sábado, 6 de fevereiro de 2021

Grandezas do Professor Erasmo Bernardino Vilela

Garanhuns / Ano 1979 - Foto: Professor Erasmo Bernardino Vilela (sentado), ex-prefeito Luiz Souto Dourado e Ivo Tinô do Amaral prefeito na época.
Ulisses Pinto*

"Nossa cidade parece que perdeu sua  vida cotidiana. Uma tristeza imensa tomou conta da população, mormente nos  meios educacionais, políticos e sociais.

Estamos falando do passamento prematuro de Erasmo Bernardino Vilela, professor dos mais dignos, dos mais eficientes do nosso querido ensino médio e superior. Era, o educador, filho de São João, um condestável da nossa cultura. Uma figura querida de muita bondade, de reais méritos na defesa das causas sagradas da pedagogia onde estivesse. Era assim o "professor Erasmo" como era chamado, aquela criatura incapaz de fazer mal a qualquer semelhante. Ele foi o esteio forte e tinha presença marcante nos domínios do mundo cultural da cidade.

Equilibrado, bom, querido, simples, bom filho e admirado pela comunidade; pelos alunos e colegas do "batente". Era assim, o saudoso garanhuense Erasmo Vilela, membro de importante família da nossa gleba.

Uma perda imensa para a nossa terra, apesar de ter apenas 53 anos de idade. Com sua coragem de elevar  e engrandecer Garanhuns nos meios educacionais e culturais da terra do "clima maravilhoso". O professor Erasmo deixou um legado para as gerações do porvir, com suas lições de civismo, de moral, de amor pelo próximo que jamais se apagarão pelos quadrantes de nossa terra no tempo e no espaço.

A sua  lembrança não será esquecida. O seu exemplo deverá criar raízes transformadas em sublimes mensagens de esperança. esperanças para o bem comum. Esperanças de que vale a pena ser Bom a ser amigo nas horas alegres e tristes.

O professor Erasmo passou pelo Lions Clube e deu provas de suas virtudes. Como presidente e membro da Academia de Letras de Garanhuns, foi esteio precioso em prol dos sadios princípios da  cultura, defendendo a cadeira de Carneiro Vilela, grande escritor desaparecido.

Membro dos mais eficientes do Grêmio Ruber van der Linden, organismo fundado por intelectuais, inclusive pelo querido professor invejado por poucas mas admirado por milhares de pessoas de todas as camadas sociais.

Presidiu as festividades do Centenário de Garanhuns, em 1979, no governo Ivo Amaral com invulgar brilhantismo.

Foi o consolidador do município de São João, desmembrado de Garanhuns. Por isso foi o primeiro prefeito daquela terra que lhe serviu de berço.

Diretor da Faculdade de Formação de Professores de Garanhuns, onde com grande visão deu tudo de si pela sua implantação. Aliás, dias atrás lutava com "unhas e dentes" para a construção de um novo prédio para a Faculdade de Filosofia.

Como Diretor por muitos anos do Colégio Estadual Jerônimo Gueiros, nesta cidade, foi aquele educador cônscio de seus deveres, numa demonstração patente de  sua capacidade produtiva. Era assim, o professor Erasmo, grande na grandeza da  sua e da nossa Garanhuns.

Militou na UDN e depois na ARENA. Pertenceu ao seu Diretório Municipal e ultimamente estava no atual Diretório do PDS. Fomos assim, colegas de partido. Entretanto, Erasmo Vilela, tinha passagem livre nos partidos e grupos políticos adversos graças a sua bondade e ao seu  modo gentil de encarar os políticos.

Sua amizade era grande com os políticos do passado e do presente como Pedro Lima, José Vasco Leite, João de Assis Moreno, os Fernandes, Cel. Francisco Figueira, Celso Galvão, Aloísio Pinto, Elpídio Branco, Álvaro Rocha, Ivo Amaral, Souto Dourado, Amílcar Valença em cuja primeira administração foi seu secretário de  Educação, onde conquistou elogios bem merecidos.

Austeridade e largo tirocínio foi sempre o seu lema. Lema de um homem sempre a serviço das grandes causas. Mas, a  sua maior grandeza, era na verdade, a sua bondade. Ninguém poderá apontar uma maldade do professor  Erasmo.

Defendeu nesta cidade e fora dela ditames pedagógicos. Com  galhardia e serenidade, lutou até o fim ao lado dos seus alunos, ex-alunos, professores.

Sabemos que nunca quis aceitar cargo mais importante só para não deixar sua terra. Que espírito deste homem para  com Garanhuns!

Seu sofrimento moral sem motivo plausível, no decorrer deste ano, o elevou ainda mais no conceito dos que o conheciam.

Sua boa e admirável vocação para o ensino, é um testemunho da sua grandeza até diante da morte.

Tombou como um justo, como eterno enamorado pelas coisas boas da terra das "colinas verdejantes", como bem proclama o hino do Colégio Santa Sofia onde o professor Erasmo iniciou sua vida educacional.

Guardaremos dele a maior cordialidade, a maior camaradagem há mais de 40 anos.

O querido professor desaparecido, agora vive num mundo são, de paz, onde não campeia o ódio e nem frutifica a inveja.

O município de Garanhuns através do prefeito José Inácio decretou luto oficial por 3 dias. A bandeira desta terra está a  meio pau. Em pesar, senhores está também o povo de sua terra, pela grande perda sofrida.

É triste e dolorosa a separação. Mas, pelo seu exemplo, pelo seu trabalho fecundo aqui na terra, o professor Erasmo Bernardino Vilela será fonte perene em  sua entrada na História de Garanhuns.

A nossa dor e grande principalmente dos seus entes queridos, mas o professor Erasmo permanecerá para sempre em nossos corações.

Por outro lado é preciso meditar e crer nas palavras de Jesus: "Quem crê em  mim, mesmo que esteja morto, viverá para sempre".

Adeus, professor Erasmo!".

Palavras do jornalista Ulisses Peixoto Pinto proferidas durante o sepultamento de Erasmo Bernardino Vilela no cemitério São Cristóvão, desta cidade em 3 de abril de 1985.

"Deitado eternamente em berço esplêndido, o Brasil é rei da dormência."

Carlito Maia (1924-2002) - Publicitário Mineiro. 

As Anedotas do Monsenhor Adelmar

O Feireiro e o Peru - Saindo do colégio, passando pela feira, dez alunos dos mais adiantados, quase todos barbudos, combinaram-se para pregar uma peça num fereiro despachado e falado que, a cada instante, gritava: "Olha o peru barato e gordo!". Ficariam numa esquina e de cinco em cinco minutos sairia um, mostrando-se interessado em comprar o peru, mas como se ele  fosse uma perua. "Quanto está pedindo pela perua?", perguntou o primeiro. "Perua não, seu moço, é um peru!", respondeu o feireiro. Vinha então a  discussão: "É perua, não é perua, é peru!". Saía aquele, vinha o segundo e  fazia a mesma pergunta. A resposta também era a  mesma. Nova discussão. Vinha o terceiro: igual pergunta, resposta igual, nova discussão. Lá pela  passagem do sétimo  estudante, já a discussão não tinha o mesmo entusiasmo; parecia que o fereiro já duvidava de alguma coisa. E, assim, depois de passar o último estudante, ficaram eles reunidos um pouco por  trás do homem, mas sem serem vistos por ele. Comprariam o peru, gratificariam o vendedor e lhe pediriam desculpas. É quando, contendo o riso, viram o pobre homem levantar-se, pegar o peru pelos pés, elevá-lo até a altura da cabeça e, olhando por baixo dele, dizer, quase num soluço: "Modo que esse peste é uma perua mesmo!".

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Imortais Tarcísio Pereira e a Livro-7


Abaixo, homenagem dos escritores Manoel Neto, João Marques e Edson Mendes. 

De Manoel Neto                                             

Convivemos com Tarcísio, nos corredores da Livro-Sete, ele nos atendendo sempre com sorriso e fidalguia. Era capaz de discorrer com maestria sobre o conteúdo da obra de autores ali expostos, fossem nacionais ou de outras línguas. Mais do que um vendedor, ser polido e amigo de todos. Horário largo abrangendo os três turnos, muita gente fazia "plantão" nos espaços da Livro Sete, sempre acolhedor, onde éramos recebidos com um abraço sincero e amigo de Tarcísio. Ele parecia absorver a espiritualidade que emanava de cada autor ali exposto. Criatura e criador, eis como se fundiam Tarcísio/Livro-Sete. Ares da autêntica cultura nordestina. Era comum ouvirmos o vozeirão de Tarcísio que parecia mais ser um daqueles que se projetavam nas emissoras de rádio e tv  "a antiga". Partiram mas deixaram a lembrança e saudade de um tempo que insiste em permanecer nas mentes e corações dos assíduos frequentadores da sempre LivroSete.

De João Marques

Homenagem a Tarcísio Pereira

Tarcísio da Livro Sete

tanto sete que se conte

e à soma não compete

resultado que aponte

os livros que vendeu...

toda bondade que fez

a vida que promoveu  

com a sua sensatez

e se agora morreu

não é isso tanto mal

seu sete não pereceu

Tarcísio é imortal.

De Edson Mendes

Adeus, Tarcísio

Uma vez eu disse a Tarcísio: Caso me encontrem no Bar Real igualmente o velho Maria, nem precisa me acordar, estarei dormindo – profundamente, doucement. Faço questão apenas de duas coisas: que o enterro seja às 3 da tarde, e que minha playlist toque ininterruptamente... Peço ainda que, na saída do féretro, haja uma parada no Pirata, para um discurso de saudade. Com os pés já no outro mundo, quero ver com estes olhos, que a terra vai comer, algumas mulheres que amei – damas, ladies, costureiras, prostitutas, senhoras – sei que são apenas ectoplasma, mas ectoplasma também tem alma, não é?

Ele riu muito quando acrescentei: “Seu Tarcísio Pereira será o mestre de cerimônias. O Rei do Brasil, em se falando de Livrarias, pagará as pacas caras, e as baratas também, algumas biritas e lauto farnel, com o meu cartão Credisete 17.0101-26451.07, vencido em janeiro/89 – mas isso é lá com ele!”

E aí ontem resolve Tarcísio se adiantar e seguir viagem antes de nós, que o amamos fraternalmente, visceralmente, como se ama um pai, um filho, um irmão - um homem digno, generoso, amoroso, carinhoso, empreendedor, idealista, íntegro, honesto, que, na selva escura de nossos dias manteve puros e limpos e claros seus pensamentos, palavras e obras.

Na cobertura inicial de certa mídia, bisonha e pífia, barrigas narizes e gavetas roubaram-lhe espaço, e aos poucos segundos de cenho franzido logo se sucederam os sorrisos e esgares das próximas notícias. Mas sabemos, oh! como sabemos, o quanto essas fugazes efemérides são apenas fugazes e efêmeras. Tarcísio Pereira ficará para sempre no panteão dos grandes, e em todo o país eu sei que a esta hora sua morte nos comove e seu exemplo, que moveu a tantos, continuará luzindo no céu dos inesquecíveis, na lembrança fiel dos amigos, dos autores, dos leitores , dos livreiros, da arte, da cultura - nas orelhas, nas folhas, nas páginas, nos colofões dos livros que tanto amou e aos quais dedicou toda sua vida.

Dona Cecita e Júlia me disseram que ele estava melhor, e aí eu falei: “Dê um beijo nele, viu? Vamos comemorar. E esperar o dia certo para tomar vacina com cerveja - ou guaraná!” No dia 22 de dezembro, mandei pra ele esta mensagenzinha de Natal, mas ele não viu. Mando agora de novo, outra vez...

“canção de natal

enquanto você se lembrar de mim

eu viverei

enquanto eu me lembrar de você

seremos felizes

a vida é um jardim

e os amores são flores

todas as sementes

germinam

como disse frida:

eu pinto flores para que elas não morram”

Adeus, Tarcísio. Até outro dia.

Edson Mendes

Recife, 22.12.2020

Recife, 26.01.2021

Fonte: Blog do Jornal O Século

PROUNI-PE lança edital para seleção de alunos nesta segunda-feira (08)

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti-PE) lança, nesta segunda-feira (08/02), o edital de seleção de estudantes para o Programa Pernambuco na Universidade (PROUNI-PE). O programa irá destinar mil bolsas de estudos, no valor de R$ 500 reais cada, para alunos matriculados em Instituições de Ensino Superior (IES), que compreendem as autarquias municipais, instituições comunitárias de educação superior e as instituições privadas sediadas em Pernambuco. O processo seletivo dos bolsistas terá como critério de seleção, a nota mínima de 350 (trezentos e cinquenta) pontos do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o qual deve ter sido realizado nos dois últimos anos. A inscrição deverá ser feita pelo estudante, para a IES em que estuda, no período de 15 de fevereiro a 1º de março de 2021, através do link https://prouni.secti.pe.gov.br/.

O programa é destinado a estudantes não portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal, per capita, não exceda o valor de um salário mínimo e meio. Poderão concorrer os alunos que comprovem vínculo de matrícula nas instituições de ensino superior integrantes do PROUNI-PE e que tenham cursado o ensino médio completo em escola da rede pública ou em instituições privadas na condição de bolsista integral e, ainda, tenham realizado o ENEM nos dois últimos anos.

A concessão das bolsas vai beneficiar dois grupos de estudantes. O primeiro, com 70% das vagas, será formado por alunos de graduação das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em especial dos cursos das engenharias, computação, análise e desenvolvimento de sistemas, sistemas de informação, estatística, física, química, oceanografia, biologia e afins. O segundo grupo, com os 30% das vagas restantes, será formado por alunos dos demais cursos de graduação de nível superior. Os valores das bolsas serão repassados diretamente, pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, aos estudantes, através de depósito em conta bancária.

O PROUNI-PE também vai destinar vagas a candidatos que comprovem ser professores do ensino fundamental ou médio em exercício da docência; pessoas com deficiência, nos termos definidos em lei; ou mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica ou vítimas de violência doméstica e familiar, que comprovem vínculo de matrícula em uma IES integrante do PROUNI-PE.

Rede de IES - A coordenação do PROUNI-PE realizou processo de credenciamento das IES para compor o programa. Foram cadastradas 40 unidades de ensino com Índice Geral de Cursos (IGC) com conceito mínimo de três e com avaliação pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP e o Ministério da Educação – MEC, com conceito consolidado no valor mínimo de três.

As 40 unidades de ensino estão espalhadas pelos municípios de Afogados da Ingazeira, Araripina, Arcoverde, Belém do São Francisco, Belo Jardim, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Garanhuns, Goiana, Jaboatão dos Guararapes, Limoeiro, Olinda, Palmares, Paulista, Petrolina, Recife, Salgueiro, Serra Talhada, Surubim e Timbaúba.

Fonte Luminosa completa 35 anos

Em comemoração aos 107 anos de emancipação da cidade de Garanhuns, o prefeito José Inácio Rodrigues entregou ao público desta terra no dia 4 de fevereiro de 1986, uma linda Fonte Luminosa na Praça Souto Filho.

Fotos: Anchieta Gueiros

Bom dia Recife

Ronildo Maia Leite (foto)*

Daquele casarão quase no topo do Magano, que meu tio Arthur Maia chamava de "Magano dos meus amores" na sua poesia ingênua, guardo mais a imagem do padre do que do próprio Ginásio. Porque o ginásio, pra mim, continua sendo ele próprio. Insubstituível.

Não entendo, ainda hoje, aquele longo corredor sem aquela batina preta se inflando ao vento, que soprava misteriosamente de  seus rápidos e silenciosos pés: sem ninguém ouvir, lá vinha o padre se escorrendo em pé pra me surpreender em plena e alegre molecagem nas aulas do professor de inglês, aquele homem de voz fina, pequeno e bom, que a minha juvenil maldade apelidara de Professor Tiquinho.

Nem consigo compreender a  tranquilidade de sua capela sem aquela figura magra, quase esquálida, a comandar com o olhos agudos as gravíssimas lições de moral e cívica. Eu me amoitava de medo e, confesso, respeitava mais o padre do que a imagem de  Cristo. temia mais os seus castigos do que o incrível inferno de labaredas penduradas do teto, feito estalactites, que me pintara o primeiro Catecismo da Doutrina Cristã. O padre me parecia então um santo, porque dizia coisas muito bonitas, geralmente ligadas ao céu. E também um demônio quando me falava ameaçador, a curtir os seus pecados no ensinamento do bem. Fazei o que o digo e não o que fiz, raciocinava eu. Imaginava que as pessoas somente viram santas por que antes foram pecadoras.

Esse padre já pecou, desconfiava eu distraidamente. Tão distraidamente que, um dia, em plena capela soltei um traque (daqueles que a gente pensa que vai sair baixinho) e fui expulso da aula. Pequei? E padre não faz isso? Na capela, não respondia a minha inocente voz da consciência.

Como também não compreendo, ainda, que hoje sejam diferentes os seus métodos, de si mais modernos, aquele imenso salão do segundo andar um verdadeiro purgatório dos traquinos sem aquele homem carrancudo com um livro de capa preta todo aberto, como se estivesse deitado entre as duas mãos espalmadas, caminhando pra lá e pra cá um olho na imitação de Cristo, o outro no bloco de papel almaço onde eu deveria escrever cem vezes "devo ser bem comportado". Somente porque chamara Otaciano de  Otacioba, logo a quem?, aquele professor comprido que ensinava geografia uma mão apontando o mapa-múndi, a outra alisando as  suas moralidades.

Eu perguntei: somente isso? Ele entendeu obscenidade. "Devo ser bem comportado, devo ser bem comportado."

Nem admirar, como outro dia admirei, aquele São José grandão, logo na  entrada do prédio, sem ouvir as pisadas do padre lá em cima, toc-toc no assoalho, caminhando pra lá e pra cá, com toda a certeza, lendo o seu inseparável missal. Pois aquele desbotado mural de São José padroeiro do ginásio e depois meu amigo pessoal estava pintado exatamente entre as duas escadarias abertas em leque. Bem no centro, de braços cruzados, tenso feito um soldado da rainha da  Inglaterra, eu cumpria intermináveis horas de  castigo, as visitas chegando, olhando e  dizendo mexeriquieras: "Esse filho de seu  Leite..."

Também isso: ainda hoje, tenho uma  cicatriz no joelho e um raspão na canela. Não sei se a prática ainda se repete, mas não entendo aquele campo de futebol, voleibol, basquetebol e ginástica, tudo junto, sem a  mesma figura magra e esquálida. Braços cruzados, parado bem na bandeirinha de  córner, tomando conta da molecagem da gente. Pois dia, Diderot Matos amigo do  padre porque estudioso e aplicado me pegou de jeito na hora triunfal o gol: caí de frente, me arrastando todo, o sangue se misturando na canela e no barro. E o padre, lá tomando conta. Quando olhei, o padre também me  olhava. E, carrancudo, sorria.

Já na época eu não rezava muito pela cartilha, nem do padre, nem da  Santa Madre Igreja Católica Apostólica e Romana. Aos 14, já desconfiava que, dentro de mim, tinha qualquer coisa de herege. Waldimir, meu irmão mais velho e meu guru, me estimulava nessas heresias, me dando livros pra ler, como um de um tal Bukarin,  com um ABC te teorias estrambólicas que me  levariam muito cedo à cadeia.

Eu fui entrando nessa, quase me  atolo. Mas atolado não estou. Hoje, lembro o padre mais do que o ginásio. O padre que, para mim era santo e demônio. E eu amava, e amo, as duas imagens. Mais a de São José, padroeiro do ginásio e depois meu amigo pessoal.

Bênção, padre Adelmar da Mota Valença. Soube de sua morte.

*Ronildo Maia Leite, jornalista e diretor do Arquivo Público Estadual. Artigo publicado no Diário de Pernambuco, edição de 24 de novembro de 2002.

Ronildo Maia Leite nasceu em Garanhuns em 30 de outubro de 1930. Estreou no jornalismo aos 13 de anos de idade no extinto Garanhuns Jornal, na sua cidade natal. Em 1951, ingressou no Jornal Pequeno, do Recife, de onde saiu, em 1955, para o Diário de Pernambuco. Formado pela primeira turma de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, foi laureado da Cadeira de Técnica de Jornal, recebendo o prêmio instituído pelo Moinho Recife. Faleceu em 2009, aos 79 anos.

A Receita do Amor

 Paulo de Melo

O reflexo do brilho de um olhar

E a satisfação que deixa um sorriso

E a essência do amor, isso é preciso

Pra que tenha mais amor na humanidade

Que exista mais sensibilidade

Que o homem abrande o coração

Respeite mais o seu irmão

E ouça a voz do professor

A receita do amor

Vem do ato de gratidão

O calor de um abraço

E um gesto de carinho

para quem anda sozinho

Não tem presente melhor

Para quem andava só

E vivia na solidão

E agora tem um irmão

E a solidão passou

Pois a receita do amor

É o ato de gratidão

Se tu vires alguém sofrendo

E tu não podes ajudar

Deixa ele caminhar

Não aumente a dificuldade

Procure fazer a caridade

Pra ajudar teu irmão

Ajuda teu coração

Viver feliz com temor

Pois a receita do amor

É o ato de gratidão.

Prefeito Sivaldo Albino participa da abertura do ano legislativo


O prefeito Sivaldo Albino participou, nesta quinta-feira (04), da abertura do Ano Legislativo, na Câmara Municipal de Garanhuns. A solenidade ocorreu no plenário da Casa Raimundo de Moraes, e deu início oficialmente aos trabalhos dos vereadores e vereadoras que assumem o mandato para o quadriênio 2021-2024.

O momento contou também com a presença do vice-prefeito Dr. Pedro Velôso; do presidente da Câmara, Johny Albino; além de demais representantes do Poder Legislativo, secretários municipais e sociedade civil. A Câmara Municipal de Garanhuns retomou suas atividades, com uma primeira sessão solene, relembrando ainda os 142 anos de elevação de Garanhuns à categoria de cidade.

Em seu pronunciamento, o prefeito Sivaldo Albino deu as boas-vindas aos membros da Câmara, e destacou a aproximação do Governo Municipal com a população, com a participação efetiva dos vereadores eleitos.  “Vamos manter aquilo que sempre defendi, um bom diálogo e respeito. Não é à toa que esta casa sofreu uma grande renovação. Nós estamos aqui para representar a mudança, e vamos fazê-la, com clareza, seriedade e compromisso”, pontuou o gestor municipal.

Texto: Aquilles Soares / Fotos: Thomas Ravelly / Secom/PMG.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Senac está com matrículas abertas para cursos de inglês em Garanhuns

Estão abertas as inscrições para cursos de idiomas no Senac, na unidade de Garanhuns. As aulas começam a partir de fevereiro e os interessados devem procurar a unidade do Senac no Heliópolis, em Garanhuns.

Há matrículas abertas para quatro turmas: uma de Pre-Intermediate com aulas começando agora em fevereiro, sempre à noite; as outras três começam os encontros a partir de março. São elas: Teens 1 e Teens 3 , ambas têm carga horária de 60 horas, e uma de Beginners I, com encontros à tarde até junho.

Serviço

Cursos de Inglês no Senac

Informações e matrículas

www.pe.senac.br

Senac de Garanhuns

Rua Maria Ramos, 22. Heliópolis.

Telefones: (87) 3764.2705 / 2703 / 2700 / 999883984 / 988748492 (WhatsApp)

Pre-Intermediate II – 80h 

Período: 09/02 a 08/07/2021 - 18 às 22h

Investimento: 10 x R$57,00

Teens 1 - 60h

Período: 09/03 a 26/06/2021 - 14h às 16h – Ter e Qui

Investimento: 6 X R$73,33

Teens 3 - 60h

Período:09/03 a 29/06/2021 - 16h às 18h – Ter e Qui

Investimento: 6 x R$73,33

Beginners I  - 80h

Período:15/03 a 21/06/2021 – 15h às 17h

Investimento: 10 x R$57,00

De Cidade para vila...

Vista aérea de Garanhuns
Por Manoel Neto Teixeira*

Assistimos, nesse 9 de março de 2014, a comemorações e procedimentos relacionados a datas históricas de Garanhuns. A Lei  Provincial Nº 1.309, de 4 de fevereiro de 1879, estabelece: "Fica elevada à categoria de cidade a Vila de Garanhuns, conservando-se a mesma denominação". O fato não pode ser alterado nem restringido, nem mesmo por entes públicos, nas esferas municipal, estadual e federal. E o que aconteceu? Mudaram as comemorações para 10 de março, volvendo-se aos tempos de Garanhuns vila. A data histórica é marco insubstituível para a pesquisa acadêmica, obras literárias e avaliações sociológicas. Pereira da Costa, no seu clássico Anais Pernambucanos, faz registros sobre municípios do interior, inclusive Garanhuns, confirmado a sua transformação de vila para cidade. Outra obra igualmente referencial, sob o título Pernambucânia, do escritor e jornalista Homero Fonseca, confirma  também os registros alusivos a Garanhuns. Há ainda a coleção sobre a história dos nossos municípios conduzida pela Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco (Fiam).

É dado saber que o processo evolutivo não tem volta, principalmente em se tratando de datas históricas. Como diria o professor, historiador e editorialista Aníbal Fernandes, "o fato é sagrado; apenas o comentário é livro". Queiram ou não alguns, o fato, e fato normativo e histórico, imutável,  é que Garanhuns galgou o status de cidade em 4 de fevereiro de 1879. Percorrer o caminho inverso, ou seja, festejar-se simplesmente a condição de vila, ao invés de cidade, é retrocesso a troco de nada e que só confunde a cabeças das novas gerações, milhares de alunos das redes pública e privada de ensino.

A formação dos primeiros núcleos comunitários, com suas características rurais, desde o Brasil Colônia, passando pelo Império até chegarmos à condição de República, foi e continua sendo conhecido como vilas. Eram formadas por casebres, geralmente de taipa (ver Sobrados e Mocambos, de Gilberto Freyre), pequenas ruas, serviços mínimos como fornecimento de água potável, energia elétrica (esta, só para as vilas surgidas nas últimas décadas, pois nos velhos tempos, luz só de vela e candeeiro. Esse estágio, primitivo, é que evoluiu como ainda evolui até galgar o cobiçado e definitivo status de cidade. O caminho inverso, não se tem notícia, exceto agora, lamentavelmente, abarcando nossa Garanhuns.

Trata-se de uma evolução natural e artificial, ao mesmo tempo, como é próprio de condição humana. E não ocorre da noite para o dia, é um processo, evolutivo, ao que sabemos, sem  volta; nenhuma cidade quer retroagir à antiga e superada condição de vila. Com todo respeito e reverência a essas pequenas comunidades, que desenharam ou quando nada serviram de linha para o atingimento da condição de cidade.

Está registrado no volume 2 da Coleção documentos históricos municipais, edição 1994, trabalho de grande alcance realizado pela Fiam, a seguinte evolução histórica e normativa de Garanhuns: "Criação do termo - 20 de maio de 1833; criação da Comarca - 7 de junho de 1836; retorno da freguesia de Altinho ao termo de Garanhuns - 8 de maio de 1845; elevação a cidade - 4 de fevereiro de 1879; constituição do município (com base no Art. 2º das disposições gerais da Lei Nº 52 de 3/8/1892 - 7 de janeiro de 1893".

Esse é o fato. Nenhum comentário, nem procedimento, particular ou mesmo emanado de órgãos públicos, é capaz de alterá-lo, substituí-lo. Quem conhece um pouco de história sabe que, do estágio primitivo, nômade, o homem foi evoluindo até chegar à grande e definitiva criação - a cidade. Conquista irreversível e proclamadora do grau civilizatório e urbanístico dos povos de todos os continentes.

*Manoel Neto Teixeira é escritor, historiador, advogado e membro da Academia Pernambucana de Letras Jurídicas

Transcrito do Jornal do Comercio de 13 de abril de 2014

Garanhuns 142 anos

Antiga feira de Garanhuns em 1896
Foto: Livro Terra dos Garanhuns/1954
Por João Marques*

Politicamente, Garanhuns faz 142 anos em 4 de fevereiro. A efeméride relembra da história a conquista do lugar à honrosa categoria de cidade. Vila em 1811, por força de Carta Régia, do reino de Portugal, Garanhuns foi elevada à dimensão de cidade em 1879. O fato se deu, com a vinda a Garanhuns, em repouso do Barão de Nazaré - procurando benefícios do clima, para tratamento respiratório. Deputado da Província de Pernambuco, então, aqui respirou não apenas o ar, mas o desenvolvimento da Vila. E, voltando à Capital defendeu eloquentemente lei que conferisse a Garanhuns o nome  e as vantagens de uma cidade. O discurso, célebre, é publicado depois, 1969, na História de Garanhuns, de Alfredo Leite Cavalcanti. A conquista mereceu, naquele tempo, grande alegria dos garanhuenses e foi comemorada festivamente. A data ficou nos anais como um marco de triunfo de glória para Garanhuns. Em 1979, o Prefeito Ivo Amaral fez outra grande festa, pelo centenário da cidade em 4 de Fevereiro.

E, por conta da emoção do maior acontecimento político e histórico, O Século, congratulando-se com o povo, transcreve algumas expressões, relevantes, do discurso.

"O procedente que se tem seguido nesta casa, elevando-se à categoria de cidade muitas vilas desta Província, não tem sido adotado somente pelo fato do aumento de rendimentos a auferir, mas também com o fim de auxiliar o aumento de população e desenvolver o comércio dessas localidades, porque, como sabe V. Excia., é sempre uma animação aos povos que nelas residem e um incentivo ao seu engrandecimento."

"Florescente  e garbosa, Garanhuns, pode-se dizer é uma parte da Europa, tirada do velho Mundo, e colocada em uma região da Província de Pernambuco." (a expressão em negrito é citada no Hino de Garanhuns).

"Garanhuns está em uma colina levemente inclinada e muito formosa, cortada por 4 ou 8 ruas muito bem alinhadas. Entretanto Garanhuns não tem sido favorecida até hoje pelas assembleias provinciais."

O Projeto apresentado na província de Pernambuco pelo Sr. Silvino Guilherme de Barros, Barão de Nazaré, foi aprovado e sancionada a Lei Provincial nº 1.309 em 4 de fevereiro de 1879. A elevação de Garanhuns à categoria de cidade foi uma conquista, e nunca será apagada da memória célebre deste povo. Salve o 4 de fevereiro.

* João Marques dos Santos é poeta, escritor, diretor/redator do jornal O Século, autor do Hino de Garanhuns e ex-presidente da Academia de Letras de Garanhuns - ALG. 

Texto transcrito do Jornal O Século de 20 de fevereiro de 2019.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Secretário de Turismo e Cultura recebe comissão de músicos de Garanhuns


Na manhã da última segunda-feira (1º), o secretário de turismo e cultura, Givaldo Calado de Freitas, juntamente com a diretora de cultura, Socorro Gueiros, receberam uma comissão de músicos da cidade para tratar da chamada Lei Aldir Blanc, Lei nº14017/2020, que trata das ações emergenciais destinadas ao setor cultural a serem adotadas durante o estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020.

A recepção aos músicos já aconteceu em outras oportunidades nessa gestão, estando eles informados de que o assunto já está sendo levado às esferas superiores do Governo Federal, para ser encontrada uma solução que possa atender àqueles que por alguma razão, não lograram êxito na concessão do recurso, e consequentemente, não foram contemplados pela referida lei.

O secretário Givaldo disse do seu empenho sobre o assunto, e que é propósito do prefeito Sivaldo Albino, encontrar uma solução que venha atender a todos. “Sabemos das dificuldades dos nossos artistas e não estamos medindo esforços para atender a todos que nos procuram e juntos encontrarmos soluções que satisfaçam essa classe”, enfatiza o secretário.

Secom/PMG.

"Os malvados que têm sucesso são insuportáveis."

Ésquilo (cerca de 525-456 a.C.) - Dramaturgo grego. 

Provações Coletivas

O nosso Sol, suspenso nas galerias do infinito, despejando a luminosidade dos seus raios, vestindo de claridade todos os orientes e ocidentes da terra. Exemplo de vida e de união.
Foto: Anchieta Gueiros
Dr. Aurélio Muniz Freire*

A história da humanidade registra, em todo o seu  curso, a presença de calamidades (no passado e no presente), cujas marcas sempre se fizeram sentir mais  entre alguns povos ou regiões. Diante de tanto sofrimento coletivo experimentado por povos e nações, como explicar, pergunta-se, ser Deus, em tais casos, justo e bom para com esses Seus Filhos?

Se considerarmos que o homem vive uma só vida, seria de todo impossível, dentro de tais casos, encontramos, logicamente, a justiça de Deus. Não haveria sentido lógico na aceitação da unidade de vida, pois o  seu Autor estaria assim privilegiando uns  e condenando outros. Somente a lei da reencarnação, que nos assegura a sucessividade das existências como criaturas encarnadas, garante-nos que a justiça divina se cumpra para todas as nações e para todos os indivíduos, estejam aquelas e estes onde estiverem. É verdade inconteste funcionar o azzorague do Alto, chicoteando em todas as  épocas, sacudindo indivíduos e nações.

A tecnologia das comunicações aproximou-se as diversas regiões do mundo, tornando-as conhecidas pelos fatos nelas verificados. Desapareceram as barreiras, as  separações, as distância, pelas transmissões do quanto ocorra em qualquer parte da Terra. Nosso planeta, nesse campo, transformou-se numa aldeia global, como se estivéssemos todos morando bem próximos uns dos outros, quase vizinhos. A ciência das transmissões, pelo menos nessa parte, uniu a população deste mundo, quase a dizer sermos um território bem limitado, a despeito de parecermos gigantescos. Esse encurtar de distâncias seria como um dos milagres da ciência humana, tornando pequeno o nosso globo. Mas, perante a ciência natural ou divina, a natureza sempre foi exuberante, anunciando por suas leis e pela naturalidade de  seus efeitos o traço de união, ligando tudo, na gigantesca obra de Deus.

A extensão de nossas  terras não encontra na própria Terra separações, divisões. Ela se une por baixo de todos os lençóis. Somos, natural e geologicamente, uma união, formada de belezas mil, na ostentação de rochas, solos, mares, rios, lagos, povoando montes, serras e baixadas do nosso chão. O azul do nosso firmamento veste-se também de outras cores, atapetado de nuvens ora leves, de tons suaves, ora de tonalidades pesadas, revelando a presença de uma grandeza sem quebras, estendendo seu manto acolhedor sobre todas as regiões da nossa morada. Incontável número de astros luminosos, quais lâmpadas clareando a escuridão de nossas noites, engastados na imensidão dos céus, falam em palavras de luz, exibindo-se para a alegria e satisfação de todos os povos, fazendo-o sem distinções.

O nosso Sol, suspenso nas galerias do infinito, despejando a luminosidade dos seus raios, vestindo de claridade todos os orientes e ocidentes da Terra, visita continuadamente ricos e pobres, justos e injustos, sábios e ignorantes, bárbaros e civilizados, como a dizer que a sua luz não estabelece discriminações.

O ar, viajando o seu poder pela extensão de todas as superfícies, adentra-se na intimidade de nossos corpos, exprimindo-se como vida de nossas vidas, qual sopro de Deus, sem estabelecer diferenças. Sopram os ventos, beijando as paisagens de todos os caminhos, excursionando os campos do mundo, balançando nos  oceanos suas ondas, presenteando-nos com a  amenidade dos climas, quais viajores do infinito, igualmente residem na Casa dos homens, não fazendo a acepção de pessoas.

Assim é a natureza. Exemplo de vida e de união. Ela se constitui mestra de todos os homens. Daí a sabedoria antiga clamando a nossos ouvidos:

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma  noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem nem palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a Terra se faz ouvir a Sua voz, e as Suas palavras até aos confins do mundo [Sl, 19:1-4].

Diante de tantos apelos naturais deste imenso laboratório divino, somente o homem ainda não entendeu essa linguagem a falar sem palavras. Desune-se. Desentende-se. Briga. Guerreia e mata. Incendeia campos, destruindo os mananciais da vida, envenenando as  artérias do planeta - nossos rios -, matando o verde dos campos, secando a exuberância das fontes, trancando as torneiras dos céus ou rebentando comportas das alturas, exterminando animais e plantas, aumentando o fogo do nosso sol, espalhando a fome, a desolação, a miséria e a morte. A natureza é um livro aberto. Mensagem de Deus a falar por todos os séculos, à teimosia do homem. Porém, ela respeita a maldade dos tempos "[...] para ferir a Terra com toda sorte de flagelos, tantas vezes quantas quiserem" [Ap, 11:6]. Depois, sem estender a linguagem silenciosa das eras, ainda reclamamos de terremotos, de inundações, de estiagens prolongadas, de tantas provas e expiações coletivas. Tudo isso constitui a forma de resgatarmos nosso desrespeito atual ou passado de nossas iniquidades, pela violência aos canais da vida, a natureza. Diante de tais fatos, parece estarmos no princípio das dores, consoante o sermão profético de Mateus: "[...] haverá fome e terremotos em vários lugares" [Mt, 24:7].

Diferente é o batismo do nosso tempo. Não adiantam processos de fuga. Fujamos, sim de nossos vícios, de nossas drogas. Quanto mais nos aprofundamos em viciações, quaisquer que sejam elas, mais estaremos nos afundando nos charcos do mundo, acendendo brasas, amontoando-as vivas e quentes sobre nossas próprias cabeças, pois também o fogo é outra forma atual de batismo. Leia-se "[...] Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo" [Mt, 5:4].

A irresignação, o desespero, a revolta constituem outras sementes lançadas aos canteiros da vida. E, se temos liberdade para a semeadura, jamais a teremos para a colheita, porquanto somente iremos colher do quanto houvermos semeando. "A cada um segundo as suas obras". Nem todos quantos chorem, sofram fome ou vivam sedentos ou famintos de justiça receberão a misericórdia prometida. "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" [Livro dos Espíritos - Questões 737 a 741]. Essa mensagem de Jesus dirige-se a quantos saibam, com sabedoria, receber as bênçãos divinas. O pranto do desespero, a loucura de injustiçados nada fazem senão alimentar as tempestades, as dores, o sofrimento, as desventuras da Terra, açoitando sua humanidade para, aprendendo a paciência nas aflições como exercício de resignação à vontade de Deus, possa o homem vivenciar o amor ao próximo, avançando mais rápido em moralidade, em prol de sua regeneração, buscando implantar o reino do Pai entre as criaturas.

A Doutrina Espírita oferece grandiosos ensinamentos sobre os flagelos destruidores, advertindo-nos de sua finalidade e de sua necessidade. O Livro dos Espíritos faz-nos conhecedores dos motivos maiores de tais provas e expiações em benefício do nosso crescimento espiritual como povo, como nação. Finalizamos a nossa resposta com palavras deste grande Espírito, Joanna de Ângelis:

Com frequência regular, a Terra se faz visitada por catástrofes diversas que deixam rastros de sangue, luto e dor, em veemente convite à meditação dos homens.  - Não constituem castigos ou catástrofes que chocam uns a arrebatam outros, antes significam justiça integral que se realiza - Enquanto o egoísmo governar os grupos humanos e espalhar suas torpes sementes, em forma de presunção, de ódio, de orgulho, de indiferença à aflição do próximo, a humanidade provará a ardência dos desesperos coletivos e das coletivas lágrimas, em chamamentos severos à identificação com o bem e o amor, à caridade e ao sacrifício.

*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011

"A única maneira de conservar a saúde é comer o que não se quer, beber o que não se gosta e fazer aquilo que se preferiria não fazer."

 Mark Twain (1835-1910) - Escritor norte-americano.

"Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira."

 Lev Nikolaievitch Tolstoi (1828-1910) - Escritor  russo.

Perseverança - Persistência

Dr. José de Vasconcelos Pontes*

O progresso humano depende da capacidade de produzir ideias, formar um  corpo, projetá-lo de uma tela imaginária, fazê-la crescer, dá vida, à ideia; assim vem a evolução desenvolvendo o espírito de criatividade.

Dom extraordinário que funciona em certas pessoas, desenvolvendo conhecimentos, expandindo assim o intelecto. Com esforço, boa vontade, persistência, alcançará as mais altas realizações. Mas, existem pessoas que são dominadas pelo medo, medo de errar, não têm a  coragem de expor suas ideias e terminam atrofiadas mentalmente estéreis.

É preciso lutar, só a ação pode desenvolver a autoconfiança. Temos de ser  persistentes, continuar sempre procurando o caminho certo para novos empreendimentos.

Na nossa história desfilam vários heróis, homens e mulheres dotados de  uma força superior capaz de transformar o mundo. Beethoven depois de surdo, escreveu as suas melhores páginas musicais. Evaristo de Morais de humilde rábula, tornou-se o maior advogado criminalista do Rio de Janeiro. Luiz Gama, que era escravo, conseguiu vencer os preconceitos e alcançar a glória  com o poder da palavra. Goethe, terminou Fausto aos 80 anos. Helena Kelller, que era muda, e cega, conseguiu escrever a maravilha que é Paraíso Perdido. Exemplos dos esforços de pessoas que tinham coragem de lutar, persistir sem vacilar um instante sequer.

Mardem dizia: "Se eu não encontrar o meu caminho, abrirei outro só para mim". - A força do pensamento, a fé no Poder Supremo, a coragem firma de vencer; leva o homem a alcançar os  seus objetivos.

Edson já dizia: - "Meus inventos  se deve a 1% de inspiração, e 99% de transpiração.

A persistência, a perseverança são requisitos básicos e fundamentais para que possamos vencer na vida.

Elias Howe foi o homem que passou muitos anos tentando construir uma máquina de costura de ponta de lançada. Depois de muitos insucessos teve  um sonho, conforme narra o famoso escritor W. A. Kaempifert - "Howe fez as agulhas de suas primeiras tentativas malogradas com o buraco no meio da haste. Dia a noite, mesmo durante o sono, seu  cérebro estava constantemente ocupado com a invenção. Uma noite sonhou que foi capturado por uma tribo selvagem" - "Elias Howe - surgiu o Rei - ordeno sob pena de morte que você  termine o invento". "O suor frio porejava em sua fronte as mãos tremiam e seus joelhos chocalhavam. Em tal situação, o inventor não podia, de maneira nenhuma, descobrir o que faltava para a solução do problema que por tantos anos o vinha atormentando. Tudo era tão real que ele chegou mesmo a gritar. No sonho ele se viu cercado de guerreiros negros que o escoltara para o lugar da execução. De repente ele reparou que a ponta da lança que  o guarda empunhava tinha um buraco em forma de olho. O segredo estava descoberto. Mal acordou, pulou da cama imediatamente fez o modelo de agulha com o orifício na ponta com o qual encerrou com sucesso, suas experiências.

Para tudo há solução. Depende unicamente da força de vontade, ser  persistente. Precisamos ter perseverança, fé, coragem, força para trilhar o caminho. Nossa vida é uma jornada, enfrentamos o dia a dia rodeados de inimigos que vivem de tocaia, prontos para nos surpreender e assaltar. Mas não vacilemos, a vida tem rosas e espinhos para a nossa perfeição.

*Advogado e jornalista / Garanhuns, 9 de abril de 1983.

Uma Municipalidade Feliz

Lauro Cysneiros*

Sob a designação da sugestiva epígrafe, o perficiente escritor Pedro Afonso, enriquecendo as colunas "O Monitor" de 21 de janeiro do corrente ano, expusera, com meridiana isenção de ânimo, algo concernente ao equilíbrio econômico-financeiro em que se vem pautando, com eficiente circunspecção orgânico - administrativa, a Prefeitura Municipal de Garanhuns, atualmente, auferindo as mercês concludentes da idealista visão administrativa do  seu dinâmico e jovial prefeito - Ivo Tinô do Amaral - em cuja atuação governamental, se vem revelando um dos mais operantes diligentes administrativos do patrimônio público - esse denodado benfeitor do progresso garanhuense - de cuja tradicional família pernambucana, hei cultuar, reverencialmente, a consagrada e saudosa memória do eminente e imortal Dom João da Mata Amaral - seu  extremado tio - e meu insigne e memorável professor, de magnificente cultura - naqueles idos remotos, de indeléveis recordações - quando na vigência daquele modelar Colégio Bento XV, incorporado à jurisdição eclesiástica da inesquecível Nazaré da Mata.

E tanto assim me tocaram as suas expressivas e cordiais palavras, meu caro e nobre jornalista, que, ao término da aprazível leitura, ocorrera-me à memória - qual figurada um pálido e indébito complemento à sua maravilhosa asserção - a improvisação desses pobres rabiscos - em:

Honra ao Mérito

Feliz a terra, quando um grande povo,

Cheio de fé, à experiência afeito,

Diligente, sem freio e sem estrovo,

Sabe eleger um magistral Prefeito.

Feliz a gleba - que eu exalto e louvo - 

Que, na vigência do ardoroso pleito,

Alteia a luz, ante o mandato novo,

À seleção do porvindouro eleito.

Feliz o berço, que a imortal Simôa,

Patrioticamente, aperfeiçoa,

Sob os adejos dos Gaurás e Anuns...

Feliz, portanto, és tu, terra das flores,

Que soubeste eleger, cheia de ardores,

O verdadeiro edil de Garanhuns.

*Poeta, escritor e historiador / Garanhuns, 4 de fevereiro de 1978.

Em Brasília, Sivaldo Albino e Felipe Carreras têm reunião no Ministério do Turismo


O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino, participou de reuniões na capital federal nesta terça-feira (02/02). No Ministério do Turismo, ao lado do deputado federal Felipe Carreras, Albino apresentou novos projetos ao ministro Gilson Machado Neto e toda sua equipe. Dois dos projetos apresentados anteriormente, com a participação direta do deputado, já foram aprovados e o prefeito vai anunciar em breve para a população.

Um dos projetos apresentados nesta terça trata de um grande investimento para o desenvolvimento do turismo corporativo regional. "Pretendemos colocar Garanhuns definitivamente na rota dos grandes eventos do interior do estado e até do Nordeste. O ministro ficou impressionado e saímos otimistas quanto à possibilidade de tornarmos realidade, através desta parceria. Também devemos anunciar em breve." - Explicou Sivaldo Albino.

Além de Felipe Carreras, estiveram com Sivaldo Albino no Ministério do Turismo, Lázaro Medeiros, coordenador de promoção internacional do turismo da Embratur, o radialista Alberes Xavier e o presidente da Embratur, Carlos Brito. Albino comentou o resultado da reunião. "O encontro foi bastante produtivo, aproveitamos para convidar o ministro para visitar Garanhuns, principalmente nossos equipamentos turísticos, inclusive a vinícola Vale das Colinas e a Polilac Laticínios, citadas na reunião. Gilson Machado irá colocar Garanhuns em sua agenda de visitas", finaliza.

Fonte: Secom/PMG.

Game “Guardiões da Justiça 1.0″ busca explorar o patrimônio histórico e cultural pernambucano

Vem aí “Guardiões da Justiça 1.0,” jogo digital para dispositivos móveis, com versão trilíngue (Português, Inglês e Libras), destinado a crianças entre os 4 e 8 anos de idade, como também a pessoas de todas as idades com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos de aprendizagem e/ou deficiência intelectual.

Na narrativa, os participantes exploram a estação do Brum, antiga estação ferroviária do Recife, integrante do patrimônio cultural ferroviário brasileiro, onde funciona desde 1999 o museu do Memorial da Justiça de Pernambuco. No museu virtual, os jogadores são Guardiões da Justiça, e encontram personagens que apresentarão os temas do cangaço, da escravidão, da capoeira e do frevo. Neste ambiente, os jogadores serão estimulados a praticar ações de cidadania e de educação patrimonial e a pensar sobre a importância da preservação do patrimônio. A iniciativa conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura.

Pessoas com deficiência visual ou auditiva também terão acesso ao jogo por meio da inserção de recursos de acessibilidade comunicacional, como audiodescrição, Libras e legendas para surdos e ensurdecidos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O Céu existe. Entre Sete Colinas. Garanhuns é de lá

Ano 2021 - Garanhuns - Praça Dom Moura
Foto: Anchieta Gueiros

Ronildo Maia Leite

"A Carne das Pedras"

O primeiro desses degraus,

de apenas dois metros de altitude

sobre o nível do mar,

fica ali, bem perto,

na Avenida Rio Branco,

marco Zero do Recife.

Dele

- e mesmo sem nele estar em riba -

se avista a bocarra do Atlântico

lambendo a carne das pedras

com enorme línguas de espuma.

É branca essa espuma,

é verde essa água

e verde-lodo é o paredão dos arrecifes.

Mais pra lá,

a extensa várzea do Capibaribe,

cinco metros de altura.

Mais pra frente,

nas terras do Cabo,

Santo Agostinho dá um bundacanastra de metros.

Puro enxerimento de santo.

Ele salta de viés,

se entronchando em Suape,

somente para mexericar esse céu

- que ainda está longe,

bem longe, 235 quilômetros de lonjura.

Vá subindo pro céu

sem adeusinhos ao mar nem ao Recife, 

porque o importante é ir e vir

para de novo voltar.

E se purgar.

Quinze quilômetros à frente,

altitude 10,

está o segundo,

dito Socorro, 

sem que o nome a ver com emergências.

No quilômetro 18,

dá-se um pinote maior,

de 30 metros,

para se chegar ao terceiro, 

altura 45,

que se chama Jaboatão dos Guararapes

- esse, sim, de urgências e emergências,

tanta e tanta é sua história

de guerra e revoluções.

"O remédio para um mal às vezes consiste em esquecer o remédio e esquecer o mal."

 Baltasar Gracián (1601-1685) - Prosador espanhol.

O Barão de Nazaré e a Certidão de Nascimento de Garanhuns

 Por Marcílio Reinaux*

Garanhuns comemora na próxima quinta-feira (4) de fevereiro, cento e quarenta e dois anos da emancipação política de Vila (1879), transformada em Município, por projeto do Deputado do Governo Provincial: Silvino Guilherme de Barros, o Barão de Nazaré (foto). O documento histórico, que vale como "Certidão de Nascimento de Garanhuns",  é o Decreto Provincial 1.309, de 4/2/1879.

Poucos meses antes no final do ano anterior O Barão de Nazaré havia estado em Garanhuns, à época, um pequeno vilarejo serrano, encravado e circundado de Colinas Verdejantes. "Lá tem fontes de água boa, de excelente qualidade". Teria dito o médico do Barão de Nazaré, que estava com problemas de saúde, acometido de complicações renais. Mais que uma informação, mas entendendo como recomendação médica, o Barão de Nazaré veio para a Vila de Garanhuns e ficou um tempo, com certeza bebendo muita água, caída das cascatas e riachos que brotavam das fontes cristalinas. Ao que se sabe, ficou curado e sentiu-se agradecido tanto pela boa acolhida e sobretudo pelos benefícios à sua saúde em decorrência do clima saudável.

Tanto assim que, ao regressar às suas atividades políticas no Recife, formulou aquele citado Decreto de Emancipação, que aprovado elevou a "vila das águas cristalinas", à posição de Cidade, dos "Guarás e dos Anuns" (Garanhuns), a nossa sempre querida "terra de Simôa Gomes" ou como a chamamos em um poema: "A Enevoada Pérola Fugidia".  Um século e mais 42 anos, lá se vão desde aquela passagem do Barão de Nazaré, foi sumamente oportuna e de grande importância histórica e política para Garanhuns. O começo, oficializado de tudo.

Nascido em 10 de fevereiro de 1834 na cidade do Cabo, Pernambuco, Silvino Guilherme de Barros, que tomou o sobrenome da mãe: dona Mariana Teresa de Barros e não o do pai e Advogado João Batista de Araújo, foi  importante comerciante de "Secos & Molhados" na cidade do Recife. Foi também militar, chegando à patente de Coronel da Guarda Nacional (quando reformado). Mas seu perfil biográfico registra destaques importantes como político eleito Deputado Provincial, exercendo profícua atuação durante três mandatos seguidos, pelo Partido Liberal. Figura respeitada em todos os locais, possuía vários títulos, destacando-se o de Comendador da Imperial Ordem da Rosa.

Nós os historiadores lembramos que dentre tantas definições, "A História é êmula do tempo e repositório de fatos", é uma daquelas afirmações, que bem se aplica à essa visão dos pretéritos de Garanhuns, desde aquele nascedouro batismal de cidade com o gesto do Barão de Nazaré. Mas é também uma emulação dos fatos, quando em fevereiro de 1892, ou seja 27 anos depois. Do Decreto Província, Garanhuns veio a  ter o seu primeiro prefeito autônomo, O Major Antônio da Silva Souto. A partir de então a história do  Município serrano vem sendo escrito e pontilhado com um elenco de fatos políticos e sociais - alguns destacados outros desapercebidos - mas que juntos  formaram e têm formado, um repositório rico em todos os aspectos das suas tradições principalmente aquelas hospitaleiras. Dir-se-ia, que Garanhuns exercita  há muito, a "Arte de Bem Receber". A sua história conta. 

Há de se recordar que nos preâmbulos da sua antecedência histórica, algo em torno de dois séculos antes, paralelamente às guerrilhas dos escravos "Quilombolas", tropas já haviam se instalado por estas colinas verdejantes, nas demarcações da Sesmaria dos Burgos de Nossa Senhora do Desterro. A sede da Capitania fora na Fazenda do Garcia e posteriormente adquirida pelo Tenente-Coronel Manoel Ferreira de Azevedo, este marido de Simôa Gomes de Azevedo, neta de Domingos Jorge Velho. Simôa, a "matriarca" de Garanhuns cujo nome é reverenciado na transitoriedade histórica desta nossa querida terra.

Neste período de  um século e mais quatro décadas, Garanhuns registra momentos especiais no elenco dos fatos, com a marca e  a poeira do tempo, relacionados ao seu progresso, crescimento e o advento de grandes melhorias, tanto da terra e para a terra, como dos administradores do povo, aqueles chamados hoje  de Gestores da Administração Pública Municipal. É bem de ver, assim conta a história: uns de gestões anêmicas e ou quase passageiras, sem deixar nelas, traços marcantes da sua transitoriedade. Outros, mais afortunados e  bafejados pela sorte, ou até mesmo que se mostraram mais diligentes e mais capazes, deixaram marcas do talento político, da capacidade gerencial e da competência de administrar a "Coisa Pública". 

Olhando um pouco períodos mais recentes, aqueles desta nossa existência, lembramos alguns nomes de Prefeitos que fizeram história e deixaram marcas. Da nossa memória, guardamos nomes de alguns: Celso Galvão, (amigo de meu pai Antônio Reinaux). O registro também de Euclides Dourado, de Luiz Souto Dourado, de Francisco Figueira e de épocas mais recentes o estimado Amílcar da Mota Valença, este por dois mandatos (separados por dez anos). Um registro especial ao estimado amigo de sempre e Prefeito de todos nós: Ivo Tinô do Amaral, igualmente Chefe do Executivo de Garanhuns por duas gestões (separadas por quatro anos). Sem exagero estes gerando a Administração Pública Municipal, com aqueles atributos aos quais nos  referimos, merecem aquela página na Galeria de Honra dos Homens Públicos de Garanhuns. Aqueles das lições de competência e habilidade política. Deles temos uma herança muito rica, na construção de dias vindouros, com alicerces findados.

À todos, à nossa sempre amada, nunca esquecida, parabéns Garanhuns neste dia.

*Marcílio Lins Reinaux é advogado, jornalista, professor, escritor, historiador e pintor.

"Precisamos aprender sempre para enfim aprender a morrer."

 Marie von Ebner-Eschenbach (1830-1916) - Escritora austríaca.

Expedito Lopes no Seminário

Com a idade de 11 anos, o Bispo de Sobral, Dom José Tupinambá da Frota (foto), convidou o  menino Francisco Expedito Lopes para  entrar no Seminário. Como sua família era pobre, o Bispo prontificou-se para assumir todas as despesas.

Em 1925, ele começou os estudos no Seminário Menor de Sobral. Estudou lá de 1925 a 1931 onde era o primeiro da  classe, segundo depoimento de Mons. Sabino Loyola, que era da  mesma turma no Seminário. Ele disse que Dom Expedito só perdia o primeiro lugar em português para o Mons. Francisco Morais que era Vigário de Ipu -  CE. Este era também da mesma turma, era mais velho, e morreu este ano. Mons. Morais afirmou que Dom Expedito sabia de cor todas as Cartas de São Paulo.

Assim foi a infância e adolescência de Dom Expedito Lopes, na família e no Seminário Menor. As informações que se tem são estas. Foi um menino que chamava a atenção pelo comportamento, a responsabilidade, a religiosidade e a oração.

Dona Suzete, sua irmã, conta, no seu depoimento,..." que em 1930 aconteceu na Paróquia de Massapê - CE um incidente profundamente desagradável. Um sacerdote, de apenas 30 anos deidade  foi assassinado no momento em que ele se dirigia para o altar para celebrar a Santa Missa.

Este martírio marcou a história da Igreja de Sobral. As batinas do Padre José Arteiro foram trazidas para o Seminário e sorteadas entre os seminaristas. Por coincidência feliz o seminarista sorteado foi Expedito Lopes."

Da esquerda para a direita os Seminaristas: Expedito Lopes, Francisco
Morais, José Cardoso e José Ferreira, no Seminário de Fortaleza, em
em 28 de março de 1932

Dona Noeme, sua mãe e Dona Suzete, sua irmã mais velha eram costureiras... "Lá chega o seminarista Expedito, com a maior alegria, trazendo duas batinas que pertenceram ao Padre José Arteiro para consertar para ele usar. As batinas eram novinhas, o Padre era novo, quase do mesmo tamanho de Expedito. Bastava apertar um pouco na cintura e ele podia usar, pois era jovem ainda com 16 anos, mas era um tanto vaidoso."

Dona Suzete é que disse que já como seminarista, ele gostava de andar muito arrumadinho. Pediu para elas apertarem mais as batinas.

As duas mostraram certa resistência porque o Padre fora assassinado. Mas, ele sorriu muito e disse: "O que é que tem? Ele era um homem santo!" Dona Suzete acha, e disse que se assustara muito com aquela coincidência, que há uma ligação espiritual entre a  morte do Padre José Arteiro e de Dom Expedito.

Um padre em 1930 deu uma vida inocente por uma calúnia... Em 1957 aquele que usou as batinas daquele padre, é morto por um padre concubinário e que a vítima queria salvar. Dona Suzete perguntou se havia relação entre um crime e o outro. Frei Francisco que a escutava respondeu que era melhor pensar que foi  mera coincidência. E depois já fazia tanto tempo, e Dom Expedito entre nas duas histórias sempre como inocente.

Quanto à adolescência e a juventude foram passadas no Seminário Maior em Fortaleza, o famoso Seminário da Prainha,  por onde passaram grandes vultos da História da Igreja do Ceará e do Brasil, como Padre Cícero, Dom Helder Câmara, Dom Eugênio Sales e outros. 

Entre 1932 a 1935, Dom Expedito fez Filosofia e iniciou a Teologia, isto é, fez o primeiro ano de Teologia na Prainha.

Ainda há alguns, colegas do seu tempo e até mais  idosos do que ele, a saber: Dom José Coutinho, Mons. Camurça e ainda conversei um pouco com ele e conheci o Mons. Sabino Loyola que também era do mesmo tempo. Todos contam histórias bonitas e têm belas recordações daqueles tempo de Seminário Maior. Mons.  André Camurça conta que Expedito era humorista fino. Tinha um humor tão agudo e um espírito tão brincalhão que foi escolhido para  elaborar um jornalzinho semanal que havia no Seminário, noticiando aqueles acontecimentos mais  jocosos. Quando colocava no mural só se ouviam as gargalhadas. Expedito era também risonho. De longe se ouvia a gargalhada dele, com os dentes um tanto cerrados como se não quisesse rir, mas, sorria à vontade, e levava os outros a rir. Onde ele estava, ali chegava a alegria. O jornalzinho se chamava "Pasquim" porque era isso mesmo.

E mais, por ser jovem inteligente, não se fechava em si mesmo. Sempre ajudava os outros. Ensinava sempre os colegas que  tinham dificuldade. Era muito amigo de todos, e quem precisasse podia contar com ele. Nunca se enganchava com nada, sempre dizia:  "Isso se resolve". E resolvia mesmo. Era otimista, alegre e disposto".

Padre Raimundo José, do Clero de Teresina - PI, disse que Dom Expedito tinha sido, em Roma, colega de Dom Paulo Hipólito de Souza Libório e que este dissera que em Roma, o Padre Expedito era um dos mais inteligentes e piedosos; sério, compenetrado e ao mesmo tempo simples, alegre, humilde e  brincalhão, amigo de todos.

Irmã Leonila Ximenes, filha de Sant'Ana, que  trabalhou no Colégio com Dom Expedito, disse e repete o que ouviu de Mons. Sabino, "que no Seminário Dom Expedito era um dos mais  inteligentes". Na Filosofia, no Seminário da Prainha, se destacou pela inteligência, pela piedade e pelo humor, pois era sempre bem humorado e gostava de rir e de fazer os outros rirem. Por causa da inteligência, Dom José o enviou a fazer Teologia em Roma. Lá ele se  formou, ordenou-se e doutorou-se em Direito Canônico. Sempre se  destacou pela inteligência e pela simplicidade, não falava nada de si.

Em junho de 1936, o Seminarista Francisco Expedito seguiu para Roma. Aí terminou o Curso de Teologia. No ano de 1937 foi o ano das chamadas "ordens menores", do subdiaconato e do diaconato.

Podemos exibir as seguintes datas conforme documentos autênticos dados pela Santa Sé: No dia 24 de junho de 1934, recebeu a Primeira Tonsura Clerical das Mãos de Dom José Tupinambá da Frota na Capela do Palácio Episcopal, e naquele  mesmo mês partiu para Roma. Recebeu as Ordens Menores de Ostiariato e Leitorato das mãos do Sr. Dom Luigi Traglia, Arcebispo titular de Cesaréia, na Igreja da Casa Generalícia da Congregação da  Missão (Lazaristas) no dia 24 de janeiro de 1937, Domingo da  septuagésima, com carta dimissória do seu Ordinário. Recebeu as Ordens Menores de Exorcista e de Acólito das mãos do Senhor Dom Vicente Migliorelli, Bispo Titular de Samien - Roma, na Igreja do Seminário Maior de Roma, no dia 22 de maio de 1937, quarto sábado de Pentecostes, com dimissorias de Dom José Tupinambá da Frota, seu Ordinário.

Recebeu o subdiaconato que, naquele tempo já era Ordem Maior das Mãos do Sr. Arcebispo Titular de Cesaréia, o mesmo que lhe conferia o Ostiariato e o Leitorato, Dom Luigi Traglia, na Igreja de São Pedro Canísio, no dia 31 de outubro de 1937, com dispensa de interstício, porque o Código antigo mandava que  entre as ordens menores e o Subdiaconato houvesse um interstício de um ano. (C 978§ 2 do Código de 1917), e com dimissórias de seu Ordinário, Bispo de Sobral - Dom José Tupinambá da Frota.

Recebeu o Diaconato também em Roma no dia 19 de Dezembro de 1937 na Igreja do Pontifício Colégio Urbano da Propaganda Fidei pelo Exmo. e Revmo. Sr. Dom Luigi Traglia, Arcebispo Titular de Cesaréia da Palestina, Secretário da Sagrada Congregação dos Bispos e Assessor e Subpromotor da Congregação para a Causa dos Santos.

Recebeu o Presbiterato no dia 30 de outubro de 1938 na Igreja do Pontifício Colégio Germano Ungárico pelo Exmo. e Revmo. Sr. Dom Luca Ermenegildo Pasetto OFM Cap, Bispo Titular de Gera, Secretário da Sagrada Congregação dos Religiosos, Consultor da Congregação Fidei e da Congregação dos Ritos.

Fonte: Dom Francisco Expedito Lopes - Bispo Mártir de Garanhuns / Fundador do Instituto das Missionárias de Nossa Senhora Fátima do Brasil / Irmãs: Cândida Araújo Corrêa, Maria Mirtes de Araújo Corrêa e Terezinha Araújo Corrêa.

Foto de Dom José Tupinambá da Frota: http://sobralnahistoria.blogspot.com/