sábado, 16 de janeiro de 2021

Um Homem / Sacerdote

Luzinette Laporte de Carvalho (foto)*

Podem até estranhar essa denominação à pessoa do  Padre Adelmar.

Ele foi um ser humano de cujo valor, ninguém sozinho (a) pode fazer-lhe o perfil. Cada pessoa que  teve contato com ele, conhecia seu aspecto austero. Para todos porém ele revelava seu humor, condescendência, compreensão, indulgência. Falo do total: todos. Havia, porém, nele, uma tamanha compaixão pela fraqueza do próximo que  me deixou até agora, encantada. Era aquela expressão de  Jesus que ele encarnava em seu dia-a-dia: "Sede misericordiosos como vosso pai do Céu é misericordioso".

Muitas - quantas vezes - vi o Padre consolar as chagas morais e espirituais. Ele possuía, realmente, o olhar de quem era habitado pelo Espírito de Deus. Com uma palavra ou um olhar - se a gente soubesse ouvir e ver - ele reduzia a nada, o  julgamento de qualquer um sobre alguém. Era a encarnação do Evangelho: "Sede misericordiosos" ...E isso estendia-se às necessidades materiais. Quantos ex-alunos pobres recebiam bolsas de estudo? Ouvi de uma mulher cujo filho estudara durante anos em determinado Colégio, porém, tendo ficado viúva, não podia mais pagar. Embora tantos anos naquele estabelecimento, não conseguiu uma bolsa para seu  filho. Alguém falou-lhe sobre o Padre. Ela o procurou. Recebeu a bolsa, o fardamento, sapatos, livros. Ela dizia: "Encontrei um verdadeiro cristão no Diretor do Diocesano. Ouvi muitos se dizerem cristãos, mas somente ele agiu como cristão, para comigo e meu filho. Só ele"

Durante os 12 de outubro, festa do Diocesano, quantos depoimentos de ex-alunos que jamais poderiam alcançar os elevados postos que atingiram, não fosse a generosidade do Padre Adelmar.

Se fossemos narrar tudo, não terminaríamos nunca.

Celebrar o Centenário do Padre é celebrar grandeza de alma e coração. É celebrar sacerdócio vivido em plenitude. E dizer para quem não o conheceu, a inteligência privilegiada,  a cultura profunda que se abrigavam na sua  humildade, mas que se respirava através de cada palavra e gesto.

Felizes aqueles que tiveram a alegria de conviver com ele. Era uma lição viva do Evangelho.

*Professora e escritora

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença (Vida e Obra) / Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Coordenação das Irmãs Cândida Araújo Correia e Maria Mirtes de Araújo Corrêa / 2008. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Claros céus

João Marques

Nuvens dos meus olhos

suspensas, saltando o azul...

que brancuras inquietas!

etéreos sítios e formas

de encantamentos esparsos


vejo um pássaro

com as asas distendidas

e o bico longe do bico

uma nesga meio branca

mais abaixo do pescoço


o outro é um homem grande

perdendo pernas e braços

olhos pelos buracos

duas barrigas surgindo


paragens vindas das águas

e dos ventos e dos montes

e do meu tempo de menino

pedaços do mundo vistos

feitos aos ares e feitos

para chover no chão


nuvens que são o teto

dos campos e do vasto

como é a vida em passagens

refeitas, e não acabam

perpétuas gotas do mar.

O Menino Pobre

Paulo Azevedo / 28 de Outubro de 1979

Fui um menino pobre que estudou entre os ricos. Sai da pequena e longínqua Água Preta, numa "sopa" até Palmares e pegando o "trem pinga-pinga" com destino a Garanhuns. Já era  noite quando lá cheguei. Fui recebido pela figura marcante do padre Adelmar da Mota Valença. Tipo cara dura, fala pausada e firmeza nas palavras. Era eu um menino de apenas 10 anos. Assisti o diálogo travado com o meu pai. Seu filho não ficará sem estudos, dizia o imutável padre Adelmar.

Fazia um frio tremendo, mas o calor humano com que fui recebido no "Ginásio amigo, querido lar" deu-me a certeza de que iria forjar mais ainda o meu caráter nos bons princípios que o Grande e  inolvidável Mestre Adelmar tem transmitido a tantas gerações que por lá passam. Fiz o meu ginásio bem firme e sólido, aprendendo o bom Português do professor Epaminondas e a absoluta Matemática de dona Almira. Que saudade! Era 1964 quando estava no último ano ginasial. A revolução de 1964 nos deixou surpreso. Pouca coisa sabíamos. Lembro-me perfeitamente das palavras do velho mestre a nos acalmar.

Era um homem exigente, sério, mas de um coração tão grande que  jamais se furtou a receber um aluno sem condições de pagar o justo pela excelente educação que é transmitida pelo Diocesano. Devo a essa figura de homem e de Santo a minha formação moral e intelectual, durante o meu curso ginasial, que foi sem dúvida um alicerce, onde pude conviver de perto com Carlos Wilson Campos, Joaquim Guerra e tantos outros que não esquecem do grande homem que é o nosso Padre Adelmar. Nesta hora, o agradecimento do menino que foi acolhido no grande Ginásio.

Eurico Pontes Lira

História de Garanhuns - Nasceu em Alagoas, recém-formado chega em 1930 à cidade do Clima Maravilhoso. É mais um Lira que vem ingressar na colônia alagoana na terra de Simôa Gomes. Senão o primeiro alagoano - Bernardes Junior já andara por aqui, porém um dos primeiros Lira, nos idos de Primeira Guerra Mundial, deixando a Terra dos Marechais, tem-se Mário Sarmento Pereira de Lira, seguido pelos irmãos, Antônio, Osmário, Paulo, depois Morse e outros familiares matriculados no Ginásio Martins Júnior, Santa Sofia, ou sejam: Nelson Lira, químico industrial, servidor do Ministério da  Agricultura, Israel Lira, engenheiro agrônomo e o médico Eurico Lira. E chegando mais tarde - o cirurgião dentista Flávio Lira.

Iniciando as suas atividades profissionais, no seu novo lar, Eurico consegue o posto de Tenente no Exército, pois médico e compartilhando da "Coluna Louca", seguiu até Salvador, Bahia, voltando engalanado com uma estreita no ombro, sem que para isso necessitasse atender a "feridos e mortos". 

Eurico Lia casou-se com uma garanhuense, - Lilia Brasileiro Viana, tendo o casal dois filhos, sendo um médico ortopedista - o Dr. Paulo Lira.

Comunicação

Garanhuns - Parque Euclides Dourado
Foto: Anchieta Gueiros

A palavra deve ser usada como instrumento do tempo, no sentido de  aproximação. Remover todas as barreiras da resistência para que isto aconteça naturalmente. Não basta vivermos no mesmo ambiente, nem pertencermos ao mesmo convívio social. A presença física é mais uma atitude, o revezamento das pessoas no mesmo ciclo social, não basta para que  haja comunicação. A simpatia é um dos fatores preponderantes. Amar uma pessoa com todo nosso ser  requer grande intensidade. Quando o  amor ao próximo é intenso, desaparecem os obstáculos. Mas a maioria de nós nunca teve intensidade em relação a coisa alguma, a não ser quando se trata de nosso próprio interesse. Vivemos ao lado uns dos outros sem que haja compreensão. O desejo de superioridade separa o homem dos homens.

Nesse estado psicológico não pode  haver comunicação verdadeira, existem apenas, troca de palavras, que afasta qualquer possibilidade de integração de ordem moral. A nossa mente é repleta de lembranças de  acontecimentos pretéritos. Essas condições devem desaparecer. Para que  haja renovação a mente muitas vezes é estática, insensível ao processo dinâmico.

As reservas mentais dificultam o entendimento. Entender não significa apanhar intelectualmente uma ideia qualquer. É sobretudo ação, no momento exato. É ato perfeito e acabado, para tanto é imprescindível que estejamos cônscios de tudo. De todas as  nossas ações, com a mente dissociada de amargas recordações. Começamos assim penetrar no conhecimento do Eterno Presente.

No conhecimento de que as pessoas vivem como vivem dentro do mesmo mundo. Os outros não são os outros. São nós mesmos. A visibilidade revela o motivo da distância. Nos integramos assim com os nossos semelhantes. O destino de cada um é o mesmo. Alcançar a meta da espiritualidade. Esse é o objetivo maior da comunicação pelo diálogo.

Comunicação conduz o ser humano pelos caminhos da renúncia e do bem. A finura do trato e o respeito à liberdade de cada um agir e sentir integralmente. Os fatos e as coisas se  definem. O sentimento de culpa é um período transitório. É muito fácil julgar os outros, mas quando eles são nós mesmos, é mais fácil errar no julgamento. Todos sentimos que a intuição é um dom específico. Ela nos indica o caminho certo. Passamos a observar melhor o comportamento das pessoas. Conhecendo e participando dos seus problemas. Comendo do mesmo pão. A paisagem humana é única como nós somos únicos pelos caminhos da vida. É uma das qualidade dos que lutam pelo progresso moral. É um ato de superioridade. Todo medíocre guarda rancor, alimenta ódio e morre de inanição como a flor a falta de sol. A comunicação pelo entendimento é unificadora, não depende de se falar a mesma língua. Há muitos que fazem isso e vivem em conflito.

Comunicação é abertura espiritual, quem se comunica contribui eficazmente para a paz entre os povos, é a meta mais importante atingida pelo homem aqui na terra. A linguagem foi a unificação dos princípios da Boa Nova, visando de modo profundo o universo interior de cada ser  humano. Contudo, muitas pessoas falam a mesma língua, estudam o mesmo idioma, usam as mesmas palavras e negaram as verdades sagradas. O importante é afastar e resolver os problemas mentais. É a trajetória do pensamento e conduta. Viver de maneira diferente da imposta pelos sistemas. E sentir às belezas da mesma faixa vibratória. A terra é uma escola de aprimoramento. Não uma região especial para turismo, onde alvejamos antes de cumprirmos a nossa tarefa. É muito difícil começar do nada, depois de haver perdido um manancial de oportunidades.

"Descerrando o portal luminoso da Vida Mais Alta, os Espíritos Sábios, e Generosos não entrariam em comunicação com o homem para induzi-los à ociosidade ou a inconsequência." Cada dia é uma fração de  recursos que podemos empregar em  aprendizado e melhoria por fora, para enriquecimento e sublimação por  dentro de nós. Neste estado podemos viver em sublime "comunicação" com o "Espírito de Fraternidade".

José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 16 de Maio de 1981.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Última semana para se inscrever na 21ª edição da Fenearte

Última semana para quem quer fazer sua inscrição para a 21ª edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), um dos eventos mais aguardados do calendário anual, principalmente, para artesãs e artesãos de Pernambuco. Os interessados podem se inscrever até o próximo sábado, 16 de janeiro. O evento acontecerá entre os dias 7 e 18 de julho de 2021. A Fenearte é uma realização do Governo do Estado de Pernambuco, da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD Diper) / Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDEC).

Podem se inscrever, além das artesãs e artesãos de Pernambuco, expositores de outros estados e países. A feira é realizada durante 12 dias, gerando renda para mais de 5 mil expositores. “A Fenearte é um importante instrumento de fomento dentro da política pública de Pernambuco. Representa a nossa rica e diversa economia criativa, reverberando para além do período em que é realizada”, diz Márcia Souto, diretora de Promoção da Economia Criativa da AD Diper.

O evento obedecerá a todos os protocolos de acordo com as orientações do Comitê de Combate ao Covid 19 do Governo do Estado de Pernambuco. Em função dessa realidade e da grandeza do evento, desde já, questões como dimensão física, tamanho de público, quantidade de selecionados e até mesmo o formato (presencial ou não) serão definidos posteriormente.

A primeira Fenearte foi realizada em julho de 2000, por iniciativa do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes, e desde então se consolidou como maior feira do artesanato da América Latina. A última edição, que aconteceu em julho de 2019, homenageou três grandes cirandeiros: Mestre Baracho, falecido em 1988; Dona Duda e Lia de Itamaracá, esta última patrimônio vivo de Pernambuco.

Para mais informações e tirar dúvidas sobre o processo de inscrição para a edição 2021, basta entrar no site www.fenearte.pe.gov.br e clicar na aba “Inscrições”. Mais dois canais estão disponíveis: o telefone: (81) 3181.3454 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h); e o e-mail fenearte@centrodeartesanato.pe.gov.br.

Existia no Bairro do Magano

História de Garanhuns - Até a década de 1990, existiam no bairro do Magano, 23 casas de Xangô, Candomblé, Cartomantes e Rezadeiras. Vejamos as ruas e seus responsáveis:

Rua do Magano: Sr. Augusto (rezador).

Avenida Sátiro Ivo: Dona Lica (Xangô) - Zé Galindo, Dona Lú, Dona Deja e Dona Zefinha (Cartomantes). 

Rua Darcy Madeiros: Sr. Emídio (Xangô) - Dona Tonha (Cartomante).

Rua Dom Aquino Correia: Sr. Santino (Xangô).

Rua Campos Sales: Sr. Jose Maria (Xangô).

Rua Julião Cavalcanti: Sr. Cícero (Xangô).

Rua Herlon Chaves: Sr. Joaquim (Candomblé).

Rua Carmem Miranda: Sr. Zito (Xangô).

Rua Carlos Gomes: Dona Neném (Candomblé).

Rua São Luiz: Dona Dedé (Rezadeira).

Rua São Paulo: Dona Socorro (Côca) - Candomblé)

Avenida Santa Teresinha: Sr. Tião (Xangô) - Dona Cícera, Mabel e Santino 2 (Cartomantes).

Rua Luiz Pereira Junior: Dona Maria de Paulo e Dona Tonha (Candomblé).

Rua Pedro Rodrigues: Sr. João Fumaça (Xangô).

Fonte: Livro História do Magano / Garanhuns-PE / Lamartine Peixoto Melo / 2009.

A Personalidade Profunda

Garanhuns - Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo)
Foto: Anchieta Gueiros

Cada um de nós é algo bem mais profundo do que apressadamente imaginamos. Fugindo um pouco de afirmações dogmáticas, intransigentes ou irracionais, derivam elas de intolerâncias religiosas ou científicas e, fazendo uma parada em você mesmo, pergunte-se: quem sou eu? Se você se aprofunda no desafio da pergunta, pouco a pouco vai se sentindo estranho a si mesmo, como se você fosse um grande enigma individual. Esta questão torna-se profunda para mim, para você, para todos nós, notadamente quando a psicologia tradicional ou acadêmica, aborda tão apenas o convencional, cuidando de aspectos superficiais da conduta, do comportamento, das emoções humanas, sem um mergulho de  profundidade no cerne da criatura humana.

A medida em que descemos ou subimos na indagação (quem sou eu?... quem é você?...), vamos reconhecendo que o nosso nome é apenas uma vestimenta a identificar traços da nossa personalidade. É apenas um rótulo que nos assinala, que nos marca em nossas vidas. Se, em verdade, conseguimos analisar o conteúdo íntimo daquela pergunta, descobrimos que, sendo o nosso nome tão somente uma legenda a identificar a criatura que somos, ressalta o fato de sermos uma realidade bem mais significativa que o nosso apelido.

Frequentemente estamos, por um processo inconsciente, aceitando aquela outra realidade que em nós reside, verdadeira causa de tudo quando temos ou possuímos. Exemplifiquemos. Quando dizemos: meu cérebro minha audição, meu tato, meu coração, minha inteligência, minha vontade, minhas emoções, estamos de tal modo, implicitamente reconhecendo um algo mais em nós, que  não sendo nem o nosso corpo, nem as nossas emoções, nem as nossas faculdades superiores, está possuindo, dominando, regendo tudo quanto temos, tudo quanto secundariamente somos. Daí, frente a este exemplo tão simples e tão corriqueiro em nossas vidas, podemos lançar uma outra pergunta. Quem é este ser enigmático que em mim se esconde e é possuidor não apenas de minha constituição física, mas ainda de todas as minhas características psicológicas?

Muitas filosofias existem que nos conduzem através de seus métodos à demonstração daquele ser, daquela realidade profunda que somos nós. A antiga Ordem Rosacruz, na sabedoria milenar de seus ensinamentos, numa de suas práticas, orienta-nos à descoberta do verdadeiro EU. Havendo, para tal mister, seriedade de propósitos, aquela experiência demonstra uma outra personalidade a dominar tudo quanto superficialmente apresentamos ou parecemos ser.  A Yoga, também filosofia respeitável, originária das tradições antiquíssimas e sábias do espiritismo hindu, igualmente evidencia por exercícios, a personalidade invisível, desconhecida de cada um de nós. Sem qualquer deslustre, sem qualquer propósito de minimizar a grandiosidade de tais sistemas, respeitáveis na esteira milenar dos séculos, pretendemos, contudo, filosofar um pouco, racionalizando alguns aspectos que dizem respeito à verdadeira personalidade humana.

Desde que sejamos espiritualistas, não importando as nossas denominações filosóficas ou religiosas, aceitamos um  princípio que anima, que vitaliza o nosso corpo e a este sobrevive. É a alma ou espírito. Todavia, nem sempre pensamos de modo sério, profundo sobre tal afirmação. Quase sempre assim pensamos ou dizemos (que temos uma alma, um espírito, um Eu superior, mente, etc.), escudados pela tradição, pela educação doméstica recebida, pelos ensinamentos rotineiro e superficialmente repetidos nas  escolas, nos lares, nas religiões. Nossa fé (às vezes vazia, irracional), nossa religião, nossa crenças, nossa educação, enfim, mandaram que assim aceitássemos. Tudo isso nos formou e nos educou, afirmando-se que "temos" uma alma, um espírito. E assim,  prosseguimos afirmando as mesmas coisas, fazendo-o maquinalmente, sem convicção, num estado mais de dúvidas que de certezas. É como se disséssemos: eu creio, eu acho que isto é verdade... Mas... talvez não seja. E assim ficamos num estado de vacilações, diante de uma fé irracional, dúbia, vacilante.

Aurélio Muniz Freire / Jurista e escritor / Garanhuns, 4 de janeiro de 1986.

6° Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho tem edital publicado e processo 100% digital


Está no ar o edital do 6° Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco, oferecido pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secult-PE e da Fundarpe. A edição deste ano terá inscrições 100% on-line, estreando na plataforma digital Prosas, em respeito ao distanciamento social provocado pela pandemia do coronavírus. A premiação, que tem como objetivo reconhecer e premiar a atuação de fazedores e fazedoras de bens culturais de natureza material e imaterial, vai distribuir R$ 90 mil em recursos. As inscrições começam em 28 de janeiro e seguem até 5 de maio, por meio do link: prosas.com.br/editais/8525-6o-premio-ayrton-de-almeida-carvalho-de-preservacao-do-patrimonio-cultural-de-pernambuco-2020.

Os beneficiados do prêmio serão os responsáveis por ações de proteção, preservação, conservação, salvaguarda e outras formas de acautelamento do Patrimônio Cultural em todas as macrorregiões do Estado de Pernambuco. Para se inscrever, o(a) candidato(a) pode ser pessoa física ou jurídica cujo trabalho de preservação inscrito tenha sido desenvolvido integralmente ou parcialmente em Pernambuco.

A premiação está dividida em três categorias:  Formação (Ações Educativas); Promoção e Difusão; e Acervos Documentais e Memória Cultural. Para cada uma delas, o primeiro colocado receberá R$ 20 mil e o segundo, R$ 10 mil.

Gilberto Freyre Neto, secretário de cultura de Pernambuco, espera uma alta qualidade das inscrições nesta edição do prêmio. “Observamos uma evolução, a cada ano, das propostas apresentadas para a premiação. Isso demonstra o amadurecimento dos projetos de cultura e o cuidado com que os produtores desenvolvem as ações de salvaguarda do patrimônio. Todo o estado sai ganhando com esse tipo de iniciativa”.

Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe, destacou a digitalização do processo de participação do Ayrton de Almeida. “A digitalização através da plataforma do Prosas  vai centralizar as inscrições deste ano garantindo agilidade e acesso ainda mais amplo à premiação. Nossa meta é atingir todas as macrorregiões do estado e isso só facilita”, disse.

O processo de digitalização, que vinha acontecendo ano após ano, foi acelerado pelo isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus. “Iniciamos uma mudança repentina por conta da pandemia, mas que acabou sendo positiva. Com o procedimento totalmente virtual, esperamos aumentar o número de inscritos, possibilitando que produtores culturais e artistas possam participar de forma mais democrática do concurso. Nossa expectativa é receber propostas de ações exitosas de todos os municípios de Pernambuco”, complementou Renata Echeverria Martins, que coordena o Prêmio Ayrton de Almeida.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Concluintes do Colégio Diocesano de Garanhuns - Década de 1930

Década de 1940 - Colégio Diocesano de Garanhuns
I turma - 1931

Antônio Tenório de Almeida

II turma - 1932

Osias Ribeiro dos Anjos, Elias Alfredo Vieira, Ernani Bergamo da Silva, Joaquim Moreira de Melo, Antônio Viana de Siqueira, Giovani Gomes de Lima, Carlos José de Barros, Rui Alves Maciel, Abel de Araújo Freitas, Valdemar Correia Rezende, Lívio Marques Cavalcanti, Jorge Damaso de  Amorim.

III turma - 1933

Abdon de Barros Monte, Adalberto de Noronha Branco, Alberto Campos Falcão, Aloísio Souto Pinto, Amauri Vasconcelos de Andrade, Israel Andrade Lima, Ivo Leitão de Melo Filho, Ranulto Macêdo, Rubens Melo, Valderedo Cristalino Veras, Vicente Crespo Manso, Wilson Liberal.

4ª Série

Altino Luís de Assis, Benedito Sitonio Rosas, Clarindo de Medeiros Cavalcanti, Clóvis Teixeira Vasconcelos, Deoclécio Ferreira de Araújo, Flávio Lopes Viana, Francisco Holanda Barros, Gilberto Brandão Pereira do Lago, Ivaldo Dourado Rodrigues, Iêdo Gadêlho Valença, Ivan Tavares Pedrosa, João Rodrigues Alves, José Catão Cordeiro, José Maria Peixoto Lins, José Maria Medeiros Tenório, José Nunes de Almeida, José Soter Filho, Lídio Santos, Luís Souto Dourado, Manoel Lustosa dos Santos, Mauro Teixeira Vasconcelos, Milton Lopes da Rocha, Paulo Lima da Silva, Rui Jordão Vasconcelos, Sandoval Soares de Almeida, Severino Florêncio Teixeira, Valdemar Rodrigues Branco, Viriato Breno Rodrigues, Manoel Vasconcelos Filho, Leonardo Meira Henriques Filho, José Machado Meira Henriques, Luís Machado Meira Henriques, Aristeu Veloso de Morais, José Teixeira Cavalcanti, Gustãozinho Franco de Albuquerque, Cícero Tenório Cavalcanti, Amadeu Dalia Júnior, Edgar Santos, Darcílio Chaves Campos, Dover Caldas, João Cali Filho, Jorge Tenório Cavalcanti, José Rafael de Freitas, José Vamberto de Assunção, João Guilherme de Pontes Sobrinho, João Vasconcelos, Marcos Vilela Neto, Orlando Alexandre Silva, Pandiá Buarque de Amorim, Pedro Cupertino Calou, Rodrigo Pinto Tenório, Teobaldo Augusto Araújo de Barros.

IV turma - 1934

Artur Camelo Veras, Celso Lima Guimarães, Clóvis de Azevedo Paiva, Fernando Santos da Figueira, Guilherme Tavares Lemos, Isaias Francisco de Andrade, Jaime Rezende do Amaral, José Ferraz Ribeiro do Vale, José Alexandre Sobrinho, Luiz Dantas Castro, Luiz de França Canuto Marques, Maurício Gomes de Sá, Mauro Baía Maia Gomes, Orlando de Paiva Torres, Valnei Camerino Soares, Vivalden Grossi.

5ª Série

Clóvis Galvão Carapeba, Francelino Araújo Gomes, João Domingos da Silva, Jorge Lins de Gusmão Lira, José Lopes de Oliveira, Valdomiro Dilatieri Araújo.

"Curso Propedêutico" - 1º Ano

Antônio Barbosa Filho, Erasmo Lopes Farias, Luís Laporte de Carvalho, Vanildo Ferreira de Carvalho.

2º Ano

Enedino Alves de Santana, José Alves de Santana, José Vieira Barros, Rui Domingos da Silva.

3º Ano

Abgar da Mota Valença, Agrário de Aguiar Ramos, Eraldo de Amorim Damaso, Gil Beltrão de Andrade de Lima, Lindolfo Alves de Lira, Natalício de Almeida Valença, Raimundo Amaro de Carvalho, Valdomiro Freire Borges.

Curso Primário, dividido em 4 classes

Bolivar de Almeida, José Amaro Brasileiro Carvalho, Fernando Rodrigues Branco, Zuilo Caldas Correia, Eliseu Caldas Correia.

Curso de Admissão

Francisco Benjamin Sobrinho, Marivaldo Gomes Caldas, Nilson Martins de Souza, Ailton Ferreira Costa, Paulo Valença Cavalcanti, Amauri Catão Cordeiro, Ivan Dourado Rodrigues, Fernando Souto Dourado, Valdir Tavares Pedrosa.

V turma - 1935

Alberto Silva Rego, Adalberto Vilela Ribeiro, Luís Gonzaga Arcoverde, Antônio Alves Filho.

VI turma - 1936

Aníbal José Correia de Oliveira, Álvaro Gilvan de Abreu, Salvio Tenório de Almeida, Severino Crespo Manso.

VII turma - 1937

Acrisio Borges Fitipaldi, Asnar da Mota Valença, Edmundo Jordão Vasconcelos Filho, Fausto Feliciano dos Santos, Geraldo Alfredo Vieira, Hans Siqueira Granja Teles, Hindenburg Tavares Lemos, Jocelino Urquiza Tenório, José Constantino Júnior, Leonan Pedrosa, Nivaldo Castelo Branco de Pontes, Celso Campos Matos, José Campos Matos, Osvaldo Zaidan, Carlos Afonso Zaidan, Renato Peixoto Leal, Ciro Ferreira Costa, Inaldo Souto Cunha, Edson Ferreira de Carvalho, José Câmara da Silva, Irajá Lins, Paulo Cardoso de Oliveira, Djalma Paulo de Miranda, José Anchieta Cavalcanti Lira, Marconde Gomes Caldas, Edmar Omena Espírito Santo, Mosir Sampaio, Pedro Cavalcante Filho, Paulo Espírito Santo Saraiva, José Fernando Souto Maior, Amauri Barbosa Teixeira, Augusto Barbosa Teixeira, Demétrio Gonçalves Maia, José Calou de  Alencar, João Calou de Alencar, Rinaldo Souto Maior, Leone Piancó, Valdir Bezerra e Silva, Fernando de Melo, José Nunes Feijó, Evaldo Soter Figueirôa, Elson Galvão Santos, Antonio Machado Schettini, Almira Sá Barreto, Benedito Ferreira Cavalcanti, Wilson Rodrigues Melo, José Rinaldo Burgos, João Burgos Filho, José Paulo de Miranda, José Guedes Tenório, Antônio Henrique Calou Filho, Arnaldo Gomes de Lima, Melquisedeque Tavares Pedrosa, Jaques Tavares Pedrosa, José Maria Miranda Filho, José Aureliano de Siqueira, Milton Soter Figuerôa, José Tenório Cavalcanti.

Alunos que obtiveram certificado de aprovação da 5ª série, de acordo com o Art. 100 do Dec. 21.241 de 4 de abril de 1932:

I turma - 1935

Acácio Luna, Altamira da Mota Valença, Ângelo Cibela, Antônio Marchét Calou, Aristeu Tavares Vilela, Arlinda da Mota Valença, Austregésilo Semente de Morais, Demerval Sampaio Matos, Débora Vasconcelos Pereira, Eliezer Correia de Oliveira, Hermes Furtado, Isabel Ferreira de Oliveira, Jeremias Maurício Sena, José de França Rocha, Luís Casemiro Pinto de Souza, Mah Lobão Barreto, Manoel Luis Pinto, Manoel Fonseca, Maria Teolinda de  Barros, Osvaldo Gonçalves de Medeiros, Plínio Moreira de Vasconcelos, Rui Furtado, Senir Jatai de Sampaio, Tirso Ivo da Silva, Valdemar Claudino Paiva, Valdemar da Costa e Silva.

II turma - 1936

Luís de Barros Lira, Maria Stela Pedrosa, Maria Augusto Santos, José Maurício Vanderlei, Júlio Ferreira da Silva, Maria Diva Alves da Silva, Andrelino Lopes Menezes, Maria de Lourdes Lucena.

III turma - 1937

Laura Rabelo, Luis Moreira Ávila.

IV turma - 1938

Carmosina Monteiro, Irene Vitalino de Melo, Jairo da Rocha Ferreira, José Gomes de Sá, Maria Iracema Costa de Holanda, Maria Juraci de Miranda Leal, Pedro Ribeiro dos Santos.

VII turma - 1938

Osvaldo Godoi Nanes, Antônio Miranda Lima, José Calado Borba, Luís de Paiva Torres, Lupercio Gonçalves Ferreira, Clóvis Galvão Carapeba, Francelino Araújo Gomes, João Domingos da Silva, Jorge Luís de Gusmão Lira, José Lopes de Oliveira, Valdomiro Diletieri Araújo.

Relação dos alunos matriculados em 1938:

Curso Fundamental - 1ª Série

Aguinaldo Bezerra Costa, Afrânio de Almeida Lins, Alípio Carvalho, Antônio Tenório Filho, Antônio Alves Gondim, Amilton Silva Rego, Augusto Gomes de Lima, Carlos Magno de Oliveira, Cléodon de Souza Costa, Clodson Salviano, Deusdedit Comelão da Silva, Fernando Castelão Pereira, Francisco Branco Neto, Humberto de Castro Souza, Ibraim Carlos Zóbi, Isaac Vasconcelos de Andrade, Ivanildo Souto Cunha, Júlio Caldas Gouveia, José Vilela Albuquerque, José Pimentel de Vasconcelos, José Felício Zaidan, José David de Arruda, José Clímaco Correia de Arruda Filho, José Bezerra Neto, Joaquim José Coutinho da Câmara, João Moura Tavares, Jaime Ramos Freire, Ranuldo Macêdo, Rubens Melo, Valderedo Cristalino Veras, Vicente Crespo Manso, Wilson Liberal.

4ª Série

Altino Luís de Assis, Benedito Sitonio Rosas, Clarindo de Medeiros Cavalcanti, Clóvis Teixeira Vasconcelos, Deoclécio Ferreira de Araújo, Flávio Lopes Viana, Francisco Holanda Barros, Gilberto Brandão Pereira do Lago, Ivaldo Dourado Rodrigues, Iêdo Gadêlho Valença, Ivan Tavares Pedrosa, João Rodrigues Alves, José Catão Cordeiro, José Maria Peixoto Lins, José Maria Medeiros Tenório, José Nunes de Almeida, José Soter Filho, Lídio Santos, Luís Souto Dourado, Manoel Lustosa dos Santos, Mauro Teixeira Vasconcelos, Milton Lopes da Rocha, Paulo Lima da Silva, Rui Jordão Vasconcelos, Sandoval Soares de Almeida, Severino Florêncio Teixeira, Valdemar Rodrigues Branco, Viriato Breno Rodrigues, Jadir Urquiza Tenório, Jaime Machado Schettim, Jacinto Urquiza Tenório, Luís Gonzaga Ribeiro e Silva, Manoel Vieira Carvalho, Maçal Alves Pedrosa, Maurilo Campos Matos, Milton Paiva, Moacir Amaral Publiesi, Marconi Antônio Cavalcanti Lira, Osvaldo Cardoso de Oliveira, Renato Vieira Carvalho, Renali Coelho Rodrigues, Rossini Sotero de Figueiroa, Rivadavia Correia de Melo, Rui de Oliveira Cavalcanti, Ulisses Peixoto Pinto Filho, Valter Cavalcanti Lacerda, Vanolto Vasconcelos Silva, Vanuterio Alexandre Silva.

2ª Série

Abelardo Redendo Lopes, Antônio de Lira e Sousa, Abelardo Silva Rego, Acácio Rodrigues Alves, Adelson Machado Vasconcelos, Aníbal Vitor da Silva, Ataíde Tenório Pinto, Vivalden Grossi.

5ª Série

Clóvis Galvão Carapeba, Francelino Araújo Gomes, João Domingos da Silva, Jorge Lins de Gusmão Lira, José Lopes de Oliveira, Valdomiro Diletieri Araújo.

"Curso Propedêutico" 1º Ano

Antônio Barbosa Filho, Erasmo Lopes Farias, Luís Laporte de Carvalho, Vanildo Ferreira de Carvalho.

2º Ano

Enedino Alves de Santana, José Alves de Santana, José Vieira Barros, Rui Domingos da Silva.

3º Ano

Abgar da Mota Valença, Agrario de Aguiar Ramos, Eraldo de Amorim Damasco, Gil Beltrão de Andrade Lima, Lindolfo Alves de Lira, Natalício Alves de Lira, Natalício de Almeida Valença, Raimundo Amaro de Carvalho, Valdomiro Freire Borges.

Curso Primário, dividido em 4 classes

Bolivar de Almeida, Carlos Alberto Moreira de Melo, Djalma Cavalcanti Freire, Edelzito Branco de Melo, Homero Alfredo Vieira, Joel Vital dos Santos, José Antero de Almeida, José Minoti Moroni, José Tenório Luna, Milton Leite de Melo, Sílvio Barros de Almeida, Vanildo Rodrigues Branco, Wilson Barros Lins.

3ª Série

Abdoval Veloso de Morais, Arani Tenório Maia, Antônio Paranhos Júnior, Cláudio Siqueira Granja, Délio César Valença, Evilásio Canuto Marques, Jaire Caldas Correia, José Alves de Freitas, Júlio Caldas Correia, Lucilo Jordão Batista de Oliveira, Luís Gonzaga Figueirôa, Manoel Teles, Milton Menezes Lira, Mucio Jordão de Vasconcelos, Polinício Buarque de Amorim, Nivaldo Castelo Branco de Pontes, Celso Campos Matos, José Campos Matos, Osvaldo Zaidan, Carlos Afonso Zaidan, Renato Peixoto Leal, Newton Peixoto Leal, Ciro Ferreira Costa, Inaldo Souto Cunha, Edson Ferreira Carvalho, José Câmara da Silva, Irajá Lins, Paulo Cardoso de Oliveira, Djalma Paulo de Miranda, José Anchieta Cavalcanti Lira, Marconde Gomes Caldas, Edmar Omena Espírito Santo, Mosir Sampaio, Pedro Cavalcante Filho, Paulo Espírito Santo Saraiva, José Fernando Souto Maior, Amauri Barbosa Teixeira, Augusto Barbosa Teixeira, Demétrio Gonçalves Maia, José Calou de Alencar, João Calou de Alencar, Rinaldo Souto Maior, Leone Piancó, Valdir Bezerra e Silva, Fernando de Melo, José Nunes Feijó, Evaldo Soter Figueirôa, Elson Galvão Santos, Antônio Machado Schettini, Almira Sá Barreto.

Fonte: O Diocesano de Garanhuns e Monsenhor Adelmar (de corpo e alma) / Manoel Neto Teixeira / 1994. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Tudo meu



Por José Alexandre Saraiva*

Meu Rancho Velho na minha Labiata. Meu doce pé de camboim, meus gomos de cana-caiana recheados com mel de uruçu. Meu Riacho Caçula chuachuando bem no meio do meu doce sítio, a caminho do Rio Feijão. Meu Lajeiro de Sinhá. Minhas pinhas, meus cajus, meus imbus, meus cajás, minhas jabuticabas, minhas tanajuras, minhas castanhas assadas no meu lajeiro milenar. Minha sanfoninha Todeschini 48 no forró do meu pé de serra, meu banho de água mineral na soleira da minha Serra da Bica. Meu Escorrego da Ponte, onde me lançava de peito. Minhas mãos erguidas para o alto no leito do meu açude, segurando o pão doce do seu Luiz do Bar para comer como prêmio depois de vencer o desafio de nadar só com as pernas, de uma margem a outra. Hum, aquele topete de coco naquele meu pão doce quentinho, quentinho! Minha praça Doutor Manoel Borba, meus jogos de chimbra, meu coreto, minha Banda de Música Mariano de Assis tocando nas alvoradas o dobrado “Saudade de minha terra”. O sole mio nascendo por detrás da minha Serra da Bica. O meu por do sol acenando para a minha Rua do Xêxo. Os meus vagalumes nas arandelas do breu alumiando a Boca da Mata e a Queimada do Milho.

É o que tenho tudo meu. 

*Advogado, escritor e músico.

Fotos: Elielma Santos

Lendas


História de Garanhuns - Como acontece com outras cidades, Garanhuns também tem suas lendas. Conta-se que a antiga imagem de Santo Antônio, padroeiro da Freguesia fora por alguém achado no alto do Magano e entregue ao Cura que logo a entronizou no altar competente mas, que no dia seguinte havia ela  dali desaparecida misteriosamente, e poucos dias depois encontrada no mesmo lugar, onde ora achada, e novamente trazida para o altar, de onde mais um vez desapareceu, por isso teria o padre Cura organizado uma procissão e solenemente a conduziu do local, no Alto do Magano, para a Matriz, sendo entronizada depois de que ali permaneceu. A imagem a que se refere essa lenda, em 1901, foi substituída no Altar-mor, pela atual, não obstante os protestos das mulheres católicas revoltadas contra a substituição. 

Outra lenda está já esquecida pelos propagadores, se refere a uma senhora elegantemente trajada que a altas horas das noites de luar, conservando certa distância, acompanhava ou ia à frente de passeantes solitários, sem que  estes conseguissem dela se aproximar, a marcha, ou parando para aguardar a sua passagem, conforme fosse o caso.

Quando ainda no estado de solteiro, inúmeras vezes, a qualquer hora da noite, enluarada ou não, a sós, ou em companhia de outros, debalde percorríamos as ruas da cidade, com o fim de constatar o motivo dessa lenda, muito propagada naquele tempo.

Atualmente, a lenda mais comentada se refere a um "carro encantado", originado pelo fato que vamos descrever: Vítima de varíola, aqui faleceu a viúva do Dr. Luís Afonso  de Oliveira Jardim, ex-Juiz de Direito desta Comarca, dona Secunda de Souza Jardim. Para seu sepultamento foi o respectivo ataúde colocado em um caixão feito com chapas de ferro e, depois completamente fechado, e conduzido para o cemitério num carro de bois, pela dificuldade de o ser à mão, devido ao peso. Dias depois, o carreiro que dirigiu o dito carro, também adoeceu de varíola, falecendo. 

Embora o canto do carro de bois fosse muito comum naqueles tempos os  notívagos tiveram as atenções chamadas para o canto de um que a certas horas de algumas noites não progredia na sua marcha.

Levados pela curiosidade, cada notívago procura deparar o carro que  produzia aquele canto, indo ao seu encontro na direção de onde tinham vindo. Atônitos, os notívagos começavam a divulgar o que ele se passava, e isto provou o interesse a grande número de populares em constatar o fenômeno e,  para isto, vários conjuntos, logo que aquele canto começava a ser ouvido, percorriam a cidade em todos as direções, terminando as buscas com o mesmo resultado obtido pelos notívagos. Inteirada do que ocorria, a maior parte da população atribuiu o fenômeno a um mistério, cuja causa, cada pessoa se esforçava por atinar e assim houve quem a atribuísse a penação da  alma daquele carreiro que dirigiu o carro de bois transportando o cadáver de dona Secunda para o Cemitério. Esta lógica foi aceita pela maioria dos habitantes e daí por diante os que escutavam o canto do "carro encantado", dirigiam preces a Deus em favor daquela alma.

Fonte: Livro - História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcante / Volume II / Garanhuns, Fevereiro de 1973.

Dr. Ivaldo Dourado, médico humanista

Por Manoel Neto Teixeira

Ainda menino, década de 1950, conheci um grupo de médicos que pontificaram em Garanhuns, fazendo da  ciência e arte de curar e extirpar doenças e enfermidades, um verdadeiro sacerdócio,  conferindo dimensão humanista às suas atividades: lembro, pelo menos, os médicos Godofredo, Pompeu, Luiz Lessa, Giovane, Ivaldo Rodrigues Dourado (foto) e Dr. Couto.

Profissionais que se destacariam em qualquer grande cidade do Brasil - São Paulo, Rio de Janeiro, recife, mas optaram por Garanhuns, esse "Verde e querido ninho murmuroso de eterna poesia", para  lembrar Castro Alves quando se referia a sua terra natal, onde deram o melhor de sua  inteligência e labor profissional.

Invoco esses nomes, à guisa de  exaltar suas memórias e virtudes ético-profissionais, dividindo/somando honrarias e glórias com o nosso principal homenageado desta noite, pois, tenho convicção que esse compartilhamento é do  agrado e faz bem à alma do doutor Ivaldo Dourado, conforme o legado de sua  personalidade de homem simples, culto e de  fácil convivência social.

Entre os muitos amores que  encontraram guarida no seu coração, além de  sua esposa, filhos e demais familiares e os muitos amigos que cultivou ao longo da vida, Dr. Ivaldo Dourado estava sempre a destacar, em palavras, gestos e reverências o seu amor pelo Colégio Diocesano de Garanhuns onde  estudou e plasmou sua personalidade.

No livro O DIOCESANO DE GARANHUNS E MONS. ADELMAR (DE CORPO E ALMA) que tivemos a felicidade de publicar, em 1994, há uma declaração de  Dr. Ivaldo Dourado (à página 94) onde ele afirma, entre outros pontos, textualmente: "Aqui, alicercei o meu caráter e aprendi as  lições básicas de ética e civismo. Aluno interno, passei a sentir o Ginásio como o meu próprio lar. Quem estudou aqui como eu, no seu internato, pode-se considerar um privilegiado".

A gratidão e o reconhecimento, entre outras qualidades, faziam parte da personalidade desse grande médico que soube entender e administrar a condição dualista que caracteriza a realidade humana. Para Hegel, filósofo alemão, esse  dualismo remete para o que ele considera de  máquina mecânica, referindo-se à  necessidade que temos de beber e comer tantas vezes ao dia, tal como os irracionais, e a vontade ou espírito responsável pelo movimento/discernimento, criar/recriar  e abstrair.

Nosso homenageado desta noite soube compreender e administrar com sabedoria e equilíbrio essa condição. Suas mãos de médico-humanista amenizaram quando não extirparam a dor e as  enfermidades dos milhares de pacientes que  recorriam aos seus serviços de cirurgião habilidoso e que logo cedo ficou famoso em  todo Agreste Meridional e demais regiões de Pernambuco. Mas Dr. Ivaldo, no que pese o envolvimento em tempo integral com a  ciência médica, ainda encontra motivos e  razões para conviver com poetas, escritores, jornalistas e professores, levado pela sensibilidade para o segmento das artes, da cultura e da literatura.

Não teve, contudo, ao que nós é dado saber, tempo suficiente ou a modéstia exagerada não permitiu, para publicar suas reflexões e memórias, o que  nos leva a formular, aqui e agora, aos seus familiares e a esta casa de letras, para quem sabe, reunirmos manuscritos guardados a sete chaves nos seus birôs, acrescidos das manifestações que  brotaram espontaneamente dos vários segmentos sociais, a exemplo do que  ocorre nesta noite memorável, para  publicarmos em forma de livro, a fim de  que as novas e futuras gerações possam conhecer e se espelhar no legado médico-científico, social e intelectual de Dr. Ivaldo Rodrigues Dourado.

Muito Obrigado.

(Oração proferida na Academia de letras de Garanhuns, dia 2 de julho de 2011).

Presidentes da Câmara dos Deputados Durante o Império 1826 a 1889


Joaquim Saldanha Marinho - Pernambucano. Formado pela Faculdade de Direito de Olinda. Iniciou sua vida pública no Ceará. Deputado pela Província do Rio de Janeiro, de 1861 a 1866 e pelo Amazonas, de 1878 a 1881. Na república, foi senador de 1890 a 1895. Após a inversão política de 1868, com a subida de Itaboraí, declarou-se republicano, sendo o mais graduado chefe do republicanismo histórico. Faleceu em 1895.

Fonte: Livro Presidentes da Câmara dos Deputados Durante o Império - 1826 a 1889 / Carlos Tavares de Lyra / Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados / Brasília / 1978. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Edezildo Barros Corrêa

História de Garanhuns - Edezildo Barros Corrêa (foto) nasceu no dia 23 de abril de 1926, em Garanhuns, Estado de Pernambuco.

Iniciou seus estudos no Colégio Evangélico XV de Novembro, tendo depois se matriculado no Colégio Diocesano de Garanhuns, em curso noturno, indo trabalhar como Estafeta no Banco de Garanhuns, depois incorporado ao Banco do Estado de Pernambuco, passando a residir em Recife e lá estudando no  Colégio Americano Batista.

Aos 18 anos foi incorporado ao Exército, no ano de 1944, durante a 2ª Guerra Mundial, sendo licenciado em  dezembro de 1945. Ex-Combatente da Força do Exército por ter servido em Zona de Guerra nos limites de  nossa Pátria durante a 2ª Guerra Mundial.

Após ter saído do Exército permaneceu no recife, indo trabalhar na Singer onde conheceu sua esposa Dalva Arnaud Corrêa. No dia 21 de dezembro de 1950 contraiu matrimônio, e deste consórcio nasceram 3 filhos.

Em 1953 tomou posse no Banco do Brasil, na cidade de Salvador, Bahia, servindo apenas 11 meses, sendo transferido em 1954 para São Paulo.

Em São Paulo cursou a Faculdade de Teologia, vindo a  colar grau em 1967.

Foi ordenado Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil em 9 de junho de 1968. Servindo ao Banco e à Igreja, optou por aposentar-se por tempo de serviço pelo INPS a fim de dedicar-se mais à Igreja.

Livro - Fatos Cômicos - Situações Engraçadas da Vida Real - 
Edezildo Barros Corrêa - 1ª Edição em 1993 
Em 1979 deu início a este livro que, após 14 anos, entrega aos seus colegas aposentados e aos da ativa, bem como à classe bancária, com votos de um bom divertimento com a leitura destes contos.

domingo, 10 de janeiro de 2021

65 anos da morte de Augusto Calheiros o 'Seresteiro de Garanhuns'

Nesta segunda-feira (11), lembramos os 65 anos da morte do cantor e compositor Augusto Calheiros. O alagoano Augusto Calheiros (foto) nasceu em Murici, na Rua do Cajueiro, no dia 5 de junho de 1891. Chegou em Garanhuns ainda rapaz, por volta de 1912 e de pronto apaixonou-se por nossa cidade, e sua garoa penetrada pela luz do luar, numa  época em que serenatas era uma das melhores diversões. Unindo-se a outros tantos famosos desta terra, tal qual o sargento Matoso, Júlio Lucena, Luiz Patrão, Odilon Lopes de Lima, Ernesto Brasil e Luís Correia Brasil para percorrer as ruas nas fases do crescente ao minguante da lua, sendo seguidos por admiradores.

Rapaz humilde, sem muita cultura, começou sua vida nesta cidade como sapateiro e amante das melodias da saudade, formando um círculo de amizade que  compensou a solidão de qualquer pessoa, fora do seu torrão natal, sem parentes ao seu lado. Conforme  o pensamento do advogado José Francisco de Souza, que ainda menino o acompanhava nas  noites de serestas, a nossa "Patativa",  era do tipo "arrumadinho" que primava pela elegância tanto de suas vestes como de sua voz, despertando a paixão da "senhorinha" Esther, prima de Luís Correia Brasil, com quem veio casar-se anos mais tarde. De dia trabalhando com a sola de sapatos alheios e de noite reunido com grupos nas esquinas ou em meio às ruas em frente às residências das beldades do tempo. Calheiros com sua simplicidade, através do amigo e também seresteiro-tocador de violão, Luís Correia Brasil, galgou uma profissão melhor, quando lhe foi oferecido um cargo como carcereiro da cadeia pública, o que lhe dava mais tempo para dedicar-se à música e à vida boêmia que tanto lhe fascinavam. A este respeito, o comerciante garanhuense por Manoel Gouveia afirmou que Calheiros não nasceu para  outra coisa, senão para cantar e deixar à vontade seu espírito de homem da noite e da boêmia, transmudar-se na poesia das melodias que cantava e identificava-se, como por exemplo, diante das paixões contidas nas letras de Catulo da Paixão Cearense, Cesar Cruz, Jararaca, João de Barros e a sina de "Mané Fogueteiro" entre tantos outros, que encontravam em Calheiros a perfeição de letra, música e voz em harmonia.

AMOR, SAUDADE E O BREJEIRO NAS CANÇÕES DE CALHEIROS

Embora tivesse sido um homem desprovido de maiores conhecimentos culturais Calheiros comprovou mais uma vez que a alma do poeta é eternamente alfabetizada e que o intelectual é nato por si só, através das poucas composições que fez, como acontece com "Bela": 

"O teu beijo tem o perfume de açucena transformada em amor e carinho conservou em mim calmo e sereno sofrendo seguirei o meu caminho..." cujo pequeno trecho demonstra o lado mágico do amor que dedica à mulher querida. A saudade também foi marca constante na vida artística e musical de Calheiros, sentida nestes versos da valsa "Sonho de Ilusões":

"A flor que eu mais amava

há muito emurcheceu

Meu sonho de ilusões

Como essa flor já feneceu

meu coração coitado

em plena nostalgia

só vive de saudade

jamais terá momentos de alegrias..."

Também havia na "Patativa do Norte", o jeito brejeiro do malandro sertanejo, com linguajar característico e aquele toque de gozação, como vemos em  "Adeus Pilar":

"Eu andei de leo em leo

e desci de gaio em gaio

Jota já quera o não quera

eu não gosto é de trabalho

por três coisas eu sou perdido

muié, cavalo e baraio...

Porém foi como cantor que Augusto  Calheiros consagrou-se, utilizando uma  voz que dava um quê especial às músicas de autores como René Bittencourt "Senhor da Floresta e Garoto de Rua", Portela Júnior e Jota Portela "30 Minutos de Felicidade", Ataulfo Alves "Caboclo de Raça", Erotides de Campos e Jonas Neves "Ave Maria", e tantos outros, em que  a beleza de suas composições era reforçada por sua voz de veículo.

O INÍCIO DE UMA CARREIRA BRILHANTE

Lendas existem para explicar a saída de Calheiros de Garanhuns para o Recife e depois ao Sul do País, onde consolidou sua opção pelo canto. Uma delas, refere-se a sua separação de Esther - sua esposa -, em decorrência da continuidade de sua vida boêmia, mesmo depois de casado.  A partir deste  acontecido, Calheiros resolveu seguir para o  Recife e juntar-se aos "Turunas da Mauricéia", fazendo shows que tinham como entrada a apresentação do grupo em ritmo musical, afinal de contas sua esposa real era a música, só regressando a Garanhuns, em 1951 por conta da inauguração da Rádio Difusora, momento em que arrancou aplausos frenéticos, cantando "Grande Mágoa". Dissolvido o grupo, "A Patativa do Norte", que tanto encantou as ruas e noites garanhuenses como também os intervalos e finais das  peças acontecidas no Grêmio Polimático, segue para o Sul, onde começa a gravar e conhecer o gosto do sucesso profissional, interrompido somente depois de sua morte.

Washington Medeiros canta "Saudade do Meu Norte" samba canção de Augusto Calheiros e Arthur Goulart com Augusto Calheiros acompanhado por Orquestra em disco Todamérica TA-5279 B (matriz TA-404). Gravado em 22.01.1953 e lançado em fevereiro de 1953.

O DESEJO DO REGRESSSO

Mesmo afastado da terra adotada como mãe, Augusto Calheiros permaneceu com o sentimento arraigado de saudade e o desejo de um dia regressar e permanecer em Garanhuns, e embora as madrugadas não fossem as mesmas, queria retornar ao tempo em que ficava nas esquinas saboreando canções como "Vertigem", composta pelo homem político, literato e músico nas horas de lazer, Luís Correia Brasil.

Porém este sonho realizou-se somente depois de falecido, quando Washington Medeiros, concretizou seu desejo confesso a Frederico Moraes Júnior antes de morrer, afirmando que mesmo distante morreria pensando em Garanhuns, promovendo um movimento para trasladar seus  restos mortais para Garanhuns, onde descansa no Cemitério São Miguel. Mas, se Calheiros em sua composição, com parceria de Artur Goulart, dava adeus ao meu "norte querido" em "Saudade do Meu Norte", despedindo-se de "Garanhuns hospitaleira / Terra onde eu vivi / Adeus cidade nortista / Garanhuns e Boa Vista / Foi aonde me criei"... Não seu quando voltarei". Na realidade voltou aos 16 de agosto de 1958 e continuou, como que  alcançar a esperança contida nos últimos versos da canção:

"Ainda espero

quem espera sempre alcança

Tenho muita esperança

ao meu Garanhuns voltar

quando me lembro do sertão daquela terra

Lá do alto do Magano

Tenho vontade de chorar".

Esta vontade ele não mais sentirá, vez que encontra-se na terra-mãe.

Calheiros, apesar da solidariedade recebida, veio a falecer em 11 de janeiro de 1956, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos, motivado por diabetes. 

Fonte: Texto transcrito do jornal O Monitor de 16 de Agosto de 1986 
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Durante muito anos houve dúvida sobre o seu local de nascimento. Parte dela criada pelo próprio Augusto Calheiros, que em entrevista ao jornalista Wilson Quintas, publicada na Revista Carioca em 1940, declarou que nasceu em Maceió no dia 5 de agosto de 1891.

Independente da origem, com nove anos morava em Maceió e perdeu o pai, o que levou a família a enfrentar dificuldades.

Fonte: https://www.historiadealagoas.com.br/augusto-calheiros-o-patativa-do-norte.html

Jornal O Menor

História de Garanhuns - Editado em 14 de maio de 1956, sob a  responsabilidade do jornalista Humberto Alves de Moraes que tenta manter a tradição jornalística da Terra de Simôa Gomes. Circulou até fins de 1959, graças à tenacidade de Humberto.

Michel Zaidan

Michel Zaidan e o jornalista Ulisses Pinto
Foto: Jornal O Século

História de Garanhuns - Essa figura afável, padrão de verticalidade, por muito tempo enfeitou a Rua Dom José com a sua  VANTAJOSA, fazendo viva a memória comercial de Garanhuns de priscas eras.

É muito agradável para o escriba falar de um  comerciante que resistiu ao tempo, com o mesmo entusiasmo de ontem. O bom Michel tratava todo mundo por "Doutor", tendo na humildade seu grande capital e no trato social sua mais forte característica. Gosto do Michel desde os tempos da Difusora engatinhando, lá pelos anos 1951. Foi por aí que cultivei uma VANTAJOSA amizade com um homem que nunca se fez distante dos programas de auditório, comandados pelo saudoso Maurício Acioly. Michel foi espelho da determinação, painel de persistência; um homem vocacionado para ser até o último suspiro, um gentleman, um filósofo do balcão, um comerciante nato.

Rossini Azevedo Moura / Radialista, jornalista e cronista / Garanhuns, 13 de março de 1993.

Amigo Rossini Azevedo Moura

Por José Hildeberto Martins*

Modelo de radialista, dono de uma das vozes mais agradáveis do Brasil, comparado a Cid Moreira, com quem junto trabalhou; cronista a nível de Armando Nogueira, companheiro seu também; na verdade, um exímio esgrimista das palavras. Um homem que, com a simplicidade e sem fadiga, punha em prática os dons apurados que Deus lhe deu, como que tivesse uma claraboia na cabeça, tão somente precisando de uma máquina de datilografia antiga, para, com palavras tisnas, traçar, sempre de modo inovador, ideias multicoloridas. Parecia guardar consigo a medida exata da crônica e os cordames da  poesia. Ébrio de emoção e talento, tragava fumaça no pito, sem se asfixiar, enquanto revezava água e  café, levando a vida escrevendo, ora exercitando sua bela voz. Vivia regando palavras. Cansei de Ver. Era uma hábito cotidiano, enxertando tônicas agrupadas, poeta prosador que sempre foi. Mais um extraordinário, profissional da Comunicação. 

Rossini (foto) do serviço de antena, na cidade de Arcoverde, ao lado de  Paulo Cardoso, outro grande radialista da década de 1940, quando o conheci. Rossini locutor esportivo da Rádio Difusora de Pesqueira, nos anos 50. Eu sempre estava seguindo o seu roteiro, guardadas as proporções, é claro. Lembro-me, ele narrando uma partida entre União Peixe X América F. C. do recife, no Estádio Joaquim de Brito, em Pesqueira. Rossini da Rádio Bandeirantes (SP), Rossini, chefe das  emissoras de rádio do interior de  Pernambuco, pertencentes à empresa Jornal do Comercio. Rossini Diretor de uma sucursal da  Rede Globo em Caruaru, ex-Diretor da antiga Rádio Difusora de Garanhuns, ex-Diretor da Rádio FM Sete Colinas, ex-Diretor do Jornal O Monitor, época em que nos reencontramos e trabalhamos juntos por vários anos, na administração de Ivo Amaral, e, particularmente, bem depois, no mesmo jornal, sob a posse e direção do Doutor/Juiz de Direito, aposentado, Osman Benício de Holanda, onde continuamos, como sempre, em boa parceria e grande amizade.

"Garanhuns na Era do Rádio" - Narração Rossini Azevedo Moura - Créditos do vídeo Josemario Gomes - https://www.youtube.com/watch?v=il5H0ogVu88

"Grande Rossi", como eu o tratava particularmente. Às vezes, eu  brincava, dizendo que ele fora o  apresentador oficial de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, no nordeste, e ele sorria. E o foi de fato.

Formamos uma equipe inesquecível no Semanário O Monitor, ao lado de Adelson Costa Silva, Didi, José Américo, Leleto, Vavá, Everaldo Gonçalves, Cristina Moraes, somando-se ainda um grupo seleto de  colaboradores como Dr. José Francisco (Advogado), David Lima, Ulisses Pinto (vice-Diretor), Juracy Calado, Professora Ivonita Guerra (Secretária), Antônio Edson de  Araújo Lima (Cronista esportivo), Raimundo Athanásio de Moraes, Dumuriê Vasconcelos, Lusitânia Gomes, Maviael Medeiros, Professora Luzinete Laporte, Evanderly Felix da Costa...

Rossini, você nos surpreendeu, viajou fora do combinado, como se diz. Pegou-nos no impedimento, aquém ou além, não sei dizer bem, da linha da  vida. Mas, fantasiando, de longe, onde você estiver, certamente ao lado de Humberto de Moraes, você e ele, mandem-nos sempre um alô, enviando também seus artigos, suas crônicas geniais, pois haverá em toda edição, como de costume, um espaço, uma  página inteira, quando vocês quiserem, para seus trabalhos no nosso Jornal, O Monitor, e que tanto você, em especial, dignificou participando da história de  Garanhuns, com verdadeiros petardos jornalísticos, ora elogiando, ora, com maestria, analisando com  imparcialidade os fatos, revelando a verdade contra todo tipo de  empecilhos sempre de modo bem abalizado.

Para mim, particularmente, você não partiu. Sua figura vai estar sempre presente pelo resto dos anos, em contato com o aroma dos tipos, com a tabela de cíceros, com os dedos sobre os teclados, ao nosso lado, compondo seus artigos; ou, então, de outra forma, ouvindo os  clássicos, nas horas de lazer, como Strauss, Choupin, Bach, Mozart, Rossini, Thaicovisk, velho costume seu. Sua voz inconfundível, estou convicto, estará sempre a ecoar no éter, em anúncios de propagandas pelas ruas de Garanhuns. Quem de  sensibilidade poderá ouvi-lo.

Muito obrigado pelo apoio, pela confiança de ter-me confiado fazer os  editoriais, quando junto trabalhamos. Você dizia que eu tinha um punho firme, que era meu fã. Foi muito importante ter sido escolhido por você para desempenhar a função de Editor e, logo após, por você mesmo ter me apontado para lhe substituir como Diretor, embora reconhecendo a distância de talento, do patamar bem mais elevado em que você sempre se postou. Mas vou continuar me  espelhando em você. Creio que não terei outra saída, nem quero. Adeus, portanto, grande amigo. No seu  recolhimento a Deus, o reconhecimento pelo seu incansável labor. 

*Jornalista, professor, cronista e escritor / Transcrito do jornal O Monitor de 14 de julho de 2011.

Simplesmente Viver

Garanhuns - Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo)
Foto: Anchieta Gueiros

Viver é bem relacionar-se, É sentir profundamente o desejo do diálogo. Um passo deve ser dado no sentido de esvaziar à mente. As ideias preconcebidas induzem a estática mental. Para isso, o mais  importante é o efeito de uma autoanalise completa. Uma espécie de renovação nasce o processo das coisas que nos  rodeiam. Assim a nossa mente se liberta do velho. E passa a se objetivar no currículo do que é novo.

Esse impulso criado, é essencial para que possamos criar um mundo novo. Um diferente estado de relação uma diferente estrutura moral. Essa realidade existe em cada um de nós. É uma nova maneira de viver, agindo harmoniosamente. A busca que gera os conflitos desaparece. Implica em nova maneira de pensar e de viver simplesmente, livre dos problemas. Nós somos os problemas.

A vingança, a violência com a sua crueldade, a destruição do ser humano, através de declaração de guerra em terra, e nas estrelas, são declaradas pelos  homens que ostentam a força pela desumana impiedade. As guerras só se materializam na plenitude selvagem, porque é raro o homem que seja livre. Todos justificam as guerras nacionais e internacionais.

Sem a libertação desses propósitos de  violência, de decomposição física e moral, por mais que fizermos para dissipar a confusão e trazer a ordem à estrutura social, nada conseguiremos. Os sofrimentos se renovam e as angústias permanecem. Tais fatos nos parece evidentes, se observarmos, os acontecimentos políticos e sociais que se desenrolam no mundo. 

Há  o apreender que começa com o autoconhecimento, um aprender oriundo da percepção das atividades diárias, o que fazemos, o que pensamos, a natureza de nossas mútuas relações, maneira como o nosso mundo responde a cada incidente e desafio do cotidiano viver. Se não estamos cônscios de nós mesmos, se  não conhecemos como a nossa mente reage a cada desafio da vida, não há autoconhecimento. Não existe bom relacionamento entre os seres humanos, porque  não alcançamos a sabedoria.

O melhor para os homens é sempre um problema de escolha. O fato de ser melhor não decorre que seja o mais desejável. Ser filósofo é melhor do que ser estupido, e ganhar dinheiro, porém não é  mais desejável para o que carece das coisas da vida. O poder, não deve ser desejável sem a prudência. Mas, a prudência é desejável sem o poder. Uma coisa sempre manifesta por si mesma a sua  essência, não é uma propriedade mas uma definição.

Mas, em grau secundário, a vida de acordo com a outra espécie de virtude é feliz, porque as atividades que concordam com esta condizem com a nossa condição humana. Os atos corajosos e justos, bem como outros atos virtuosos, nós praticamos em relação uns aos outros, observando nossos respectivos deveres no tocante a contratos, serviços e toda sorte de  ações e iniciativas que ligam os homens uns com os outros através do entendimento.

A sabedoria prática também está ligada as caráter virtuoso e este à sabedoria, já que os princípios de tal sabedoria concordam com as virtudes morais e  retidão moral concorda com ela. Ora essas virtudes são humanas, por  conseguinte, humanas são também a vida e a felicidade que lhes correspondem.

As premissas necessárias mediante as  quais se efetua o nosso raciocínio não devem ser propostas diretamente e de forma muito explicita. Convém, que pairemos acima delas o mais longe possível. 

José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 30 de maio de 1987.