domingo, 7 de março de 2021

Apresentação do livro "Garanhuns do Meu Tempo" de Alfredo Vieira

Alfredo Vieira / Recife 1981

Dei traços imaginativos da capa do livro destas evocações de Garanhuns, ao artista Inácio Laércio Silva Ramos, conhecido simplesmente por Laércio, pelos seus amigos e companheiros integrantes de Emater-PE, ex-Ancarpe.

O ramo e os frutos do café, a preciosa rubiácea, fator do desenvolvimento econômico, social e político, de Garanhuns, é nada mais nada menos que uma homenagem a tantos agricultores e plantadores de café, que  se espalhavam pelas serras de terra de Simôa Gomes, contribuindo para o  seu desenvolvimento.

O café era realmente, para "Garanhuns do meu tempo", seus plantadores e seus comerciantes, a principal base do seu suporte econômico e  representação política.

Evoco ainda, neste introito, quando cursava o 2º ano Ginasial do  nosso Diocesano, a jamais esquecida lição de francês, traduzindo quase sem auxílio de dicionário, de que o café, fôra descoberto por acaso, nas regiões montanhosas da Arábia, muito embora originário e nativo da Etiópia. Informa o texto traduzido, que integrantes de certa ordem religiosa ao apascentarem os seus rebanhos, verificavam que as cabras e cabritos, ao mastigarem as folhas sedosas e frutos vermelhos de certos arbustos que predominavam na região, ficavam mais vivos e saltitantes. Mais tarde, eram também os próprios monges que imitavam os animais e  se sentiam fortes e rejuvenescidos. Eram, naturalmente, os efeitos da  cafeína a produzir resultados nos seus organismos. Daí a descoberta das qualidades tônicas do café. Originário da Etiópia, e levado para a Arábia Feliz, entre os séculos XII e XIV. Introduzido no norte do Brasil-Colônia, via Guiana Francesa, nos primórdios do segundo quartel do Século XVIII, a cultura do café estendeu-se ao Maranhão e a certas áreas do nordeste e leste (Grande Enciclopédia Delta Larousse - vol. 3). Segundo notas de Alfredo Leite Cavalcanti, no segundo volume de sua "História de Garanhuns", o café foi introduzido no município, no ano de 1877, com sementes distribuídas a vários agricultores.

A capa deste livro, com os seus ramos de café, também sempre presente na heráldica brasileira, vamos repetir, é uma homenagem aos seus  inúmeros fazendeiros e agrônomos que procuraram cuidar e tornar efetivo o desenvolvimento de Garanhuns, tais como o Cel. Francisco Simão dos Santos Figueira, na sua Fazenda "Vista Alegre"; Vicente José Dantas, no "Brejo das Flores"; Eurico Alves Monteiro e Alfredo Monteiro; dos irmãos Moreira, na sua "Fazenda Amizade", Joaquim Arcoverde, na  "Fazenda Brasileiro", de Antônio Alves Pedrosa, dos agrônomos Idelfonso Lopes e Rodrigo Pinto Tenório e de tantos outros não lembrados pela memória do autor, que muito fizeram pela região e pela comunidade anonimamente trabalhando nos seus  sítios e pequenas propriedades.

A razão deste livro, "Garanhuns do meu tempo", nasceu da lembrança do meu companheiro de Lions, jornalista Aguinaldo de Barros e Silva, quando me solicitou a colaboração no jornal "O Monitor", durante sua gestão, relembrando fatos e histórias de Garanhuns, quando ali passei toda minha adolescência.

Nascido em Lagoa dos Gatos, vim com meu pai para Garanhuns, onde este, por motivos políticos foi ocupar sua Promotoria Pública.

Aluno do Grupo Escolar Severino Pinheiro e concluinte da 1ª Turma do Ginásio Diocesano de Garanhuns, este livro, ao relembrar fatos da época e pessoas com quem convivi, é uma homenagem aos 100 anos de fundação da cidade, que acolheu a todos nós, integrantes de parte da família Vieira e, principalmente, àqueles, que direta ou indiretamente nos  ajudaram na conquista de um lugar ao sol.

Clique aqui e confira o lançamento do livro "Garanhuns do Meu Tempo".

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