros de acentos de casamentos do arquivo da Diocese de Garanhuns, efetuou o casamento de Antônio Roque Pereira com dona Rita Gomes da Silva, em 25 de julho de 1829.

- Conforme consta no mesmo livro de acentos, o padre José Correia de Araújo efetuou nos anos de 1832 a 1833, sete casamentos em São Bento, cujo último foi o de José Cordeiro Muniz Falcão, com dona Maria Jacinta, em 30 de Novembro de 1833, e 11 de janeiro de 1834, efetuou, em Santa Cruz, o casamento de Joaquim Vital de Castro, com dona Joana Francisca.

- Nesse  mesmo ano aos 25 de agosto no Sítio Caldeirão, o mesmo padre efetuou os casamentos dos irmãos José Benevides Falcão e Jacinto Benevides Falcão, respectivamente com as irmãs dona Januária Maria da Conceição e dona Cosma Maria Benevides, eles filhos de João Jacinto de Benevides e de sua mulher dona Ana Jacinta de Jesus, e elas filhas de Joaquim de Benevides Muniz Falcão e sua mulher dona Ana Maria de Jesus.

- O Padre José Rodrigues Valença efetuou em São Bento os doze casamentos havidos no ano de 1839 e os vinte e um havidos no ano seguinte um dos  quais foi o de Joaquim de Oliveira Cintra, cujo acento vamos transcrever na íntegra.

"Aos vinte e nove de maio de 1840 em São Bento o Pe. José Roiz Valença de mª Licença perante as testas. Jozé Alves Bizª Cavte. e Francº Sipriano Cordª. Cazou e deu as Benções a Joaq. de Olivº Cintra e a Leopoldina Carolinda de Vascºs. Elle filho legítimo de Anastácio Coelho Cintra já falecido e de Maria Thereza Cintra e ella filha legítima de  Manoel Igncª de Centra e a nubente da Ilha de S. Miguel vindo ambos pª esta Fregª de menor idade do que mandei fazer asento e assignei. O Vigº Nemezio de S. João Gaulberto, (188).

- Embora não mencionada nos acentos de casamentos, capela do Bom Jesus Pai dos Pobres, conforme parte do documento que a seguir transcrevemos, na íntegra, já existia em 1839.

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil oitocentos e trinta e nove aos doze dias do mez de Setembro do dito anno nesta Capella do Senhor Bom Jezus Pai dos Pobres em São bento, termo da Villa e Comarca de Garanhuns provincia de Pernambuco, onde eu  Notario da mesma fui vindo para effeito de se proceder a vistoria no cadaver de Fabiano da Costa Pereira, morador no lugar Mimozos do mesmo Distrito, e por não haver Cirurgião algum aprovado diferi o juramento dos Santos Evangelhos a Antonio José de Azevedo e a Manoel João  da Rocha... e eu Lino Coelho da Silva, Notario o escrevi". (189).

- A este tempo, já em volta da referida capela se formava a povoação de São Bento governada pela sua primeira autoridade exercida pelo supra dito Lino Coelho da Silva na qualidade de notário, e para confirmar, ser a mencionada povoação sede de um dos distritos de Garanhuns, vai, a seguir, transcrita na íntegra, uma parte de comprovante documento:

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e quarenta aos dez do mez d'Abril do dito anno desta Povoação de Sam Bento, termo da Villa e Comarca de Garanhuns, Província de Pernambuco sendo eu Notario deste Distrito de Sam Bento fui vindo para efeito de se proceder a vistoria no Cadacer do falecido Jozé Dionisio de Brito que fora assacinado e não havendo no lugar Cirurgião algum aprovado defery o juramento dos Santos Evangelhos, e eu José Ferreira de Bulhoens o Escrevy". (190).

- Com a criação da subdelegacia do distrito da São Bento ao qual foi incorporado o distrito de paz de Canhotinho, foi extinto o cargo de notário passando Lino Coelho da Silva a exercer o de escrivão e como tal, serviu com todos os subdelegados, pelo menos, até o ano de 1858.

- O cargo de subdelegado, foi exercido em 1842, por Manoel José de Oliveira, tendo como suplente José Clemente da Rocha; em 1848 era exercido por Antônio de Paiva Melo; em 18 de Agosto de 1854, o exercia João de Porciúncula Valença e  o Documento comprovante faz referência a "Freguesia e povoação de São Bento"; Bento José Alves de Oliveira o exercia em 1855 e em 1858 foi sucedido por Joaquim Antônio de Moraes.

- Em eleições realizadas em 2 de setembro de 1848 na Matriz de Garanhuns e o seu resultado apurado em 12 do mesmo mês e ano, obtiveram votos para juízes de paz do distrito de São Bento os cidadãos seguintes: Francisco Teixeira de Macedo, Teodoro Rodrigues Valença, José Alves Bezerra Cavalcanti, João Pereira de Almeida, Rogério das Neves Barreto, José Francisco Calado, João Cordeiro do Rêgo, Bento José Alves, Florêncio Cipriano da Costa, Anastácio José Rodrigues da Costa, Jacinto Teixeira de Macedo e José Rodrigues Valença. (192).

Pela Lei Provincial de número 309 sancionada em 10 de maio de 1853, pelo presidente da Província de Pernambuco, José Bento da Cunha Figueiredo, conforme cópia oferecida pelo digno são bentense senhor Adalberto de Oliveira Paiva ao Dr. Urbano Vitalino de Melo, foi criada a freguesia de São Bento e, consequência, foi a sua capela elevada à categoria de matriz, sendo então, provavelmente, modificando o seu cargo para o do Bom Jesus dos Pobres Aflitos.

- Vai aqui, na íntegra, o que transcrevemos da secção "Há um Século", do Diário de Pernambuco de 5 de Maio de... 1960

"São Bento e Bom Conselho"

"Ambrósio Leitão da Cunha, presidente da Província de Pernambuco. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa provincial decretou e eu sancionei a resolução seguinte:

"Artigo unico. Ficam elevadas à Cathegoria de villas a povoação de S. Bento com a denominação de villa do mesmo nome, e a de Papacaça com a denominação de Bom Conselho, tendo cada uma dellas por termo a respectiva freguesia, derrogadas as disposições em contrário". Lei n] 476, de 3/4/1860.

- Ainda não havia sido instalada a vila de São Bento, quando em 9 de Julho de 1860, compareceu perante o "Conselho Municipal de Recursos", em Garanhuns, uma comissão composta dos cidadãos: padre José de Lima e Silva, João Vidal dos Santos, Antônio de Paiva e Melo, Dionízio José Correia, Francisco Inácio de Paiva, Manoel Batista de Oliveira, José Inácio da Silva Carreira e Manoel Rodrigues dos Santos, "todos pertencentes a Parochia do Senhor Bom Jezus de São Bento deste Município" com petição reivindicando direitos, no qual foi atendida.

- Finalmente, instalada que foi a vila de São Bento, tempos depois da instalação da sua comarca, foi elevada à categoria de cidade que, a poucos anos atrás passou a denominação de São Bento do Una, e é atualmente muito desenvolvido, graças aos esforços dos seus habitantes que, no conceito geral, são considerados como dos mais amorosos ao torrão natal.

Fonte: Livro "História de Garanhuns" / Alfredo Leite Cavalcanti / Volume II / Garanhuns, Fevereiro de 1973. Foi mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

Rua Francisca de Assis Cardoso - Garanhuns, PE

sábado, 26 de dezembro de 2020

Para não esquecer o poeta

Alfredo Correia da Rocha, ao centro, por ocasião do lançamento de seu livro "Imagens e Ritmos no Tempo", em 20 de agosto de 1974. A sua direita Dr. Aurélio Muniz Freire e, à esquerda o advogado José Francisco de Souza.
Foto: Jornal O Monitor

Falar sobre o  intelectual, o escritor Alfredo Rocha, que me foi atribuído pelo Grêmio, entendo ser fácil, levando-se em conta a clareza de sua  atuação no encanto das coisas da Arte, durante o período que  o querido garanhuense esteve entre nós, no seio desta Casa de Cultura.

Nasceu Alfredo Correia da Rocha no dia 8 de agosto  de 1912 no lugar conhecido por Muniz, vizinho do povoado de Santa Quitéria de Freixeiras, então pertencente ao Município de Garanhuns. Filho de humildes agricultores de velha família de boa cepa garanhuense e honrada vivência desde o século passado, de suas raízes genealógicas brotaram descendentes que enriqueceram nossos bons costumes, de homens ligados umbilicalmente às atividades agrárias/comerciais.

Logo cedo emigrou para  São Paulo, onde radicou-se na cidade de Santos, consequência de ter para ali seguido na qualidade de militar, na Revolução Constitucionalista de 1932. Cessadas as hostilidades da sedição, passou a trabalhar nas Docas do porto de Santos, exercendo ainda misteres vários, inclusive o de contabilista.

Passou logo depois, a trabalhar no jornal "Tribuna de Santos" na época o maior jornal do interior brasileiro, inicialmente, como "copidesk" e em continuação, colaborou nas lides jornalísticas, escrevendo em apurado estilo e poder de síntese. O jornalismo, segundo assegurou Alceu Amoroso Lima, grande escritor e crítico nacional, é nesta seara Alfredo Rocha trouxe à luz o seu  pendor para as Letras. Era um autodidata. Não o autodidata definido por Olívio Montenegro, como aquele "que entende um pouco de tudo e tudo do nada" sua obra nega solarmente este conceito do notável crítico paraibano.

Foi naquela cidade paulista aflorando a veia artística de Alfredo Rocha, pari passu com a sua busca diuturna de  conhecimentos intelectuais que o aprimorasse na formação básica necessária para a expressão poética. Peregrinou na leitura de todas as obras-primas da literatura mundial e nacional. Abeberou-se nos grandes escritores dos movimentos literários representativos do País: Olavo Bilac e Olegário Mariano, no parnasianismo (movimento literário este de sua preferência); Cruz e Souza, no simbolismo, Machado de Assis, no realismo e outros autores, no romantismo. Conviveu com os clássicos do Pensamento universal, como o vocacionado, o sedento que busca a fonte.

Embora produzindo uma vasta e expressiva obra poética dispersa e variada, na forma de publicação, só editou ordenadamente, dois livros - "Peregrinação", uma compilação de belos sonetos, poemas e trovas, vindos e lume no ano de 1961, na cidade de Santos e o intitulado "Imagens e Ritmos no Tempo" editado no Recife, em 1974, com prefácio do escritor Mauro Mota, quando ele residia nesta cidade. Nessa  época preparava, com dedicação, a elaboração de outra obra, a qual daria o nome de  "O Porto da Expiação", vida romanceada dos trabalhadores portuários, classe que tão bem conheceu no seu cotidiano labor. Porém a morte interrompeu seu desiderando, privando os admiradores da boa  literatura da alegria de participarem da expressividade esperada de sua prosa romântica, que na poesia e no conto já se prenunciava.

Ao chegar em Garanhuns, no ano de 1972, Alfredo Rocha mostrou seu talento e sua atuação eficaz no ambiente da arte literária, promovendo o renascimento do  Grêmio e galvanizando as atividades inerentes desta agremiação. Cultuamos a memória  do poeta, gratos que somos.

Versos indicativos da intuição criadora de Alfredo Rocha, sentimos no poema sob o título ANTAGONISMO  - a seguir escrito:

Impossível, distante, minha vida 

Não consegue, jamais unir-se à tua...

Quando muito, o problema se atenua

Porém a solução nunca é sabida

Quando vagas em Marte, eu estou na Lua

Quando desces, me encontro na subida

Quando chegas, me encontro de partida,

Quando em casa te encontras, saio à rua

Gostas do dia, me conforta a noite

E talvez... e talvez, eu não me afoite

A resolver um dia esta questão

Entre a dúbia existência que levamos

São bem poucos os bens que  desfrutamos

Se quando digo SIM... tu dizes NÃO.

Ainda sobre o livro "Imagens e Ritmos no Tempos", lançado nesta cidade, sob o patrocínio deste Grêmio, observa-se que Alfredo Rocha, também incursionou com maestria no gênero da prosa, onde surgem crônicas de conteúdo satírico, tendo a ironia como tema recorrente.

Enfim, o garanhuense Alfredo Rocha, se destacou na literatura como verdadeiro poeta e prosador, sempre lembrado por todos que leram seus escritos primorosos e encantadores. Foi um grande de Garanhuns, nos meios em que predominam as coisas do Espírito, a beleza, o sofrimento humano, pois fazer poesia é  angustiar-se e sofrer.

Faleceu Alfredo Rocha no dia 23 de agosto de 1977, em plena reunião desta Associação, que se realizava na Sede do SESC desta cidade. Findou-se, como viveu a maior parte de sua vida, no convívio intelectual, fascinando naquele instante com a pulsão fecunda da poesia que lhe dominou a existência.

Sebastião Jacobina / Texto  lido na reunião do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, de 7 de janeiro de 1995.

A Morte do Violeiro

Agreste de Pernambuco
Foto: Anchieta Gueiros
Gonzaga de Garanhuns / 18 de Setembro de 1976

Confiando em Jesus Cristo

Grande Deus Onipotente

Com a força do meu punho

Puxando rimas na mente

Faço com dom altaneiro

A morte do violeiro

Que comoveu muita gente


Portanto, leitor amigo

Desta região daqui

De Neves ou de Lajedo

De calçado ou Jucati

Faço este bom escrito

Sobre este Genésio Brito

Da região de Jupi


Com os olhos lacrimejando

Confiando em Jesus Cristo

Muito triste e pesaroso

Pra todos faço este escrito

Do poeta popular

E repentista sem par

Olhando Genésio Brito


Com prazer aqui escrevo

Sobre este violeiro

O qual só deixou saudades

Por este agreste inteiro

Este grande cantador

E poeta trovador

Deste recanto agresteiro.


Ele era um violeiro

Conhecido no lugar

Pois o seu desejo era

O folclore esbanjar

Foi esta sua atitude

Lutar pela juventude

Que estava a lhe escutar


No auge que está agora

O folclore brasileiro

Pois este Genésio Brito

Bom poeta violeiro

Vivia sempre lutando

E suas rimas puxando

Do seu cérebro altaneiro.


Pois não só os homens grandes

Que merecem ser lembrados

Também os homens simples

Quando por Deus forem levados

Para a eterna mansão

Seus nomes com amplidão

Devem ser imortalizados.


Por tanto Genésio Brito

Seu nome vou divulgar

Que você merece isto

Pra isto irei lutar

Eu quero com bom proveito

Neste tão simples folheto

Seu nome imortalizar.


Nesta sua profissão

Sempre foi bem aplaudido

Era um artista de classe

Que pra isto foi nascido

Este homem de valor

Devido ao seu labor

Por poucos foi conhecido.


Por poucos foi conhecido

Não sei qual foi a razão

Pois só era conhecido

Por alguns da região

Mas, agora com agrado

Seu nome farei vulgado

Pra toda população...