sábado, 26 de dezembro de 2020

Para não esquecer o poeta

Alfredo Correia da Rocha, ao centro, por ocasião do lançamento de seu livro "Imagens e Ritmos no Tempo", em 20 de agosto de 1974. A sua direita Dr. Aurélio Muniz Freire e, à esquerda o advogado José Francisco de Souza.
Foto: Jornal O Monitor

Falar sobre o  intelectual, o escritor Alfredo Rocha, que me foi atribuído pelo Grêmio, entendo ser fácil, levando-se em conta a clareza de sua  atuação no encanto das coisas da Arte, durante o período que  o querido garanhuense esteve entre nós, no seio desta Casa de Cultura.

Nasceu Alfredo Correia da Rocha no dia 8 de agosto  de 1912 no lugar conhecido por Muniz, vizinho do povoado de Santa Quitéria de Freixeiras, então pertencente ao Município de Garanhuns. Filho de humildes agricultores de velha família de boa cepa garanhuense e honrada vivência desde o século passado, de suas raízes genealógicas brotaram descendentes que enriqueceram nossos bons costumes, de homens ligados umbilicalmente às atividades agrárias/comerciais.

Logo cedo emigrou para  São Paulo, onde radicou-se na cidade de Santos, consequência de ter para ali seguido na qualidade de militar, na Revolução Constitucionalista de 1932. Cessadas as hostilidades da sedição, passou a trabalhar nas Docas do porto de Santos, exercendo ainda misteres vários, inclusive o de contabilista.

Passou logo depois, a trabalhar no jornal "Tribuna de Santos" na época o maior jornal do interior brasileiro, inicialmente, como "copidesk" e em continuação, colaborou nas lides jornalísticas, escrevendo em apurado estilo e poder de síntese. O jornalismo, segundo assegurou Alceu Amoroso Lima, grande escritor e crítico nacional, é nesta seara Alfredo Rocha trouxe à luz o seu  pendor para as Letras. Era um autodidata. Não o autodidata definido por Olívio Montenegro, como aquele "que entende um pouco de tudo e tudo do nada" sua obra nega solarmente este conceito do notável crítico paraibano.

Foi naquela cidade paulista aflorando a veia artística de Alfredo Rocha, pari passu com a sua busca diuturna de  conhecimentos intelectuais que o aprimorasse na formação básica necessária para a expressão poética. Peregrinou na leitura de todas as obras-primas da literatura mundial e nacional. Abeberou-se nos grandes escritores dos movimentos literários representativos do País: Olavo Bilac e Olegário Mariano, no parnasianismo (movimento literário este de sua preferência); Cruz e Souza, no simbolismo, Machado de Assis, no realismo e outros autores, no romantismo. Conviveu com os clássicos do Pensamento universal, como o vocacionado, o sedento que busca a fonte.

Embora produzindo uma vasta e expressiva obra poética dispersa e variada, na forma de publicação, só editou ordenadamente, dois livros - "Peregrinação", uma compilação de belos sonetos, poemas e trovas, vindos e lume no ano de 1961, na cidade de Santos e o intitulado "Imagens e Ritmos no Tempo" editado no Recife, em 1974, com prefácio do escritor Mauro Mota, quando ele residia nesta cidade. Nessa  época preparava, com dedicação, a elaboração de outra obra, a qual daria o nome de  "O Porto da Expiação", vida romanceada dos trabalhadores portuários, classe que tão bem conheceu no seu cotidiano labor. Porém a morte interrompeu seu desiderando, privando os admiradores da boa  literatura da alegria de participarem da expressividade esperada de sua prosa romântica, que na poesia e no conto já se prenunciava.

Ao chegar em Garanhuns, no ano de 1972, Alfredo Rocha mostrou seu talento e sua atuação eficaz no ambiente da arte literária, promovendo o renascimento do  Grêmio e galvanizando as atividades inerentes desta agremiação. Cultuamos a memória  do poeta, gratos que somos.

Versos indicativos da intuição criadora de Alfredo Rocha, sentimos no poema sob o título ANTAGONISMO  - a seguir escrito:

Impossível, distante, minha vida 

Não consegue, jamais unir-se à tua...

Quando muito, o problema se atenua

Porém a solução nunca é sabida

Quando vagas em Marte, eu estou na Lua

Quando desces, me encontro na subida

Quando chegas, me encontro de partida,

Quando em casa te encontras, saio à rua

Gostas do dia, me conforta a noite

E talvez... e talvez, eu não me afoite

A resolver um dia esta questão

Entre a dúbia existência que levamos

São bem poucos os bens que  desfrutamos

Se quando digo SIM... tu dizes NÃO.

Ainda sobre o livro "Imagens e Ritmos no Tempos", lançado nesta cidade, sob o patrocínio deste Grêmio, observa-se que Alfredo Rocha, também incursionou com maestria no gênero da prosa, onde surgem crônicas de conteúdo satírico, tendo a ironia como tema recorrente.

Enfim, o garanhuense Alfredo Rocha, se destacou na literatura como verdadeiro poeta e prosador, sempre lembrado por todos que leram seus escritos primorosos e encantadores. Foi um grande de Garanhuns, nos meios em que predominam as coisas do Espírito, a beleza, o sofrimento humano, pois fazer poesia é  angustiar-se e sofrer.

Faleceu Alfredo Rocha no dia 23 de agosto de 1977, em plena reunião desta Associação, que se realizava na Sede do SESC desta cidade. Findou-se, como viveu a maior parte de sua vida, no convívio intelectual, fascinando naquele instante com a pulsão fecunda da poesia que lhe dominou a existência.

Sebastião Jacobina / Texto  lido na reunião do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, de 7 de janeiro de 1995.

A Morte do Violeiro

Agreste de Pernambuco
Foto: Anchieta Gueiros
Gonzaga de Garanhuns / 18 de Setembro de 1976

Confiando em Jesus Cristo

Grande Deus Onipotente

Com a força do meu punho

Puxando rimas na mente

Faço com dom altaneiro

A morte do violeiro

Que comoveu muita gente


Portanto, leitor amigo

Desta região daqui

De Neves ou de Lajedo

De calçado ou Jucati

Faço este bom escrito

Sobre este Genésio Brito

Da região de Jupi


Com os olhos lacrimejando

Confiando em Jesus Cristo

Muito triste e pesaroso

Pra todos faço este escrito

Do poeta popular

E repentista sem par

Olhando Genésio Brito


Com prazer aqui escrevo

Sobre este violeiro

O qual só deixou saudades

Por este agreste inteiro

Este grande cantador

E poeta trovador

Deste recanto agresteiro.


Ele era um violeiro

Conhecido no lugar

Pois o seu desejo era

O folclore esbanjar

Foi esta sua atitude

Lutar pela juventude

Que estava a lhe escutar


No auge que está agora

O folclore brasileiro

Pois este Genésio Brito

Bom poeta violeiro

Vivia sempre lutando

E suas rimas puxando

Do seu cérebro altaneiro.


Pois não só os homens grandes

Que merecem ser lembrados

Também os homens simples

Quando por Deus forem levados

Para a eterna mansão

Seus nomes com amplidão

Devem ser imortalizados.


Por tanto Genésio Brito

Seu nome vou divulgar

Que você merece isto

Pra isto irei lutar

Eu quero com bom proveito

Neste tão simples folheto

Seu nome imortalizar.


Nesta sua profissão

Sempre foi bem aplaudido

Era um artista de classe

Que pra isto foi nascido

Este homem de valor

Devido ao seu labor

Por poucos foi conhecido.


Por poucos foi conhecido

Não sei qual foi a razão

Pois só era conhecido

Por alguns da região

Mas, agora com agrado

Seu nome farei vulgado

Pra toda população...

Sivaldo Albino anuncia secretariado nesta segunda-feira (28)


Na próxima segunda-feira a população de Garanhuns vai conhecer a equipe de governo de Sivaldo Albino (PSB).

A partir das 10h30, na AESGA, o prefeito eleito e diplomado, ao lado do vice, Pedro Veloso, vai anunciar os nomes do secretariado e dirigentes de autarquias.

Ao contrário de outros políticos, que logo em seguida à vitória saem divulgando os nomes dos auxiliares, o socialista optou pela discrição, não adiantou nomes para a imprensa e somente pessoas muito próximas dele devem saber quem vai comandar a educação, a saúde ou o setor de obras da prefeitura de Garanhuns, a partir de janeiro.

Para não dizer que não antecipou nada, Sivaldo, depois de eleito, numa entrevista na Rádio Jornal confirmou dois secretários: Alexandre Marinho, advogado e seu chefe de gabinete do deputado na Assembleia Legislativa, e Ronaldo César, blogueiro e publicitário.

Sivaldo tem 48 anos. Exerceu quatro mandatos de vereador no município, foi presidente da Câmara duas vezes, trabalhou como gerente da Casa Civil, no governo Paulo Câmara e em 2018 ficou como primeiro suplente de deputado estadual pelo PSB.

Assumiu o mandato no início de 2019 e logo virou líder do seu partido na Alepe.

Fez uma campanha com poucos recursos, mas criativa, desbancando o favoritismo de Silvino Duarte (PTB), que chegou a ser dado como eleito pela imprensa da capital.

Sivaldo não é de muitas promessas, mas assumiu alguns compromissos na campanha: construir um hospital municipal em Garanhuns, instalar um teleférico da Colina do Monte Sinai para o relógio das flores, investir mais no setor turístico e na saúde.

Já eleito, no dia da diplomação, o socialista disse que irá governar tendo o diálogo como prática política.

Seis vereadores da coligação de Sivaldo Albino foram eleitos no dia 15 de novembro. Mas a princípio não terá problemas no Legislativo, pois quase todos eleitos no palanque de Silvino já debandaram para o seu lado.

Johny Albino, irmão do prefeito eleito, já tem maioria folgada para se eleger presidente da Câmara, sem que o futuro governante tivesse que interferir a seu favor.

Fonte: Blog do Roberto Almeida

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Jayme Luna, um amigo solidário

Amaro Costa*

Jayme Luna (foto), funcionário público estadual também jornalista, político socialista dos moderados, mas bastante preocupado com os problemas do povo e seu estado social: moço inteligente, era em termos de datas um verdadeiro computador. Quando lhe perguntava a data de uma ocorrência passada, ele então logo respondia com consciente precisão a data; dia, mês e ano. Luna, pessoa de boa formação,  amigo e solidário nos momentos da aflição, condenava nos governos as injustiças sociais, ditaduras, opressão, lesa pátria e tudo mais. Queria um Brasil livre e independente, com seu povo forte, consciente e competente.

Já nos anos do movimento da Aliança Nacional Libertadora, Jayme Luna ao lado do povo se pôs com valentia e coragem e, mesmo assim, teve que se refugiar em municípios e distritos vizinhos a Garanhuns, em propriedades de amigos, para não ser preso e continuar lutando, escrevendo sem perder a liberdade. Muito jovem ainda lutava com abnegação, sempre ao lado do povo, contra a ditadura e opressão. Sua arma era lápis e caneta. Nos artigos de jornais, sua opinião condenava opressores e  ditadores que ao povo só causam males, infelicidades e tristezas.

Jayme tinha o costume de andar sempre ao centro das ruas, pois temia andar nas calçadas que para ele era perigoso, especialmente à noite. Ele temia os malfeitores que poderiam se amparar nas  esquinas e becos. Precavido, quando a noite era mais escura e a iluminação precária, Jayme tinha o cuidado de se distanciar das calçadas. Nos anos 40, 50 e 60, na cidade da Garanhuns onde nasceu e sempre morou, as ruas eram pouco movimentadas, com poucos carros e daí se poderia transitar com menos cuidado, até mesmo nas artérias centrais. 

Quarta-feira, cerca das 23 horas, de 31 de março de 1964, quando eu conversava com alguns amigos em frente ao Café Central, de propriedade de Sandoval Almeida, quando do outro lado da avenida Santo Antônio, eu via Jayme que  para mim acenou, chamando-me ao seu encontro. Prontamente atendi. Foi aí que me informou do golpe militar que estava em marcha. O general Mourão Filho se deslocava de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, com o objetivo de reforçar as ações e "berraria" de Carlos Lacerda que contava também com o apoio do governador de São Paulo, Ademar de Barros. Eu, até aquela hora da noite, não sabia ainda da traição militar à Constituição Brasileira. Os golpistas eram liderados pelo jornalista Carlos Lacerda, na época governador do Estado da Guanabara, atual Estado do Rio de Janeiro.

Logo que Jayme me fez ciente do que estava ocorrendo, me dirigi bastante preocupado para a minha residência. Ao chegar em casa, não demorou, Aarão Braga, seus dois irmãos e mais alguns companheiros chegavam, em um caminhão, para fazer ciente do que  estava acontecendo no País. Dali saímos todos juntos e fomos acompanhar, em vigília, em uma garagem-depósito no bairro da Brasília, em Garanhuns. Junto  com vários companheiros, passamos a noite escutando as emissoras de rádio que divulgavam o desenrolar dos acontecimentos. Para decepção nossa, os governos eleitos pelo povo, tanto a nível federal como estadual - o presidente João Goulart, o governador Miguel Arraes e outros, não se dignaram a oferecer a mínima resistência aos golpistas. O Presidente da República fugiu, o nosso governador Arraes foi preso e os que neles votaram, muitos que em vigília ficaram, foram procurados, perseguidos, presos e torturados. Muitos desses até a morte. Hoje resta o monumento "Tortura Nunca Mais" que serve de tema para os caçadores de votos em época de eleições.

Esquecer Jayme eu não esqueço. Valeu muito a sua contribuição pela luta de um Brasil livre e independente. Contribuição esta que não podemos deixar de reconhecer e que foi de grande valor político e social. E mais: Jayme lutou e se expôs em época de grande e terrível discriminação política e ideológica. Em períodos de regimes ditatoriais, como nos 15 anos dos governos de Getúlio Vargas e no golpe militar de 1964, que se prolongou por quase 20 anos, deixando muitos mortos, viúvas e crianças sem pais, inúmeros desaparecidos que até hoje não se sabe se estão vivos ou onde foram enterrados. Até os governos democratas de hoje silenciam. Quem sabe, pois se até hoje só existe democracia para os que  gozam do poder econômico. Tomara que um dia nosso povo possa ser feliz vivendo em uma democracia do  povo para povo. Jayme, meu amigo, que Deus o tenha em bom lugar, aqui será sempre lembrado.

*Amaro Costa, alfaiate aposentado, foi vereador em Garanhuns e membro do PCB - Partido Comunista Brasileiro).

Texto transcrito do jornal O Século de Setembro de 2002.

A Família de Dom Expedito Lopes

Em 1912, na cidade na cidade de Acarau, Ceará, casaram-se Edésio Pereira Lopes (foto), natural de Sobral, Ceará e Noeme Cordeiro de Araújo (foto), nascida em Santana do Acarau, Ceará. Ele com 28 anos e filho do casal José Pereira Lopes e de Francisca das Chagas Lopes. Ela com 19 anos e filha de José Anselmo Cordeiro e de Irene Cordeiro de Araújo.

Depois de casados foram morar num sítio da parentela do Sr. Edésio, chamado Palestina, localizado na Serra da Meruoca, que na época era vila do Município de Sobral, Ceará. Da união de Edésio e Noeme, nasceram nove filhos na seguinte ordem: Josa, Francisco Expedito, Suzete, João, Eurico, Cleomar, Zélia, Ildecé e  Terezinha. Só se criaram cinco, como acontecia com a maioria das famílias daquele tempo. Geralmente nasciam mais de dez filhos, mas muitos não resistiam às intempéries da pobreza, das secas, das doenças infantis, não havia os mesmos cuidados com vacina. Não havia Hospitais. Quando havia um médico, era um para várias cidades. E só havia um Posto de Saúde. Então se criaram apenas Expedito, João, Suzete, Ildecé e Terezinha. O pai era pedreiro e naquele tempo, em 1915, houve a seca que causou muito sofrimento no  Nordeste e especialmente no Ceará. A região de Sobral foi muito afetada.


Fonte: Livro "Dom Francisco Expedito Lopes - Bispo Mártir de Garanhuns" - Irmãs Cândida Araújo Corrêa, Maria Mirtes de Araújo Corrêa e Terezinha Araújo Corrêa. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Verdadeiro Natal


João Marques

Natal diferente, a expressão não agrada. Natal sem união, também, é desagradável. Assim, é um meio natal... mas, a reflexão lembra que o Natal veio de uma manjedoura, a originalidade é diferente. E o que se pode trazer de um acontecimento de mais de 2 mil anos, só o espírito desse natal primeiro, a alegria pelo natalício. Afinal, o Ser é eterno, e espera...

Natal

Há dois mil anos, ouviu a humanidade - a maior página que já se estampara na terra. Não fora escrita pela materialidade das tintas. Não recebera o sinete das convenções, com que se costumam incensar as glórias e os triunfos passageiros. No entanto, a água viva que se fazia fluir, era retirada da grandeza universal, à distância da transitoriedade da vida e das coisas, para a perenização de tudo e de todos.

Era a humanização do verbo que pontificava mais uma vez a sua presença para a iluminação do mundo. Era o marco decisivo na história dos homens, que se fincava na terra. Era a permanência de um convite e de um ideal, derrubando as barreiras do convencionalismo humano, na implantação de uma nova doutrina, que atravessaria a esteira dos séculos. Era a promessa de uma nova Canaã, na construção de um reino dentro de nós mesmos, emoldurando outras paisagens na intimidade das coisas e das criaturas.

Toda a sublimidade dos ideais estavam grafados numa só palavra - Cristianismo. Todos os impulsos de evolução achavam-se iluminados numa só presença - Cristo. Mas, faz milênios desta iluminação e desta presença.

Aquele Natal despontava num raiar de horizontes, despertando auroras, constituindo hosanas de um outro sol. Nascia novo oriente, para fazer brilhar todos os ocidentes da terra.

A mensagem cristã trazia o poder da luz, e espancava as trevas dos caminhos. Era a própria vida, destruindo a mentira da morte. Era a verdade, demolindo a fragilidade das inconsistências e dos sofismas. Era o caminho, na abertura de outras vias, como sinal aos novos.

A permanência daquele Natal, que está lavrado nas páginas evangélicas do Cristo, fugiu na maioria dos corações. A alegria sadia e pura, hoje se troca na satisfação fugaz e fantasiosa, nos salões de tantas festas, e nas salas de tantas desilusões, onde as criaturas trocam também suas frustações e seus desenganos, em taças e copos de um suicídio lento. 

O sentido do Natal é outro bem diferente e ainda não sentido pela maioria dos  mortais. Os primeiros cristãos renascem na espiritualidade de poucos. O ódio continua à expulsar o amor. O perdão ainda substitui pela vingança. A vaidade e o orgulho afastam o sentimento da humildade. A soberba de muitos ainda esmaga a convicção e a fé dos primeiros tempos. A exibição secular, na escalada das convenções - ofusca os sentimentos da caridade. A moralidade farisaica de tantos ainda veste os mesmos tecidos do arcaísmo.

Palmilhemos o Livro da Vida. Dele, procuremos retirar este Natal, que deve ter um sentido permanente e diuturno, na vida e no minuto de cada um. O nascimento do Mestre terá expressão e conteúdo para o cristão, quando Ele, Jesus, fizer morada dentro de cada um de nós, quando formos o seu templo, na edificação do  seu reino. O sublime Rabi nunca morreu. Continua a renascer a cada minuto e a cada segundo. 

Dr. Aurélio Muniz Freire / Jurista e escritor / Garanhuns, 18 de Dezembro de 1976

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Uma Galeria de Heróis Notáveis

Por Marcílio Reinaux*

Professor Uzzae Canuto. Uma espécie de patrimônio fundamental da cultura de Garanhuns, o professor Uzzae esteve agregado durante muitos anos à própria imagem do Colégio Quinze de Novembro. Sua fala mansa, sua pregação poderosa, seus conselhos edificantes, seus exemplos inexcedíveis, seu profundo conhecimento da Bíblia, fizeram do professor Uzzae Canuto uma das colunas mestras do Colégio Quinze, ao lado de  sua esposa Zilda Sales Canuto, igualmente professora dedicada ao Colégio.

Nas suas Reminiscências, dona Noêmi Gueiros Vieira lembra os nomes de muitos mestres. Miss Edmonia Martin, ou simplesmente Miss Martin, como todos a chamavam. Foi a grande incentivadora do ensino do inglês no Colégio. Desejava que todos os alunos soubessem aquela língua, falando e não apenas lendo e escrevendo. Fazia, segundo dona Noêmi, todos decorarem provérbios em inglês, pois assim aprenderiam não apenas a língua, mas até mesmo a sabedoria da vida. Pequenos contos eram também dados como lições pra serem lidos e preparados para as aulas. Isto facilitou sobremaneira a expressão, sem maiores dificuldades. E é a própria professora Noêmi Vieira que lembra que ela mesmo foi uma agraciada da gentileza da professora Miss Martin. Uma ocasião a missionária recebera dos Estados Unidos, de uma sobrinha, uma grande oferta, destinada a ajudar moças pobres na educação. Dona Noêmi foi a primeira escolhida e Maria Viele outra, além de várias moças daquele período da atuação de Miss Martin.

Maria Isabel Marinho. Para os mais  íntimos "Bebé", e Ruth Gueiros, que seria mais tarde Ruth Gueiros Thompson foram outras duas professoras destacadas do Colégio. Na esteira de nomes importantes, seguem-se as referências.

Emmanuel Dreyfus, José Afonso, Dr. Luiz Augusto Bezerra dos Santos, Dr. Karlus Anton Tyrrasch, Luiz Figueredo, Virgínia Smith, Paula Dreyfus, Carmem Dolores Peixoto e Jairo Portela. O professor Jairo, hoje advogado com Banca estabelecida no Recife, Presbítero da Igreja Presbiteriana do Recife, tem uma verdadeira história  para contar sobre o Colégio Quinze, rica em experiências que viveu durante muitos anos. Ali ingressando como aluno, veio a se tornar mais tarde Inspetor de Internato e Diretor do mesmo. Amigo de todos, respeitado pelos alunos foi um grande incentivador dos esportes, principalmente o voleibol. Mais tarde se tornaria professor de Desenho e de Matemática, dos melhores que o Colégio já teve. É com saudade que Jairo fala sobre o Quinze, rememorando seu tempo de adolescente ali e sobretudo referindo-se que foi no Colégio que aprendeu as preciosas lições da vida, fundamentadas na Palavra de Deus.

Elizabete Reinaux Cordeiro, filha mais  velha do casal Antônio e Francisca Reinaux também relembra muito o Colégio Quinze. Suas amigas contemporâneos, como Carmem Dolores, Almerinda Espíndola Rodrigues (foto), Inalda Amorim, Zilda Sales, Hilda Vilela e os amigos rapazes da época: José Yaponan, Waldimir Maia Leite, o doutor jornalista que Garanhuns e Pernambuco reverencia. Um dos que mais projetaram o nome da Terra de Simôa Gomes, seja nos seus escritos seja como membro da Academia Pernambucana de Letras. Polion Gomes da Silva, Beneon, Mozart Souto. Erasto Vitalino, Ruber van der Linden (este professor) e o filho Edson van der Linden. E ainda Laura Lins, Otaciano Acioly, Abel Siqueira Furtado, Maria Izabel, Elizabeth Siqueira, Senir Sampaio e muitos outros daquela geração.

Um destaque especial para Augusto Coimbra Pinto e sua Heloisa, filha do muitíssimo conhecido Seu Esperidião. O professor Augusto Pinto foi também no Colégio um Patrimônio Cultural e muito querido. Nas peças teatrais de fim-de-ano, o casal tomava parte ativa nos "esquetes". Ele fazia sempre a figura do "Coronel Necreto", que se tornaria tradicional no Colégio.

Alcione Reinaux Maia, esposa de Pedro da Silva Maia dois que também se encontraram no Quinze e dali por diante, se namoraram, noivaram por muitos anos e se casaram. Tiveram dez filhos formando uma bela família representativa na Cidade de Garanhuns. De gerações mais recentes foram Francis Clide Gueiros, Jessisai Vitalino, Ilze Gueiros, Evandro Gueiros, filhos do também ex-aluno do Colégio, Médico e Presbítero respeitado Dr. Othoniel Gueiros. Ainda Enéas Lins, Cacilda Vieira Costa, Hilton Vitalino, e a professora Ivonita Guerra. Os Gueiros foram quase todos alunos do Colégio Quinze. Ali também estudaram Absag Gueiros, Abigail Gueiros, Antônio Gueiros, Israel Gueiros, Pastor e Médico, nome dos mais queridos e admirados no cenário do Evangelismo Nacional; Altamiro Pedrosa, e os dois filhos do Seu Câmara do Cartório: Amaro e Joaquim e posteriormente o caçula Julinho.

Estes e muitos outros mais que fizeram História no Colégio Quinze.

*Marcílio Reinaux é escritor, advogado, historiador e pintor / Recife, 19 de Outubro de 1985.

Garanhuns - Lembrancinha do Falecimento da Professora Almira da Mota Valença - 19.01.1987

Laboratório de realização de documentários está com inscrições abertas


Que tal fazer um curso sobre documentário em janeiro, em casa e de graça? Pois o Festival Curta Taquary 2021 está com inscrições abertas para o DocLab - Laboratório de realização de documentários, um curso híbrido, com momentos de forma online e presencial, sobre realização de documentários. São 40 vagas, sendo 20 para moradores de Taquaritinga do Norte/PE e a outra metade para o público em geral. Os interessados podem se inscrever até 31 de dezembro. No dia 05 de janeiro de 2021 serão divulgados os selecionados e as aulas começam no dia 11 de janeiro.

O curso terá carga horária de 20 horas. As aulas acontecerão na plataforma Google Classroom, com encontros pré-gravados, e em momentos ao vivo (no Meet) para socialização entre os participantes. A parte teórica terá três módulos de cinco aulas cada, abordando temas como a história do documentário mundial, brasileiro e pernambucano, até técnicas na realização cinematográfica. Ao final, serão realizados dois documentários. “Devido aos cuidados necessários em relação a pandemia, o momento de gravação dos documentários em Taquaritinga do Norte será restrito a algumas pessoas representantes da turma e que residam na cidade”, explicou o coordenador do festival, Alexandre Soares.

Ao longo dessas 14 edições, a programação do Festival Curta Taquary sempre dedicou espaço para as ações de formação, sejam elas oficinas, debates, seminários, masterclass, encontro com educadoras/es e laboratórios. “Essas atividades promovem para o nosso público não só formação inicial e/ou continuada nos universos cinematográficos, como também favorece o clima de reflexão que deve estar sempre aliado ao ver, sentir e produzir cinema”, explicou a coordenadora pedagógica do evento, Amanda Ramos.

Facilitadores – Os cineastas-educadores Marlom Meirelles e Kennel Rógis irão conduzir a turma na produção de dois documentários na parte prática do curso. Marlom Meirelles é fundador da Eixo Audiovisual, produtora independente de cinema, vídeo e TV, idealizador do Curta na Serra – Mostra de Cinema ao Ar Livre realizado em Bezerros e coordenou o projeto de formação Cabeça de Cinema, um conjunto de 12 cursos de iniciação audiovisual oferecido a estudantes da rede pública de ensino da Região Metropolitana do Recife. Kennel Rógis é monitor de oficinas de cinema, idealizador do Festival Curta Coremas, na Paraíba. Diretor dos curtas “Travessia”, “Sophia” e “O grande amor de um lobo”, que juntos ultrapassam a marca dos 70 prêmios em eventos nacionais e internacionais.

Serviço

DocLab - Laboratório de realização de documentários

Link para inscrição: https://abre.ai/doclab

Inscrição gratuita: 22 a 31/12/20

Divulgação de selecionados: 05/01/21

Início das aulas: 11/01/21

Público-alvo: pessoas interessadas em audiovisual, a partir dos 14 anos, sem obrigatoriedade de ter experiências prévias na área.

Carga horária: 20h

Vagas: 40 (quarenta), 20 destinadas para moradores de Taquaritinga do Norte/PE e 20 para o público em geral.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Patrimônio Vivo do Estado, Gonzaga de Garanhuns inaugura espaço cultural no Agreste


Patrimônio Vivo de Pernambuco, mestre de reisado e cordelista, Luiz Gonzaga de Lima, conhecido também como Gonzaga de Garanhuns, inaugurou recentemente seu Centro Cultural, no Agreste do Estado.

Batizado com seu nome, no Centro Cultural Gonzaga de Garanhuns, o visitante vai poder conferir as obras de cordéis escritas por ele, bem como as roupas características da folia de reis, além de uma biblioteca com livros escritos pelo próprio Gonzaga e sobre cultura. O local conta com uma pequena bodega, onde Seu Gonzaga oferece aos turistas algumas doses de aguardentes temperadas que são fabricadas artesanalmente, junto com citações dos seus versos de cordel. É possível encontrar também algumas miniaturas que contam a história dos ônibus em Pernambuco, todas confeccionadas à mão pelo filho mestre, Clodoaldo Lima.

“Esse espaço cultural tem o intuito de transmitir a cultura na cidade e temos um planejamento para que ele se torne um ponto turístico de Garanhuns”, diz Gonzaga sobre o objetivo do local.

HISTÓRICO - Luiz Gonzaga tem 77 anos de idade e promove o reisado desde 1955. Tendo fundado oito grupos, ele recebeu, em 2018, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco pelo Governo do Estado. Gonzaga de Garanhuns também é autor do livro “Garanhuns em Versos-um pouco de sua história” e cordelista com mais de 350 títulos de sua autoria, com traduções para o espanhol e o holandês. 

Serviço

Centro Cultural Gonzaga de Garanhuns

Local: Rua da Liberdade, 1474, Heliópolis, Garanhuns – PE.

Devido à pandemia, visitações poderão ser agendadas pelo telefone: (87) 98175-1902 – Clodoaldo Lima

Fonte: Cultura PE

Foto: Caio Pessoa/Divulgação

Sesc realiza matrículas para cursos de cultura no Agreste e Sertão


O Sesc PE está com matrículas abertas para os cursos de cultura oferecidos pelas unidades de Arcoverde, no Sertão, e de outras quatro localizadas no Agreste. São vagas para as linguagens de Artes Cênicas, Artes Visuais, Música e Literatura. Os interessados podem se inscrever na Central de Relacionamento com o Cliente (CRC) nas unidades, onde encontram informações sobre dias, horários e preço das mensalidades. Os trabalhadores do comércio e seus dependentes, que possuem o Cartão do Sesc, têm desconto de até 50%. 

As unidades dispõem de um corpo de profissionais capacitados e as aulas são realizadas em espaços adequados, de acordo com as necessidades de cada curso. Arcoverde, Caruaru e o Centro de Produção Cultural, Tecnologia e Negócios (CPC), em Garanhuns, possuem teatros com estrutura para apresentações cênicas de teatro e dança, música e cinema. O CPC, inclusive, é um dos complexos culturais mais modernos do Estado, com diversos espaços amplos para a realização de atividades de todas as linguagens artísticas.

Serviço – Inscrições 2021 para os cursos de Cultura do Sesc

Informações sobre preços de mensalidades, dias e horários dos cursos nas Centrais de Relacionamento com o Cliente de cada unidade

Arcoverde – Avenida Capitão Arlindo Pacheco de Albuquerque, 364, Centro

Informações: (87) 3821.0864

Belo Jardim – Rua Pedro Leite Cavalcanti, s/n, Cohab II

Informações: (81) 3726-1576

Caruaru – Rua Rui Limeira Rosal, s/n, Petrópolis

Informações: (81) 3721-3967

CPC Garanhuns – Rua Cônego Benigno Lira, s/n, Centro

Informações: (87) 3761-2658

Surubim – Rua Frei Ibiapina, s/n, São José

Informações: (81) 3634-5280

O Céu existe. Entre Sete Colinas. Garanhuns é de lá

Dezembro/2020 - Parque Euclides Dourado, Garanhuns, PE
Foto: Anchieta Gueiros

Ronildo Maia Leite

"O Hálito dos Anjos"

Em verdade,

em verdade eu vos digo:

a escada que dá pro céu

tem 19 degraus.

Lá em cima

há um grande chão ladrilhado de flores, 

num infinito sem nuvens.

Ao redor,

um magote de serras, de montes,

de vales e de brejos.

E colinas.

E de matos cheirosos

que se embrenham no sovaco das grutas.

O ar que se respira

vem de corredores de brisas e de brumas.

É de eucaliptos, alfazemas e jasmins

o leque de ventos mornos, tão enxutos.

E de pétalas azuis

a mantilha que agasalha esse céu tão estável,

onde a temperatura média secular

é 19 graus centigrados.

Meia-noite em ponto é isso aí.

Até chegar às quatro da madrugada,

quando aperta um friozinho.

Às oito da manhã,

sobe pra 20, 

às nove está em 21.

Vai subindo a brasa da brisa,

grau em grau: 22, 23, 34, 25, 26 às três da tarde.

Começa a cair de novo,

sopro a sopro,

de mansinho, 

para ser outra vez 19,

às vezes 17,

raramente 10

- assim mesmo no Magano,

quando o inverno é brabo e a garoa um lenço.

Quando o sol nasce ou se põe e nasce a lua,

tanto faz,

a flor da pele está sempre orvalhada.

Marejada.

E quentinha.

O hálito dos anjos

- seria?

UniFavip está com inscrições abertas para o SuperVestibular


Estão abertas as inscrições para o SuperVestibuar 2021 do Centro Universitário UniFavip. Essa é a oportunidade de ingressar na instituição de forma prática e rápida. Isso porque devido à pandemia, nesse período de isolamento social, o vestibular é online, possibilitando aos candidatos a realização da prova no conforto de suas casas.

As provas serão realizadas nos dias 08 e 09 de janeiro. As inscrições podem ser feitas pelo site https://inscricoes.unifavip.com.br/vestibular, de forma gratuita, para todos os cursos da Instituição.

Outras formas de ingresso

Processo seletivo ENEM: seleção feita pelo aproveitamento de notas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Serão aceitas notas de exames realizados entre 2009 a 2019.

Transferência externa: o candidato poderá continuar o curso no UniFavip e aproveitar os créditos já cursados em outra instituição de ensino superior, desde que a matrícula esteja ativa ou trancada, constando o reconhecimento ou autorização de funcionamento do curso pelo MEC. 

2ª Graduação: processo seletivo especial para candidatos que já possuem diploma do nível superior com reconhecimento ou autorização de funcionamento do curso pelo MEC.

Para mais informações, acesse o site: https://cursos.wyden.com.br/#formas-ingresso.

Serviço – SuperVestibular UniFavip 2021

Inscrições: Pelo site, https://www.wyden.com.br/unifavip

Taxa de inscrição: Gratuita 

Cursos: Administração, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Arquitetura e Urbanismo, Biomedicina, Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Design de Moda, Design de Interiores, Design Gráfico, Direito, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica, Engenharia de Produção, Estética e Cosmética, Farmácia, Fisioterapia, Gastronomia, Recursos Humanos, Jornalismo, Marketing, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Publicidade e Propaganda, Psicologia.

Taça Vavá Jacinto

Na tarde do dia 15 de setembro de 1985, no Estádio Darcy Madeiros, o industrial e desportista Júlio Jacinto realizou a entrega da Taça Valdemar Jacinto (Vavá Jacinto), ao Esporte Clube da Matança, taça esta conquistada pela equipe rubro-negra garanhuense, campeã do primeiro Campeonato de Bairros, patrocinada pela Liga Desportiva de Garanhuns.

A Taça Valdemar Jacinto foi uma homenagem da LDG ao grande desportista. Seu pai, o industrial Júlio Jacinto, na oportunidade agradeceu a homenagem ao seu querido filho, que em vida muito realizou pelo desenvolvimento do nosso futebol, como jogador, diretor e desportista que foi.

Centro Espírita Paulo de Tarso


Fundado em 31 de outubro de 1971, é uma das Casas mais antigas de Garanhuns, sendo a quarta Casa Espírita fundada nos idos dos anos 70, no Bairro da Boa Vista.

Fonte: Garanhuns Espírita

O Piãozinho de Paulinho


Uzzae Canuto / Garanhuns

O piãozinho! o pião

de dois castelos, de castelos de ouro

de Paulinho... de broxa de latão...

O piãozinho

de enfieira nova

que o Paulinho

jogou lá no barro duro do caminho

rodou, rodou, rodou,

zuniu, zuniu, zuniu...

E

cansado de tanto rodar

e

cansado de tanto zunir,

tombou, tombou...

e caiu morto,

lá no meio do barro do caminho,

Nunca mais se levantou...

Vovó disse que a gente

na vida

é também como o pião

de cabeça de ouro, de broxa de latão

roda...roda...

zune...zune...

depois morre,

E vai morar toda vida

lá no meio do barro duro do Campo Santo

onde não se roda

onde não se zune

     onde não se morre...

Foto: Anchieta Gueiros

Reminiscências do Colégio Quinze de Novembro (II)

Noêmi Gueiros Vieira

Dona Catarina Thompson, cujo nome mudou para Katy por não tolerar que o pronunciassem erradamente ou aportuguesado. Preferiu um nome mais conhecido e fácil de se pronunciar: KATY. Ela era uma exímia professora com um grande tirocínio antes mesmo de vir para o Brasil. A princípio eu a temia pela fama de severa que ela impôs ao seu lado e no entendimento de alguns alunos mal comportados. Com o passar do tempo, o seu modo foi se dissipando e cedendo lugar a uma grande amizade e com um profundo respeito pelas suas virtudes e pela extraordinária cultura da qual era portadora e que soube nos transmitir.

Katy era alta, esguia e vestia-se sempre de branco, com simplicidade e elegância. parecia-nos que a roupa dela nunca se amarrotava. Admirava-lhe até os cabelos precocemente embranquecidos em cachos de prata, o que lhe dava ainda mais um ar de grande respeito e seriedade.

Nas minhas anotações de memória, tantas pessoas importantes desfilam retrospectivamente, todas amigas e companheiras do querido Colégio Quinze de Novembro. Por vezes - nessas caminhadas ao passado - lágrimas de saudade nos humedecem os olhos. E nessa linha de pensamento que volto a me lembrar - por exemplo - de outra grande educadora, que muito me inspirou na vida, a quem fui profundamente grata. Miss Eliza Moore Reed (foto). Ela veio parta o Brasil como missionária no setor educacional. Foi educadora da célebre Escola Doméstica de Natal e depois também fundadora do Colégio Evangélico do Recife, hoje Colégio Evangélico Agnes Erskine. Naqueles idos, da chegada de Miss Reed ao Brasil, o Quinze estava necessitando de moças bem preparadas que se aperfeiçoassem em  pedagogia. Ninguém mais capacitado do  que Miss Reed. Por isso foi transferida do Agnes para o Quinze.

As alunas de Miss Reed tornaram-se professoras talentosas, que se dedicaram com todo o amor ao seu trabalho de instruir e educar alunos. Foram tantas. Lembro-me de algumas. Elvira Souto, minha parenta e amiga. Foi minha muito amada mestra por dois anos seguidos. Como ela tinha paciência comigo: E quanta!... Uma outra que a minha memória registra: Almerinda Alves (depois Ferreira). Muito jovem ainda, Almerinda foi minha professora no Colégio Quinze. Sei que a afligia muitas vezes com a minha inquietação. E imagine-se que ainda dizia que ela era  injusta quando me dava nota sete (7) "sofrível" no comportamento. Outras moças inteligentes e dedicadas foram discípulas de Miss Reed. Lembro ainda Donana Soares (depois Cortez), Celidônia e Darces Frias. Esta tornou-se uma ótima professora de matemática. Ambas foram - alguns anos depois - solicitadas para irem para o Colégio Batista de Maceió, que estava a cata de gente boa. O Colégio Quinze começava a "exportar". Já a esse tempo bons professores. Lá elas fizeram um trabalho muito eficiente e muito lembrado.

Luzinha Vilela outra desse tempo, foi professora, perita em alfabetização por muito anos até que a família se mudou para o Recife. Loló (D. Hipólita Rodrigues) irmã de Cecília (esta tão bem biografada no livro que leva o seu nome de autoria de Juracy Fialho Viana), ensinou muitos anos depois de terminar o curso. Veio depois que Miss Reed viajou definitivamente para o Recife. A estas moças Reed ministrava aulas de pedagogia e as ajudava a preparar as suas aulas. sob sua sábia orientação, aquelas professoras, todas jovens, tornaram-se grandes mestras do Colégio Quinze por longos anos.

As ações de Dona Eliza (nome usual entre alunos) não se restringiram apenas na preparação pedagógica das suas educandas. Sendo o Quinze um Colégio misto (havia o Ginásio Diocesano, só para rapazes, e o Santa Sofia só para moças), Dona Eliza advertia-nos para andarmos sem requebros, lembrando que devíamos sentar decentemente e com elegância. Tanto Miss Reed como Dona Catarina davam muitíssimo importância ao porte, não só por amor à distinção, como também porque sabiam, de experiência própria que o porte e a elegância nos mantinha com boa saúde e boa aparência. Não admitia que uma menina pusesse e mão no ombro de um colega que estivesse na sua frente numa fila. Muito nos ajudou, nas nossas vidas, as suas recomendações.

Mas nem por isso - isto é, com tanta recomendação - não deixava de haver namoro no Colégio. Havia sim. E por que não haveria de existir? Havia sim. Mas  discretos. Disciplinados e muitos nos surpreendiam quando os noivados eram anunciados. Grande admiradora da Natureza, Dona Eliza nos levava em passeios pela  Cidade e deslumbrada com a geografia de  Garanhuns, parava no alto das colinas e  nos mostrava a paisagem. Chamou-nos, com poucos mestres, a atenção para as nossas próprias belezas; as flores, o Magano, o Alto da Boa Vista, a vastidão do planalto, as colinas verdejantes. Dona Eliza mais que qualquer outra mestra nos ensinou - além dos ensinos didáticos - a conhecer as coisas simples da vida, desde as coisas mais importantes até aquelas aparentemente simples, como as flores silvestres.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Morre Bezerra da Gaita, membro histórico do PT em Garanhuns

Morreu por complicações da Covid-19 nesta segunda, 21 de dezembro, no Hospital Dom Moura, José Bezerra dos Santos,  o Bezerra da Gaita (foto), ou simplesmente seu Bezerra como era carinhosamente chamado pelos amigos.  Ele tinha 84 anos, era membro do diretório municipal do PT em Garanhuns e havia se candidatado a vereador nas eleições deste ano. 

De acordo com a presidente do PT municipal, Lucimar Oliveira, Bezerra estava intubado há 10 dias no Dom Moura e nesse período já havia tido duas paradas cardíacas provocadas por complicações da Covid-19. "Ele lutou muito como grande guerreiro que sempre foi, mas acabou falecendo. Deixou uma grande história respeitada e admirada por todos e é isso que se leva", disse Lucimar.

CONFIRA ABAIXO A NOTA OFICIAL DO PT DE GARANHUNS SOBRE A MORTE DE SEU BEZERRA

O Diretório Municipal do PT Garanhuns vem a público expressar nosso profundo sentimento de pesar pelo falecimento do nosso histórico companheiro de lutas o Sr. José Bezerra dos Santos, "Bezerra da Gaita" ou "Seu Bezerra", como respeitosamente o chamávamos. 

O Sr. Bezerra dedicou toda a sua vida às lutas sociais, participou ativamente das lutas pela redemocratização do Brasil, colaborou com a criação do PT, através das movimentações sindicais no ABC Paulista, ajudou a fundar o PT em Garanhuns, atuou com muita energia em várias lutas do país e da nossa cidade, sempre em defesa da Classe Trabalhadora. Sua última grande missão foi a sua candidatura a vereador nas eleições de 2020. 

O Sr. Bezerra sempre foi uma inspiração para nós, sempre enfatizou em sua fala e também dava o seu exemplo de que a luta pelos Direitos dos Trabalhadores é permanente. A luta não acaba, nós precisamos é de coragem pra fazê-la acontecer todos os dias da nossa vida. 

Nós enviamos o nosso fraterno abraço à família do Sr. Bezerra, na certeza que ele jamais será esquecido. Aqueles que se dedicam à luta social permanecem vivos através da História. Aqui em nossa amada Terra Garanhuns, continuaremos o bom combate. Lá no céu, agora, brilha mais Uma Estrela Petista! 

Siga em paz, Companheiro Bezerra! Nós estamos muito tristes, mas o seu exemplo nos dará forças para continuar a luta! Em sua homenagem, o Diretório decreta luto oficial de 3 dias. 

Fonte: Blog VEC Garanhuns

Fecomércio-PE lança Cartão do Empresário


Com a flexibilização da economia e a necessidade de oferecer às empresas a oportunidade de fazer boas vendas, para enfrentar a crise gerada pela pandemia da Covid-19, a Fecomércio-PE lança o Cartão do Empresário, um produto de descontos e vantagens, que vai permitir aos empreendedores do comércio de bens, serviços e turismo comprar de empresas parceiras com descontos reais e exclusivos. O objetivo é contribuir para ampliar a geração de negócios para o segmento em Pernambuco.

“O Cartão do Empresário vai proporcionar aos associados a aquisição de produtos e serviços com preços diferenciados e ajudar na divulgação de insumos de nossos parceiros, contribuindo assim para o fortalecimento do mercado, do Sistema Fecomércio e de seus sindicatos filiados”, explica Bernardo Peixoto, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE.

A emissão do cartão é feita pela internet, de forma rápida e fácil. É importante destacar que o produto é um benefício para o empresário e sua família. “Será possível colocar cônjuge ou companheiro de união estável de qualquer gênero. Os filhos e os enteados de união civil ou de união consensual, menores de 21 anos ou estudantes até 24 anos, desde que solteiros e economicamente dependentes do beneficiário titular. Também pais ou padrastos e madrastas, do beneficiário titular. Queremos que toda a família tenha acesso”, comenta a Executiva da Fecomércio-PE, Cleide Pimentel.

Ao adquirir o cartão, o empresário vai poder comprar de empresas parceiras com descontos exclusivos, como a Vivo; BV Financeira; Unimed; Rede Atacadão MEC; Blu k; Emagrecentro Casa Forte; Soul Marcas e Patentes; Selecta Alimentos; CEDEPE Business School; Portal de Gravatá; General Motors; FunPet; Escola Espaço Aberto (Vitória de Santo Antão); PE Havaiano; Oficina do Sabor; Drogaria Bongi; Farma Fácil; Boteco 878; Academia Treno; We Crossfit; Action Centro de Treinamento; Society of Men; Sebrae/PE; entre outros.

No Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), os usuários do cartão terão acesso a descontos atrativos nas áreas de alimentação, como o restaurante e a lanchonete escola; beleza, como o salão escola; educação, como Formação Inicial e Continuada (FIC), educação profissional técnica de nível médio e cursos de graduação e pós-graduação. Já no Serviço Social do Comércio (Sesc), serão descontos nos restaurantes, academias de ginástica, atividades esportivas, escolas de educação fundamental, cursos de educação complementar, atividades de cultura, excursões e ainda, hospedagens nos hotéis da instituição.

A adesão e indicação de empresários ao Cartão do Empresário também será premiada. Com o programa de pontos “Amigo do Cartão” serão oferecidos serviços, produtos e descontos pelos parceiros e pelo Sistema Fecomércio-PE. Podem se cadastrar no programa qualquer pessoa física, com CPF válido, e interesse na ação.

“Não importa o tamanho da empresa. Nosso cartão vai estar disponível para todos, inclusive o Microempreendedor Individual (MEI). Além disso, o nosso critério é realmente oferecer descontos reais, competitivos, que sejam muito atrativos para o nosso cliente. Vale destacar que nos produtos e serviços do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, os benefícios são extensivos para a família do empresário, para a empresa e seus colaboradores”, avalia a Executiva da Fecomércio-PE.

Para a empresa parceira, será uma oportunidade de gerar negócios efetivos e obter alcance para a marca. “Ela vai poder ampliar as suas oportunidades de compra e venda, divulgar e comercializar seus produtos e serviços para a nossa base de clientes, ter acesso a uma rede de fornecedores diversificada, condições exclusivas de programas de qualificação para o comércio e ampla divulgação da marca através do hotsite. Fora isso, poderá criar um banco de dados para ofertas, participar de rodadas de negócios e receber diagnósticos do perfil de consumo do usuário do cartão. É um excelente negócio para todos”, diz a Executiva da instituição. “A ideia é contribuir para a sustentabilidade das empresas e ajudar a alavancar o crescimento do setor, que é um forte gerador de emprego e renda em Pernambuco”, finaliza Cleide Pimentel.

Como fazer o Cartão do Empresário? - Para fazer o Cartão do Empresário é preciso ter um CPNJ ativo, documento de identidade e CPF, comprovante de endereço e uma taxa anual de R$ 299,00 (titular) e R$ 14,90 (dependente).

Mais informações sobre o Cartão do Empresário e a loja do Cartão podem ser conferidas no site www.cartaodoempresario.com.br.

Minha Cidade

Parque Euclides Dourado
Foto: Anchieta Gueiros

José Inácio Rodrigues - Garanhuns

Aqui, nesta cidade,

Já gozei a boemia!

Farreei, dancei, cantei

E, já senti alegria.

Plantei minha saudade

E condenei a hipocrisia!

Fiz muitas serenatas,

Escrevi muitas poesias.

Fui vítima da nostalgia

E sofri muitas bravatas.

Hoje, cabelos cor de prata

Deixo o hálito da neblina,

O frio das suas campinas,

A fertilidade de suas terras,

O encanto de suas serras

A beleza das suas colinas!

Deixar a terra da garoa,

Este ambiente fervoroso,

Com este clima gostoso,

Desta cidade de Simôa.

José de Anchieta Callou

Por Orlando de Almeida Calado

Foi o vigésimo terceiro titular da Paróquia de Santo Antônio dos Garanhuns, tendo exercido tal função de 3 de setembro de 1922 a 12 de julho de 1968. Em 1924, foi designado vigário geral pelo bispo diocesano de Garanhuns, Dom João Tavares de Moura. Ele incentivou e orientou as obras que transformaram a simples Igreja-matriz na majestosa Catedral de Santo Antônio. De 1928 a 1937, exerceu as funções de diretor do "Gymnasio de Garanhuns" hoje Colégio Diocesano.  Nos anos iniciais da década de 1930, o recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública o reconheceu como professor após apresentação de provas de que já exercia o magistério há mais de dois anos. Anos mais tarde, o monsenhor Callou foi nomeado, por concurso, Inspetor Federal de Ensino, cargo no qual foi aposentado. Por suas ligações de amizade e de carinho para com nossa cidade (São Bento do Una), enquanto vigário geral da diocese, prestigiando nossa paróquia do Bom Jesus, é que consignamos esta singela homenagem ao monsenhor Callou com uma imagem de seus verdes anos colhida em Quipapá, PE, na casa de Eliú Crespo, filho de Olavo Correia Crespo.

Rua Firmino José de Oliveira - Garanhuns, PE