sexta-feira, 26 de junho de 2020

PERNAMBUCO PRORROGA VACINAÇÃO CONTRA FEBRE AFTOSA PARA JULHO

A Adagro informa a todos os produtores que a primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa que se encerraria no dia 30 de junho foi prorrogada para o dia 31 de julho. A determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento atendeu as solicitações apresentadas pelos órgãos executores de sanidade animal do Nordeste (AL, CE, MA, PB, PE, PI e RN), baseadas nas medidas de enfrentamento ao coronavírus.

Em Pernambuco apenas 34% do rebanho já foi imunizado e declarado, mas muitos produtores já haviam comprado a vacina, apenas não fizeram a declaração. Até o momento já foram comercializadas 1,4 milhões de doses de vacina o suficiente para vacinar quase 80% do rebanho.

O prazo para declarar a vacinação continua o mesmo até dia 31 de agosto. “Algumas regiões estão com mais dificuldade de atingir o índice do que outras, na região da bacia leiteira, no Pajeú e na mata norte a campanha está dentro da normalidade, mas no sertão e na região metropolitana está mais lenta”, explicou o presidente da Adagro, Paulo Roberto Lima.

Com a nova data, o Estado espera atingir a meta de imunizar mais de 90% do rebanho para continuar com o status de área livre de febre aftosa com vacinação e pode pleitear o de área livre febre aftosa sem vacinação.

A adagro lembra que os produtores que não imunizarem seu rebanho pagam multa, ficam impossibilitados de transitar com o seu rebanho e ainda ficam sem pode retirar os créditos bancários para produtor rural.

ROSSINI MOURA

Rossini Moura, a voz da História do Rádio
Por Gerson Lima*

O tempo, uma era antiga... Arcoverde, senhora do sertão. Portal dele para este mundo... Rua da Linha. Por isso é que por ali o trem passava distribuindo uivos, fumaça e vagões de gente e cargas. 20 de junho de 1931. Um moleque com a boca enfiada numa lata pigarreando as peladas de rua. A lata, um "microfone" e a imaginação, o brinquedo. O próprio menino era brinquedo do mundo, agora em Recife. Garoto lépido por entre os becos, açoitando os passarinhos das poucas praças e dos terrenos baldios que a cidade nascia. Aprendia as lições de arisco ouvidor o coaxar do Capibaribe. Quis quem sabe um dia seguir o rio. Correr livre beijando o mangue, desembocar no mar, perder-se na imensidão azul. Mas fascinou-se pela vida nômade de um circo. Havia lá um homem com um microfone nas mãos... Um dia apresenta palhaços, trapezistas, rumbeiras, essa trupe que vem e que se vai como num sonho.

Noutro tempo era o Recife das lutas libertárias. Um tempo negro como se nas ruas se pisassem em brasas. Ditadura militar e como se todos os becos e janelas tivessem olhos e ouvidos a espreita... Rossini Moura é comunista! Dizem nos quartéis os "dedos duros". Mas os dedos de Rossini agora escorregam no teclado da máquina de escrever e são navalhas abrindo fendas nos algozes da liberdade. Escreve nos muros, nos papéis clandestinos que publicam manifestos, discursa ao vento palavras de açoite, inquieta-se sustentando a bandeira de seu idealismo. Estava lá quando o Última Hora foi invadido e os militares espatifaram todos os instrumentos de trabalho dos jornalistas. Vai preso, mas não se rende. Mais adiante se torna o Senhor do Palco. Anos a fio debruçados ao microfone, apressando-se nos studios para "ir ao ar". O timbre da voz lhe abre portas, o texto na ponta dos dedos e da língua palavras sintéticas, irretocáveis, ricas. Rádio Jornal Recife, Nacional do Rio, Difusora de Garanhuns, FM Sete Colinas e nas tantas emissoras que ajudou a fundar no interior do estado. "Sou um cigano de Deus", rotulava-se . "E você Gerson, tem voz excelente para locutor. Mais que isso, é muito inteligente e doido". Me orgulhei dessa sentença pro resto da vida. Viveu todos os amores, saltados das rádios novelas que escreveu e foi personagem.

Um dia deu suspensão a ele mesmo por ter infringido uma determinação que havia dado a equipe quando gerenciava a então Rádio Difusora de Garanhuns nos idos de 50. Mas era assim. Justo com ele, justo com as pessoas, com coisas ao seu redor e muito injusto com a própria saúde. Quando o tempo foi certo cansaço e os olhos de duendes fuzilaram um olhar perdido, não se rendeu ao enfisema que lhe acometeu. Muito pelo contrário, ergueu mais alto seu cajado de Bom Humor, esbravejou uma púia recente, zombou da vida e cantarolou uma Dick Farney à La Rossini. Por alguns dias as mãos continuaram a tatear as teclas da velha Olivetti que foi sustento da família durante muitos anos. Inventava um texto, reinventava o mundo, brincou com as palavras como um malabarista, desafiava ainda o fôlego ao microfone.

Damos-lhe todo abrigo possível e zelo em seu intocável acervo de vinil, textos antigos, jingles valiosos, slogans e tiradas verbais de efeito. Se ouvi-lo era uma aula, vê-lo trabalhar era um ensinamento. Mas os passos do Cigano de Deus andaram lentos... Até cessarem nos leitos de hospitais por várias internações. A mente permaneceu ágil e detectando memórias em imagens alegóricas de seu vasto reinado de comunicações.

Protagonizou histórias reais de uma vida nômade. Fui seu súdito, numa mistura de filho e amigo. Jeffson Fittipaldi, Cícero Nascimento, Thiago e Ricardo Notário, somaram-se como apóstolos para sermos olhos, ouvidos e ombro ao mestre em seu leito de morte. De maneira que me sinto no direito de partilhar de sua herança. Não me interessa que fique a voz inimitável para quem quiser. Para outro, a inteligência de texto, que em Garanhuns nenhum homem de imprensa é sequer uma hipótese. Mas eu exijo que se coloque a minha parte no inventário. Quero herdar sua capacidade extraordinária de chutar na bunda de canalha, da hipocrisia abundante dos  letrados de papelão e da imbecilidade que ronda parte de nossa imprensa sem memória  e sem cérebro. Falando sério. Essa é minha parte e não abro mão. E quando certa vez me  disse que não acreditava num Deus, mas em vários que encontrava nas ruas, por certo a essa altura aquele moleque de voz grossa deve estar com uma "reca" de deuses, andando de um lado para  outro abordando Arcanjos. (Crônica transcrita do Jornal Cidade - 16 de Julho de 2011).

*Gerson Lima é publicitário, jornalista, cronista e radialista

EVOCAÇÕES

José Inácio Rodrigues

Meu querido, bonito e garboso bairro da Boa Vista,
Evocas o grande Calheiros "A Patativa do Norte!"
Alfredo Leite, seresteiro e historiador forte,
Tua Igreja, bela obra de inesquecíveis artistas.

És testemunho de fatos históricos e conquistas,
Protagonizados por vultos íntegros de grande porte,
Que no exercício do dever encontraram seu norte,
E, realizaram belos eventos cívicos e altruístas!

Evocas, também, meus passos trôpegos, de falena,
Mestres: Letácio e Miguel, semeadores de bonança!
Zé Maria sapateiro, as namoradas cheirando a açucena!

Tua festa, meus amigos, Granja, os locutores, a Antena,
São Sebastião, Padre Matias, exemplos de esperança!
Aquelas escadarias, meu Deus! Quantas lembranças.

RUA DR. CELSO GALVÃO - GARANHUNS, PE


IPA ABRE INSCRIÇÃO PARA PRIMEIRO PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Estão abertas as inscrições para o primeiro Programa de Iniciação Científica - PIC do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), até o dia 15 de julho de 2020.Para inscrever projetos/orientadores é necessário encaminhar a documentação completa para o coordenador acadêmico do PIC-IPA, Josimar Gurgel, pelo e-mail: pic.ipa@ipa.br.

“O PIC é importante para fortalecimento e desenvolvimento institucional da pesquisa, estimulando a formação de novos pesquisadores em áreas estratégicas para o estado e possibilitando a ampliação e divulgação do conhecimento, preparando alunos de graduação nos fundamentos da pesquisa científica, ao aprofundar seus conhecimentos na área de competência do orientador”, destaca o coordenador.

Os projetos de iniciação científica serão avaliados pelo Comitê Interno, Portaria do IPA n° 050/2020 de 15-06-2020 e pelo Comitê Externo do PIC/IPA, Portaria do IPA n° 051/2020 de 16-06-2020.

Serão concedidas cinco quotas anuais de bolsas de iniciação científica. Poderão ser incorporadas outras quotas por órgãos de fomento à pesquisa.  As bolsas vinculadas ao IPA serão pagas mensalmente para os alunos-bolsistas, em conta corrente do Banco do Brasil, no valor atual de R$ 400,00

 A iniciação científica se destina a complementar o ensino de graduação, oferecendo aos alunos a oportunidade de descobrir in loco como a ciência é produzida, como o conhecimento é adquirido. Esse objetivo é alcançado pela participação nas atividades práticas e teóricas no ambiente de pesquisa, por meio de vínculo com um projeto de pesquisa do orientador.

Mais informações no site: www.ipa.br/novo/pesquisa-programas_projetos. No endereço eletrônico também é possível encontrar o edital com os informações e critérios de seleção, assim como as instruções legais para concorrer ao processo seletivo.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

FRIO NO SUL DEVE DIFICULTAR ENTRADA DE GAFANHOTOS NO BRASIL


Da Folha de Pernambuco

Nesta semana a aproximação de uma nuvem de gafanhotos da região Sul do Brasil gerou preocupação de autoridades, produtores e da população. Mas a previsão de baixa temperatura na região pode ser um obstáculo importante e dificultar a entrada desse grupo de insetos no território nacional. Hoje o Ministério da Agricultura declarou emergência fitossanitária em razão do fenômeno.

A nuvem saiu de uma região entre a Bolívia e o Paraguai. A população de gafanhotos teria crescido muito em razão de altas temperaturas e da seca. A migração teria sido motivada pela busca por alimentos em outros locais, chegando nesta semana à Argentina, no norte da província de Santa Fé e na província de Corrientes, que fazem divisa com o oeste do Rio Grande do Sul.

Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Dori Navas, esta região gaúcha teve baixas temperaturas, na casa dos 0 graus, ao longo desta semana e para a próxima a previsão é ficar abaixo dos 10 graus.

“Isso é fator importante que faz com que gafanhoto tenha dificuldade de voar. Eles estão migrando porque altas temperaturas favorecem. Com a frente fria dificilmente continuará a descer. Ele não vai ter condições de temperatura para migrar. Acredita-se que nuvem fique estacionada sobre o território argentina”, explica o pesquisador.

Ele acrescenta que a frente fria está vindo acompanhada de ventos no sentido sul-norte, o que em vez de direcionar a nuvem para o Brasil pode fazer com que ela faça “o caminho contrário” ou impactar o agrupamento. “Provavelmente o inseto não migre mais. Ele deve permanecer no local onde está ou se dispersar”, comenta Nava.

Cuidados

Caso a nuvem entre no Brasil, o pesquisador esclarece que não há riscos aos humanos, no máximo dificuldade de deslocamento. O risco maior é para as plantações, que servem de alimento. Em uma eventual presença desses insetos, a medida de combate é o disparo de produtos tóxicos por aeronaves no local de concentração delas.

A federação de produtores rurais do estado (Farsul) informou à Agência Brasil que está monitorando o avanço da nuvem. Caso os insetos adentrem o território brasileiro, a orientação aos agricultores é avisar as autoridades fitossanitárias para que essas possam agir.

BATALHÃO DUARTE COELHO DE GARANHUNS

Garanhuns, PE - Inauguração do 71º BI Mtz em 1967. Presidente Costa e Silva e o governador Nilo Coelho

O 71º Batalhão de Infantaria Motorizado (71º BI Mtz) Batalhão Duarte Coelho, sediado em Garanhuns, Pernambuco, iniciou oficialmente suas atividades em 1967. Organização Militar criada pelo Decreto Nº 60.394, de 11 de março de 1967, teve seu aquartelamento inaugurado a 10 de agosto do mesmo ano, ato que contou com a presença do Exmo. Sr. Presidente da República, Marechal Artur da Costa e Silva, que se fez acompanhar de seus ministros, do Governador do Estado de Pernambuco, Nilo Coelho e do Comandante do IV Exército, General de Exército Rafhael de Souza Aguiar, além de grande número de figuras do cenário político nacional na época. O terreno foi doado pelo então prefeito de Garanhuns, Amílcar da Mota Valença.

Ao longo de sua existência o 71º BI Mtz conquistou vitórias significativas. Ainda em janeiro de 1969 foi elevado a "Batalhão Tipo II" e em janeiro de 1987 transformado em  "Batalhão Tipo III". Em abril de 1970 foi criada, em seu  aquartelamento, a Escola General Sampaio, conhecida como "Pelotão Mundico", destinada a educação de crianças pobres da região.

No mês de abril de 1993, com a presença do Exmo. Sr. Ministro do Exército, General Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena, foi concedida, em Portaria Ministerial, a denominação histórica "Batalhão Duarte Coelho" e entregue o Estandarte Histórico ao 71º BI Mtz. Em outubro de 1994 a Organização Militar foi contemplada com uma Banda de Música categoria "F".

A partir de 1998 a Unidade adotou um novo Quadro de Organização, passando a contar com uma Base Administrativa Tipo "A", 03 (três) Companhias de Fuzileiros e uma  Companhia de Comando e Apoio. No mês de janeiro de 2000, em Portaria do Comandante de Exército, o Batalhão foi designado como "Força de Ação Rápida" (FAR) do Comando Militar do Nordeste (CMNE), passando a ter a máxima prioridade em pessoal e material. Desde a sua inauguração, a  OM mantém a integração Exército comunidade civil cada vez mais viva e mais forte, participando de inúmeras atividades de  cunho social em atendimento aos diferentes segmentos da sociedade. Neste pedaço de chão nordestino, o Batalhão permanece vigilante a serviço do Exército e da Pátria, tendo como principal atividade o preparo de seus quadros e da  tropas, visando a manutenção da Operacionalidade para o cumprimento das missões constitucionais atribuídas às Forças Armadas. (Transcrito da Revista do 71º BI Mtz - Edição Histórica)

POVOAMENTO E CULTIVO DAS TERRAS DA SESMARIA DOS VIEIRA DE MELO DE 1700 ATÉ 1750

HISTÓRIA DE GARANHUNS - Entre outras fazendas fundadas por Antônio Vieira de Melo, depois da destruição da república dos Palmares, quando então pode dedicar, definitivamente, as suas atividades no progresso da sesmaria, foram: de Nossa Senhora do Ó, a da Cachoeirinha e a das Panelas.

Com as fazendas já fundadas e prosperando e sentindo as  vantagens que adviriam, criando-se meios de comunicações com os núcleos de populações do sertão do Pajeú, dirigiu Antônio Vieira de Melo os trabalhos da abertura de uma estrada para aquelas paragens e com ela conseguiu o êxito esperado, porém, durante os trabalhos da abertura "pelas inclemências dos climas perdeu a vista da qual enfermidade com a força de medicamentos ficou com pouca vista em um só olho".

A operosidade deste grande homem, que tudo realizava às suas próprias custas, não somente era proveitosa ao progresso da sesmaria, como também contribuía relevantemente para o aumento das rendas públicas da Capitania do Ararobá, "porque de antes se arrematavam os dízimos reais por vinte e trinta mil réis e hoje se estão arrematando os da freguesia deste Ararobá, por seiscentos mil réis tudo por virtude das novas povoações". Conforme tópicos de uma certidão datada de 10 de janeiro de 1760, do então comandante da Capitania do Ararobá, Manoel Leite da Silva.

Antônio Vieira de Melo, durante o tempo que administrou a sesmaria, contou sempre com a dedicada cooperação do seu vaqueiro e "verdadeiro amigo" Antônio Fagundes Bezerra, (depois sargento-mór) e, certamente, por isso, e como demonstração de  sua gratidão, a ele doou a fazenda "Cachoeira Grande", em 28 de março de 1730, para com ele dotar a "sua filha Maria Inácia Bezerra, menina quando viesse a se casar.

Efetivamente, pouco mais de quatro anos depois da referida doação, ou seja, em 20 de julho de 1734, foi pelo já sargento-mór Antônio Fagundes Bezerra incluída a fazenda "Cachoeira Grande", com o valor de seiscentos mil réis, no dote de três mil cruzados à sua referida filha para se casar com "Joam Brandam de Sobral para encargo e sustentação do matrimônio".

Em 14 de dezembro de 1735, o tabelião da Capitania do Ararobá, Sebastião Neto Nogueira, foi convidado pelo capitão Antônio Vieira de Melo para, em sua residência, lavrar uma escritura de dote, onde chegando, já ali se encontravam o coronel Cristóvam Pinto de Almeida, o sargento-mór Antônio Fagundes Bezerra, com o seu filho Pedro Fagundes, e o seu genro o ajudante João Brandão de Sobral e Bartolomeu de Crasto; o primeiro dotado e os outros como testemunhas.

E ao tabelião, perante as referidas testemunhas, disse o capitão Antônio Vieira de Melo, "que com a favor de Deus tinha casado sua filha dona Josefa Maria do Ó, com dito Cristóvam Pinto de Almeida e para ajuda dos encargos do matrimônio lhe tinha dotado e de novo dotava as coisas seguintes: "um negro Silvestre no valor de cento e cincoenta mil réis, Antônio Mineiro no valor de cento e cincoenta mil réis, a negra Josefa no valor de cento e cincoenta mil réis, a negra Guiomar no valor de cento e trinta mil réis, a negra Suzana no valor de cem mil réis, e assim mais vinte égoas entre pequenas e grandes mansas e bravas no valor de seis mil réis que importa ao todo em cento e vinte mil réis e mais oito poltros e quatro cavalos de serviço no valor de cem mil réis mais duzentas vacas entre grandes e pequenas mais cem machos na mesma forma o qual dito gado está situado no Sítio de Nossa Senhora do Ó que fica na beira de um rio do dito Sítio... como seu que é o toma com seu  aquiescimento por herança de seu pai Bernardo Vieira de Melo, pelo que lhe pode tocar de uma larga data que ele e seis irmãos estão possuindo nesta dita Capitania do Ararobá de que ele tem sido e está sendo o principal cultivador e administrador das ditas terras... e escolhe o dito sítio e o traspassa em dote a dita sua filha para ela e seus descendentes o qual... no valor de seiscentos mil réis o qual dito sítio para escuzar de dúvidas futuras o divide e marca na forma atual em que se acha".

Em resumo se conclui, que a demarcação declarada na  escritura pelo dotante Antônio Vieira de Melo, começava na ponta da serra que separa o rio da Chata com o Una "no Rancho do Negro" e daí ia à serra da Taquara "se dividindo com o Sítio São Francisco" e pelas águas pendentes da cordilheira para o rio Una ia em paralelo com ele até onde nele faz barra o rio da Chata e daí pelas águas pendentes para os dois rios, ia pela que os separa até onde começava.

Em 29 de abril de 1751, já sendo falecido o sargento-mór Antônio Fagundes Bezerra, o capitão Antônio Vieira de Melo, naquela data, vem a dona Maria da Conceição, viúva daquele seu "verdadeiro amigo", a fazenda Cachoeirinha com as suas terras assim demarcadas:

"Na beirada do rio Una adonde de prezente esta acituado e pelo dito rio Una abaixo correrá a demarcação dividindo igual parte com o Sítio da Cachoeira de Baixo de que é senhor João Brandão de Sobral em forma que neste meio e o comprador deste Sítio da  Cachoeirinha nem o possuidor da cachoeira Grande, nenhum poderá por este meio sítio de logradouro como assim está declarado na doação que já fez o dito vendedor do sítio da Cachoeira  quando a mesma estrada para a parte do norte buscara as lagoas que  a seguir pelo dito Rio Una assim seguirá até chegar a passagem da estrada que vai do Jupi para a parte do Tacaimbó, e seguindo a mesma estrada para a parte do norte buscara as lagoas que lhe fique servindo de seus logradouros, e do fim das lagoas tudo que nela lhe for útil de suas beiradas correra para o nascente até igualar com a divisa que está demarcada com Sítio da Cachoeira, e do Rio Una para a parte do sul lograra tudo que puder  beneficiar até as serras que se chamam do Boqueirão e desta sorte deu o dito vendedor por dividido o dito sítio".

Enfim, nos extremos da sua velhice, e já cansado de tantos valiosos trabalhos, Antônio Vieira de Melo, que se conservou no estado de solteiro, encarregou os seus perfilhados, Alexandre Muniz de Melo e Antônio Vieira de Melo, da administração dos seus domínios e recolheu-se a Vila do Recife, onde faleceu em 1764, com oitenta e nove anos de idade, e com o seu falecimento, tornaram-se os referidos perfilhados os seus únicos herdeiros.

O primeiro, Alexandre Muniz de Melo, casou com dona Rosa Bento Joaquina, e o segundo, Antônio Vieira de Melo, casou com dona Brázida de São José.

Depois de empossados na herança do imenso latifúndio,  estes dois irmãos o que tiveram de vida a empregaram nas vendas de sítios e mais sítios, que se organizavam no seu território. (Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti - Volume I - Outubro de 1968). Mantida a grafia da época.

RUA VEREADOR FAUSTO SOUTO MAIOR - GARANHUNS, PE

DEUSDEDIT MAIA

HISTÓRIA DE GARANHUNS - Morava num chalet junto à Mercearia Avenida. Casado em primeiras  núpcias com Anunciada Branco, tiveram um filho - Douglas, que, apesar de ser o mais moço, fazia parte do nosso grupo. Entusiasta da arte cênica, compartilhava com o primo Luís Maia, nos projetos de fazer teatro. Faleceu muito jovem. Em segundas núpcias, desposou Onébia Gonçalves. Chefe do setor comercial do Armazém do seu genitor, tornou-se depois, comerciante, estabelecido com a Mercearia "Estrela Polar", na rua Santo Antônio nº 143. Político, por várias vezes, eleito Vereador Municipal, atuando, com eficiência na fiscalização do dinheiro público,  e defensor intransigente dos interesses da comunidades que representava e, por isso, respeitado por seus pares. Sportmem, do Comércio Sport Club, trilhava nos gramados, como elemento de defesa (beque). Participou de diretorias de associações esportivas e sociais, inclusive da AGA. Durante algum tempo negociou em  São Pedro da Matinha onde possuía uma fazenda de gado leiteiro. Mudando-se, para Recife, com os familiares, ainda continuou no seu ramo preferido - pecuária leiteira, mantendo uma vacaria no bairro de Beberibe. (Fonte: Os Aldeões de Garanhuns - Alberto da Silva Rêgo  - 1987).

STF JULGA INCONSTITUCIONAL REDUÇÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDORES PARA ADEQUAÇÃO DE GASTOS

Do Portal da Amupe

A redução de vencimentos de servidores públicos para a adequação de despesas com pessoal é inconstitucional, segundo entendimento do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte concluiu o julgamento de dispositivos da Lei Complementar de Responsabilidade Fiscal (LRF) 101/2000 nesta quarta-feira, 24 de junho, ajuizados pelo Partido Comunista do Brasil (PcdoB), pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Por maioria de votos, o Supremo declarou inconstitucional o parágrafo 2º do artigo 23 da lei, que previa a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à nova carga horária, caso sejam ultrapassados os limites definidos na lei para despesas com pessoal nas diversas esferas do poder público. Para a maioria dos ministros, a possibilidade de redução fere o princípio da irredutibilidade salarial.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2238 teve julgamento iniciado em fevereiro de 2019 e foi suspenso em agosto, para aguardar o voto do ministro Celso de Mello. O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pela improcedência da ação, por entender possível a redução da jornada e do salário. Mas o ministro Edson Fachin abriu a divergência, por entender que não cabe flexibilizar o mandamento constitucional da irredutibilidade de salários para gerar alternativas menos onerosas.

Por maioria, a decisão liminar deferida na ação foi confirmada e declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 2º do artigo 23 da Lei de Responsabilidade Fiscal e de parte do parágrafo 1º do mesmo artigo, de modo a obstar interpretação de que é possível reduzir os vencimentos de função ou de cargo provido. Os ministros também julgaram inconstitucional o parágrafo 3º do artigo 9º que autorizava o Poder Executivo a restringir de forma unilateral o repasse de recursos aos Poderes Legislativo e Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

SIVALDO PRIORIZA COMBATE À PANDEMIA, MAS DEVE CONFIRMAR CANDIDATURA À PREFEITURA

Do Blog do Roberto Almeida

Sivaldo Albino está mesmo disposto a disputar a prefeitura de Garanhuns e no próximo mês deve oficializar seu nome na corrida eleitoral, pelo PSB.

O que anima o socialista é o apoio do partido, do governador e o potencial de votos dos 78 pré-candidatos a vereador do PSB, PSD e PDT. 

Deputado tem evitado o debate político, neste momento, por entender que o mais importante é salvar vidas, com ações que fortaleçam a luta contra o coronavírus.

Até os adversários reconhecem que neste período da pandemia ele foi quem mais se movimentou, no sentido de proteger a população, conseguindo abertura de dezenas de leitos na UPAE, Dom Moura e Perpétuo Socorro, além da compra de equipamento e contratação de profissionais na área da saúde.

Parlamentar garante não se preocupar, no momento, com enquetes realizadas nas redes sociais que colocam outros pré-candidatos a sua frente, por acreditar que não há fato novo que justifique mudança.

Nas pesquisas realizadas em 2019,  Sivaldo ficou em primeiro lugar, em algumas, com menor número de candidatos, se aproximando dos 30%. Este ano, com a pandemia, não foram realizados novos trabalhos de campo para saber a vontade do eleitor.

Em 2018, socialista perdeu em todas as enquetes para o deputado Álvaro Porto. Abertas as urnas, Sivaldo teve perto de 15 mil votos em Garanhuns e o parlamentar pouco mais de três mil, o que demonstra a fragilidade de enquetes via internet. 

RETRATOS DE GARANHUNS - DÉCADA DE 1980

O Sr. Manoel Pereira (Seu Bebé), recebe das mãos do então prefeito Ivo Tinô do Amaral, o Título de Cidadão Honorário de Garanhuns. Presente o secretário de governo, José de Carvalho Florêncio.

Seu Bebé, antigo servidor do município de Garanhuns, iniciou suas atividades como gari e, posteriormente passou a motorista e durante muitos anos desempenhou esta atividade sempre dirigindo caminhões que faziam a limpeza pública. Seu Bebé faleceu em 29 de junho de 1992.
Foto: Jornal O Monitor
Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto

JOSÉ DONA

Garanhuns, PE - Praça Dom Moura - Década de 1950

GARANHUNS - Procedente da localidade conhecida como Santo Antônio do Tará, no Sertão pernambucano do Pajeú, na década de 30, aqui fixou residência o Senhor José Francisco da Silva (saudosa memória), conhecido  como José Dona, em companhia de sua genitora, Cecília Maria dos Prazeres, viúva de Laurindo José da Silva, com mais 5 filhos. Conta-se que naquela época e população vivia sobressaltada, tendo em vista as incursões e constantes ameças com perigo iminente de enfrentamento, com a chegada do cangaceiro Lampião naquela região, sendo o motivo principal do afastamento de toda família, que resultou na perda das terras pertencentes aos mesmos. D. Cecília mulher determinada, corajosa, abandonou suas terras de sua herança e se afastou para sempre daquele local, fixando residência nesta cidade, à Praça Dom Moura, com seus filhos, com idade avançada, boa saúde, como "mulher rendeira", sabia dominar com maestria os bilros e diante de vários desenhos, inúmeros alfinetes, produzia rendas, com resultados lucrativos, como exemplo de dedicação e amor ao trabalho, em prol da criação dos filhos, seus dependentes. Seu filho José Dona, logo seguiu  ao Sul do País, onde permaneceu em São Paulo, em convivência com uma família de classe média, quando lhe foi possível vivenciar e lapidar os seus costumes e abrir novos horizontes em sua vida. Ao retornar dedicou-se ao trabalho na Companhia Industrial de Beneficiar Algodão e Fabricar Óleo, Usina de Garanhuns, da Trajano S. V. de Medeiros, que ocupava toda a área que ora se acham instalados: o Centro Administrativo Municipal, Câmara Municipal de Vereadores, Promotoria de Justiça de Garanhuns, 18ª Delegacia de Polícia de Garanhuns, Tribunal de Contas do Estado, ADAGRO (Agência de Defesa Agropecuária de Parnambuco) e IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco - Gerência Regional). Sua permanência naquela fábrica ocorreu em clima de amizade com o seu colega Adelmar da Mota Valença, o qual ainda não tinha escolhido a nova profissão, que viria a ser Padre. Em determinado dia os dois saíram dirigindo um  caminhão pertencente à Empresa, sem autorização, havendo uma pequena batida, com prejuízo de pouca monta, os quais tiveram sorte de não sofrer penalidade. Aos 32 anos de idade, no ano de 1937, contraiu matrimônio com  Anália Barbosa da Silva (saudosa memória), e logo se tornou comerciante de miudezas, fixando residência à Rua Professor Amaury de Medeiros, nesta cidade, onde permaneceu até 1949, já em companhia de quatro filhos dos cinco nascidos por graças de Deus

No mesmo ano adquiriu uma casa à vista, que pertencia ao  Sr. Moisés Valadares, situada à Rua 15 de Novembro, centro, nesta cidade. Tratava-se de uma pessoa humilde, alegre, determinado, corajoso, trabalhador, um  pai exemplar, sempre pontual em seus compromissos assumidos, com pagamentos à vista, não aceitava compra a prazo. Chegou a ser agricultor em parceria com o seu cunhado, o comerciante Francisco Faustino de Albuquerque, que durou pouco tempo. Também exerceu a profissão de mascate, inicialmente com vendas de miudezas, participando das feiras livres, em vários distritos deste município e posteriormente com produtos industrializados, graças à pequena indústria de doces que aqui manteve por longo tempo, que surgiu da seguinte forma.

Garanhuns sempre foi o berço de imigrantes dos países do Oriente Médio. Aqui fixaram residência de procedência árabe, as famílias Kalil Mansu, Zaidan, Tuffi, Zobi, etc. José Dona manteve amizade com o Sr. Tuffi, de idade avançada, que sempre recebia em sua residência nas quartas-feiras, para almoçar, ocasião em que o visitante gostava de beber, de sua preferência, Zinebra (ou Genebra, Cinebra ou  ainda Sinebra), bebida com a composição de Zimbro, planta que nasce e cresce no deserto. No decorrer do almoço, o mesmo voltou-se para o seu amigo e disse-lhe: José vou te ensinar uma técnica oriental para o fabrico de doces de  vários tipos e modalidades. Alertou que o Sr. José não ficaria rico, entretanto, daria o suficiente para manter a família e educar os seus filhos. Assim aconteceu, sendo que no início houve dificuldades, decorrido algum tempo, as coisas foram se ajustando e seguiu o seu rumo normal. 

Sempre preocupado com o bem estar da família e da educação dos filhos, os quais foram educados em escolas particulares, com sucesso. Ofertou aos filhos, Curso de Contabilidade, Curso Científico e Curso de Datilografia, este com duração de um ano; ofertou aos filhos o livro de Cassimiro de Abreu, com recomendações para sempre ler e memoriza-lo. Aos domingos em traje formal, com uso do chapéu "Prada",  frequentava missa na Catedral às 9:00 horas, ministrada pelo Bispo Diocesano, ao regressar para o almoço, trazia consigo, o Jornal da Capital, e na parte da tarde visitava os doentes baixados no Hospital Regional Dom Moura. Jamais deixou de fazer doações, alguns trocados (níquéis) a quem o pedisse. Seus exemplos e conselhos foram marcantes, aos 69 anos de idade, teve problemas com a vesícula, que se descuidou apesar dos cuidados do Dr. Luiz Lessa, e os conselhos recebidos, certamente teria evitado o mal maior, não foi possível evitar o seu passamento. Por ter sito sempre correto, honesto, responsável, em suas ações que procurava realizar, que serviram de bons exemplos para seus filhos, houve outras facetas bem interessantes, que deixo de expor, por falta de espaço. Finalizo, em confessar que esta pessoa que acabo de apresentar-lhes, trata-se de meu pai, a quem o agradeço pelo feliz ambiente familiar, boa vivência e convivência educacional que muito contribuiu para minha formação profissional, que me proporcionou uma longa caminhada por este imenso pais, muitas vezes no enfrentamento de lugares e momentos hostis, com feliz sucesso. O meu eterno agradecimento. 

Valdemir Barbosa
Jornalista e historiador
Texto transcrito do jornal Cidade de 21 de Junho de 2014

POVOAMENTO E CULTIVO DAS TERRAS DA SESMARIA DOS BURGOS DE 1700 ATÉ 1750

HISTÓRIA DE GARANHUNS - A sesmaria dos Burgos, com a fundação da fazenda Burgo, cujo local ainda hoje assim se chama, passou toda ela a denominação de "Nossa Senhora do Desterro".

Mais tarde, foi fundada a fazenda "Queimada dos Porcos", cujo encarregado da sua fundação invocou para ela a proteção de Nossa Senhora da Conceição, e como era localizada nas imediações das nascentes de um riacho, este foi daí por diante denominado, como ainda hoje se chama, riacho da Conceição, o mesmo acontecendo com a denominação da fazenda, cujo local continua se chamando "Sítio da Conceição".

Estas fazendas sofreram, por parte dos negros rebeldes dos Palmares, as mesmas depredações que a do Garcia e a do Jupi, e ainda ficaram ocupadas por muitos anos pelos negros que, nas terras da primeira formaram o "Mocambo da Negra Maria" (atualmente , Sítio Muniz) e nas terras da segunda fazenda, o de "Pedro Capacaça" (atualmente, a cidade de Bom Conselho).

Com o aniquilamento da República dos Palmares, em 1696, foi reiniciado o desenvolvimento da sesmaria, reorganizando-se as fazendas destruídas, e, em seguida, a fundação da fazenda do Capacaça".

Com o falecimento do Dr. Cristóvam de Burgos, volta a sesmaria ao estado de inatividade, sendo adquirida por compra pelo português de Braga, Manoel da Cruz Vilela (depois coronel), em 1712, como veremos a seguir:

"Aos 26 de julho de 1712, compareceram nesta cidade de Salvador Bahia de Todos os Santos, em pousadas de mim tabelião, (Antonio de Oliveira de Barbude) o capitão Jeronimo de Burgos de Souza e Essa procurador da sua mulher dona Elena de Oliva e Melo, e Manoel da Cruz Vilela, Francisco Nunes e Alexandre Pereira Peixoto, o primeiro como vendedor, o segundo como comprador e os outros como testemunhas, e logo pelo dito vendedor o dito Capitão Jeronimo de Burgos e Essa, me foi dito em presença das testemunhas ao diante nomeadas e assinadas que entre os mais bens que tem e possuem seu casal e dita sua mulher  bem assim como na verdade um sítio de terras de Nossa Senhora do Desterro pertencente a sesmaria dos Campos do rio Mundaú capitania de Pernambuco o qual sítio confronta pela parte do norte com o riacho chamado Canhoto e da parte do  sul com as terras de Braz Soares Passos e pela parte do nascente com as matas dos Palmares e pelo poente com as terras do Padre Pedro Fernandes Aranha e dos Padres Recolhetos aonde chamam o mocambo da Negra Maria e confrontado e demarcado com quem mais diretamente deva e haja de partir confronte e demarcar e assim da maneira que o possuem e possuirão seus antecessores disse ele vendedor o dito capitão Jeronimo de Burgos de Souza e Essa e por si como procurador da dita sua mulher vendia como com efeito logo vendeu deste dia para sempre ao dito comprador o dito Manoel da Cruz Vilela por preço e quantia de duzentos e vinte mil réis..."

O comprador foi judicialmente empossado: da fazenda do Capacaça, em 20 de outubro de 1712, da fazenda Queimada dos Porcos, em 27 de outubro, também de 1712, e da fazenda do Burgo no dia 31 de outubro do mesmo ano de 1712.

Uma vez assim empossado nesse imenso latifúndio, fixou a sua residência na Fazenda do Burgo e iniciou o desenvolvimento de sua propriedade com a organização de outros sítios, tanto por sua própria iniciativa, como por meio de arrendamento de trechos de terras a outras pessoas.

Por cerca do ano de 1717, casou-se com dona Maria Pereira Gonçalves, natural da Vila do Penedo, e quando, em 1724, comprou o sítio da Sambaíba, como já foi dito atrás, para ele transferiu a sua residência, talvez para ficar mais no centro dos seus domínios.

Era franca a propriedade do seu latifúndio, quando em 1729, foi assassinado o já de há muito, coronel Manoel da Cruz Vilela, ficando a sua viúva com quatro filhos, ainda crianças, dos quais foi nomeado curador, o seu cunhado, o comissário geral João Peixoto Vilela, que muito o ajudou com a sua boa orientação.

As referidas crianças chamavam-se: Francisca Xavier da Cruz Vilela, que veio a casar-se com o capitão Manoel Pinto Teixeira; José Pereira da Cruz Vilela, que não se casou; Antônio Anselmo da Cruz Vilela, que esposou dona Cipriana Dantas da Costa, filha do português Antônio Vaz da Costa e de sua esposa dona Luiza Dantas Soares; João Pereira Vilela, que veio a se casar com dona Elena Ferreira de Melo.

José Pereira da Cruz Vilela, provavelmente, não se quis casar para nunca deixar a companhia de sua mãe, como realmente assim aconteceu, o que, tanto para ela, como para os seus irmãos, foi de muita utilidade, assumindo ele, logo que se fez homem, a administração do patrimônio deixado por seu pai, e que foi conservado em comum até que faleceu sua mãe, nos finais do ano de 1773.

Durante a sua longa administração, este dedicado membro da família sempre obteve ganho de causa nas várias demandas em defesa do patrimônio comum contra tentativas de usurpadores. (Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti - Volume I - Outubro de 1968).

AURORAIS

João Marques

As manhãs me criaram
elas vinham do silêncio
apareciam no meu quarto
com uns olhares de luz
uns abraços de lençóis
e ficavam ali, lembro
das carícias leves
me tocavam os cabelos
os dedos de vento

e sem eu ver
subiam para o telhado

RUA VEREADOR JOÃO BEZERRA SOBRINHO - GARANHUNS, PE


DIA VINTE

Quem sabe se, por isso... Quem sabe se ainda não é chegada a hora, o tempo, de o coronavírus deixar a nossa cidade? Mas, que vai deixar, vai. Tudo é uma questão de tempo. Nós é que temos que exercitar melhor a nossa paciência e, firmes, colocarmos em nossas cabeças que o mundo não vai acabar, e que vamos sobreviver a esse mal que tanto mal tem feito ao nosso intelecto e ao nosso vigor, deixando-nos nessa situação que nos desanima e, até, deprime.

Em Eclesiastes 3,1-3  também lemos “tempo de derrubar e tempo de edificar.” Vamos, portanto, aguardar o nosso tempo. Só nos resta esperar, mesmo torcendo pelo fim da pandemia para que nosso tempo chegue logo, e nós podermos voltar aos nossos dias a dia.   

Se, impacientes, açodados... fizermos diferente, poderemos estar fazendo crescerem os números de infectados, que hoje ultrapassa 1 milhão, com mais de 50 mil óbitos, deixando o nosso país na liderança de vitimados por essa pandemia, que aterroriza o planeta. 

GIVALDO
Calado de Freitas

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Ninguém pesquisou tanto, na história recente, a Hecatombe de Garanhuns, e os personagens daquela tragédia, que o professor e escritor José Cláudio Gonçalves de Lima. O resultado foi um livro com mais de 400 páginas, com documentos inéditos, depoimentos e registros que ajudam a compreender a atmosfera da época, principalmente política, que acabou desencadeando no registro triste de 1917. Histórias que ninguém havia contado até agora. As pesquisas de Cláudio, com foco nos registros dos jornais, levam até aos anos seguintes, conseguindo contar como a cidade e as pessoas envolvidas na tragédia seguiram adiante.

O ESCRITOR HISTORIADOR: Cláudio Gonçalves nasceu em Garanhuns, estudou no Erem Francisco Madeiros, Colégio Jerônimo Gueiros e Diocesano. Cursou graduação e especialização em História pela UPE. Professor da Rede Estadual e Municipal de Ensino, atuando em 2001 como Coordenador do Sintepe, regional Agreste Meridional. 

Na Cultura de Garanhuns, é membro da Academia de Letras de Garanhuns ocupando a Cadeira nº 39 do Patrono Alberto da Silva Rêgo, sendo também sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns, sendo eleito o seu primeiro presidente. 

No ano do centenário da Hecatombe de Garanhuns, conduziu os trabalhos da Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe, promovendo com os demais componentes no dia 15 de janeiro de 2017 os eventos de reverência as vítimas e soldados mortos na cadeia pública de Garanhuns. 

Como pesquisador se interessou no ano de 2000 pelo fato histórico a Hecatombe de Garanhuns, iniciando uma pesquisa minuciosa através de jornais, revistas, iconografias, processo e entrevistas com familiares e testemunhas oculares do fato. Nesse laborioso trabalho investigativo e de muitas horas de analises de documentos no Arquivo Jordão Emerenciano na Capital pernambucana, em 2009 lança o seu primeiro livro intitulado "Os Sitiados - A Hecatombe de Garanhuns", um romance histórico, obra que teve grande aceitação da sociedade garanhuense. 

Obstinado em encontrar novos documentos sobre a Hecatombe de Garanhuns, diante da vasta documentação que dispunha resolveu escrever um novo livro, cujo trabalho pudesse ser fonte de pesquisa para professores, estudantes e pesquisadores. 

O resultado foi o novo livro A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns, que aborda o fato trazendo as publicações dos principais jornais da Capital à época, mas o autor amplia as informações com os capítulos Por Trás do Mundo da Notícia, narrando o que os jornais não publicaram. Por que aconteceu a Hecatombe de Garanhuns? Qual o cenário político no início da República na cidade? Quais os personagens dessa tragédia política de repercussão nacional? Como foi o julgamento dos envolvidos? Qual o destino dos criminosos? São perguntas respondidas nesse livro que em suas 416 páginas fundamentadas com documentos e imagens revelam com riqueza de detalhes um dos fatos mais marcantes da historiografia garanhuense e pernambucana.

O livro A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns, é uma contribuição histórica que o autor deixa para Garanhuns.

FUNASE TEM TRÊS PROJETOS SELECIONADOS PARA CONCORRER AO PRÊMIO INNOVARE

A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude de Pernambuco (SDSCJ), teve três projetos selecionados para concorrer ao 17º Prêmio Innovare, o principal da Justiça brasileira. As iniciativas desenvolvidas pela instituição buscam promover a cidadania entre adolescentes e jovens em internação provisória e em cumprimento de medidas socioeducativas. Em todo o Brasil, 646 práticas foram inscritas nesta edição do prêmio, que entrou na fase de visitas de consultores, realizadas de forma virtual, com o objetivo de avaliar as ações selecionadas e subsidiar os jurados.

Um dos projetos da Funase inscritos no prêmio é “Entre livros e textos: leitura, diálogo e relações sociais”. A atividade busca estimular que adolescentes passem a ter uma relação diferente com palavras e imagens em até 45 dias, período máximo em que ficam no Centro de Internação Provisória (Cenip) Caruaru, no Agreste. A prática é desenvolvida pela pedagoga Maurinúbia Moura e pela assistente social Natália de Melo, que atuam na unidade da Funase. “Temos visto adolescentes que chegam à internação provisória sem saber assinar e, após a participação no projeto, vão para audiências conseguindo escrever o próprio nome. Em poucos dias, eles dão passos iniciais muito significativos”, avalia a coordenadora geral do Cenip Caruaru, Maria Clara Amorim.

Outro candidato à premiação é o Núcleo de Justiça Restaurativa (NJR) da Funase, composto por oito servidores: Amós Lemos, Dilma de Marilac, Lilian Fonseca, Marcela Mariz, Maurinúbia Moura, Tatiana Pires, Tânia Mara e Alexandro Pereira. O grupo, formado em fevereiro de 2019, tendo a pedagoga Socorro Barros como coordenadora na época, busca disseminar práticas que levem à construção de uma cultura de paz nas unidades socioeducativas de Pernambuco. “Apenas um ano depois da formalização do Núcleo de Justiça Restaurativa, é uma alegria ver que essa prática já desenvolveu resultados tão importantes no dia a dia de adolescentes e funcionários e que, agora, pode ter um reconhecimento nacional”, diz a atual coordenadora do NJR, Marcela Mariz.

Já o Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, é o cenário do terceiro projeto da Funase inscrito no Innovare. Com o título “Restaurando através da humanização e profissionalização a liberdade e cidadania", a prática consiste na oferta de cursos, feita em parceria com o Eixo Profissionalização da instituição. “A profissionalização depende fundamentalmente da adesão do adolescente para gerar bons resultados. Ele precisa querer. E, nesses últimos oito anos, temos visto resultados animadores na unidade, com os socioeducandos assumindo uma postura de protagonistas. Temos, inclusive, ex-socioeducandos ministrando cursos para adolescentes que ainda estão conosco”, declara a gerente do Case Cabo, Tatiane Moraes.

Para a presidente da Funase, Nadja Alencar, o fato de os três projetos inscritos terem sido incluídos no rol de práticas a serem analisadas pelos consultores mostra a consistência das ações desenvolvidas. “O Case Jaboatão já foi cenário de uma vitória no Innovare, com uma ação desenvolvida na escola da unidade, e outras experiências já receberam indicações, como uma parceria entre o Case Petrolina e o IF Sertão-PE, com acompanhamento da Vara Regional da Infância e Juventude. Neste ano, estamos com três práticas selecionadas, o que nos coloca em uma posição significativa em número de projetos, junto com o Paraná. O importante é mostrar a coragem e a criatividade dos nossos servidores na execução de iniciativas que promovem a transformação”, afirma.

terça-feira, 23 de junho de 2020

FESTAS JUNINAS HÁ 100 ANOS EM GARANHUNS


Ao anoitecer apareciam as fogueiras, fogos para as crianças, fogos-de-visita, girândolas em todas as praças e folguedos diversos. Acendiam-se as fogueiras em frente à Matriz, nos pátios das escolas, na "Novo Século", nas casas dos Tenórios, dos Campelos, dos Soutos, dos Jardins, Travessa "Doutor Garibaldo", no Beco do Engole-Homem, na Boa Vista, até na porta da Cadeia Pública. Cada uma destas fogueiras era defendida pelo grupo de parentes, dos moradores e dos amigos das famílias ali residentes. Elas, na sua maioria, eram protegidas com morteiros de tabocas, bombas de todos os tipos e as "bichas de rabiar", como eram conhecidos os busca-pés de João Fogueteiro, que ardiam e serpeavam pelo chão, jogados contra os que atacavam. Os atacantes formavam um verdadeiro cerco, com bombas ensurdecedoras e busca-pés menores. 

Se os que guardavam as fogueiras não suportavam o ataque e fugiam, ela seria desmanchada e o principal responsável fugia envergonhado. Havia muitos fogueteiros especializados em busca-pés de assobio. Eles faziam essas peças com tabocas de bambus, ainda quase verdes, e conservados em breu por vários dias. Os busca-pés feitos com tabocas finas eram os mais perigosos, pois perseguiam as mulheres, porque leves e com deslocação do ar, provocada por uma corrida de muitos panos, eles acompanhavam a "dona" até terminar a combustão. E como também sabiam correr as mocinhas de então...

Na Vila de São João, poucos quilômetros da cidade, festejavam o seu Patrono com mais simplicidade, com uma festa mais religiosa e mais familiar, com uma bela novena. Missa cantada, desobriga e uma procissão do Padroeiro, pelas duas únicas ruas da vila. Não se via nenhuma rede-de-arrasto. E tinham uma graça especial aqueles festejos, pois seria numa noite mais fria do ano, com garoa caindo e enfeitando as árvores e serras que contornam a localidade. 

Aquela gente boa e simples transmitia a sua alegria natural aos que iam assistir às festas do seu Patrono. Em quase todas as casas soltavam-se balões e enfeitavam-se a sala da frente e os alpendres com bambus e folhagens diversas, flores agrestes, sabugueiros aromáticos e folhas de canela. Em jarras de barro colocavam rosas, alecrim e manjericão.

Que coisinhas boas tinham as casas das famílias de São João, naquela noite. Que umbuzada boa, à meia-noite, acompanhada de pamonha, canjica de milho verde e mungunzá, e o indispensável doce de coco.

E com saudades daquele tempo, o nordestino repetia os versos do seu colega Lopes:

"A fogueira foi pegando,
A festa se animando.
Chegou gente como quê
Os balões iam subindo,
As môças passavam rindo...
Mas eu só via Você;
Sem temor e sem receios,
Meus olhos, a tudo alheios,
Tinham ido apreciar
Uma festa mais bonita,
Que havia no teu olhar".

Guardando sempre na lembrança os quadros singelos da sua vida na cidade bucólica do agreste nordestino, muito principalmente do tempo de criança, lembrava-se agora Serapião das fogueiras de Tônia Vieira, que lhe parecem reproduzidos, ainda pegando fogo, nos versos simples de Batista Crêspo, tão conhecidos na sua terra, naqueles idos dos matutos ingênuos:

"Ao clarão da fogueira, as filhas do Rapôso
vão fazendo correr os copos da queimada...
as batatas, o aipim, o melado gostoso,
no alpendre que é toda essa noite encantada.
Meu querido São João,
do vosso triste deserto,
fazei meu santo, fazei
que a minha sorte dê certo".

Distribuindo às moças os papeizinhos coloridos, com galhos de alecrim, Tônia Vieira, dava começo às festas, com a distribuição das comedorias e leitura das sortes de São João. Tudo ali era ingenuidade e não havia enxerimentos. (Fonte: Livro Um Nordestino de José Pantaleão Santos, sendo mantida a grafia da época).

REMINISCÊNCIA DE UM PERSONAGEM ILUSTRE

Frei Caetano de Messina
Um dia... Há sempre uma dia nas páginas dos grandes, dos idealistas através dos tempos educacionais.

Um dia... Nasceu a Escola Estadual Frei Caetano de Messina, em Bom Conselho. Ontem... Era um Frei Leão, um Frei Dimas, um Frei Ambrózio, os seus diretores, deixando marcas de administração inteligente e profícua; hoje... Um professor dinâmico e eficiente conduz os  seus trabalhos, doando à comunidade, o melhor de suas intenções - o jovem diretor Luiz Carlos Pessoa.

As reminiscências de homens ilustres como o patrono do renomado Colégio Estadual, fica estampado aqui, para que o universo educacional conheça seus valores.

Em 1807 nasceu na Itália Frei Caetano de Messina, Jovenzito, Deus o chama para a vida religiosa. Ordenado Sacerdote, voltou-se generosa e heroicamente ao  serviço das almas, à assistência às doenças, e ao ofício de professor de Filosofia e de Teologia.

Em 1841, aporta em Recife, recolhendo-se no Convento de Penha. O campo de lutas era vasto. Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio de Janeiro sentiram logo o fervor do espírito de Frei Caetano de Messina.

O Recife, Olinda, Igarassu, Paudalho, Goiânia, Tracunhaém, Bom Jardim, Brejo da Madre de Deus, Cimbres, Lagoa do Monteiro, Ingazeira, Viçosa, Quebrângulo, Bom Conselho e outras o viram, o ouviram, o admiraram e se deixaram levar pela força da sua palavra de homem de Deus e de filho de Francisco de Assis. Igrejas, cemitérios, açudes, colégios, pontes foram surgindo, a força criadora de sua vontade férrea.

Aos 5 de fevereiro de 1853, Frei Caetano chega ao povoado de Papacaça. Era o anjo da paz que vinha para a terra das lutas, das discórdias e de devassidão.

Deu-se ele à luta como um herói e como um Santo. Na pedagogia de sua palavra, ele pôs o trabalho como apoio para  o bem.

Um grande colégio ele o construiu, o Nossa Senhora do Bom Conselho, para a educação dos jovens. Para ajudá-los nesse afã abençoado, ele fundou uma comunidade, semente que brotou e cresceu em Pernambuco e fora dele. A sua benéfica influência ainda hoje perdura, no campo religioso, cultural, social e econômico. Sua presença, ainda continua nas suas obras e no trabalho apostólico dos Capuchinhos em terras de Bom Conselho.

A obediência o levou para o Rio de Janeiro. Lá desempenhou o ofício honroso e espinhoso de Comissário Geral das Missões do Brasil. Mas tarde, Montevidéu se tornou o campo de seu novo apostolado. Já, Deus o chamou para a eternidade em 9 de janeiro de 1878.

O Anjo do Brasil, assim o chamamos com gratidão e amor. Assim... as marcas do passado tornaram-se Reminiscências.

Professora Glorinha Tenório Luna
Garanhuns, 9 de Maio de 1987

RUA VEREADOR DR. ALFREDO AMÉRICO LEITE - GARANHUNS, PE


POVOAMENTO E CULTIVO DAS TERRAS DA SESMARIA DOS ARANHAS DE 1700 ATÉ 1750

HISTÓRIA DE GARANHUNS - A continuação do povoamento e cultivo das terras, depois do ano de 1700 até 1750, prosseguiu com intensidade.

A instalação da Capitania do Ararobá, assim como da freguesia de Santo Antônio do Ararobá, em 1700, exatamente no território da fazenda do Garcia que, como a do Burgo, sofreu as devastações praticadas pelos negros rebeldes, ao ponto de passar a se chamar Tapera do Garcia, serviu de ânimo aos pretendentes à continuação do povoamento e, assim, os herdeiros dos então já falecidos sesmeiros foram encontrando compradores dos seus quinhões de terras, ou mesmo quem os quisesse arrendar. 

Na região do Panema - sesmaria dos Aranhas - que poucas consequências sofreu por parte dos negros dos Palmares, depois da fundação da Lagoa, foram fundadas várias outras fazendas e sítios, entre os quais: Puxinanã, Fazenda Grande, Serrinha, Mocó, Catimbau, Maniçoba, Mororó, Cachoeira e Panelas.

Os dois últimos sítios, "um por nome as Panelas e o outro a Cachoeira que partem um com outro, e pelo rio Panema abaixo com o sítio chamado Maniçobas e para cima com o sítio do Puxinanã, e para a parte do nascente com o sítio do Campo Grande, e para a parte do poente com o sítio chamado Mororó", dona Clara Aranha Pacheco, viúva de Cosme de Brito Cação, e que os houve por herança de seu irmão Pedro Aranha Pacheco, os vendeu por escritura pública, lavrada pelo tabelião Manoel Rodrigues Crasto, no sítio São Gonçalo, junto à cidade de São Cristovam, Capitania de Sergipe do Rei, em 9 de janeiro de 1702, a Bento Leite de  Oliveira, " por preço e quantia de seiscentos e quarenta mil réis".

Em 23 de junho de 1705, o então sargento-mór depois tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo, casado com dona Simôa Gomes, foi judicialmente empossado no sítio Tapera do Garcia, que o havia comprado a João da Rocha Vieira, na então Vila do Penedo, por escritura pública, lavrada pelo tabelião daquela Vila, João Ribeiro Tinoco.

Este sítio, que foi fundado com a denominação de Fazenda do Garcia, tinha o seu território, começando da barra do riacho Cajueiro, no rio Mundaú, e por este riacho acima até o córrego do Culumin e, daí em direção ao norte, até o rio Canhoto e, do mesmo ponto que começava, ia pelo rio acima até a sua principal cabeceira, e desse ponto, para o norte, até encontrar no rio Canhoto.

O sítio dos Fojos, que se dividia, pelo norte, com o sítio Lages, pelo leste se dividia com o sítio do Garcia, até a cabeceira principal do rio Mundaú, e desse ponto, dividindo-se pelo sul, primeiro com o sítio do Buraco até as águas pendentes do riacho do Araçá, e em seguida com o sítio do Saco, até o riacho Seco, foi  por Lopo Gomes de Azevedo, que houve por herança de sua  avó dona Clara Aranha Pacheco, viúva do capitão Cosme de Brito Cação, vendido a Manoel Correia de Barros, em 6 de setembro de 1710.

O sítio do Buraco começava da barra do riacho repartição, no rio Mundaú, e pelo riacho acima, dividindo-se pela sua margem direita com o sítio Sambaíba, até onde, nele faz barra o riacho do Araçá, e por este acima, dividindo-se com o sítio Saco, até encontrar o sítio dos Fojos, e com este se delimitando, pelo norte, até encontrar o sítio do Garcia, com o qual se dividia pelo rio Mundaú, até a barra do riacho Repartição, onde começava.

Este sítio foi doado pelos sesmeiros a Gabriel de Brito Cação e seus companheiros, por descobrirem os Garanhuns, e este doador vendeu o seu quinhão, sem o demarcar, a Domingos Pereira de Moraes, em 6 de outubro de 1710, pelo preço de cinquenta mil réis.

Poucos anos depois, foi o referido sítio arrematado, em hasta pública, na Vila do Recife, pelo português Antônio Vaz da Costa, casado com dona Luiza Dantas Soares, no qual se instalaram e criaram a sua numerosa prole, onde também faleceram,  ele em 2 de novembro de 1754 e ela em 4 de junho de 1776.

A fazenda da Lagoa, tocou por herança dos seus pais, a Pedro Aranha Pacheco, casado com  dona Maria de Matos da Costa, e, após o falecimento deste herdeiro, a sua viúva vendeu a referida fazenda, em 19 de novembro de 1716, aos dois irmãos, que para isto se associaram, o capitão comandante Felix Paes de Azevedo e Nicácio Pereira Falcão, pela quantia de quatrocentos mil réis.

As terras desta Fazenda limitavam-se de um lado com a Fazenda de Francisco de Abreu, chamada Curral do Meio, e da outra parte com o sítio chamado o Cabo do Campo pertencente a Lionel de Abreu e Lima.

As terras que, pelo riacho do Araçá acima até as águas pendentes para as suas cabeceiras, se dividiam com o sítio do Buraco, e da barra desse riacho, no riacho da Repartição, e por este acima até às cabeceiras e daí até o riacho Seco se dividiam com o sítio da Sambaíba, e pelas águas pendentes para o sítio dos Fojos e com este se dividiam até o riacho Seco, constituíam o território do sítio do Saco, comprado de sociedade composta dos capitães Pedro Rodrigues de Pontes e Micael de Amorim, em 6 de outubro de 1717, a Lopo Gomes de Abreu, que o houve por herança de sua avó dona Clara Aranha Pacheco, viúva do Capitão Cosme de Brito Cação, cuja compra foi feita pela importância de duzentos mil réis.

A parte deste sítio escolhido pelo sócio Micael de Amorim Souto, foi por ele denominada "Mochila" para a distinguir da parte de terras do Saco, propriamente chamado.

Em 2 de dezembro de 1744, o capitão Pedro Rodrigues de Pontes recebeu a quantia de noventa mil réis, com a qual tinha entrado para a compra do sítio, pela venda que da sua parte fez ao sócio capitão Micael de Amorim Souto, porém a posse judicial somente foi dada, em 10 do mesmo mês e ano, a dona Maria Paes Cabral, por haver, neste tão curto espaço de tempo, falecido o capitão Micael de Amorim Souto, seu marido.

A fazenda Serrinha tocou, por herança de dona Francisca Correia Sande, viúva do mestre de campo Nicolau Aranha Pacheco, ao seu filho Pedro Fernandes Aranha, e este herdeiro a vendeu ao capitão Rafael de Araújo por escritura pública lavrada no cartório da, então, Vila de Penedo, em 2 de dezembro de 1711.

O tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo, que, conforme já foi dito, comprou o sítio "Tapera do Garcia", em 1705, também comprou o do "Flamengo", por escritura pública, lavrada na Vila de São Francisco da Barra do Sergipe do Conde, em 20 de fevereiro de 1718.

Atribuímos o nome dado a este sítio, ao conhecimento que teria o encarregado da sua organização, de nele terem estacionado forças holandesas que também perseguiram os negros rebeldes dos Palmares, em 1645, conforme referência de Rocha Pombo em sua História do Brasil.

O território do sítio do Flamengo limitam-se, pelo leste e pelo sul, com a sesmaria dos Burgos, pelo oeste com o sítio Tapera do Garcia, e todos estes, pelo norte se dividiam com a sesmaria dos Vieira de Melo, pelo rio Canhoto.

A fazenda Grande tocou, por herança de seu pai, Antônio Fernandes Aranha, a dona Beatriz Fernandes, casada com Antônio da Mata Caldeira, e este casal, em 12 de fevereiro de 1724, dela desmembrou a metade do território para o pagamento de trezentos e tantos mil réis e sua filha dona Antônia da Mata Caldeira e aos seus netos, filhos do primeiro casamento desta com Manoel de Souza, um dos quais era o capitão Feliciano de Souza Caldas.

Dona Antônia da Mata Caldeira era então casada, em segundas núpcias, com Manoel Gomes de Sá, que foi o primeiro Juiz Ordinário da Capitania do Ararobá, da qual também veio a ser Juiz Ordinário, o seu enteado capitão Feliciano de Souza Caldas.

Por escritura pública lavrada na Vila de São Francisco da Barra de Sergipe do Conde, em 20 de novembro de 1724, o coronel Manoel da Cruz Vilela comprou a dona Madalena Clara Pereira, curadora do seu marido, Alferes Nicolau Aranha Pacheco e Albuquerque, o sítio Sambaíba, que havia sido organizado na sesmaria dos Aranhas, pela quantia de trezentos mil réis.

O sítio Sambaíba, acima mencionado, compunha-se das terras que, começando na barra do riacho da Repartição, no rio Mundaú, ia pelo riacho acima se dividindo, primeiro, com o sítio do Buraco até confrontar a barra do riacho do Araçá, e daí por diante com o sítio Saco, até às cabeceiras, de onde continuava com o mesmo se dividindo até o riacho Seco: da barra do riacho da Repartição, ia pelo rio Mundaú abaixo até encontrar a sesmaria dos Burgos, e com ela se dividia pelo sul, até o riacho Seco.

O sítio do Catimbau (o de Buíque), tornou-se propriedade do capitão Matias Ferreira Luiz, por o ter havido, por sentença judicial, de Francisco de Abreu e sua mulher, dona Maria Fernandes Barbosa, e este proprietário o vendeu, em 28 de agosto de 1726, a Gonçalo Pereira de Moraes, filho do proprietário da  Fazenda Mocó.

Muitos anos depois, o sítio "Catimbau" veio a ser propriedade de Leonardo Bezerra Cavalcanti, que faleceu em 1827, e como os seus herdeiros nunca demarcaram os seus quinhões, até bem pouco tempo, continuava o seu território em comum ocupado pelos seus descendentes. (Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti - Volume I - Outubro de 1968).