sábado, 2 de janeiro de 2021

Historieta pitoresca, inusitada, todavia real


Como é do conhecimento geral, há cerca de 60 ou 70 anos, na zona rural, todos os trabalhadores braçais eram analfabetos. Havia contudo, um ou outro privilegiado que, mesmo lendo com dificuldade, fazia uma pequena  conta de somar ou uma subtração (sendo esta de poucos números). Nesse cenário, essas figuras "ilustradas" faziam a medição e a anotação dos trabalhos das demais pessoas, sendo conhecidas como "cabos do eito."

Nessa época, morávamos nós outros também na zona rural, mais  precisamente no Engenho Sacramento, no município de Água Preta. Distando alguns quilômetros, localizava-se o Engenho Lopes, pertencente a um primo nosso, Odilo Calado. Neste Engenho, como nos demais, existia um "cabo do eito" que, fazendo "uma fezinha", ganhou uma importância bem razoável para a época acertando num milhar. Sua primeira atitude foi comprar um relógio de pulso (que passou a exibir), que era o seu sonho maior.

Depois de alguns dias procurando entender o significado da posição dos  ponteiros do relógio, estava o nosso "cabo" tomando conta do serviço, exatamente ao meio-dia, quando o proprietário de engenho, Odilo, dirigiu-se a palavra:

- Compadre, Zezinho, eu me esqueci do relógio; acho que já está na hora do almoço, que horas são aí no seu relógio?

O "cabo", olhando os ponteiros sobrepostos respondeu:

Um cumpadre Odilo, num dá pra dizê as horas agora pro sinhô, pruquê os ponteiro tão atrepado.

Creiam-nos, o fato ocorreu fielmente como foi narrado; não é apenas verossímil, mas verdadeiro.

Otimro Odeveza / Garanhuns, 15 de Maio de 2004

Foto: Anchieta Gueiros

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns


Passagem do Presidente Juscelino Kubitschek por Garanhuns em 1958, na primeira reunião de fundação da SUDENE. Local: Rádio Difusora de Garanhuns. Além do  presidente, são vistos Cid Sampaio, governador de Pernambuco, Humberto de Moraes e Pedro Lima, vereadores de Garanhuns.

Os Inimigos do Sucesso


Por Jesus de Oliveira Campelo*

O maior objetivo do homem nesta vida é, presumivelmente, conseguir sucesso na sua jornada material, no seu aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual.

Para atingir esse desiderato, todavia, ele precisa encontrar paz de espírito, adquirir bens materiais necessários à vida, procurar ser feliz e conhecer-se a si mesmo. O filósofo grego Platão, dizia: "A primeira maior vitória é vencer a si mesmo. Ser vencido pelo eu é, entre todas as coisas, a mais vergonhosa".

O ponto de partida de toda realização do ser humano deverá ser o desejo ardente de atingir o seu objetivo maior, ou seja, o sucesso; o ponto de chegada é a obtenção do conhecimento que o levará à compreensão de si próprio; compreensão das leis da natureza, e a compreensão do que é felicidade.

O homem é o senhor absoluto do  seu destino na terra, tem poder para controlar seus pensamentos, dispõe de um corpo que é considerado a máquina mais perfeita da criação, mas que, infelizmente, pouco conhecimento tem acerca de suas potencialidades, e, na maioria das vezes, o usa de uma maneira que deixa muito a desejar.

Se não lhe bastassem as  dificuldades naturais que encontra ao longo da vida, cria outras, de natureza puramente irracional, que se constituem no seu maior problema na luta pela sua  evolução.

E, sem perceber, se deixa levar por  constantes problemas, criando na mente, grande inimigo invisível: - a preocupação, a indecisão, a dúvida e o medo. O processo na mistura desses ingredientes é muitas vezes lento, e atua nas criaturas sem que sua presença se faça sentir, mas que ganha contornos mais graves, quando se transforma num fator que prejudica o cotidiano e  o desenvolvimento pessoas e profissional.

Outro problema que afeta o comportamento é criado pela influência de ideias e pensamentos negativos de  outras pessoas na convivência diária, que contaminam a mente através de palavras.

A fim de proteger-se dessas influências negativas, sejam elas de sua  própria criação, ou resultante de  atividades de pessoas negativas, deve-se reconhecer que existe em cada um de nós a força de vontade que deve ser usada constantemente. Portanto, deve-se manter a mente fechada contra todas as ideias das  pessoas que deprimem ou a desencorajem na caminhada em busca do sucesso.

Constitui-se num fato curioso, observar-se que as pessoas portadoras desse mal, não reconheçam que dele sofrem, por isso se recusam a combatê-lo, passando esse comportamento a fazer parte incontrolável de seus hábitos.

Para se proteger desses sentimentos negativos, o ser humano deve reconhecer que sua mente é a sua propriedade espiritual e, que é a única coisa sobre a qual pode exercer controle absoluto.

O controle da mente é o resultado da autodisciplina e profunda meditação. É muito importante saber relaxar e entrar em sintonia com outros níveis da consciência, para compreender que a indecisão, a dúvida, a preocupação e o medo, são estados mentais que podem ser  curados por vontade própria ou com ajuda espiritual.

Garanhuns, 15 de Maio de 2004

Foto: Anchieta Gueiros

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns


Setembro de 1960 - Jânio Quadros em campanha presidencial, sentado ao lado de Antônio Figueira, na casa do ex-prefeito de Garanhuns, Cel. Francisco Simão dos Santos Figueira. Naquele dia foi realizado um grande comício em nossa cidade, onde estiveram presentes o  governador Cid Sampaio e várias lideranças políticas de Pernambuco e do País.
 
Jânio Quadros foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960, pela coligação PTN-PDC-UDN-PR-PL, para o mandato de 1961 a 1965, com 5,6 milhões de votos - a maior votação até então obtida no Brasil - vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora, por mais de dois milhões de votos. Governou o Brasil entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961, data em que renunciou.

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns

Prefeitura de Garanhuns - Maio de 1945 - Prefeito Dr. José Henrique Wanderley
Comemoração pelo retorno dos Expedicionários e a Vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial.


Memória Esportiva de Garanhuns

Ano de 1974 - Seleção de Futebol do Parque Euclides Dourado
Foto: Evaldo Pedrosa

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Sivaldo e Pedro tomam posse defendendo governo pautado pela ação e honestidade


Ao tomar posse, hoje à tarde, como prefeito e vice-prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino e Pedro Veloso enfatizaram a importância da honestidade na vida pública e voltaram a defender mudanças que melhorem a vida do povo do município.

Em seu discurso depois de empossado, na Câmara de Vereadores, Sivaldo lembrou a sua passagem pela Casa Raimundo de Moraes, quando exerceu quatro mandatos parlamentares, inclusive por duas vezes sendo eleito presidente do Poder Legislativo.

O prefeito deixou claro seu apreço à Câmara Municipal e disse aos 17 vereadores que também foram empossados estar disposto a frequentar bastante a casa Legislativa. “Aqui foi a minha escola”, frisou, destacando ainda a importância dos parlamentares exercerem o trabalho com independência.

Sivaldo fez menção aos pais e irmãos, que prestigiaram a solenidade no prédio da Câmara, citando ainda os nomes de vários amigos de infância e adolescência que acompanharam sua caminhada política e estavam presentes à cerimônia desta sexta-feira.

Ele lembrou que o prédio do Poder Legislativo garanhuense foi idealizado em sua gestão como presidente da Câmara. Na época, o município tinha apenas 11 vereadores, hoje são 17, mas a sede do parlamento municipal tem 21 gabinetes porque foi planejado levando em conta o crescimento da cidade e da representação política.

Sivaldo Albino pontuou que seu governo não admitirá fofocas e será caracterizado pela ação, buscando o desenvolvimento de Garanhuns. Numa parte do discurso, quando chegou a se emocionar, o novo gestor lembrou que disputou a eleição de 2016 em condições difíceis, teve em torno de 16 mil votos e chegaram a dizer que “a família Albino estava enterrada politicamente”.

Complementando, o socialista disse que esqueceram da frase bíblica de que os humilhados serão exaltados, e os que se exaltam serão humilhados. “Hoje estou aqui como prefeito e junto com minha equipe vamos escrever uma nova história, iniciar um novo tempo, mudar para melhor a vida do povo de Garanhuns”, concluiu Sivaldo.

DISCURSO DO VICE – O vice-prefeito empossado, Pedro Veloso, fez um discurso curto, mas bastante objetivo, frisando que representa o Partidos dos Trabalhadores e o interesse dos que dão duro pela sua sobrevivência. Ele reconheceu que exercer cargo político é uma novidade em sua vida, mas observou sempre ter exercido militância pelas causas sociais, tendo aprendido com os seus pais o valor da honestidade.

Vice-prefeito salientou que é preciso combater as desigualdades, o racismo e toda forma de intolerância. “Como disse o prefeito Sivaldo Albino numa reunião com os secretários: somos todos humildes servidores, a serviço da população”, enfatizou.

À cerimônia de posse foi prestigiada por personalidades públicas como o deputado federal Fernando Rodolfo (PL), prefeito de Palmeirina (MDB), Eudson Catão, o reitor da UPE, Pedro Falcão, deputado estadual Doriel Barros e deputado federal Carlos Veras, ambos do PT, além de ex-vereadores, secretários do novo governo e populares.

Fonte: Blog do Roberto Almeida

Mensagem de Ivo Amaral por ocasião da posse de Sivaldo Albino

Sivaldo Albino e Ivo Amaral
"Caro Sivaldo, 

Neste dia muito especial , reafirmo meu apoio desde o início da sua candidatura e, agora, como prefeito da nossa querida Garanhuns. 

Impossibilitado de comparecer a sua investidura por razões de saúde, desejo ao amigo uma gestão comprometida com os interesses da nossa população. 

Estou à disposição para contribuir com sua administração, na certeza de que Garanhuns terá um prefeito jovem, inovador, competente e responsável com a coisa pública, qualidades indispensáveis  para governar para todos , com ações efetivas. 

Um abraço fraterno meu e de Nalva e uma excelente gestão para você, Sivaldo, que junto ao nosso vice-prefeito, Pedro Henrique, fará de Garanhuns um município mais desenvolvido e progressista."

Ivo Tinô do Amaral

Sivaldo Albino assume cargo de prefeito de Garanhuns


Às 15h na Câmara Municipal, Sivaldo Albino e seu vice, Dr. Pedro Veloso, serão recepcionados pelos vereadores e recebem posse oficial para o Executivo Municipal. Após o protocolo, seguem para o Palácio Celso Galvão.

Está marcada para às 16h40min a passagem simbólica dos cargos de prefeito e vice. Izaías Régis e seu vice, Haroldo Vicente, recebem Sivaldo Albino e Pedro Veloso, na Prefeitura de Garanhuns, e de forma protocolar passam o comando da Gestão Municipal. O momento solene também respeitará as normas sanitárias e decretos de combate à pandemia.

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns

 Década de 1950 - Parque Euclides Dourado

Há 52 anos falecia o ex-prefeito Aloísio Souto Pinto

Luiz Souto Dourado*

História de Garanhuns - Aloísio Souto Pinto (foto), faleceu na passagem de 31 de dezembro de 1968 e 1º de janeiro de 1969, faleceu em sua residência, vítima de moléstia do coração. "O último dia do ano não é o último dia do tempo, disse Drummond. Mas para Aloísio Souto Pinto foi. Mal surgia 1969 um sentimento de frustração, de perda, vinha abater a euforia, a esperança no novo ano. Estava ainda na missa. E assisti aquela multidão deslocar-se para a casa dele, para aquela mesma casa para onde fora tantas vezes levar Aloísio, depois de suas vitórias. Na verdade, ele fora um íntimo do povo e das vitórias. Já estava acostumado com o calor de ambos. A derrota para ele era um choque insuportável, uma dor imensa. Um ano novo, um novo dia, não mais lhe interessava".

No meu entender, Aloísio não foi propriamente um coronel, com postura e o poder dos coronéis da política de antigamente. Foi mais um líder popular, com a casa sempre aberta a uma invulgar disposição de interferir em favor dos amigos, e de ajudar os humildes.

Reconheço que Aloísio era um telúrico. Dominava-o um estremado sentimento da terra, das causas da sua terra. Nas passeatas do Diocesano, desfilava a cavalo, como se defendesse uma cidadela.

Sabendo o sentido tudo isso, inaugurei o seu retrato na Estação Rodoviária, que concluímos. Dei o seu nome ao trecho da praça, que ele iniciara mas não pudera terminar.

Procurei assim do seu nome fazer sempre uma lembrança. Aliás, muito fácil para quem deixa o nome no coração do povo.

Aloísio, na ajuda aos seus pais, mascateou muito por estas bandas, inclusive a cavalo. Foi jogador de futebol amador, onde não predominava o vil metal. Depois, ficou apitando jogos de futebol aqui e noutras cidades. Antes também de ser industrial na rua Dom José com fabrico de vinho, gasosas, foi também observador meteorológico (Ministério da Agricultura).


Estação Rodoviária Deputado Aloísio Souto Pinto (Hoje desativada)
Na política pertenceu ao diretório da UDN, dando novas roupagens no dizer do advogado José Francisco de Souza após sua brilhante vitória derrotando seu adversário por quase 70% da votação no pleito de prefeito de Garanhuns. Antes, fora eleito vereador em duas legislaturas, sendo Presidente da Câmara. E por ser Presidente desse Poder, assumiu as rédeas do município por dois meses substituindo o Dr. Celso Galvão que fora para o Rio, a tratamento de saúde. Também por duas legislaturas foi deputado estadual. A primeira pela UDN e a segunda pela Arena.

Aloísio Pinto nasceu em 6 de agosto de 1914, na cidade outrora chamada "Palmeira de Garanhuns", hoje Palmeirina.

Em todos os setores de sua vida pública e privada, Aloísio foi grande prefeito. Basta dizer que na sua gestão o município de Garanhuns era composto de sete distritos (Paranatama, Caetés, São João, Brejão, Miracica, São Pedro e Iratama).

Ele governou nossa terra com o dinheiro de Garanhuns do seu povo e todas suas prestações de contas teve o beneplácito do Poder Legislativo.

Através de projetos de Aloísio Pinto, Caetés e Paranatama ficaram independentes. Brejão e São João, foram emancipados também graças aos deputados João calado Borba e Elpídio de Noronha Branco, respectivamente.

Na hora de sua morte, abraçado ao filho mais velho, Economista Fernando Antônio de Siqueira Pinto, perguntou este porque a luz tinha apagado (nesta cidade era velho costume apagar as luzes a meia noite e depois voltar, já no novo ano). Fernando respondeu, com ares de quem estava prevendo o fim do pai, respondeu; "É meia noite. A luz se apaga e depois acende". Aloísio ficou pensativo e Fernando perguntou: "O Sr. está pensando em quem"? E Aloísio já morrendo pronunciou suas últimas palavras: "Estou pensando na família" e neste momento se despedia para o outro lado da vida "onde nunca morre" no dizer do querido professor Uzzae Canuto.

Aloísio Pinto foi um inesquecível benfeitor de nossa e sua Garanhuns.

Um dos vultos de nossa cidade que lutou e venceu em todos os setores da sua vida política e social", como bem disse o Dr. José Francisco de Souza, que foi um grande valor cultural desta terra.

Elevar e engrandecer a figura de Aloísio Souto Pinto, é enaltecer a terra dos "Mochileiros" da qual ele fará sempre parte, mesmo depois da morto.

Em qualquer parte deste município, existe um marco, uma obra deste valoroso homem, pela grandeza da sua terra e da sua gente! Esta é a verdade.

*Luiz Souto Dourado foi prefeito de Garanhuns, deputado estadual e secretário de Estado.

Reforma do Homem

Garanhuns - Flores do Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo)
Foto: Anchieta Gueiros

A qualquer espiritualista, não importando sua crença, seu credo, sua  posição filosófica, seria de todo ilógico o não acolhimento de princípios superiores à legislação positiva. É a presença universal de uma lei natural, embasando os sistemas legislativos e  as condições humanas.

Muitos negam a existência deste direito natural, assentando a vigência tão apenas de um direito, cuja fonte suprema é a lei escrita. Outros juristas firmados em princípios materialistas, mesmo quando aceitando a opinião de um jus naturalismo, negam  esteja ele fundamentado em postulados transcendentais. Então, perguntamos: Onde estão baseados tais preceitos?

Aos que entendem que estas regras se inscrevem na ordem natural das coisas, na evolução do próprio homem ou do mundo, ou na consciência de cada um e, nesta posição, querendo excluir outro entendimento, enunciam somente meia verdade. Existe uma diretriz presente a todas as ordens, quer estejam estas nas coisas, na natureza, no mundo ou no homem. Há, em tudo, algo superior e invisível, como razão, esteio de  todas as visibilidades. A própria matéria se sustenta em átomos que não vemos. A luz, em partículas infinitesimais  (fótons), que se escondem aos  nossos sentidos. As células organizam os corpos vivos e para elas também somos cegos. No entanto, a ciência detecta por instrumentais de precisão esta realidade microscópica e, segundo seus ensinamentos, sabemos da  existência real de um mundo que se esconde por trás de todas as realidades.

A filosofia cartesiana, num pequeno enunciado de sabedoria, chama a atenção da criatura, para uma outra realidade mais profunda, quando erigiu o famoso axioma: cógito, ergo sum (penso, logo existo). É como se Descartes tivesse ai afirmado: se penso, não é o meu corpo que pensa, mas é algo que pensa por mim. Então, o meu cérebro nada mais é senão um instrumento de ação, utilizado por uma força, comandado por um poder energético, dirigindo meu pensamento, tangendo meus sentimentos. Esta voz de comando, motor a acionar a vida do homem, é o seu espírito. À medida em que penetramos no conhecimento espiritual da vida, mais perceberemos desta realidade visível e invisível.

Sempre se falou de uma alma ou  espírito das coisas. Com isto, quer-se traduzir um poder de evolução, de crescimento que se adentra em tudo quanto existe. Esta energia imanente e transcendente ao todo existente, demonstrando uma inteligência superior a tudo e a todos, é a razão espiritual do próprio universo. É Deus. O imenso apóstolo dos gentios (Paulo de Tarso) falava desta fonte de todas as fontes, quando afirmou que tudo e todos nos movemos em Deus. Assim, enunciou a lei de imanência e de transcendência como regra suprema e universal.

Se a Suprema Lei, Princípio Único (causa-causarum) é a presença invisível de todas as ordens, seu poder se manifesta com evidência superlativa no próprio homem. No entanto, urge a reforma individual da criatura humana, porque, se adentrados estamos todos na imanência divina, ainda rastejamos nos aspectos de sua transcendência. A superficialidade do saber reside na expressão neurocerebral que todos somos. Todavia, o real conhecimento é de natureza espiritual. Ainda parodiando o entendimento filosófico cartesiano, diríamos: o corpo é apenas um instrumento pelo qual percebe o espírito. João, o Evangelista, na sua "divina epopeia", remataria: "O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida".

Dr. Aurélio Muniz Freire / Jurista e Escritor / Garanhuns, 27 de outubro de 1984.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz 2021


João Marques 

Então esperemos a manhã 

os pássaros voarão como sempre

mas voarão com nossos olhos 

o vento vem acariciar todos os rostos 

mover as nuvens, sacudir os prados 

o sol subirá outra vez aos céus 

e os caminhos continuarão iluminados

desabrocham as flores com os nossos olhos 


esperemos, que as crianças sorriem 

a vida caminha com os pequenos pés 

os rios os grandes seguem seus itinerários 

ah os acenos dos amigos na passagem 

as chegadas após cada partida 

a saudade existente do que foi 

e a esperança da renovação do tempo 

que chega com as asas do imenso azul


o amor, esperemos a manhã

no momento então de mais esperar

porque o amanhecer é a vida viva

do amor do norte da existência 

não veem os montes se abraçarem

o mar se repartir nas praias 

e o giro da terra na manhã da espera 

ser de novo em redor de todos...

Garanhuns, 31 de dezembro de 2020

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns

 Década de 1940 - Avenida Santo Antônio - Hotel Central e Prefeitura

Ivo Amaral - Administrador do Futuro

Edjenalva e Ivo Amaral
Transcrevemos nesta quinta-feira (31), artigo do premiado jornalista Gildson Oliveira. Uma homenagem do blog ao ex-prefeito de Garanhuns e ex-deputado estadual, Ivo Amaral, que durante 50 anos militou na vida pública de Garanhuns e região e hoje com 86 anos ainda esta contribuindo para o progresso de Garanhuns.

Gildson Oliveira*

Por uma decisão do Governo, Eduardo Campos esteve na residência de Ivo e lhe comunicou que o próximo FIG será realizado em sua homenagem, por dois motivos.

Primeiro porque o Estado, definitiva e oficialmente, através de suas lideranças políticas, culturais, artísticas e o público em geral, reconhecem Ivo Amaral o único criador desse evento histórico atravessando o tempo na projeção turística  e econômica do município e da vasta região do Agreste Meridional. E, ainda hoje, 23 anos depois, ganhou fronteiras, enaltecendo o nome de  Garanhuns e do próprio Estado de Pernambuco. 

O governador argumenta. como segunda opção para a homenagem, os 80 anos  que o ex-prefeito completará em 2014. É uma justificativa que poucos prefeitos e ex-prefeitos continuam a ser lembrados e respeitados pelo trabalho sério, evidenciando programas e projetos realizados e voltados unicamente em benefício da coletividade.

Foi preciso o governador Eduardo Campos se deslocar a Garanhuns, visitar Ivo em sua casa, na Avenida Rotary e, ali, na presença deste e de seus familiares, comunicar a decisão governamental de homenageá-lo reparando ingratidões e injustiças praticadas há tantos anos.

Ivo, de forma carinhosa e democrática, lúcido e ainda trabalhando, divide essa honraria com antigos assessores, funcionários e alguns amigos que o ajudaram a criar o 1º Festival de Inverno de Garanhuns, em julho de 1991.

Essa realização, anualmente promovendo Garanhuns e o Agreste é, tão somente, um pequeno detalhe de suas administrações como prefeito realizador e pioneiro em vários pontos. Os companheiros de mídia, como Roberto Almeida, Inaldo Sampaio, Ivanildo Sampaio, Joezil Barros, João Alberto e a colunista  Kitty  Lopes, dentre outros, atestam que Ivo Amaral e, sem a menor dúvida, o "administrador do futuro", o homem que governava com poucos recursos financeiros, pequenos repasses do Fundo de Participação dos Município (FPM).

Contendo gastos, conseguiu implantar galerias de águas pluviais, calçamento de ruas, reforma de pontos atrativos como o Alto do Magano, Parque Euclides Dourado, Pau Pombo, O Relógio Flores, instalado na Praça Tavares Correia, único ainda hoje no  Norte/Nordeste, afora investimentos nas festividades tradicionais.

Durante o "Centenário de Garanhuns", em 4 de fevereiro de 1979, chegou a editar publicação específica enfocando a trajetória histórica do município. Não ficou só nisso. Nos mandatos de Ivo, Garanhuns foi a primeira cidade pernambucana a ter ruas e avenidas asfaltadas e, nessa época, era "invadida", semanalmente, por centenas de turistas e visitantes que lotavam hotéis e hospedarias.

É importante lembrar a construção de salas de aula na área rural, reforma do edifício da prefeitura e descentralização dos serviços. Cobriu a cidade de belas praças, ruas e avenidas, como a Rui Barbosa. Ali nos canteiros centrais, a mulher  de Ivo, Sra. Nalva Amaral, era a "artesã das flores", plantando rosas e transformando a cidade de Garanhuns em extensos jardins com hortênsias e gerânios.

Foram muitas  as realizações, num planejamento técnico sob o comando do saudoso Jaime Pinheiro, que estimulava o prefeito, varando madrugadas. É importante não esquecer o lado cultural e das artes.

Vários foram os lançamentos de livros, guias turísticos, encontro de poetas, violeiros, cantadores de cordéis, escritores, sanfoneiros e cantores, como Dominguinhos, que sempre estava em sua cidade natal animando noitadas de São João, São Pedro e Santo Antônio, não esquecendo Luiz Gonzaga, que encerrou os festejos do centenário em 4 de fevereiro de 1979 e presenteou Garanhuns com a música "Onde o Nordeste Garoa" em parceria com o compositor Onildo Almeida.

Também o comércio e a indústria recebiam incentivos diversos. Em resumo, este é o retrato, sem retoque, do ex-prefeito, agora plenamente justiçado pelo próprio governador do Estado, Eduardo Campos.

* O jornalista e escritor Gildson Oliveira, faleceu em 11 de novembro de 2014. Foi editor regional do Diário de Pernambuco por 30 anos e publicou, dentre outras obras "Luiz Gonzaga, o Matuto que Conquistou o Mundo", "Câmara Cascudo - Um Homem Chamado Brasil" e "Frei Damião - O Santo das Missões".

Texto transcrito do Jornal Correio Sete Colinas de dezembro de 2013.

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns

Década de 1920 - Rua Dom José com batentes de pedra construídos em 1918 pelo prefeito Capitão Pedro Ivo da Silva.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Duda da Ceaga perde a luta contra a Covid-19


José Leôncio Sobrinho, conhecido como Duda da Ceaga, morreu ontem, no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,  vítima da Covid-19.

Natural de Correntes, Seu Duda tinha 78 anos. Morava em Garanhuns há cinco décadas e recebeu em 2014 o título de Cidadão Honorário da cidade, por conta de proposta do ex-vereador Marcelo Marçal.

Por conta da atividade comercial, que exerceu até se aposentar, na Central de Abastecimento de Garanhuns, José Leôncio passou a ser chamado de Duda da Ceaga.

Deixou oito filhos e 17 netos. A esposa, Salomé, também teve a Covid, mas recebemos a informação que ela está bem, se recuperando em casa.

Dois dos seus filhos dão continuidade aos negócios do pai, na Ceaga.

Seu Duda era extremamente católico, ministro da Igreja, ligado à Paróquia da Boa Vista.

Em 1988, quando Ivo Amaral se elegeu prefeito pela segunda vez, Leôncio disputou um mandato de vereador, tendo tido votação suficiente para uma vaga na Câmara, mas como a legenda do partido na época foi alta ele ficou de fora.

Mas permaneceu fiel a Ivo até o fim, inclusive na campanha deste ano votou em Sivaldo Albino para prefeito, acompanhando a mesma posição política do seu amigo de tantos anos.

Muitos em Garanhuns de ontem para hoje externam seus sentimentos pela perda deste homem que era querido por muitos, uma pessoa extremamente correta e bondosa que fará falta à cidade.

“Mais uma vítima desse vírus terrível! Uma pessoa tão boa, humana, vai embora! Enquanto o despresidente faz piadinhas ridículas e de mau gosto com a pandemia”, assim se expressou a garanhuense Graça Barbosa (Gal), ao escrever sobre a morte de Seu Duda.

Fonte: Blog do Roberto Almeida

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns

Integrantes da Guarda Municipal na década de 1940. Em pé seguindo ordem: Antônio Ferreira de Melo, Adalberto Alves Peixoto, Antônio Carlos Costa, Lourival Tenó Medeiros, Luiz de Oliveira Santos, Ernestino Leite da Silva, Manoel da Rocha Azevedo e Obed Ataide Gueiros. Sentados: Zeferino Nascimento, Chefe da Guarda, Israel Lopes, Rafael Vieira de Melo e Dr. Raimundo de Moraes.

Rua William Queiroz de Miranda - Garanhuns, PE

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns


Fábrica de Bebidas de Pedro de Oliveira Cavalcante - Especialista em vinhos de frutas, conhaques e licores - Rua São Sebastião nº 6.

Sivaldo Albino eleito presidente da CODEAM


Eleito prefeito de Garanhuns, no dia 15 de novembro passado, o deputado Sivaldo Albino foi escolhido hoje para ser o novo presidente da Consórcio Público para Desenvolvimento do Agreste Meridional (Codeam), a partir do próximo ano.

Socialista foi eleito por aclamação, com o voto de 27 prefeitos presente à sede da Codeam, no bairro do Magano.

Objetivo de Sivaldo é tornar o consórcio das prefeituras mais fortes, atraindo para a região investimentos dos governos estadual e federal. 

Douglas Duarte (PSB), prefeito de Angelim, que era vice de Neide Reino, continuará como vice de Sivaldo. 

Fonte: Blog do Roberto Almeida

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O Vagão

Década de 1980 - Garanhuns - Bar "O Vagão", Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti  
Ailton Guerra*

Apenas os paralelos  trilhos que serviram de caminhos por essas terras de Deus, guardam meus segredos.

Belo e forte como um cavaleiro, caminhei sobre a milimetrada bitola, cortando o  vento de peito aberto, levando nas minhas entranhas, o progresso do meu tempo. Nos rumos de meu caminho muitas saudades deixei e aprendi ao longo dos anos a  ver, ouvir e calar, como uma testemunha muda, mera  observadora das transformações psicossociais dos meus contemporâneos passageiros.

O sino da estação, o apito, o estoicismo dos pioneiros, a liberdade dos campos, a lágrima da partida e o sorriso da chegada me ajudaram a entender os aspectos contraditórios na natureza humana, feita, segundo Pascal de grandezas e de miséria.

Na rota Agreste-Mata e Mata-Agreste, muitos eventos justificaram minha existência. tempos  heroicos. Reminiscências.

Hoje, em retalhos, habito sobre o Centro de Cultura da Cidade das Flores. Sou chamado de "O Vagão - Restaurante". A sorte não foi  tão ingrata, muitos de meus irmãos já se transformaram em pó.

A mudança de trilhos paralelos para um Centro de  Cultura, mesmo sendo em retalhos, deve ter sido um sonho acalentado por muitos "Vagões" de minha época.

Mesmo que quisesse e que  pudesse não teria escolhido outro fim, senão este, para testemunhar os tempos modernos. Recebendo o oxigênio das minhas frondosas árvores vizinhas, posso hoje, passado tantos anos, afirmar que um velho Vagão não poderia ter tido de Deus melhor esmola ecológica.

Aqui, costumo receber passageiros como antes. Tornei-me, não resta dúvida, um confidente mais eclético. As "falas" de agora giram em  torno de petróleo, política, teatro do absurdo, música universal, guerras frias e quentes, hodiernas preocupações que afligem meus passageiros presentes.

No aspecto físico, modernas caixas acústicas vieram contrastar com os meus velhos bancos de saudosas recordações. Às vezes a saudade me pega de surpresa e no espelho posto à minha disposição, vejo meu passado brilhante através das  ilusórias imagens.

A culpa é daquele casal que sob a luz do velho lampião pendurando saudades, fala coisas de amor ou daquele seresteiro boêmio que desligando o "estéreo" toma de seu pinho e espalha pelo as canções de outrora.

Momentos que me são caros e plagiando o poeta Ascenço Ferreira relembro baixinho o poema de todos os trens:

Vou danado pra Catende

Vou danado pra Garanhuns

Vou danado pra Catende

Vou danado pra Garanhuns

com vontade de chegar.

Enquanto minhas lágrimas se misturam com os reprimidos desejos e a trepidante alegria dos meus contraditórios passageiros.

Garanhuns, 23 de Abril de 1977

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns


Monumento em homenagem à Independência do Brasil. Monumento do Ipiranga, localizado no alto da Boa Vista. Sua pedra fundamental foi lançada em 7 de Setembro de 1922, em comemoração aos 100 anos da Independência do Brasil. Sua inauguração foi realizada em 7 de setembro de 1923.

João Rodrigues da Rocha

Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo) - Antigo local de encontro dos boêmios de Garanhuns
Foto: Anchieta Gueiros

Natural de Garanhuns, nasceu em 1 de julho de 1935. Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns onde concluiu o Curso de Técnico em Contabilidade, profissão que exerceu por mais de 30 anos, com escritório de atendimento ao público em Garanhuns, onde prestou serviços sendo bem quisto por todos os seus clientes.

Foi bem conhecido por seu amor à música romântica, tinha um verdadeiro amor a essa modalidade de arte, sendo conhecido como "Seresteiro de Garanhuns", possuía uma bela voz sendo admirado por todos que apreciavam cantar.

Fez muitos amigos durante a sua vida, pois era de índole pacifica, de uma educação a toda prova. Não recusava um convite para mostrar a sua arte do canto. Faleceu em 16 de julho de 2001.

Garanhuns

Praça Dom Moura
Foto: Anchieta Gueiros

Oliveira Netto

Com altiplanos e despenhadeiros

A centenária e bela Garanhuns

Foi exaltada por Lauro Cysneiros

Em versos memoráveis, incomuns.

Terra berço de nobres cavalheiros

- E pode no Brasil haver alguns,

Não conhece a palavra aventureiros,

Pelo mundo de hoje tão comuns.

Em sublime versos decantada

Garanhuns - a cidade muito amada

Nos seus mais variados atrativos,

É a morada padrão dos democratas,

De mulheres galantes e mulatas

- Encantos de passados primitivos...

Garanhuns, 5 de julho de 1980

Livro mostra a trajetória de Geraldo de Freitas Calado

Geraldo de Freitas Calado e o Presidente Lula, em 2007
Natural de Correntes, Geraldo de Freitas Calado veio morar ainda menino em Garanhuns, tendo se destacado como líder estudantil e sido eleito vereador do município, na legislatura de 1955. Foi companheiro na Câmara de Amílcar da Mota Valença, eleito posteriormente prefeito duas vezes. Inteligente, culto e irrequieto, Geraldo desenvolveu várias lutas em sua época, dentre elas a da instalação de uma universidade no Agreste Meridional e a construção da Casa do Estudante Pobre de Garanhuns.

Essa trajetória de Geraldo, que depois estudou Direito, no Recife, lecionou na  área jurídica na Universidade Estadual de Maringá (PR), publicou livros e depois assumiu o cargo de Procurador Federal, tendo sido selecionado num concurso público, depois de tirar o primeiro lugar, é contada no livro "Geraldo de Freitas Calado: Um Semeador de sonhos". A biografia é escrita pelo jornalista Fernando Jorge, autor de vários títulos e um dos  colabores da prestigiada revista Imprensa.

O escritor mostra Geraldo como uma pessoa obstinada, que luta com todas as suas forças para realizar seus projetos. É um idealista desde a mocidade, capaz de sonhar, mas também de  transformar o desejo em realidade. Essa determinação é reconhecida pela população de Garanhuns, que o elegeu vereador com apenas 21 anos de idade.

Fernando Jorge mostra como Geraldo, em Garanhuns, no Recife ou no Sul/Sudeste do País, se mobilizava e conseguia audiências com as autoridades, em busca de concretizar seus  objetivos. Em Pernambuco esteve com o governador Etelvino Lins, no antigo Estado da Guanabara  foi amigo de Carlos Lacerda, em Brasília estreitou relacionamento com o ministro da Educação, solicitando deste a criação da Universidade Federal do Agreste Meridional.

O livro mostra que as lutas de Geraldo Calado não estão só no passado. Há pouco tempo, o ex-vereador de Garanhuns teve um encontro com o presidente Lula (foto), quando entregou ao líder petista sua biografia, escrita pelo respeitado jornalista. Geraldo de Freitas Calado faleceu em maio de 2008, no Rio de Janeiro.

Texto transcrito do jornal Correio Sete Colinas de março de 2008.


O livro "Geraldo de Freitas Calado: Um Semeador de sonhos", você pode adquirir em Barros Livros e Revistas. Rua Severiano Peixoto, 78 - Centro, Garanhuns.

Rua João Rodrigues da Rocha - Garanhuns, PE

Viagem Fotográfica ao Passado de Garanhuns


Década de 1940 - Avenida Santo Antônio - Destaque para a bomba de gasolina da Shell na calçada.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Grêmio Polimático

Alfredo Leite Cavalcanti e Augusto Calheiros

História de Garanhuns - Fundado em 2 de julho de 1922 por uma turma de afeiçoados à arte cênica, com um número limitado de 25 sócios, de ambos os sexos. Na primeira diretoria: Presidente - Tranquilino Viana, Vice-presidente - Pedro Firmino, Secretário - José Elesbão, Vice - Abdísio Vespasiano, Tesoureiro - Manoel Pires, Orador - Arthur Maia, Diretor de Cena - J. J. Carvalho, Diretor Musical - João Braga, Cenógrafo - Horácio Siqueira. Além dos membros acima, faziam parte do Grêmio os seguintes associados - Dario Rêgo, Sebastião Bastos, Antônio Leite, João Misael, Emanuel Leite, Sebastião Viana, Jesuíno Veras, Augusto Calheiros, Alfredo Leite Cavalcanti, Manoel Vicente da Cruz Gouveia, Maria Augusta da Silva Santos. Contava com a colaboração das pianistas Emília e filha Iracema Braga, Augusto Calheiros e Maria Augusta eram os astros de primeira grandeza. No dia 7 de setembro de 1922, no Cine Grossi, houve a abertura da temporada, com o drama "Operários em Greve" e o quadro apoteótico "As Três Datas" - "15 de Novembro", "Sete de Setembro" e "Treze de Maio" representados,  respectivamente, por Arthur Maia, José Elesbão, J. J. Carvalho e Tranquilino Viana.

O Grêmio em 13 de janeiro de 1923 se confraternizava para dar posse  a nova Diretoria e levar ao palco mais um de seus espetáculos - Presidente - J. F. Braga. Em 5 de maio de 1923, outra encenação com Augusto Calheiros, Arthur Maia, Jesuíno Veras, Raimy Leite, Dario Rêgo, Maria Augusta dos Santos, Alfredo Leite, Sebastião de Araújo, J. J. Carvalho e na orquestração João e Hermilia Braga. Na eleição seguinte, tem-se na Presidência Dario Rêgo. Em 1925, com a retirada de Augusto Calheiros que viajou para o Rio de Janeiro a fim de se integrar ao grupo "TURUNAS DA MAURICÉA"  e Maria Augusta dos Santos que  se transferiu para Recife, a fim de continuar seus estudos, esta associação suspendeu as suas atividades.

Em abril de 1934 surge a notícia de que Dario Rêgo e Tranquilino Viana estavam em ação para a reorganização do Grêmio. Em 1938 ele volta a atuar, com os elementos antigos e uma geração nova. Vamos assinalar, então: J. J. Carvalho, José Cordeiro, José Elesbão, Tranquilino Horácio Siqueira, Arthur Maia, Alfredo Leite, Manoel Gouveia, Dario Rêgo do grupo de "22" aos quais se juntaram: Aurides Cardoso, Luís Maia, Jayme Luna, Valderedo Veras, Bartolomeu Queiroz, Arnaldo Carvalho e as senhoritas, Iracema Correia, Anésia Sales, Lindinalva e Quitéria Teixeira, Nair Moreira, Cremilda Carvalho, Maria Galindo, Luiza Portela e Luís Lins. Em junho levaram à cena a peça "As Doutoras" de França Júnior. Em 7 de abril de 1939 outro espetáculo que constituiu um verdadeiro sucesso. Em 15 de maio a peça "O Interventor" de Paulo Magalhães, interpretada por: Everaldo Marques, Luís Cavalcanti, Manoel Gouveia, José Elesbão, Arnaldo Carvalho, Alfredo Leite, Cremilda Carvalho, Maria e Luiz Pereira.

Era o Grêmio considerado pela crítica pernambucana, dada a seriedade dos seus trabalhos, como "o melhor conjunto teatral do interior do Estado". Em 1940 ainda funcionava tendo à frente: Presidente - Amalarico Moreda, Vice - Deusdedit Maia, Secretário - Dorval Santos, Tesoureiro - Raimundo Clemente, Vice - Manoel Gouveia, Orador - Erasmo Peixoto, Vice - Senyr Jatahy de Sampaio; Conselho Fiscal - Alfredo Leite, Tranquilino Viana e José Elesbão.

Fonte: Coleção Tempo Municipal / Centro de Estudos de História Municipal / Os Aldeões de Garanhuns / Alberto da Silva Rêgo / 1987

Viver pelo pensamento


Pelo que pensamos poderemos viver outro mundo que existe em cada um de nós. Basta que haja identidade de pensamentos edificantes. Não depende de esforço, nem de preferências de um desejo. O entendimento é muito eficaz. Essa eficácia proporciona o alcance à profundidade das coisas. Isso se relaciona em algo altamente qualificado pela psicologia do silêncio.

Nesse estado de silêncio se vive em constante modificação com o ser humano. Isso pode não solucionar alguns problemas, contudo, ajuda a se constatar a sua origem. Quando se constata o motivo do problema a sua complicação desaparece. Na esfera desse esclarecimento os  fatos se determinam. Dentro de nós mesmos, de nosso universo moral, encontramos novas perspectivas que poderão se projetar nos domínios do exterior.

Quando o tempo começa a soprar o vento do medo, o apercebimento filosófico do homem e torna mais forte e intemerato em todos os ordenamentos de  suas conduta. Removidos esses obstáculos poderemos seguir o reto caminho da existência. Importante missão, a cumprir, todos nós temos, aqui na Terra. O certo e criterioso é que sua importância, não obstante definida, nunca é superior a nossa capacidade de realização. Não existe prova superior as forças destinadas às possibilidades do resgate.

Não poderemos ser menos espectadores desta grande empresa de alto porte com finalidade indeclinável à evolução na escala espiritual. Todos teremos de trilhar corretamente os caminhos iluminados pelo progresso do ser humano. As nossas atribuições são resultados de nossa capacidade em potencial. Assim não há um só indivíduo que não tenhas meios suficientes ao seu desenvolvimento intelectual. É no meio da sociedade que ele encontra o necessário para abastecer-se e criar o seu estado.

A experiência mostra que vivemos sempre pressionados por força dos problemas. Nesse sentido, o importante é não deixarmos ser dominados, por certa compressão de ordem moral. Essa coação age com muita habilidade, existem muitos elementos convocados especificamente para esses fins. As propagandas organizadas por técnicos em comunicação do pensamento, se propõem a dominar por meio de repetições renovadoras até, o indivíduo transformar-se num instrumento humano, ou melhor em inocente útil.

Esses agentes de manipulação de massa. Existir para eles é durar, é permanecer no tempo.

Entendemos que não é a importância do comando que deve contar como força respeitável, e sim, o respeito à liberdade que deve ter todo indivíduo de pensar, sentir e agir harmoniosamente. Buscar elementos de ordem psicológica no sentido de dominar a livre manifestação legal do seu pensamento, é mais um atentado contra a manifestação da sublime faculdade de ouvir de acordo com o seu entendimento em todos os setores de suas atividades.

O indivíduo que aluga a sua experiência funcional, no sentido de empanar o  brilho da inteligência de seus concidadãos, atenta criminosamente contra o desejo de se manifestar livremente, que é uma das modalidades de ser gente digna de viver. Só os que nunca foram tocados por qualquer espécie de sentimento nobre, é capaz de se tornar instrumentos levianos contra a liberdade pelo pensamento puro e consubstanciado em fatos.

*José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 20 de setembro de 1986.

Foto: Anchieta Gueiros

Prefeito Sivaldo Albino divulga equipe de trabalho


O prefeito eleito, Sivaldo Albino (PSB), anunciou agora pela manhã, na AESGA os nomes dos secretários e demais ocupantes de cargos de primeiro escalão do Governo Municipal. 

CONFIRA LISTA

Adriana Carvalho, advogada, professora efetiva da Autarquia Municipal de Ensino, será a presidente da AESGA. 

Sargento Rodolfo Melo, formado em história e direito, policial militar desde 1998, do BPM Garanhuns, será o presidente da AMSTT. 

Claudomira Andrade, advogada, pós graduanda em direito penal, irá comandar os destinos do Instituto de Previdência de Garanhuns.  

Sivaldo fundiu quatro secretarias  numa só e criou a pasta do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Segue a relação dos secretários municipais, que assumirão seus cargos a partir do dia primeiro de janeiro:

Hélio Faustino, diretor de Obras, engenheiro e graduado em física, ex-secretário de obras

Joctan Barros, diretor de Desenvolvimento Econômico – administrador de empresas UNICAP, coordenador da Junta Comercial e empresário

Socorrinho Gueiros, diretora de cultura, artista plástica, com participação em exposições em Garanhuns e no Recife.

Comunicação - Ronaldo César, blogueiro e publicitário, bacharel em direito e funcionário público

Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – Alexandre Marinho, advogado, ex-secretário, chefe de gabinete de Sivaldo na Assembleia.

Administração – Acácio Godoy – graduado em administração, trabalhou muito tempo no Grupo Pérola, no auge da empresa garanhuense.

Secretaria de Governo, Articulação Política e Ouvidoria – Gedécio Barros, vereador por dois mandatos, é agropecuarista.

Procuradoria Jurídica – Paulo Couto, advogado, ex-presidente da OAB local, atuou em vários municípios do Agreste Meridional e na Câmara Municipal de Garanhuns.

Controladoria – Daniel Penaforte, funcionário público, ciência de computação, pós-graduado em gestão pública.

Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer – Carlos Tevano, esportista, professor de judô há 39 anos.

Secretaria da Mulher – Betânia da Ação Social, vereadora, já atuou na Secretaria de Assistência Social da prefeitura de Garanhuns.

Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Ivaldo Bispo, com formação em geografia, atuou em programas de cidadania e coordena programas de habitação em Pernambuco.

Agricultura, Abastecimento e Pecuária – Lucimar Oliveira, professora de história, presidente do PT Garanhuns

Secretaria de Infraestrutura, Obras e Serviços Públicos – Sinval Rodrigues Albino (Fá Albino) – Assessor de vereadores e deputados, secretário municipal em São João, coordenador do escritório regional de Sivaldo.

Secretaria de Turismo e Cultura – Givaldo Calado de Freitas, advogado, empresário, ex-vereador e escritor.

Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos – Eliane Madeira, atuou em empresas públicas e privadas, coordenador a saúde de Araçoiaba, Lar da Criança Santa Maria.

Secretaria de Educação – Wilza Vitorino, professora, com graduação em pedagogia e diversas especializações na área.

Secretaria de Saúde - Catarina Tenório - Trabalha em saúde pública desde os anos 90. Gestora da Geres e direção do Hospital Dom Moura. 

Finanças - Vera Sarmento. Única pessoa da equipe que não é de Garanhuns, foi indicada após consulta ao governador Paulo Câmara.

Fonte: Blog VEC Garanhuns

O Padre

Mons. Adelmar com seus familiares: Dr. José Henrique de Barros Neto, Pedro Gerson Lima Silvestre, Maria Cristina Valença Silvestre, Evaldo Vieira César, Amílcar da Mota Valença e Asnar da Mota Valença, no dia dos 60 anos de Ordenação Sacerdotal de Mons. Adelmar (30.11.1997).
Pedro Gerson Lima Silvestre

Nasceu em um lar abençoado, onde a nobreza de sentimentos do casal Abílio Camilo Valença e Emília da Mota Valença se perpetuou através de seus descendentes, que continuam testemunhando o amor, a integridade, a fé, a cultura, enriquecendo assim o patrimônio cultural de Garanhuns. Uma família cujo lema foi sempre servir.

Foi desta grande estirpe que surgiu o nosso inesquecível Mons. Adelmar da Mota Valença. Sacerdote íntegro, vigoroso e destemido, gloriosamente respeitado por  todos. Homem de fé, humilde, justo, acolhedor, grande servidor dos irmãos.

Nasceu na Fazenda Beira Mar, perto de Pesqueira, no dia quatro de julho de 1908, em um sábado às 15 horas. Foi o oitavo filho do casal Abílio e Emília.

Deram-lhe o nome de Adelmar, como homenagem ao poeta pernambucano Adelmar Tavares, cujas poesias seus pais gostavam de ler.

Esse homem singular a quem Garanhuns tanto deve, sempre disse à sua população que ele é que devia a Garanhuns, e assim se expressava: "Garanhuns nada me deve; ao contrário, devo tudo a Garanhuns, sobretudo o maior tesouro que me deste - a graça da vocação sacerdotal. Tu fazes Garanhuns, parte da minha vida, desde aquela tarde chuvosa e fria de maio de 1913, quando aqui cheguei."

Adelmar passou por uma adolescência comum, igual a todas as outras.

No dia 24 de janeiro de 1921 Adelmar sofreu muito com a partida de Agobar, seu irmão, para o seminário de  Olinda, onde no dia seguinte vestiu a batina. Eles eram muito unidos. No fim deste mesmo ano Adelmar viajou sozinho para o Recife, para prestar exame no Ginásio de Pernambuco. Passou vinte dias em Olinda e sempre que podia ia visitar seu irmão de peito.

Passou por muitas experiências e provações de fé, conseguindo sempre levar sua mensagem de amor e esperança a todos que o cercavam.

Aos 10 anos de idade foi crismado, e desde então começou a se interessar cada vez mais pelo que a vida religiosa poderia oferecer. Era um ótimo aluno, gostava de religião e sabia todas as obras de misericórdia.

Seu primeiro contato com a Igreja em si foi realizado após um convite recebido por Dom Moura, um amigo que o ajudou na escolha de sua carreira, mas por timidez, acabou recusando o convite.

Desde então Adelmar passou a imaginar como seria viver no seminário, quando finalmente, ainda menor, mas decidido, foi em busca do seu destino. Recebeu empregos e seguiu em frente.

Sua mãe ficava preocupada e dizia que era melhor se trabalhasse mais por perto.

Um dia, numa viagem de volta da Bahia, onde trabalhava, e pensando na morte do irmão padre, Agobar, pela primeira vez, sentiu-se chamado ao sacerdócio. Era um primeiro de novembro, e ele pensava na morte santa que seu irmão tivera, e pensava fazer-se sacerdote para ter também uma morte santa.

Mesmo em casa com sua família, vivendo o luto pela morte de Agobar ele continuava pensando na possibilidade de entrar para o seminário.

Queria muito, mas não sabia com quem falar.

Até que um dia Padre Godoy o viu estudando latim e o encorajou para a decisão que ele estava prestes a tomar.

Dias depois, um automóvel chega a sua casa a fim de  levá-lo para trabalhar no Recife numa mercearia, como contador, e viu ai desmoronar seus sonhos de ser padre.

Lá, adoeceu e achou até que iria morrer, mas Deus o ajudou, e cinco dias depois o dono da mercearia vendeu o  estabelecimento e assim ele poderia voltar para Garanhuns. Não sem antes passar pelo seminário, onde havia encontrado pela última vez, seu irmão Agobar. La chegando, falou ao bispo Dom Hildebrando, de sua vontade de entrar para o seminário sendo por ele desencorajado, por achar que ele não suportaria os estudos, pois estava muito abatido.

Voltando para casa teve muitas desilusões por ter o Padre Godoy quer o estimulava sempre, ter sido designado vigário da paróquia de Barreiros. Entretanto dias depois, chega um bilhete de sua irmã Arlinda, dizendo que o Padre Godoy estava de volta e que havia nomeado reitor do  seminário. E não só isso, mas que tinha conversado com Dom Paiva, e precisava falar com Adelmar.

Quanta alegria e ansiedade! No dia seguinte foi logo conversar com o bispo, agora dependia apenas dele. Pensava nas duas vidas: a que ele tivera até aquele dia e a que teria se optasse por realmente seguir a religiosa.

Dia seguinte, naquele inesquecível 24 de fevereiro de 1931, ele entrou para o seminário. Ali terminava sua primeira vida e começava aquela que mais tarde seria lembrada por todos.

O Grande dia  de sua ordenação sacerdotal 30 de novembro de 1937, foi em uma celebração simples na  Catedral de João Pessoa, na Paraíba.

Sua ascensão religiosa deixa explícita a vocação que ele tinha para o serviço à Igreja de Jesus Cristo. Sua simplicidade e disposição para o serviço a Deus fizeram com  que sua vida fosse repleta de fatos que demonstram sua  grandeza enquanto pessoa. Desempenhou, com muito amor, a missão de sacerdote que lhe foi confiada.

Passou sua vida dedicada à causa de Deus, a caridade com seu próximo, a esta casa, seu querido DIOCESANO, e ao Filho estimado, o GINÁSIO DO ARRAIAL, (hoje, Colégio Mons. Adelmar), do qual dizia: "Nas agruras da minha vida, o Ginásio do Arraial é o meu alento."

Em oito de agosto de 2002, aos 94 anos de idade, em sua residência e cercado do amor de seus familiares, Padre Adelmar se despede, com a certeza do dever cumprido.

O monsenhor Adelmar foi e sempre será um exemplo de integridade, lealdade e bondade. Um verdadeiro baluarte da educação e da fé, que ascendeu para junto do Criador, deixando saudade a todos que compartilharam dos seus ensinamentos e de sua história.

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra - Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Irmãs Cândida Araújo Corrêa e Maria Mirtes de Araújo Corrêa. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.