sábado, 30 de janeiro de 2021

Testemunho sobre Monsenhor Adelmar

Mons. Adelmar e Padre Silvano Machado da Silva
Padre Silvano Machado da Silva

Fiquei muito emocionado e com o coração agradecido, quando recebi o convite das queridas irmãs missionárias de Nossa Senhora de Fátima do Brasil para falar um pouco sobre o Monsenhor Adelmar da Mota Valença e da minha convivência com ele.

O que posso dizer é que padre Adelmar foi e continua sendo um dom para a Igreja. Nos últimos 5 anos de monsenhor convivi diretamente com ele e até tive a graça de no dia de sua partida para o céu, ficar o dia inteiro na capela do seu e nosso querido Colégio Diocesano velando o seu corpo, rezando o tempo todo o terço e recebendo as pessoas; tive um momento pela manhã que fiquei sozinho ao seu lado junto com uma sobrinha sua, e a esposa do professor Adilson.

Vejo tudo isso como bênçãos e graça de Deus para mim pobre e pequeno sacerdote, poder ficar até o fim com aquele arauto da fé, da moral e de amor à Igreja, isso muito me edifica.

O sacerdócio de padre Adelmar foi de fato intimamente ligado à oferta de toda Igreja ao sacrifício  eucarístico, sua razão de ser, foi entre outros, o prolongamento no tempo do mistério da salvação pois celebrava a eucaristia diariamente com zelo e ele se confundia com esse mistério tornando-se com cristo "vida pura, santa e imaculada" e com a eucaristia cotidiana alimentava o povo santo de Deus.

A grandeza de padre Adelmar supõe em cada um de nós sacerdote de cristo, sua imitação. É por isso que a nossa vida deve estar orientada a reproduzir o modelo supremo, que é Jesus Cristo.

A sacerdote não vive em função de si mesmo, nem foi consagrado para realizar sua vontade. Deve estar totalmente disponível, e isso viveu integralmente o momento Adelmar no Colégio Diocesano, tendo o colégio como sua  paróquia, sua casa, sua vida e os alunos seus filhos.

Graças a Deus sua vida e o seu testemunho continuam vivos em nosso coração, na Igreja e no colégio, pois no mundo de hoje, submetido ao secularismo é  necessário que figura como Monsenhor Adelmar continuem vivos em nossa memória para não nos deixar instrumentalizar pelo que chamamos de civilização.

Lamentavelmente, o influxo dessa perspectiva mundana e falaz se deixa sentir não poucas vezes dentro do corpo eclesiástico, por isso o testemunho, a fé e a humildade de  um homem como monsenhor Adelmar nos faz viver com mais  entusiasmo e alegria pois as sementes por ele plantadas estão germinando e dando bons frutos; por isso apesar de insegurança da modernidade sabemos que se permanecermos firmes seremos vitoriosos isso nos ensinou o padre.

Um certa vez padre Adelmar me disse: "Silvano o  melhor remédio para curar nossas feridas é o silêncio interior e aguardar o dia de amanhã sem muitas respostas para os acontecimentos, sem querer resolver logo as coisas devemos confiar na providência divina e quando menos esperamos tudo será resolvido". São essas poucas palavras e o meu testemunho sobre esse homem de Deus.

Obrigado às missionárias de Fátima pela oportunidade e que o bom Deus as abençoe.

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra - Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Irmãs Cândida Araújo Corrêa e Maria Mirtes de Araújo Corrêa. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

Robert Musil (1880-1942)

"O que distingue um homem sadio de um alienado é que o sadio tem todas as doenças mentais e o alienado só tem uma." - Escritor austríaco, autor de O Homem sem Qualidade.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

TCE passa a receber denúncias sobre irregularidades na vacinação


O Tribunal de Contas do Estado criou um canal específico para receber denúncias da população sobre possíveis irregularidades na vacinação contra a Covid-19. As informações podem ser encaminhadas à Ouvidoria do TCE, clicando aqui.

As informações repassadas pelo cidadão, no exercício do controle social, têm um papel fundamental de reforço no trabalho de fiscalização do órgão. Por meio desses dados, o TCE pretende identificar os desvios na aplicação das vacinas e o desrespeito à lista de prioridades de imunização, para posterior análise e punição dos responsáveis, caso as denúncias sejam confirmadas.

A criação de um canal para registro de denúncias foi uma das ações definidas pelo TCE após reunião entre técnicos e especialistas, no início desta semana, durante discussão sobre a como se dará a fiscalização da vacinação nos municípios do Estado.

Outra preocupação do TCE é promover a transparência das etapas de imunização no Estado por meio da disponibilização de informações à população sobre quantidade de vacinas, lotes, identificação das pessoas imunizadas, entre outros dados, para que os moradores possam acompanhar a evolução da vacinação em seus municípios.

Também será expedida uma norma para disciplinar os procedimentos da vacinação, de modo a evitar a configuração de irregularidades, contribuindo pedagogicamente para o aperfeiçoamento da gestão pública.

O descumprimento das normas pode resultar em abertura de processos, julgamento e responsabilização administrativa no Tribunal de Contas, além de encaminhamento aos órgãos competentes para a responsabilização civil criminal.

Fonte: TCE-PE

Novos conselheiros do Comdica tomam posse em Garanhuns

Tomaram posse na última terça (26), em Garanhuns, os representantes da sociedade civil e do Governo Municipal que vão fazer parte do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), durante o biênio 2021/2023. A solenidade foi realizada na Casa dos Conselhos e contou com a presença da secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Eliane Madeira, que representou o prefeito Sivaldo Albino.

Na cerimônia também foi realizada a eleição para presidente e vice do Comdica. Sandra Mendes assume a presidência, representando o Governo, enquanto Aparecida Nascimento, representante da Organização da Sociedade Civil, será vice-presidente. Também foi formada a comissão para análise e projetos sociais.

O projeto ‘Batuque’, grupo percussivo garanhuense formado por crianças e adolescentes, também participou da posse. “A apresentação nos proporcionou um momento de reflexão e alerta em relação às lutas sociais, bem como a importância dos conselhos de direitos no papel de fortalecimento da democracia e na formulação, fiscalização e implementação de políticas públicas”, afirmou Eliane Madeira, secretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Garanhuns.

Fonte: Secom/PMG.

O Destino; O Homem

Ano 2021 - Garanhuns - Praça Souto Filho
Foto: Anchieta Gueiros
Dr. José de Vasconcelos Pontes*

O homem nasce, cresce, vive e morre. Um processo moral e natural. A vida, a esperança, o amor. A fé constrói, edifica, conforta. "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade" - O querer constante, o amor  ao próximo sem pensar em retribuição. A gama sublime de amar e querer... O homem, animal racional, dotado de inteligência capaz de suportar as fraquezas e injustiças geradas pela própria vida.

A vida conforme Vieira: "Uma lâmpada acesa, vidro e fogo, vidro que com um assopro se faz, logo com um assopro se apaga". - A beleza das coisas que contemplamos com os olhos e amamos com o coração e o espírito. Como é maravilhoso ouvir o canto dos  pássaros majestosos emitindo uma mensagem suave e maviosa abrandando o  coração. Luz resplandece através da  natureza com todo seu resplendor iluminando a mente daqueles privilegiados, encontrando respaldo suficiente para a  perfeição.

A prosperidade humana, recordo Vieira: "Que coisa é toda prosperidade humana, senão um vento que corre todas as direções? Se diminue não é bonança; se cresce é tempestade. A vaidade dizima e aniquila o homem. Nasce, cresce vive e morre. Ficamos velhos, cheios de rugas, cabelos brancos, os olhos não brilham mais; a velhice mostrando que  não somos nada, simplesmente pó para que  se cumpra a verdade evangélica. Somos enterrados na "cova", plantados como uma semente, recebendo sem protestar o túmulo frio. Ali está a realidade da vida; a morte do corpo que recebe a terra molhada, úmida pelo orvalho desprendido durante a noite, somos desintegrados pelo tempo, traçados por vermos que fazem "banquete" da nossa carne pútrida. Já não mais orgulho, nem vaidade. Afinal o que somos? De onde viemos? Para onde vamos? - Depende unicamente da nossa formação espiritual, da nossa vivência, de um coração humilde, da simplicidade arraigada no coração e também na certeza de que somos mortais, que não ficaremos eternamente aqui, que se faz necessário ser humilde e dispensar a ignorância do seu semelhante.

Quanto mais elevado é o espírito do homem mais sofre. É preciso que  por vezes permaneçamos sós face ao  nosso destino. Temos de compreender por nós próprios a experiência cotidiana; só depois de refletirmos é que tornamos conscientes de um amor autêntico e assim alcançar uma bem aventurança na vida do além.

Vivemos neste vale de amarguras,  ou vale de lágrimas com o pensamento firme de produzir uma autoeducação independente, honesta, responsável e  respeitosa, para si, e os outros. Aprender a reconhecer o valor do seu semelhante, respeitá-lo para ser respeitado, compreender que somos um conjunto cada qual com uma missão a cumprir.

Devemos exprimir nosso pensamento com todas as forças de nossa alma, do nosso espírito. Ser humilde e recordar as palavras do Divino Mestre: "Os  exaltados serão humilhados, os humilhados serão exaltados". - A vida é efêmera, nossos dias estão contados, nosso tempo urge, assim, pois todo homem deve entender que a vida não comporta dissabores, atritos, e sim união para a  perfeição.

*Advogado e jornalista / Garanhuns, 9 de Julho de 1983.

Relógio de Flores é destaque no Portal da Folha de Pernambuco


Cartão-postal de Garanhuns, no Agreste pernambucano, o "Relógio de Flores" completou 40 anos esta semana. Localizado na Praça Tavares Correia, ele foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 1981 pelo ex-prefeito Ivo Amaral.

Inspirado em um relógio de flores da Suíça, Ivo recebeu a sugestão do então secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Pernambuco, Francisco Bandeira de Mello.

"Francisco era meu amigo e me deu a sugestão de fazer um relógio de flores aqui em Garanhuns", conta Ivo. "Como a prefeitura não tinha condições de arcar com os custos totais da obra, que totalizou 420 mil cruzeiros, fizemos em parceria com o Governo do Estado", emendou o ex-prefeito.

A decisão do local foi feita por técnicos da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), que escolheram a Praça Tavares Correia por se tratar de um local estratégico da cidade.

"O local onde está o relógio é na entrada da cidade, mas também é via de acesso para outros locais. A praça era menor e precisou passar por uma reforma. Realizamos a revitalização e a ampliação do local, que recebeu o relógio das flores com muita festa, há 40 anos", lembrou Amaral.

Mesmo após tanto tempo de inauguração, o famoso relógio das flores de Garanhuns não perde o posto de atração principal da cidade. "O relógio segue funcionando até hoje, com muito cuidado. Ele é uma atração da cidade, mas também de todos os turistas que vêm visitar Garanhuns. Vir aqui e não ter uma foto no relógio das flores é o mesmo que não ter vindo", brincou Ivo.

Fonte: Folha de Pernambuco

A Obra não Feneceu

Aluna da cruzada ABC recebendo certificado das mãos de
Jule Spach
Por Marcílio Reinaux*

Inegavelmente a semente plantada para a germinação do Colégio Quinze de Novembro, foi muito bem fecundada. Só os que viveram contudo, o dia-a-dia da grande instituição, podem aquilatar os sacrifícios e a luta insana para levar avante tão auspicioso ideal. Mas quem faz alguma coisa de útil sem sacrifícios? Parece mesmo que nada tem o devido valor, se o suor e até as lágrimas não caírem como um forte tempero que sedimenta a vida das grandes instituições. O Colégio, foi, é, e será iniludivelmente sempre assim. Os longos dias dessa sua história trajetória, são testemunhos eloquentes e que Deus, esteve bem perto, sempre presenta na vida dos grandes missionários, que as deram para o cumprimento da missão a que vieram. 

Nos primeiros anos da década de 1960 permanecia na direção do educandário Dr. Jule Spach. Nos anos seguintes ela ficou a cargo do professor Arthur M. Lindsay que diante de outros compromissos com a missão ficou apenas um ano. Voltaria depois para mais outro período de direção. Com a saída do professor Arthur Lindsay ocupou a direção do Colégio o Reverendo Ismael Feijó de Melo. Inegavelmente o pastor Ismael impregnou o colégio de uma  maior e mais forte ação espiritualista, ao lado das atividades educacionais.

Nos anos de 1967 a 1975 o Quinze ficou com a responsabilidade direcional do  Reverendo Josias Rocha. Um bom período, segundo se atesta, conforme testemunho de ex-alunos desse tempo.

A partir de final 1975 voltou a direção o professor Arthur Lindsay, que  - segundo se sabe - foi um período difícil de  ser enfrentado. A valiosa colaboração do  professor Lindsay neste segundo período da sua administração, prolongou-se por pouco mais de um ano, isto é durante o ano de 1978, quando no final teve que regressar aos Estados Unidos.

Em princípios de 1979 ocupou a direção o professor Nivaldo Felipe, demonstrando incomparável competência como gestor dos negócios do colégio. Fase difícil  a anterior, agora com novas perspectivas de  trabalho e de ação.

Seria impossível anotar nomes de tantos que passaram pelo Colégio Quinze e dedicaram um pouco de sua experiência, seu trabalho, seu entusiasmo. Alunos, hoje ex-alunos, professores, mestres e diretores, muitos dos quais já falecidos, legaram um patrimônio indelével no contexto da cultura de Pernambuco. Mas  sobre todos os aspectos, a obra não feneceu. 

Professor Ageu Vieira. Destacado mestre e pastor. Dedicado ao ensino, Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte do Brasil. Intelectual profundo escreveu vários opúsculos de antologia religiosa, sendo um pregador dos mais respeitados pela sua palavra firme e segura sobre as Verdades Eternas. Tinha especial dedicação pela língua mater e pela língua inglesa. Austero com seus alunos, dirigia-se a todos, contudo com carinho e amor paternal. Meu primo, o pastor Cephas Reinaux sempre lembra o Reverendo Ageu Vieira, pois quando este o via, dizia sempre em tom brincalhão: "Cephas Reinou, mas não reina mais". Ou ainda, quem nos  lembra o Reverendo Ageu é o companheiro desta linhas Urbano Vitalino. O reverendo dizia ao ver Urbano: "Senhor Vitalino, seja mais urbano". Sua voz grossa e grave era seguida de um riso largo e  afetuoso. Teve como companheiro essa figura notável da educação de Garanhuns. Uma espécie de patrimônio cultural e moral que é a professora Dona Noemi Gueiros Vieira. O professor Ageu Vieira deixou os filhos "Nosa", Fanuel Gueiros Vieira, comerciante em recife e o professor David Gueiros Vieira, lente da Universidade de Brasília, intelectual de renomada e escritor. Todos foram alunos do  Colégio Quinze e posteriormente completaram seus estudos nos Estados Unidos.

*Advogado, jornalista, escritor e pintor / Garanhuns, 12 de Outubro de 1985. 

Prefeitos de Garanhuns - Manoel Antônio de Azevedo Jardim

Manoel Antônio de Azevedo Jardim
Nos finais do período de governo do Major Antônio da Silva Souto, a ala política que por ele era chefiada, passou a sê-lo pelo Dr. Luiz Afonso de Oliveira Jardim, com a cooperação do seu irmão o professor Manoel Antônio de Azevedo Jardim, enquanto que a oposicionista continuou sob a orientação do Dr. Severiano do Rego Chaves Peixoto, preparando-se, ambos para o pleito que se realizaria, como de fato se realizou, em 30 de setembro de 1895. Apuradas as urnas, verificou-se a seguinte votação: Para prefeito - Manoel Antônio de Azevedo Jardim, 631 votos; e Joaquim Correia Brasil Júnior, 210 votos, para Subprefeito Jácomo de Matos Coelho Sampaio, 631 votos; e Vitorino Alves Monteiro, 209 votos; para o Conselho Municipal - Lourenço Tenório Vila Nova, 406 votos; Júlio Tavares de Miranda, 404 votos; Augusto Cesário de Araújo e José Alves da Silva Tororó, 402 votos cada um; Pascoal Lopes Vieira de Almeida, 401 votos; Miguel Quirino dos Santos, Joaquim Rodrigues Carrapateira e Francisco Peixoto Vilela, 227 votos cada; João Araújo de Albuquerque, Cândido José de Barros Silva e Lúcio Lopes da Silva, 225 votos cada; José Ovídio Muniz Falcão, 213 votos; Antônio de Moraes Campelo, 211 votos; Joaquim Alves Barreto e Joaquim José de Carvalho, 210 votos cada; Júlio Eutímio da Silva Brasileiro, 209 votos; Henrique Teles Furtado, 208 votos; Joaquim Targino de Azevedo, 194 votos e mais sete outros candidatos que obtiveram insignificante votação cada um. 

Professora Maria Jardim
Foi neste governo que criou-se a primeira escola pública municipal para o curso primário, tendo sido a sua primeira professora dona Maria Jardim. Aproximando-se o final dos mandatos, arregimentaram-se novamente as mesmas alas políticas afim de pleitearem os cargos para a formação do terceiro governo autônomo do Município.

Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti / Volume II / Fevereiro de 1973.

Johannes Kepler (1571-1630)

 "Prefiro de longe a violenta crítica de um único homem de espírito à aprovação leviana da massa." - Astrônomo alemão.

João Guimarães Rosa (1908-1967)

 "O tempo é o mágico de todas as traições." - Escritor mineiro.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Num Canto da Memória

João Marques*


1. Garanhuns...

A feira do sábado (foto) tomava quase toda Avenida. Até a Prefeitura. De tudo tinha, e gente que fazia medo. Lembro de tudo no meio da rua. Uma vez, vi o buruçu de todo o mundo correndo atrás de um ladrão. Pega, pega o ladrão, pega! Naquele tempo, eram poucos os ladrões. Quando aparecia, cada um que quisesse pegar primeiro. E foi logo agarrado, esse. E a gente da feira gritava: Polícia, leva o ladrão para a 113. Era o nome da cadeia lá em cima, do lado de cima da linha do trem, perto do atual Colégio Estadual. 113 era o número do prédio. Olhem, na feira de Garanhuns tinha de tudo.


2 . Garanhuns...

Havia um grande mercado de carne na rua Melo Peixoto (foto). Numa manhã, quando o conheci, em minha tenra idade, vi de cá uma briga feia de cachorro. Encontrando-me com meu pai, no café de Dona Amélia, do outro lado da rua, assisti admirado à briga, que envolvia uns cinco cães enfurecidos. Costumavam rondar o mercado, atraídos por ossos e retraços de carne caídos pelo chão. A zoada tomou conta de tudo, e os vendedores do mercado davam gritos e batiam com força os facões nas tarimbas. Um fuzuê que nunca tinha visto, e que não sabia que aquilo fosse possível de acontecer em meio de tanta gente. Uma mulher correu e jogou uma bacia de água nos cachorros. Acabou a briga! E todo o mundo ria e tangia os cachorros, sendo retomada a rotina. Um espetáculo.

*Escritor, jornalista, poeta, editor/redator do jornal O Século, autor do Hino de Garanhuns e ex-presidente da Academia de Letras de Garanhuns - ALG.

Thomas Fuller (1654-1734)

"Algumas pessoas foram consideradas corajosas porque tiveram medo de fugir." - Médico e escritor inglês.

Prêmio Sesc de Literatura abre inscrições para edição 2021

O Prêmio Sesc de Literatura um dos mais importantes do país e consagrado na distinção de escritores inéditos, cujos trabalhos possuam qualidade literária para edição e circulação nacional, abre inscrições na próxima segunda-feira (25/01). Obras ainda não publicadas podem ser inscritas nas categorias Romance e Conto. Os interessados têm até 19 de fevereiro para concluir o processo de inscrição, que é gratuito e online. O regulamento completo pode ser acessado em www.sesc.com.br/premiosesc.

Ao oferecer oportunidades aos novos escritores, o Prêmio Sesc de Literatura impulsiona a renovação no panorama literário brasileiro e enriquece a cultura nacional. Os vencedores têm suas obras publicadas e distribuídas pela editora Record, com tiragem inicial de 2 mil exemplares. Desde a sua criação em 2003, mais de 16 mil livros foram inscritos e 31 novos autores foram revelados.

A parceria com a editora Record contribui para a credibilidade e a visibilidade do projeto, pois insere os livros na cadeia produtiva do mercado livreiro. “Vamos para mais um ano, agora a 18ª edição, e apesar de estarmos ainda na pandemia, seguimos fortes com todo o processo e planejamento para revelar novos escritores. A premiação foi criada em 2003 e se consolidou como a principal do país para autores iniciantes. No ano passado, foram inscritos 1.358 livros, sendo 692 romances e 666 contos” explica o analista de Literatura do Departamento Nacional do Sesc, Henrique Rodrigues.

O processo de curadoria e seleção das obras é criterioso e democrático. Os livros são inscritos pela internet, gratuitamente, protegidos por pseudônimos. Isso impede que os avaliadores reconheçam os reais autores, evitando qualquer favorecimento. Os romances e contos são avaliados por escritores profissionais renomados, que selecionam as obras vencedoras pelo critério da qualidade literária.

A relevância do Prêmio Sesc de Literatura também pode ser medida por meio do sucesso dos seus vencedores, que vêm sendo convidados para outros importantes eventos internacionais, como a Primavera Literária Brasileira, realizada em Paris, o Festival Literário Internacional de Óbidos, em Portugal, e a Feira do Livro de Guadalajara, no México.

Relógio de Flores - O Guardião do Tempo em Garanhuns

O Relógio de Flores faz parte de um elenco de bonitos monumentos que ornamentam Garanhuns
Francisco Bandeira de Mello*

Em pleno Agreste Pernambucano, Garanhuns não é só seu tempo de montanha, de verdes paisagens (num mundo cada vez mais árido), tempo e névoa, tempo frio e de flores, de inumeráveis mirantes, roupas de lã, seus relógios e queijos (suiçamente); ou seus velhos engenhos e fazendas de café, seu ar puro, água mineral, seu folclore e artesanato, o Magano, o Pau Pombo, o Timbó, seu Centro de Cultura ou, ali perto, Santa Quitéria de Frexeiras, com seus ex-votos e suas romarias. Mais do que tudo isso, Garanhuns nos ensina a transformação paulatina e persistente, desse acervo potencial de atrações, em produto turístico acabado, acondicionado, posto na prateleira do mercado turístico regional. Já pelo seu admirável parque hoteleiro, ano a ano se equipando e se equiparando, no gênero, aos melhores do país; já pelas magníficas estradas que o ligam (em bonitas paisagens) à BR 232 e BR 101. Além do apoio às rotas de Paulo Afonso e o Sertão Pernambucano, em Garanhuns se pratica o marketing do turismo familiar, do turismo de férias ou fins de semana, dos pequenos congressos e convenções, bem como do turismo social na colônia do SESC.

Na verdade, Garanhuns se apresenta como um dos modelos exemplares do que devemos fazer para dinamizar o turismo integracional do Nordeste; o que só poderá ser feito mediante o equipamento das rotas de penetração por onde se escoem e apoiem as grandes levas do turismo de repouso ou do turismo itinerante. Ressalte-se a importância disso tudo, quando se sabe que Pernambuco vem exercitando, através dos séculos, a vocação de Estado prestador de serviços econômicos, culturais e (agora) turísticos; quando se sabe que Pernambuco se situa no coração do Nordeste e que, por isso vimos ganhado para qualquer outro Estado como principal polo receptor dos fluxos turísticos inter-regionais (Repito: Pernambuco é o Estado da Região que atrai o maior percentual de fluxos turísticos que se geram de dentro para dentro do Nordeste e isso é um dado que deve se levar sempre em vista, claro, nos nossos manuais de atuação). Nesse contexto, reitero, Garanhuns é um polo de grande apelo para a  interiorização do turismo regional, pois, a par do seu pioneirismo, se afigura, talvez, como a mais completa e sofisticada estação de férias do interior de todo o Nordeste, mercês dos constantes melhoramentos que se vem acrescentando ao seu parque hoteleiro, um dos orgulhos do turismo pernambucano e boa surpresa, sempre, para todos os que nos visitam; mercê também do apoio que, do mesmo sentido, vem recebendo dos Governos Estadual e Municipal. 

Todos nós somos feitos de grandes ou pequenas frustrações, de grandes ou pequenos sonhos. Um dos sonhos que trouxe dos anos que vivi em Genebra, na Suíça, foi a implantação de um relógio de flores, justamente na cidade de Garanhuns, também chamada "A Suíça Pernambucana". Em Genebra, pude ver como um relógio desses marcava a própria cidade, sendo ponto de parada obrigatório para fotos e slides na rotina sempre feliz de todos os turistas.

Fotos  e slides, esses, que certamente iriam passar de mão em mão (ou de olho em olho) nos registros fraternos ou familiares na volta ritual de todas as viagens. Um marco simples, portanto, mais de forte registro para os habitantes e visitantes de Genebra; mas de grande efeito multiplicador na divulgação daquela cidade Suíça. E era isso que  desejávamos para Garanhuns. Pois bem. Foi um sonho que se realizou no Governo Marco Maciel, graças à compreensão do prefeito Ivo Tinô do Amaral que, em convênio com a Empetur, completou as verbas e pôs a prefeitura à frente da iniciativa. É, creio, um bom exemplo de que, mesmo com pouco dinheiro, mas com boa vontade, se pode fazer alguma coisa significativa. Inaugurado em 25 de janeiro de 1981, esse relógio (nesse tipo, o primeiro do Norte-Nordeste) tem a função social de dizer as horas (suiçamente para o povo Garanhuense; fala também das flores de Garanhuns; simpática  cidade do Agreste de Pernambuco que, assim, acerta os seus ponteiros em novo lance de pioneirismo regional. 

*O poeta, escritor e jornalista Francisco Austerliano Bandeira de Mello, 75 anos, faleceu em 7 de outubro de 2011 no Recife. Bandeirinha, como era conhecido, participou do projeto do Centro de Convenções de Pernambuco e foi Secretário de Turismo, Cultura e Esportes.

Fonte: Jornal Correio Sete Colinas - Abril de 2002

Joseph Joubert (1754-1824)

"Para ser avarento, basta a preguiça, a inação. É por isso que a avareza é contagiosa." - Escritor Francês. 

Festividades de Nossa Senhora do Timbó

A Associação Rural Comunitária dos Remanescentes do Quilombo do Timbó e Adjacências realiza, desde o último domingo (24), as Festividades de Nossa Senhora de Nazaré do Timbó. A Prefeitura de Garanhuns, por meio da Diretoria de Cultura, apoia a iniciativa. As festividades acontecem até o dia 02 de fevereiro.

A diretora de Cultura do município, Socorro Gueiros, informou que, em virtude das medidas de combate à pandemia, toda a programação foi reformulada. Não haverão apresentações culturais, apenas os terços para a comunidade local serão realizados. O encerramento será com uma missa, às 15h.

A Diretoria de Cultura informa ainda que, após o evento, o processo de restauração da Igreja será retomado.

Arte: Lucas Monteiro / Secom Garanhuns.

Frei Joaquim, Ivo Amaral e Arminda Valença são vacinados contra a Covid-19


Garanhuns começou nesta quarta-feira mais uma etapa de vacinação contra a Covid-19.

A imunização contemplou idosos com 85 anos ou mais. O primeiro a ser vacinado foi frei Joaquim, 91 anos, atendido por uma equipe da Secretaria de Saúde, no Mosteiro de São Bento.

Depois os profissionais de saúde se dirigiram à residência do ex-prefeito Ivo Amaral, na Avenida Rotary, no centro. Ele e a esposa, Edjenalva, também foram vacinados.

A única irmã viva de Monsenhor Adelmar e Amílcar, Arminda da Mota Valença (foto), 95 anos, foi outra atendida pela equipe do governo municipal. 

Nesta etapa a meta da prefeitura é aplicar 1.130 doses da vacina AstraZeneca; Oxford/Fiocruz.

Servidores da Secretaria de Saúde do município também estão sendo vacinados. Neste caso, não precisa ter a idade avançada, eles também têm prioridade por conta do trabalho que os expõe ao risco do contágio pelo coronavírus. 

O prefeito do município, Sivaldo Albino (PSB), acompanhou a vacinação tanto no Mosteiro de São Bento quanto na casa de Ivo Amaral. 

Fonte: Blog do Roberto Almeida

Françoise Sagan (1935-2004)

"A felicidade para mim consiste em gozar de boa saúde, dormir sem medo e acordar sem angústia." - Escritora francesa. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Garanhuns inicia imunização de idosos acima de 85 anos nesta quarta (27)

A Secretaria de Saúde de Garanhuns inicia a imunização de idosos acima de 85 anos contra a Covid-19 nesta quarta-feira (27). Conforme orientação da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e pauta de reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), realizada na última segunda-feira (25). Ao todo, serão destinadas 1130 doses da vacina AstraZeneca/Oxford/Fiocruz, para administração na população garanhuense. 

A primeira dose para o grupo será aplicada hoje (27), às 15h30min, no Mosteiro de São Bento, e o idoso beneficiado será Frei Joaquim.

O público-alvo desta nova etapa representa mais de 20% dos óbitos por Covid-19 em Garanhuns, e por isso, foi estabelecido um fluxo específico, com o intuito de garantir a imunização dos idosos. Desta forma, o plano de ação irá imunizar o grupo em domicílio, ou por meio do esquema de drive-trhu. 

Os idosos que residem em áreas cobertas por equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) serão vacinados em domicílio. Aqueles que residirem em áreas descobertas poderão se dirigir ao drive-thru da Secretaria de Saúde, ou agendar a aplicação da vacina, através de um cadastro prévio, por meio do telefone: (87) 9 8835-4998.

O drive-thru vai funcionar a partir desta quinta-feira (28), de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados de 09h às 17h. O dispositivo será montado na rua Joaquim Távora, s/n°, no bairro Heliópolis (na área externa da Secretaria de Saúde). Para se vacinar, o idoso precisa estar munido de documento de identificação (RG/CPF) e cartão do SUS.

Texto: Aquilles Soares / Imagem: Lucas Monteiro / Secom/PMG.

Teodora Cabocla - A Primeira Evangélica em Garanhuns

Presbitério de Pernambuco, 1909
Rev. Antônio Gueiros primeiro da esquerda na última fila. Rev. Jerônimo
Gueiros primeiro da esquerda na segunda fila. Dr. George Butler primeiro
da esquerda sentado. Dr. William Thompson quarto da esquerda sentado

Essa fervorosa e dedicada trabalhadora da Igreja Presbiteriana de Garanhuns, a índia Teodora "Cabocla" é desconhecida dos evangélicos. Da tribo caeté, era pessoa simples e analfabeta. No entanto foi a primeira pessoa a se converter ao Evangelho, em Garanhuns, tendo vivido uma experiência espiritual tão profunda, que merece ser recontada, e registrada.

Pela descrição feita pelos missionários Henry J. MacCall, Eliza Reed, e alguém com as iniciais L.D.H., Teodora sobrevivia do pouco que plantava ao redor de sua choça, e das galinhas que criava. Fazia também trabalhos manuais, tecendo esteiras de palha e cestos de vime, ou carregando água, e especialmente socando café em um pilão, para as pessoas da cidade. Antes de se converter, fora uma inveterada cachaceira e arruaceira, que andava vestida em  andrajos sujos.

Os caetés foram os índios antropófagos que devoraram o Bispo D. Fernando Sardinha e seu séquito, quando este, a caminho de Portugal, naufragara na costa da Bahia. Zangados com essa falta de respeito dos caetés à Igreja e ao seu prelado, os portugueses pediram permissão ao Papa para lhes fazer uma "guerra santa". Dada a devida permissão, a guerra foi conduzida, visando o total extermínio deles. Os que sobreviveram à chacina fugiram para o interior, alguns indo se refugiar no Amazonas, a milhares de quilômetros de distância. Outros se contentaram a fugir para a Serra da Borborema, que se estende pelo interior do Nordeste, da Bahia até o Ceará.

Durante a invasão holandesa, muitos índios nordestinos se tornaram aliados dos batavos. Alguns abraçaram o calvinismo, tendo um pequeno número deles ido à Holanda, para estudar teologia, como Caraopeba, primo de Felipe Camarão, de quem era rival pela chefia da tribo. Caraopeba se tornou predicante (pastor) da Igreja Reformada Holandesa no Brasil. Entre esses índios, amigos dos holandeses, encontravam-se os caetés.

Com a expulsão dos holandeses, mais uma vez os caetés foram vítimas da sanha portuguesa, pela sua "traição". Em face dessa nova perseguição, mais uma vez fugiram para os sertões. No entanto, conta-nos o Padre Serafim Leite, em sua História dos Jesuítas no Brasil, que os índios convertidos ao calvinismo pelos holandeses, por um longo tempo mantiveram uma visão protoprotestante e  "cristocêntrico" da religião, causando grandes dores de cabeça aos  missionários jesuítas, que os tentavam recatequizar.

Os índios caetés guardaram, por séculos, grande ressentimento contra os portugueses, pela guerra de extermínio que lhes fora feita. Deduz-se isso de seus cânticos a tradição oral. O pastor Antônio Gueiros, em suas andanças pelo sertão nordestino - na década de  1910/1920 - aprendeu um "coco", em verso de pé-quebrado, cantando e dançado pelos caetés na Serra do Teixeira, na Paraíba, que dizia:

Tomara não ir pro Céu

Pra São Clemente não ver.

Dele não quero saber,

Nem quero sua amizade.

A interpretação desse "coco" era evidente, afirmava o pastor Antônio Gueiros. "São Clemente" era o Papa Clemente VI, que, quatro séculos antes, permitira o extermínio dos caetés. Por isso, estes não queriam jamais conhecê-lo, ainda que fosse no Céu, para onde se recusavam ir, caso este Papa lá se encontrasse.

Perto de Garanhuns havia um grande número de caetés, estabelecidos em uma espécie de reserva. Esta se transformou na cidade de Caetés, hoje famosa, por ter sido o lugar onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nasceu.

A missionária Eliza Reed, em artigo publicado em 1902, contou a história da índia Teodora "Cabocla". Esta afirmou que a Teodora fugira de sua tribo após uma rebelião, que fora "pacificada" pelas autoridades. O termo "pacificar" era um eufemismo, que na realidade queria dizer exterminar.

Lembrava Antônio Gueiros que Teodora morava em uma tapera, e mantinha um roçado perto da estação ferroviária, ao lado da antiga "Rotunda", edifício em forma de uma meia esfera, onde eram guardadas as locomotivas. A choça era localizada mais ou menos onde hoje é o Mosteiro de São Bento. A cidade de Garanhuns era o final da linha da Ferrovia Sul de Pernambuco, também conhecida como a "Great Western".

Há quatro versões sobre a conversão de Teodora Cabocla, todas elas muito parecidas. A primeira contada pelo pastor Antônio Gueiros, seu contemporâneo, está relacionada à visita de um colportor "estrangeiro" - talvez o português Manuel José da Silva Vianna - a Garanhuns. Este tentara vender Bíblias, Novos Testamentos e literatura evangélica na feira semanal. Foi expulso de lá a pedradas.

Teodora apiedada do estrangeiro dera-lhe abrigo em sua tapera, até que ele pudesse fugir no trem do dia seguinte. A estação ferroviária ficava fora da cidade, que na época contava com apenas 17 ruas. Antes de ir embora, Vianna teria dado à sua protetora um Novo Testamento. Teodora passara então a pedir às pessoas que lessem o livrinho para ela, tendo se tornado, dai em diante, "uma devota de Jesus Cristo".

Henry J. McCall, o primeiro missionário evangélico em Garanhuns - chegando em maio de 1894 - lembrava-se bem dela. Teodora fora a pessoa que levava um presente de ovos, quando ele e o casal que o acompanhava, David Law e senhora, tinham se trancado no local de cultos, para se protegerem da multidão que os queria expulsar da cidade.

Teodora chegara ao local levando de presente uma pequena cesta de ovos, e dizendo: "essas pessoas são meu povo". Isso causara grande hilaridade entre os circunstantes. Como podiam aqueles estrangeiros ser parentes daquela índia maltrapilha? Não sabiam tais pessoas que aquela índia há nove anos orava a Deus, que  mandasse alguém para lhe explicar os segredos do livrinho que ela possuía. E ali estavam eles.

A conversão de Teodora, como contada por Eliza Reed e o autor  não identificado L.D.H., envolvera um filho de Teodora, chamado Miguel. Esse rapaz, soldado da polícia militar, se tornara membro da  igreja do pastor John Rockwell Smith, no Recife. Quando ocorreu uma nova rebelião dos índios caetés, ele fora enviado com o destacamento militar, encarregado de "pacificar" sua própria tribo. Este confidenciara a Rockwell Smith que aproveitaria a oportunidade para evangelizar sua mãe Teodora.

De acordo com a versão de Eliza Reed, Miguel trouxera consigo um Novo Testamento, que passara a ler para Teodora, e a pregar-lhe o Evangelho. Ao ir embora, Teodora suplicara que ele lhe desse aquele livrinho, que ela passara a "ler", através de pessoas alfabetizadas. Estas liam o livro para ela, em troca de seus serviços domésticos.

Teodora, como todos os índios, antes de se converter praticava uma espécie de espiritismo primitivo, que envolvia "baixar" os espíritos dos ancestrais. Miguel ensinara-a chamar apenas pelo espírito de Jesus Cristo, em vez dos espíritos dos mortos. E assim ela passou a fazer, sempre orando a Cristo e pedindo sua presença. Rogando também que Ele mandasse alguém para lhe ensinar o Evangelho. Isso ele fez por nove anos. De modo que, em maio de 1894, quando ouviu McCall ler do mesmo livro que ela tinha, e explicando o Evangelho, teve certeza de que Jesus tinha respondido suas orações, e  que aquele era seu povo, da mesma fé que ela nutria em Cristo, mesmo sem entendê-la completamente.

McCall ficara apenas por alguns meses em Garanhuns. Foi logo substituído, em 1895, pelo Dr. William George Butler e esposa. Com a chegada desse casal missionário, Teodora compreendeu, ou imaginou que agora tinha uma família; que aquelas pessoas eram as que ela tanto pedira a Deus. Resolveu então defender os Butlers da  sanha da população de Garanhuns, levando-lhes produtos de sua roça, e sentando-se à porta deles, para servir de barreira aos que  jogavam pedras e insultavam os missionários.

Essa ligação com os Butlers causou-lhe grandes problemas, pois  estava tomando a defesa de um casal odiado pelos antiprotestantes da cidade. Sempre pregando o Evangelho a todos, e distribuindo panfletos, ela foi um dia esbofeteada por um indivíduo, que se sentiu melindrado por suas pregações em público. Urrando de ódio, assim contava Antônio Gueiros, ela buscou o Dr. Butler, que a aconselhou: "Perdoa, Teodora, Jesus manda perdoar os inimigos. Coloque  isso na mãos de Deus".

Tempos depois, Dr. Butler foi chamado com urgência para atender aquela mesma pessoa que esbofeteara Teodora. A pessoa morreu, e Dr. Butler então afirmou: "Sabe Teodora, cometemos um grande erro. Deveríamos ter ido à polícia, ou tomado alguma providência contra aquele homem. Nós colocamos tudo nas mãos de Deus, mas a mão Dele é por demais pesada".

Eventualmente os Butlers convidaram Teodora para morar com eles - já que ela tinha se colocado permanentemente à porta dos  mesmos. Ela então se aboletou na sala principal da casa - que era utilizada para os cultos - onde passou a dormir. Do ponto de vista daquela índia caeté, aquele era o povo que Jesus mandara para ensinar-lhe o Evangelho. Aprendeu o suficiente para pregar aos outros índios na cidade, tendo trazido três deles para o seio da igreja. Mais ainda, quando a igreja foi normalmente estabelecida, em 1900, Teodora professou a fé, e foi membro do primeiro grupo de fiéis aceitos na comunhão da mesma. A modificação de sua  vida fora completa: abandonara o vicio da cachaça, deixara de praguejar e brigar com as pessoas, e passara a vestir roupas limpas e bem apresentadas. Tornara-se outra criatura.

Cinquenta anos depois, em 1947, em correspondência com Antônio Gueiros, henry J. McCall perguntou o que teria acontecido com Teodora Cabocla. Antônio Gueiros respondeu que ela passara a viver uma vida dedicada à igreja, e que fora um grande exemplo para todos, até mesmo na hora de sua morte. Antes de morrer, contou o pastor Antônio Gueiros, Teodora tivera uma visão da presença de anjos que a teriam ido buscar. Sorridente, ela levantara-se da cama e dissera: "Esperam, eu vou com os senhores", tendo então morrido. Uma serva fervorosa merece ser lembrada nos Anais da Igreja Presbiteriana de Garanhuns.

Fonte: Trajetória de Uma Família - A História de Família Gueiros / David Gueiros Vieira / Primeira Edição Julho de 2008. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

Ralph Waldo Emerson (1803-1882)

"Eu presto homenagem à saúde como a primeira musa, e ao sono como condição de saúde." - Crítico, ensaísta e poeta norte-americano.

Victor Hugo (1802-1885)

 "Não se abandonam amigos nas situações difíceis." - Escritor Francês.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Governo de Pernambuco anuncia calendário e detalha o 13º do Bolsa Família


Pernambuco anunciou nesta terça-feira (26) o calendário do pagamento do 13º do Bolsa Família 2020/2021. Todas as famílias que receberam o benefício do programa em Pernambuco por pelo menos seis meses no período de fevereiro de 2020 a janeiro de 2021 irão receber o pagamento do 13º. 

O pagamento é em parcela única, de até R$ 150. Para receber o máximo, o beneficiário precisa comprar produtos cadastrando o CPF na Nota Fiscal Eletrônica dos produtos relativos ao programa, como alimentos, vestuário, calçados e material de limpeza. Nos casos de recebimento no valor abaixo de R$ 150, a família receberá o 13º no mesmo valor do Bolsa Família. 

Em coletiva on-line, o Governo do Estado informou que os nascidos de janeiro a abril receberão o benefício com datas no mês de fevereiro de acordo com o último número do Número de Identificação Social (NIS). Os nascidos de maio a agosto receberão o pagamento durante o mês de março, de acordo com o NIS. Por último, os nascidos de setembro a agosto receberão em abril, na data também de acordo com o NIS.

O pagamento será realizado com o mesmo cartão que a família recebe o benefício do programa Bolsa Família. O beneficiário poderá receber seu dinheiro nas agências da Caixa Econômica Federal, terminais de autoatendimento, revendedores lotéricos ou estabelecimentos alternativos credenciados. 

De acordo com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, “o 13º do Bolsa Família dialoga com quem precisa”.

Fonte: Folha de Pernambuco

Um Encontro Histórico

Luiz Souto Dourado (foto)*

"As leis são belas, meu querido..." Pode ir a São Paulo, a Pernambuco ou ainda mais longe". Esse foi o conselho que José Dias deu a Bentinho, em "Dom Casmurro" de Machado de Assis; esse foi também o conselho seguido por tantas gerações que se formaram em Direito nas duas tradicionais Faculdades como nas que vieram depois.

Formados - em Coimbra, primeiramente - os bacharéis constituíram-se tanto no Império como na República, por assim dizer, na classe dominante e dirigente do País, ocupando os melhores cargos e mandatos nos três Poderes e ainda as posições mais destacadas no jornalismo, na literatura e nos partidos políticos. Houve mesmo uma época na vida nacional em que quase todo mundo era ou queria ser bacharel; parecia ser o melhor começo de vida para quem queria ser alguma coisa na vida.

Tantos eram os bacharéis, em todos os lugares e em todas as atuações, que até na condição de mendigo (se bem estamos lembrados) os caracterizou Joracy Camargo na sua peça "Deus lhe pague", de que citamos de memória esse trecho:

- Você sabe ler?

- Sou bacharel

- Estou perguntando se você sabe ler...

Desprestigiando ou não, menosprezados ou não, quer queiram ou não, as crises brasileiras, ao longo do tempo - de Rui e Sobral Pinto - vêm encontrando nos advogados (bacharéis formados pelas Faculdades e habilitados pela Ordem), não apenas a análise mais lúcida como também a solução mais adequada. E para tanto, têm contribuído os sentimentos de justiça e de legalidade, inatos à classe.

Se já fomos praticamente uma República de bacharéis em direito, quando a nossa economia parecia estável somos hoje uma República de bacharéis de todas as carreiras real e efetivamente sem carreiras, envolvidos numa crise econômica que sufoca, angustia e oprime todas as classes.

Ao que parece, na peça "Deus lhe pague", se escrita hoje, mudaria apenas o cenário e ligeira troca de papéis: em vez da porta da igreja, a cena passaria na porta de um banco estrangeiro (ninguém se esquece de Pastore em Londres), e o Brasil estaria feito mendigo; o advogado, com a sua vocação política, estaria pretendendo salva-lo.

Foi assim na crise da legalidade, quando a maioria dos  subscritores do Manifesto dos Mineiros em 1943 foi de advogados ou simplesmente bacharéis, convocando todas as forças vivas da Nação para o restabelecimento das liberdades públicas.

É assim agora, quando o Presidente Hélio Mariano, da OAB-PE sentindo a gravidade da crise que vivemos, realiza apenas um encontro anual dos advogados, com assunto pertinentes à classe, mas um encontro de maior amplitude, marcante, com temas nacionais, reunindo antropólogos, economistas, cientistas, com debatedores de alto nível. Em resumo, um Encontro histórico pela repercussão nacional que alcançou.

Ali mesmo naquele velho Teatro Santa Isabel (completamente lotado), onde com Nabuco foi ganha a causa da Abolição como lembrou Manoel Correia de Andrade no admirável discurso de saudação a Celso Furtado; ali, onde o próprio Celso lembrou que há 25 anos Juscelino instalara a CODENO (SUDENE) iniciando a luta pelo de desenvolvimento do Nordeste; ai, estavam agora reunidos os advogados, empenhados desta vez na retomada do crescimento e na luta contra a inflação e a recessão.

No dia seguinte, na Faculdade de Direito, em cuja direção se encontra o Professor Pinto Ferreira - um nome à altura da Instituição prosseguiram os debates em torno do Nordeste cujo programa dos painéis foi magnificamente ilustrado por Abelardo da Hora, com os expositores Darcy Ribeiro, Octávio de Oliveira Lobo e Joaquim de Arruda Falcão (Temas Universitários); Miguel Seabra Facundes, Arthur Pio dos Santos Neto e José Souto Maior Borges (Temas Institucionais); José Paulo Pertence, Rui da Costa Antunes e Francisco Julião (Temas Sociais); J. J. Calmon dos Passos, Romualdo Marques Costa e Joaquim Correia, Carvalho Junior (Temas Judiciais).

Se as leis são belas, como dizia Machado de Assis no seu livro clássico, agora é preciso ter "coragem de pensar", como afirmou Celso Furtado, para podermos sair dessa crise sem entrar numa profunda recessão; para que  os estudantes de hoje não façam amanhã "O discurso de  uma geração fracassada", como Darcy Ribeiro encerrou o seu discurso, de forma corajosa, comovente mais ainda confiante.

No final desse Encontro que ficará histórico - também pelos bons ventos de esperança democrática, que  pareciam varrer a poeira de vinte anos de autoritarismo dos  solenes e tradicionais móveis do salão Nobre da Faculdade - o Presidente Hélio Mariano disse que "O Nordeste advoga uma nova Constituição para o Brasil, através de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita, pelo voto popular, visando a legitimação do poder".

*Ex-prefeito de Garanhuns, deputado estadual e secretário estadual / Garanhuns, 28 de Julho de 1984.

Teognis de Megara (final do século VI a.C.)

"Nunca faltam amigos à mesa; mas encontramos poucos nos momentos difíceis da vida." - Poeta grego.

Nossa Cultura... Nossas Esperanças...

Dr. Aurélio Muniz Freire (foto)*

Há uma necessidade imperiosa, em nossos dias, dirigida à reformulação de certos padrões de nossa cultura, sob pena de caminharmos para consequências altamente funestas. Referimo-nos à excessiva tolerância social ao quanto exibimos de males, carreando, quase que num processo inconsciente e coletivo, a soma de desiquilíbrios e de frustações ao nosso mundo. Tal conduta agrava sobremodo a infância e a juventude do nosso tempo.

A cada início de um novo ano, como sempre, renovamos nossas esperanças. Também, sinceramente, desejamos que todos realizem suas aspirações e seus sonhos, os mais justos. Na verdade, o Natal e Dia da Fraternidade  Universal deixam a humanidade mais desejosa de bons propósitos e de sadias realizações, deixando de lado o convencionalismo, os interesses mercantilistas e a hipocrisia de muitos, aceitamos que a maioria, nessa época, procede com sinceridade quando, para si e para os outros, formula os melhores votos de paz, ventura e prosperidade.

Se ficarmos apenas em tais votos e nada fizermos de prático, as esperanças se desfarão, os sonhos se tornarão mentiras, e o mundo continuará o mesmo. Esperanças que se transformam em longas esperas, desalentam, deprimem e afligem o homem e a humanidade. Se a paz desejada nesses dias prosseguisse no decorrer dos meses, pelo ano afora, outra poderia ser a psicosfera social. Haveria com certeza uma mudança individual e coletiva.

Vivemos a apresentar a nossos filhos um mundo de angústias, de tensões, de desequilíbrios, de guerras, de incompreensões, de crimes e de tantas misérias... Esses legados não poderão produzir bons frutos. A infância da nossa época e a juventude do nosso tempo já começam a nos julgar por nossas mentiras convencionais e até mesmo a não mais aceitar a nossa sinceridade, ainda que procuremos ser fiéis a princípios de uma ética superior de vida.

Se pensamos num desarmamento em favor da infância, primeiro tal conduta deveria atingir diretamente o adulto. Somos nós mesmos os responsáveis pela felicidade ou pela desventura das gerações que nos sucederão. Se vivemos no desamor, espalhando sofrimentos e disseminando a violência, como poderíamos desejar um mundo de paz e de ventura aos nosso filhos? Se damos mais ênfase e valor às nossas conquistas materiais que aos padrões ou valores da cultura espiritual, como poderíamos esperar que a natividade do Cristo ou  a fraternidade universal fossem uma constante entre os povos?

Antes de educarmos  a infância, convém que nos eduquemos. A educação, nos dias de hoje, deve ser primeiro dirigida a nós mesmos, como pais, para, depois, levarmos nossa contribuição aos filhos. Do contrário, seremos sempre cegos na condução de outros cegos. Nossos veículos de comunicação de massa aí estão para confirmar nossas palavras. A televisão, o cinema, antes de serem meios de educação ou de instrução, erigem-se quais grandes instrumentos da violência, do crime, da deseducação. Seus frutos estão em toda a parte, nos hospitais, nos manicômios, nas penitenciárias, em nossas casas, na sociedade.

Não exageramos nas tintas dos quadros que nos apresentam, porquanto educação é obra de amor. Se não tivermos amor, jamais poderemos oferecer compreensão, justiça, saúde, ordem, sinceridade, paz e verdade.

A felicidade é uma conquista interior, antes que ela se projete pelas coisas, pelos seres, pelo mundo.

Acalentemos os bons sonhos e as boas esperanças da infância, pois sempre é bom sonhar, mas façamos alguma coisa pelo desarmamento pessoal e coletivo, buscando, tanto quanto possível, viver aquela criança que um dia todos fomos.

*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011

Maurice Druon (1918-2009)

"Os políticos calculam seu poder pelo número de favores que vão lhes pedir." - Político e escritor francês, cuja obra O Menino do dedo Verde faz sucesso no Brasil.

Presidente da UBE lamenta morte de Tarcisio Pereira


José Renato Siquera, presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), lamenta e se compadece com a dor da família pela irreparável perda do escritor Tarcisio Pereira e presta condolências aos familiares e amigos enlutados. Rogamos para que Deus possa confortá-los nesse momento de grande dor, em que as palavras se apequenam e o espírito busca amparo na Fé.

Um potiguar que marcou época e influenciou gerações com a sua icônica Livraria Livro 7, na Boa Vista, Centro do Recife. A Livro 7 abriu as portas em 1970 num espaço de 20 metros quadrados e, graças ao amor de Tarcísio pela literatura, se transformou num complexo cultural registrado pelo Guiness Book como a maior livraria do Brasil. 

Grande entusiasta da cultura e leitura, atualmente, o jornalista e historiador, comandava a Superintendência de Marketing da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). 

A crônica de um relógio que é a cara de Garanhuns


José Rodrigues da Silva*

Conta-nos a história que o então secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Pernambuco, Francisco Bandeira de Melo, em viagem à Suíça, viu em uma cidade daquele país, parecida com a nossa, um Relógio de Flores. Fotografou-o e na volta apresentou ao Prefeito da época, Ivo Amaral, que tratou, imediatamente, de concretizar a ideia e fazer os procedimentos para a implantação do mencionado relógio em nossa cidade.

O Relógio de Flores, em moeda da época, custou CR$ 420.000,00 (quatrocentos e vinte mil cruzeiros). O seu equipamento é de fabricação nacional, da marca Dimer Tagus; na construção da obra tomou parte a equipe da Empetur, com a participação de técnicos da Prefeitura de Garanhuns, a saber: engenheiro João Inocêncio, arquiteto Marcílio Maia, e o secretário de Planejamento, professor Jaime Pinheiro.

Pronto e implantado o relógio, tomaram parte do evento de inauguração, no domingo 25 de janeiro de 1981, com a presença do secretário Francisco Bandeira de Melo e o presidente da Empetur, Ricardo Costa Pinto, todos os secretários municipais, grande parte da população da cidade e autoridades municipais, estaduais e federais que ali se encontravam para ver a beleza da obra.

O Relógio de Flores, obra construída por Ivo Tinô do Amaral ainda hoje causa admiração à todos que o visitam. O Relógio de Flores, único no Norte/Nordeste, dá a impressão de que é uma estrela caída do céu em forma de brinco de ouro, colocada por Mão Divina em orelha de Virgem. Quem vier à Garanhuns e não visitar o mencionado medidor de horas e minutos não pode sair dizendo que visitou a nossa Suíça Pernambucana. Ivo Tinô do Amaral foi o prefeito que, até hoje, nenhum outro conseguiu superá-lo.

Em se tratando de cultura, foi o criador do Festival de Inverno, das grandes festas juninas. Construiu praças importantes e reformou outras tantas. Entre elas, destacamos a Praça Tavares Correia, pedestal do Relógio de Flores.

O tempo é implacável, o Sol é escaldante, a chuva é fria, mas nenhum destes fatores da natureza, até hoje, conseguiu apagar o esplendor das obras construídas por Ivo Tinô do Amaral, quando prefeito de Garanhuns.

O relógio do qual estamos falando nasceu no meio das rosas de uma cidade das flores, chamada Garanhuns.

Ludwing van Beethoven (1770-1827)

 "Só os corações puros fazem boa sopa." - Compositor alemão.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

José Saraiva é finalista no prêmio Off Flip 2021


Com três textos inéditos, o escritor, jornalista, músico e advogado José Alexandre Saraiva é finalista nas três categorias do Prêmio Off Flip 2021, Poesia, Conto e Crônica. Autor do livro “De Labiata a Lagoa da Canoa passando por Tacaratu, via Quipapá ou Caruaru”, Saraiva tem histórico em concursos literários. Em 2020, foi finalista do Conto Brasil, do concurso Parem as Máquinas do Off Flip em três categorias e do Prêmio Internacional de Literatura Cidade Conselheiro Lafayette (MG). Em 2019, “De Labiata a Lagoa” foi finalista do prêmio da Biblioteca Nacional na categoria Ensaio Literário.

Saraiva lembra que nas três categorias selecionado como finalista nenhum de seus personagens é de natureza humana. “A natureza, duas rolinhas e um filhote criado com excesso de zelo, um tico-tico e a flor do mandacaru, típica do Nordeste, estão no centro do conto, da crônica e do poema”

O prêmio – O Prêmio Off Flip dá visibilidade a novos autores de talento, incentiva a criação de literatura em língua portuguesa e proporciona a participação dos vencedores na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), prevista para acontecer em julho de 2021.

Os vencedores serão contemplados com prêmios em dinheiro e cotas de livros. Todos os finalistas serão avaliados por uma curadoria especial e seus textos publicados numa obra, em formato de coletânea, com o selo da Off Flip. Os autores vencedores serão anunciados em março.

Sobre o autor – Nascido em Panelas, interior de Pernambuco, José Saraiva é advogado, jornalista, músico e escritor. Autor do livro “De Labiata a Lagoa da Canoa passando por Tacaratu, via Quipapá ou Caruaru”. Membro do Centro de Letras do Paraná, da Academia de Letras “José de Alencar”, do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e do Instituto dos Advogados do Paraná, conquistou prêmios literários de abrangência nacional, um deles de minicontos escrito com dez linhas. Na área musical, foi laureado em Paris por tradicional instituição literária e artística, na categoria composição. Tem obras publicadas no campo do direito e um livro de crônicas, duas delas levadas às telas pela RPC, sistema de comunicação paranaense afiliado à Rede Globo.

Dentre os livros que prefaciou, destaca-se “A Verdade sobre Guanella – relato histórico de um drama protagonizado pela FEB na Segunda Guerra”. Foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba com a Medalha Fernando Amaro de Literatura, pela OAB de Pernambuco, Subseção de Caruaru, que denominou de José Alexandre Saraiva a Sala dos Advogados do Fórum da Comarca de Panelas, e pela Escola Estadual de Referência em Ensino Médio da mesma cidade, que, igualmente, designou a biblioteca da instituição com o seu nome.

Fonte: Zelig Digital

Cadastro de Produtor Cultural segue com inscrição e renovação abertas até o dia 14 de março

A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) convida os produtores culturais do Estado, interessados em submeter projetos nos editais do Funcultura deste ano (Microprojetos Culturais, Música, Audiovisual, Geral), a realizarem ou renovarem seu Cadastro de Produtor Cultural (CPC) Os produtores devem regularizar seus cadastros até 14 de março de 2021 para estarem aptos a participar dos editais. A novidade neste ano é que a documentação necessária para a inscrição e a renovação do CPC deverá ser enviada, exclusivamente, por e-mail, em formato PDF, por meio do endereço: cpc.funcultura@gmail.com.

Clique aqui e confira o passo a passo para inscrição do CPC. Já o passo para renovação do CPC está disponível aqui. Em caso de dúvidas ou mais informações, os interessados podem acessar o Manual do Produtor Cultural ou entrar em contato por e-mail.

FUNCULTURA SEM PAPEL – Atendendo a uma demanda da produção cultural pernambucana e cumprindo uma promessa do Governo de Pernambuco, a Fundarpe irá digitalizar todos os processos de inscrição de projetos no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) já para os próximos editais 2020-2021 do Audiovisual, Geral, Música e Microprojetos Culturais.

A digitalização acontecerá por meio da plataforma online Prosas, utilizada em inúmeros editais nacionais, tanto governamentais como de empresas privadas, inclusive multinacionais. O objetivo é, antes de tudo, facilitar e democratizar o acesso aos recursos públicos da cultura.

Principal e mais democrática política de fomento à cultura em nosso Estado, o Funcultura reúne mais de 9 mil produtores culturais cadastrados, que na última década concorreram a cerca de R$ 330 milhões em fomento a projetos no total. Nesse mesmo período foram cerca de 4 mil projetos aprovados em todas as regiões do Estado, muitos com alcance nacional e internacional.

Por meio dos editais, são incentivados projetos das áreas culturais de Artes Integradas, Artes Plásticas, Artes Gráficas e Congêneres (Artes Visuais), Artesanato, Audiovisual, Circo, Cultura Popular e Tradicional, Dança, Design e Moda, Gastronomia, Literatura, Música, Ópera, Patrimônio e Teatro.

Vitrúvio Campelo

História de Garanhuns - O Sr. Vitrúvio Campelo foi funcionário por muitos anos, do antigo Serviço de Água e Luz de Garanhuns, onde exerceu o cargo de Chefe de Serviço Elétrico do Município, na época de Ruber van der Linden. Cidadão católico pertencia ao Circulo Católico, sempre esteve à frente das festividades de Páscoa entre os servidores públicos de Garanhuns. Era tio do saudoso Dom Antônio Campelo, ex-bispo de Petrolina, também filho de Garanhuns.

Click no link abaixo e sabia mais sobre Dom Antônio Campelo:

https://blogdoanchietagueiros.blogspot.com/2017/06/filhos-de-pernambuco-dom-antonio-campelo.html

O Bom Homem

Ano 2021- Garanhuns - Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo)
Foto: Anchieta Gueiros

O bom homem possui maneira específica de se comportar. Em todos os seguimentos de suas ações a sua conduta é impar. Não se impõe ao meio em que vive. Esse é que exige a sua presença no sentido de se completar. Os seres humanos dotados de superioridade sempre plasmaram o meio ambiente. É princípio normativo da conduta ética. Daí a sua superioridade.

No coração do homem de bem, em todas as circunstâncias, não guarda ódio, nem rancor contra os seus semelhantes. Há muito espaço sempre ocupado, onde os moralistas de subúrbio não encontram receptividade. Pensa, e age harmoniosamente ditado pelo sentimento mais nobre do ser, da criatura humana, que  é a sublimação do amor. Esse sentimento é tão puro quanto é simples. É o ordenamento da felicidade que exalta pelo desdobramento de tudo que é simples.

Os destruídos dessa coragem moral só alcançam as coisas pelo prisma da arrogância. As concentrações preparatórias são tocadas por um festival de milionários, um leilão de consciências, onde a pessoa humana vale pelo que pesa, e não pela nobreza de seus sentimentos. É o exagero dos que não conseguem raciocinar.

Não obstante muitas luzes, cujas lâmpadas são opacas e sombrias, como se fossem chamas decadentes. Não adianta a indagação dessas coisas que nem eles mesmos podem explicá-las.

Se fossem portadores de cultura de ordem vertical, onde a profundidade revela os efeitos da sabedoria de seu universo intelectual, o entendimento começava a brincar com os pensamentos e palavras, como fazem os poetas... Em sua presença, sem contar com a idade cronológica, todos nós somos eleitos das musas.

O fio desse raciocínio não se alcança por meio de esforço mental. Só o que  é natural e espontâneo pode sentir os efeitos de sua sublimação. Só o bom homem que sofre pelo sentimento de alguns de seus auxiliares, está a altura de penetrar na verticalidade desses conceitos de humanismo puro e elevado. É óbvio que não nos propomos a esclarecimentos  desnecessários, porque o sentimento é mais puro e mais sábio do que as palavras.

Assim, não tentaremos descrever aquilo que para nós é a verdade, pois seria uma tentativa impossível porque ninguém pode descrever ou transmitir tudo de uma experiência. Cada um de nós precisa vivê-la por si mesmo. Isto porque ninguém pode entender nada por nos. Somos únicos e independentes para agir livremente. Por consequência, se vivemos sob esta concepção, a nossa ação é restritiva. A nossa ação é um esforço constante, incessante, infinito. E este esforço está sempre voltado para a segurança.

"Naturalmente, quando há esta busca de segurança, há temor, e este temor cria a contínua consciência do que chamamos "EU". As mentes da maioria das pessoas estão presas nesta ideia de conseguir, de atingir, de subir mais e mais alto, por regras escusas. Isto é, na ideia de escolher entre o essencial e o não essencial. Ora, a questão não é saber como preencher esse vácuo, mas antes verificar qual a sua causa. Para nós, vacuidade é ação nascida da escolha na procura do lucro. A vacuidade aparece quando a ação se origina da escolha.

José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 4 de Outubro de 1986.