domingo, 28 de fevereiro de 2021

Apresentação do Livro "Garanhuns Álbum do Novo Milênio 1811-2016" de Manoel Neto Teixeira

João Marques (foto)*

Como filho de Garanhuns e de vida dedicada à realização da cidade, preocupa-me muito a  história. A história e a cultura. De tudo, a mim compete mais isto. Há tempo, por esta preocupação, andei sugerindo que fosse dado prosseguimento à escrita da história de Garanhuns. A sua atualização através de novas pesquisas e de uma exposição condizente com as técnicas da atualidade. E fiz sugestões a dois amigos da Academia de Letras de Garanhuns. Falei com José Gomes Sobrinho e com Manoel Neto Teixeira. O primeiro, poeta e exímio palestrante de divulgação do estado do Tocantins. Muito amigo de Siqueira Campos, então governador daquele Estado. Difundidor do Tocantins pelo Brasil e amante fiel a sua terra, Garanhuns. Todo o mês, nos visitava José Gomes, que era de muitas viagens. Viajou finalmente para onde tinha de ir um dia, por prêmio merecido e em  definitivo. Ficou Manoel Neto Teixeira, merecedor como o outro, capaz de escrever qualquer história e muito mais a de Garanhuns, pela fidelidade também de amigo.

Agora, Manoel Neto Teixeira escreve e pede-me para ver o livro, ainda não publicado. E pede para eu escrever. O preâmbulo da obra. E escrevo modestamente e com alta honra. Efetivamente, com a alegria de ver a história  continuada. O passado é apresentado em capítulos relevantes, dos acontecimentos da comunidade. Episódios, os primeiros, da abrangência da história do Brasil. Como foi com a perseguição à Fortaleza dos Palmares, ao negro Zumbi e sua resistência, com os quilombos espalhados. Garanhuns, em sua formação, teve participação em tudo isto. E há contos fantásticos, como o da figura de Simôa Gomes, filha de  uma índia cariri e neta de Domingos Jorge Velho, famoso caçador de índios e de escravos. Depois, pelo crescimento da povoação, os sucedimentos guardados pela  memória. Manoel Neto Teixeira estriba-se no grande historiador de Garanhuns, Alfredo Leite Cavalcante.  Tem apoio e segurança na idoneidade do escritor e colige informações, as mais dominantes do conhecimento da história. Tanto Alfredo Leite Cavalcante, quanto Manoel Neto Teixeira foram do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, na década de 50. Alfredo mais velho, já escrevendo história. Manoel jovem aprendiz da arte de escrever.

Por esse tempo de mocidade, o autor dessa obra confessa que teve sua maior formação, passando pelo Colégio Diocesano de Garanhuns. O padre Adelmar, grande educador, ficou eternamente admirado e alvo dos maiores elogios. E não só por este ex-aluno, do qual, mas por todos que conheceram a competência e os exemplos edificantes do educador. Eu também, estudando, passei por este colégio. Manoel Neto Teixeira foi morar em Recife, onde fez cursos superiores e  se tornou logo jornalista e professor dos cursos de Direito e de Administração em Recife e, depois, em Garanhuns. Sendo sua principal atividade a de escrever. Vinte anos no Diário de Pernambuco e passagens por outros órgãos ligados à cultura. Recife. Contudo, nunca se afastou de Garanhuns. Elegeu esta cidade como a sua terra do coração. Nascido em Itaíba-PE, veio de lá aos 8 anos. E lembra e conta a aventura da transferência de morada. A vida que teve no sertão e a nova vida nesta cidade chuvosa e fria. Passou a gostar e molhar-se na chuva. Ele se encanta com as chuvinhas daqui e com as névoas passageiras. Assim, não há quem melhor possa, com competência e amor, escrever a história de Garanhuns.

O livro é Garanhuns Álbum do Novo Milênio - 1811 a 2016. Por álbum, o livro é uma coleção de textos e fotografias ilustrativas. Da antiguidade aos  tempos atuais e históricos. Uma abrangência eloquente de todos os segmentos ou níveis, que se dão à guarda e ao estudo. Há predominância, pela vocação do  autor, é claro, da história da cultura. Do mais erudito ao popular, com as cores próprias de cada um, destacando e valorizando os entes. Teve Manoel Neto Teixeira a preocupação de situar a história entre os fatos políticos de maior relevância, inicialmente. Certifica, assim, o surgimento e continuidade de Garanhuns, não do nada, mas sempre independente e promissor pelo próprio mérito.

No universo da história, Manoel Neto Teixeira soube escolher bem as peças, para compor a sua obra. Abrangente, do antigo e do novo, como disse, e de uma  forma interessante, para tornar o livro paradidático e do interesse de todos. Quem lê há de sentir uma certa intimidade com os assuntos. Manoel Neto Teixeira escreveu, digamos, de dentro para fora. De seu íntimo amoroso, tratando Garanhuns como cidade de quem convive, porque gosta. E se comporta, textualmente, como fizesse uma grande reportagem sobre a terra que ama. Não se pode negar, em tudo, a sua competência jornalística e o afeto que sempre teve por Garanhuns. Grande competência, acima de tudo.

*João Marques, poeta, escritor, jornalista, cronista e autor do Hino de Garanhuns, presidiu por 20 anos a Academia de Letras de Garanhuns.

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