sábado, 20 de fevereiro de 2021

Boletim Covid-19 – 20/02/2021 - Prefeitura de Garanhuns

A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, informa que foram notificados 51 casos positivos de Covid-19. As pessoas que testaram positivo estão em fase de isolamento/tratamento, e permanecem sob o monitoramento da equipe da Secretaria de Saúde.

Até hoje, 3009 pessoas foram vacinadas com a primeira dose e 804 pessoas foram vacinadas com a segunda dose. A vacinação em Garanhuns segue para trabalhadores da saúde.

Mais 48 pessoas estão recuperadas, após cumprir o período de isolamento/tratamento, e não apresentar mais sintomas da doença. Outras 20 pessoas obtiveram resultado negativo para Covid-19, após resultado de testes realizados pelo município e em laboratórios privados.

Ao todo, já foram confirmados 6556 casos de Covid-19 em Garanhuns. Deste total, 120 pessoas vieram a óbito, 6322 estão recuperadas após cumprir o período de isolamento domiciliar e não apresentar mais sintomas; e 114 pessoas que foram confirmadas com Covid-19 estão em fase de tratamento e/ou isolamento. Outros 9507 casos já foram descartados, após resultado negativo de testagem.

Já foram realizados 11101 testes pela rede municipal. No total , 8899 atendimentos foram realizados no Centro de Atendimento e Enfrentamento à Covid-19.

Ao todo, cinco pacientes estão internados na Unidade de Tratamento Covid-19, sendo três deles diagnosticados com a doença.

Cinco pacientes estão internados na Unidade Covid-19 Palmira Sales, sendo um deles diagnosticado com a doença. Uma alta médica foi registrada na unidade.

Secom/PMG.

Concurso CRECI PE 2021

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 7ª Região, em Pernambuco, (CRECI PE) abriu seleção com várias oportunidades para profissionais de níveis médio e superior. Foram publicados dois editais do concurso CRECI PE que está oferecendo nove vagas imediatas mais 220 para formação de cadastro reserva (CR).

O certame está sendo organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB) e terá validade de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. As lotações serão nas cidades de Recife, Caruaru, Petrolina e Serra Talhada.

Edital n° 01/2021

É oferecido salário de R$ 1.576,74 para o cargo de Profissional de Suporte Técnico, que requer nível médio completo. São quatro vagas para contratação imediata em jornada de 40 horas semanais de trabalho, além de outras 95 para cadastro reserva.

O concurso CRECI PE prevê salário de R$ 2.831,60 para Profissional Analista Superior (PAS) na função de Agente Fiscal. O cargo requer nível superior em qualquer área mais registro profissional em respectivo Conselho de Fiscalização para trabalhar em jornadas de 40 horas por semana. São quatro vagas imediatas e 95 CR para este cargo.

Por fim, há uma vaga imediata e 15 CR para PAS - TI, que irá receber salário de R$ 3.441,83 para jornadas semanais de 40 horas de trabalho. É necessário ter ensino superior em Ciência da Computação, Informática, Sistemas da Informação, Tecnologia da Informação ou curso de denominação e conteúdo equivalentes.

Edital n° 02/2021

O segundo edital oferece 15 vagas para cadastro reserva no cargo de PAS - Advogado. É necessário ter ensino superior completo em Direito mais registro na OAB para salário de R$ 3.441,83 e jornadas de 40 horas semanais de trabalho.

Como se inscrever no concurso CRECI PE

Os interessados em participar do concurso CRECI PE poderão se inscrever por meio do site do IDIB (01 e 02) no período de 18 de fevereiro até 22 de março de 2021. Depois de preencher o formulário online, é necessário pagar o boleto no valor de: Nível médio: R$ 80,00 e Nível superior: R$ 110,00.

Fonte: Concursos no Brasil

Pronunciamento do Deputado Elpídio Branco na ALEPE, Sessão de 28 de Setembro de 1959

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO (foto) - Não alimentamos, evidentemente, quaisquer dúvidas de que é muito mais fácil, ou mesmo muito mais cômodo, tecer elogios ao sol que nasce, sempre mais fosforescente e mais produtivo, do que aplaudir o sol que se põe, que se esconde no ocaso e que já não oferece mais calor, nem mais brilho.

O deputado Inácio Valadares Filho, há dias fez-se, nesta Casa, um novo arauto do primeiro evento, ou seja, fez-se um endeusador do sol que nasceu no dia 3 de outubro último. E ao calor do qual, grandemente sedentos dessa situação, há tantos anos  desejada, aconchegaram-se muitos, todos num incontido e febril desejo de servir, decerto para poder servir-se. Inclusive alguns daqueles que viviam sob o signo do sol que se pôs, e que tanto dele se serviram antes que o ocaso chegasse... E foi assim que S. Excia., se desmanchou, se requintou nos mais rasgados e frenéticos elogios ao  novo governador do Estado.

DEPUTADO INÁCIO VALADARES FILHO - V. Excia., começou o seu discurso dizendo que era tendência natural, daqueles que fazem política, a de se aproximarem do sol quando, ainda ao meio-dia está quente e brilhante. E que seria natural desprezá-lo no ocaso, quando já não tem mais luz, nem calor para dar. Mas, Sr. deputado, no meu caso, nada disso ocorre. Comigo não é o amor ao aquecimento, não é o desejo das vantagens o que me faz apoiar o governador Cid Sampaio. São, sim, as diretrizes e a orientação política, que sempre tive, na minha juventude, como ainda hoje. Porque V. Excia., sabe que não estive sob o signo dos governos passados. Que não pretendi o clima de calor e de aconchego desses mesmos governos. Porque a minha orientação política era diferente. De formas que,  se V. Excia., pretendeu enquadrar-me nesse caso, não está sendo muito justo com um seu colega, que aliás, reconhece em V. Excia., perfeita coerência na fidelidade aos governantes pessedistas. Fidelidade ditada por orientação partidária e política, e não só e exclusivamente, por interesses descabidos. Portando, Sr. deputado Elpídio Branco, combati os governos anteriores por força duma orientação política, dum idealismo, duma tendência partidária, tal como defendo, hoje, o Sr. Cid Sampaio. Nunca, em qualquer dos casos por interesse pessoal, nem visando vantagens. Daí V. Excia., ter sido um pouco injusto quando quis me enquadrar, sumariamente, na categoria dos oportunistas.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecendo o aparte com que V. Excia., acaba de nós honrar, afirmamos que a carapuça que acaba de ser idealizada não foi, diretamente, lançada a V. Excia. Se, porém, o nobre colega a ajustou em sua cabeça foi por livre e espontânea vontade. Não nos cabe o direito de contrariá-lo.

Há - repetimos - uma razão para louvaminhas tão enfáticas: O Poder  apresenta melhores oportunidades aos que dele se aproximam do que à oposição, a cujo clima poucos se adaptam por falta de condições para o embate contra o poderio... Em seu juvenil e fogoso discurso, o representante de São José do Egito adotou a mesma tecla de seus correligionários, parecendo até que, para eles, só há um microfone, cujo som não sofre variações. O método é um e único: elogiar o atual Governo e detratar dos que passaram, dos que não oferecem mais vantagens... O Sr. Cid Sampaio, o já magnífico Cid Sampaio, na cândida expressão do deputado Felipe Coelho, é "o maior Governo do mundo": "já fez, em oito meses, apenas, mais do que todos os governos anteriores reunidos"... É este o estribilho da moderna sinfônica que se instalou nesta Casa de Joaquim Nabuco.

DEPUTADO FELIPE COELHO - Dep. Elpídio Branco, quando V. Excia., em seu discurso, citou o meu nome, atribuindo-me ter dito que, em oito meses de Governo, o governador Cid Sampaio havia realizado uma administração superior às demais já exercidas no Estado, está laborando num erro, ou num equívoco. Tenho procurado sempre falar, nesta Casa, dos propósitos que animam o governador Cid Sampaio no sentido de fazer por Pernambuco aquilo que na sua campanha foi uma constante: a industrialização do Estado. V. Excia., está laborando num equívoco quando afirma ter eu citado que em oito meses de governo, o Sr. Cid Sampaio realizou mais do que todos os administradores passados.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Se V. Excia., quiser se dar ao trabalho de rever os apanhados do serviço taquigráfico há de convir que quem está em equívoco é o nobre colega, pois, quando nos referimos ao seu nome, foi para afirmar, como ora o fazemos, apenas, que V. Excia., classificou. Sua Excia., o Sr. Cid Sampaio como "O Magnífico Cid Sampaio"! Foi apenas isto. Agradecendo  entretanto, o aparte de V. Excia., permita-nos voltar ao assunto do nosso discurso.

E repetem, esses endeusadores, os mesmo louvaminheiros de  sempre, no auge do seu maior entusiasmo: "enquanto isso, os governos passados nada fizeram por Pernambuco". "Que fez, por exemplo, o governador Cordeiro de farias em quatro anos?". E ai vem o paralelo: paralelo que seria do mesmo gênero do que se quisesse tentar entre Napoleão e Hugo: extravagante, absurdo e, até, ridículo, no conceito de um jornalista contemporâneo. "Enquanto o outro nada fez, o Sr. Cid Sampaio já realizou mais do que devia e do que podia. Já instalou por exemplo, em Pernambuco, uma fábrica de borracha sintética. Já pôs em funcionamento uma fábrica de celulose e outra de proteínas. Já resolveu o problema da poluição dos cursos d'água. Já implantou, entre nós, a indústria siderúrgica, com que solucionou o problema da mecânica pesada e da manutenção. A produção já está sendo exportada através de uma nova Companhia de Navegação, afora o rosário interminável de suas realizações..."

Enquanto os arautos do atual Governo apregoam um acervo de realizações que a sabedoria humana já classificou de incorpóreas, o povo, decepcionado e desesperançado, está perguntando, melancolicamente, quando é que o Sr. Cid Sampaio vai começar a governar.

Mas, o objetivo que nos traz, hoje, a esta tribuna, não é o de tratar do Governo Cid Sampaio. Não é o de adotar esse ridículo sistema de paralelos entre um Governo que passou e o outro que lhe tomou as rédeas da administração. Não é dizer que o Sr. Cid Sampaio está governando com o Código Tributário do Sr. Clélio Lemos, ou que está governando, também, com a Loteria do Estado, cujos quadros ampliou com novos funcionários pagos regiamente. Não é dizer que o Sr. Cid Sampaio empregou a polícia da propaganda eleitoral. Não é dizer que o Sr. Cid Sampaio demitiu e removeu humildes servidores públicos por mera perseguição política, ou que substituiu as carteiras de inspetor de quarteirão, usadas no interior do Estado, há longos anos, pelas carteiras de investigador rural, forjadas no cérebro fértil do Sr. Pio Guerra. Não é dizer isso, nem dizer tudo o mais que o candidato condenou e que o governador já agora adota prazenteiramente.

Sim, não é este o objetivo do nosso discurso. Não é - repetimos - ocuparmo-nos do Governo atual, porquanto ainda estamos aguardando que ele realize alguma coisa ou apresente, pelo menos o seu plano de Governo, para poder criticá-lo. O nosso propósito é o de deixá-lo em paz, nas suas andanças ao Rio, para ocuparmo-nos apenas, do objetivo que nos traz a esta tribuna.

Pretendemos, embora em análise sucinta, referir-nos à administração Cordeiro de Farias, a quem se há de apontar, mais hoje ou mais amanhã, quer queiram quer não queiram os que, hoje, procuram deturpar as realizações do seu Governo, como o maior administrador que já passou pelo Palácio das Princesas. "O acervo  de obras que o seu governo nos legou talvez seja apontado, quando as paixões serenarem e os homens analisarem os homens e os fatos com a cabeça fria - como um dos maiores em toda a nossa vida administrativa", segundo, já hoje, opinião do Sr. Costa Porto - comentador objetivo da secção política do Diário de Pernambuco.

DEPUTADO FÁBIO CORRÊA - V. Excia., faz muito bem em traçar um retrospecto da vida política de Pernambuco, no período de 1955 a 1958. Porque o povo está pagando tributo muito caro, e irá pagá-lo ainda mais caro, pela falta de Governo que hoje aflige nosso Estado. V. Excia., não se iluda: toda essa gente que está sofrendo, já experimentou nas suas veias, no seu sangue, as agruras do crime que cometeu derrotando a administração pessedista, administração que vinha elaborando no Estado magníficas realizações, como as  que foram levadas a cabo na gestão do general Cordeiro de Farias.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - O aparte de V. Excia., é um valioso subsídio ao nosso discurso, principalmente partindo de um grande representante do povo, como é V. Excia. Noutros países, onde a paixão não oblitera o sentido de justiça; onde o ódio não é a ceifa de que se alimentam os adversários políticos; onde, pelo contrário, a política não cega o homem, nem o torna um autômato; noutros países que não este nosso, bem diverso seria, desde já, o conceito dum homem como o ínclito general Cordeiro de Farias, o qual, sendo governador de Pernambuco, pode, com ufania, proclamar algo e bom som, que realizou uma obra inigualável e imperecível, cimentada em fatos que, de tão palpáveis e de tão concretos, nem o ódio e a desgraçada paixão, alimentados pelo inconcebível desejo de tudo negar, de tudo denegrir, podem olumbrar sequer, quanto mais fazê-la esquecida. Num País como o nosso - repetimos -  um homem como o general Cordeiro de Farias teria o seu nome, indelevelmente, ligado num plano muito alto à história da terra e que serviu, como um dos seus grandes benfeitores. O futuro o consagrará, assim, um dia, estamos certos.

DEPUTADO LUIZ WILSON - Deputado Elpídio Branco, o governador Cordeiro de Farias construiu, durante seu Governo, cerca de 150 pequenos açudes no Sertão. Foi um dos nossos governadores que  de fato se interessou pela solução exata do problema da fome e da seca no sertão de Pernambuco e no Nordeste. E que assim procedeu sem se afixar em obras monumentais, desviadas de nossa realidade.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO -  Agradecemos o honroso aparte que V. Excia. acaba de nos oferecer. Isto, principalmente, porque parte de um representante do povo do esforço moral, da altura e da dignidade de V. Excia.

A história terá de ser escrita. Não pelos que se alimentam do acunhado espírito da injustiça nem - vamos mesmo dizer - pelos que se cevam na ingratidão, como é o caso de tantos que  receberam as maiores benesses de sua administração e fazem, hoje, coro com os que lhe negam as qualidades de grande Governo pernambucano. Mas, pelos que, serenamente, desapaixonadamente, se detiveram nas realizações que marcaram a sua gestão em nosso Estado e que, forçosamente, hão de apontar a administração Cordeiro de farias como aquela que poderá servir de exemplo, de modelo e de espelho a todas as demais.

E, se as realizações que marcaram, definitivamente, o seu fecundo Governo pudessem, porventura, ser desvirtuadas, num desesperado esforço de negação da verdade, ainda assim o período de 1955 a 1958 ressaltaria de modo a servir - repetimos - de exemplo e de modelo a quantos sucessores se revelem interessados, realmente, em bem servir a Pernambuco. É que - e nisto reside uma das principais características do seu período - governou como um verdadeiro democrata, fornecendo exemplos incontestáveis de homem moderado a sereno, no apreciar, principalmente, os fatos relacionados com os adversários dos partidos que o levaram ao Poder.

Deu provas de acendrado patriotismo em períodos graves da  nossa história política. A sua serenidade e  a sua compreensão democrática ficaram patenteadas, por exemplo, em recentes fatos de nossa vida pública e administrativa. Vamos nos referir, como exemplo, apenas a dois episódios ocorridos durante a conhecida e malfadada campanha contra o Código Tributária do Estado. Recordemos que, por ocasião de uma célebre concentração realizada, nesta Capital, pelas proclamadas classes produtoras, a pessoa do general foi alvo de motejos injuriosos à sua própria dignidade. Não revidou a ofensa. E não a revidou porque o labeu não se dirigia ao homem que governava o Estado - segundo o afirmou - mas sim a Pernambuco, ou fosse, ao povo que o elegera em memorável pleito. Testemunha ofensas - concluiu - como um percalço a mais da honrosa incumbência que recebera de governar o glorioso Estado de Pernambuco. Outro, em quem os sentimentos de patriotismo não fossem tão arraigadas, talvez não tivesse agido dessa maneira.

DEPUTADO MIGUEL SANTOS - Antes de mais nada, elogio a sua atitude, deputado Elpídio Branco, a sua bravura cívica de permanecer fiel àqueles que não estão mais no Poder. V. Excia., hoje, nada mais faz do que seguir uma tradição muito sua, de fidelidade partidária, de correção de atitudes. Talvez o seu discurso não seja bem recebido pelos arrivistas, pelos que, apenas, acabam de chegar ao Poder. Mas V. Excia., dá, realmente, um testemunho de bravura e tradição política fazendo a análise de um governante que, apesar de militar, ausente, por nascimento, do Estado, soube ser o mais civil, o mais democrático dos governos de Pernambuco. V. Excia., recorda bem esse episódio das classes produtoras. Somente um homem com a bravura e o passado honroso do Gal. Cordeiro de Farias poderia se portar com aquela calma e aquela dignidade! Quando V. Excia., relembra esse episódio, podemos dizer também que a administração do Gal. Cordeiro de Farias muito trouxe para o Estado de Pernambuco, deixando mais de 1.000 escolas para o nosso Estado. Providenciou a pavimentação de mais de mil quilômetros de estrada de rodagem, inclusive a da Serra das Russas, e realizações como as de Monjope e a CAGEP, de tamanha envergadura, são das tais que só a posterioridade poderá julgar, dando o justo valor à obra política a administrativa do Gal. Cordeiro de farias.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecemos, com prazer, a colaboração que V. Excia., traz às considerações que estamos fazendo, nobre colega deputado Miguel Santos. Isso porque, é um subsídio a mais esse proferido pelo brilhante deputado que acaba de nos apartear, consistente no testemunho de que um Governo, em Pernambuco, passou pelas rédeas da administração onde demonstrou o maior sentimento de bravura cívica e democrática. Portanto, agradecemos, mais uma vez, o oportuno aparte que acaba de nos oferecer e que vem reforçar as considerações que estamos fazendo em torno do assunto.

O segundo episódio vale, também, a pena ser lembrado. Votara-se, nesta Casa, em segundo turno, a tão decantada e já célebre Lei, como todos se lembram, naquela tumultuosa madrugada de um sábado do mês de novembro de 1956. Pela manhã seguinte (às primeiras horas do domingo), compareceram à nossa residência, em Caxangá, os Srs. Cid Sampaio (hoje governador do Estado), professor Murilo Guimarães, Bartolomeu Nery, Telmo Pontual e outros, de cujos nomes não nos recordamos agora. Surpreendidos com a aprovação, em segunda discussão, do Código Tributário, aqueles senhores solicitaram ao orador que fosse portador de um apelo ao Sr. governador do Estado, no sentido de se conseguir uma fórmula capaz de evitar a aprovação final do Código da forma como se estava processando, mesmo porque - segundo afirmaram os ilustres visitantes - daquela maneira não se poderiam corrigir vários absurdos que se continham na lei que estávamos elaborando. Demoraram-se conosco em considerações sobre o mesmo assunto e depois se retiraram com o compromisso, por nós formulado, de que, naquele mesmo dia, nós entenderíamos com o governador, a quem iríamos transmitir o apelo. De fato, telefonamos, logo a seguir, para o general Cordeiro de Farias, a quem expusemos o ocorrido naquela manhã, ficando acertado um encontro entre nós para depois do almoço. Às quatorze horas e trinta minutos daquele mesmo dia, estivemos reunidos, em Palácio, o governador, o secretário Clélio Lemos e o modesto orador que ora fala. Acertou-se uma sugestão, feita pelo próprio general, e dela fomos o intermediário. Para ressalva da nossa responsabilidade, no caso, solicitamos do Sr. governador que redigisse, de próprio punho a sugestão, o que foi feito por  S. Excia. Dali mesmo do Palácio do Governo, combinamos um encontro com aqueles elementos das classes produtoras, encontro esse que se realizou-se, às 17 horas do mesmo dia, na residência do Sr. Oscar Amorim, no Dérbi.

Não nos recordamos se o documento firmado pelo governador ficou em nosso poder ou no dos referidos senhores. Mas, a verdade é que a sugestão proposta pelo general Cordeiro não foi bem recebida pelos elementos das classes produtoras. Isso deu lugar a que, no dia seguinte, ainda com o louvável propósito de encontrar uma fórmula capaz de evitar os acontecimentos que, infelizmente, se sucederam, o general resolveu telefonar para o Sr. Oscar Amorim, a quem expressou a intenção de ter um entendimento pessoal com o mesmo, no que foi atendido. Já então nós nos achávamos cientes da exaltação dos elementos que combatiam o projeto do Código Tributário, muitos dos quais andavam pelas ruas e insuflar o povo contra o Governo e contra a própria Assembleia Legislativa, ajudados por comunistas, reais ou disfarçados, que, nessas ocasiões, se aproveitam, sempre, da  ingenuidade popular para o atendimento dos seus propósitos. Sugerimos, por isso, a S. Excia., que desistisse de seu intento, sob o fundamento de que os exaltados, os apaixonados, não estavam forrados do espírito de compreendê-la como uma demonstração de que o Governo se esforçava à procura dum meio de evitar os acontecimentos que culminaram, afinal, em greve geral, apoiada, num estarrecedor trinômio nunca visto, ou, pelo menos, nunca visto no Brasil: classes produtoras-povo-comunistas.

DEPUTADO EUDES COSTA - Deputado Elpídio Branco, as palavras que V. Excia., profere, na tarde de hoje, não surpreendem a ninguém. Primeiro, porque V. Excia., é um exemplo de disciplina e de amor ao PSD. V. Excia., será um dos últimos baluartes a tombar nesse partido. E também porque V. Excia., faz justiça ao general Cordeiro de Farias. Como subsídio ao magnífico discurso que agora profere, desejo lembrar que um novo Messias diz ter descoberto, afinal, a  palma. Esse Messias é o governador Cid Sampaio, mas o seu próprio Secretário de Agricultura informa     que o governador Cordeiro de Farias fez cultivar mais de mil e trezentos hectares de palmas, enquanto a atual ainda está se preparando para isso.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecemos o aparte de V. Axcia., nobre deputado Eudes Costa.

Prosseguindo no fio das nossas considerações, lembramo-nos de que o governador respondeu-nos que faria a visita ao Sr. Oscar Amorim, pois assim daria mais uma demonstração do seu desejo de pacificação. Mesmo porque "não havia nada de mais no gesto de um governador que desce as escadarias do palácio em que governa, para, pessoalmente, confraternizar com as classes que, realmente, produzem e ajudam o progresso do estado".

Insistimos para que a S. Excia., não fizesse a visita. Chegamos, até, quando ele, às 17 horas daquele dia, se dispunha a deixar o Palácio para cumprir o prometido, a segurar-lhe o braço, tentando impedir que se consumasse o encontro. O nosso interesse era evitar que o gesto do governador não fosse bem compreendido. Dito e feito, Sr. presidente e Srs. deputados. Compulsem-se os jornais do dia seguinte ao da visita a verificar-se-á que a mesma, feita por um governador do Estado, na mais eloquente e democrática prova de apreço às classes conservadoras, foi recebida com galhofas improvisadas no intuito de ridicularizar tão elevada atitude.

DEPUTADO CONSTANTINO MARANHÃO - Sobre o general Cordeiro de Farias faço minha as palavras do deputado Miguel Santos, que, ainda há pouco, aparteou V. Excia. Quanto ao fato, que V. Excia., mencionou, ao encontro que o general Cordeiro de Farias teve com as classes produtoras, fui um dos deputados presentes que condenaram, naquela hora, a tal visita, porque achava que não era oportuna. Respeitei, em todo o caso, o ponto de vista do Sr. governador. No entanto, no momento que atravessa Pernambuco, parece-me que o governador Cid Sampaio, através de um entendimento que tive com S. Excia., está caminhando para a pacificação do Estado, única solução acertada que poderá ser adotada no momento.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Registrando e agradecendo o aparte de V. Excia., vamos prosseguir nas considerações que vínhamos, modestamente, fazendo.

Teria se arrependido o governador? Não. "Cumpri meu dever; os outros que o façam também", foram as palavras com que, sem ressaibos de arrependimento, nos respondeu S. Excia., quando lembramos a ele o trabalho que tínhamos tido, inutilmente, para evitar que a visita fosse realizada.

DEPUTADO FÁBIO CORRÊA - V. excia., deputado Elpídio Branco, porta-se muito bem na tribuna. Principalmente quando ressalta a dignidade pessoal com que se houve, no Governo, do Sr. General Cordeiro de Farias. Sobretudo quando teve de tratar, exatamente, com aqueles que, nos bastidores e na praça pública, dele detratavam, procurando, até, humilhá-lo. O general Cordeiro de Farias confundia-nos na sua própria inconsciência, porque ao que parece, os  detratores nem sequer pressentiam que eles é que estavam caindo no descrédito público.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - (concluindo) - Gestos e atitudes como essas não se cansou de ter o governador Cordeiro de Farias. Tinha um alto sentido de compreensão e de bom senso no dirigir a coisa pública. Respeitava, religiosamente, a vontade do povo que o elegeu principalmente, porque, segundo sempre dizia, sendo gaúcho e não pernambucano, compreendia muito bem a sua delicada posição como governador.

Em tudo mais, no que se relaciona como respeito por ele devotado aos princípios democráticos que lhe forraram, sempre, o espírito, desde moço; patriota de acendrado amor às garantias individuais, aos princípios de liberdade, aos fundamentos do regime em que vivemos para a consolidação do qual concorreu, decididamente, o seu Governo foi um modelo de dignidade e um padrão de honradez e de operosidade.

DEPUTADO MURILO COSTA RÊGO - Não me sentiria bem, neste momento, se não fizesse justiça, pelo meu depoimento pessoal, ao modo democrático com que o Exmo. Sr. General  Cordeiro de Farias dirigiu os destino de Pernambuco, durante o período governamental anterior. Sem entrar no mérito do discurso de V. Excia., desejo dar a palavra dum homem, naquela época distante da política, que pode contemplar de perto com S. Excia., o então governador do Estado, a melhor intenção, malgrado os desvirtuamentos normais que as circunstâncias políticas  puderam imprimir a alguns de seus  atos. Desejara fazer essa   afirmativa, em aditamento ao discurso de V. Excia., por um imperativo de consciência.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecemos, sobremodo, honrado, o depoimento valioso de V. Excia., homem que, ingressando há  poucos meses nesta Casa, não podia fugir a esse imperativo da verdade, verdade que, hoje, pode seu obscurecida, verdade que pode ser, até, negada, mas, verdade que história há de registrar, amanhã ressaltando e consagrando o general Cordeiro de Farias como o  maior democrata, o maior administrador que já passou pelas terras pernambucanas.

Isto é o que a história de Pernambuco há de registrar, infalivelmente. As críticas apaixonadas, as injustiças, as    calúnias, as injúrias de que foi alvo, servirão apenas, quando os acontecimentos falarem mais alto, para robustecer a verdade, que é uma só: a de que contra o seu nome e contra a sua administração à frente do Governo de Pernambuco, nem a paixão desenfreada e malsã há de prevalecer. Nada terá o poder de destruir, ou mesmo de empanar a grandeza e a honradez de um Governo que primou, sobretudo, em ser digno do povo que, em boa hora, o elegeu. (Palmas, o orador é cumprimentado pelos seus pares).

E, na sessão de 12 de outubro de 1959, esse outro, a que dei o título de: Ninguém consegue removê-lo das diretrizes que se traçou no Governo.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Prosseguimos, hoje, nas considerações que nos propusemos fazer em torno da administração do Governo Cordeiro de Farias. Nos três primeiros discursos, que tivemos oportunidade de pronunciar nesta Casa, abordamos facetas que diziam respeito aos assuntos propriamente políticos que envolveram aquele Governo, e, nesta tarde, propomo-nos a demonstrar a esta Casa e ao povo de Pernambuco, como o general Cordeiro de Farias soube se conduzir em relação às finanças públicas do Estado que governou com tanta honradez e felicidade.

Quando, realmente, o espírito de justiça puder prevalecer por parte daqueles que não se deixaram dominar pelas paixões cegas, desenfreadas, que tudo deturpam, tudo negam, tudo malsinam, aí, então, as grandes, as extraordinárias realizações que caracterizaram a administração do general Cordeiro de Farias terão que ser reconhecidas e proclamadas. Perpetuando o seu autor como o exponencial, o inolvidável governador de Pernambuco, que legou aos seus pósteros, em tão breve período, um acervo considerável de realizações palpáveis e concretas. Isso que já anunciamos no primeiro discurso desta série, irá ser demonstrado, logo mais, não só no presente trabalho, como no que se lhe seguirá, aliás o último.

DEPUTADO ALCIDES TEIXEIRA - Sr. deputado, no tempo em  que era governador o general Cordeiro de Farias, fazia parte da oposição, mas nesta época, Sr. deputado, o Departamento de Saneamento do Estado proibiu fazer um aterro na Ilha 2 de Janeiro, prejudicando assim a milhares de famílias que residiam naqueles mocambos e eu me dirigi a S. Excia., acompanhado daquele povo, a fim de solicitar que o governador Cordeiro de Farias não permitisse que aquelas famílias ficassem ao desamparo e ele compareceu, pessoalmente, àquela ilha, impedindo que aquelas famílias ficassem prejudicadas.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Recordamo-nos, perfeitamente, do fato a que V. Excia., se reporta e por isso mesmo é que incorporamos com muita satisfação o aparte com que acaba de nos honrar, porque ele representa mais um testemunho à isenção com que soube se conduzir na direção dos destinos de Pernambuco, aquele grande Governo, que foi o do general Cordeiro de Farias.

Ao pronunciarmos essas despretensiosas considerações, tôscas na forma, sem dúvida, graças ao pouco mérito do orador, porém verdadeiras quanto aos fatos e algarismos que lhes dão consistência, precisamos acentuar, aqui, que, quando nos dispusemos a fazer a defesa do Governo Cordeiro de Farias, contra injustas e descabidas acusações, não nos moveu senão uma dupla - e por que não dizê-lo? - e honrosa intenção: a de prestarmos uma homenagem a verdade. A verdade que não poderá ser deturpada  pela inveja, nem pela maledicência. A verdade daquilo que houve de notável e de inconfundível no período governamental a que estamos nos reportamos, não obstante as tentativas que se multiplicaram, de embaraçar a administração. Que essas tentativas, tudo faz lembrar, foram, propositadamente, empreendidas por elementos interessados em que culminasse o Governo num fracasso; mas esse Governo, afinal, terminou com obras que ai estão, desafiando o engodo, a mentira, a maledicência e todos os estrebuchamentos da inveja.

A par dessa intenção - de ressaltar a verdade do que foi o seu Governo - uma outra nos move: a de prestar uma homenagem, a de oferecera um amigo o preito de nossa gratidão, sobretudo oportuna numa época em que a gratidão rareia de modo assustador. Fomos, inegavelmente, um dos que mais receberam daquele grande homem, daquele grande coração, inconfundíveis provas de amizade e de afeto. Não seríamos nós que, a esta altura, quando S. Excia., já não mais dispõe de favores e benesses para distribuir, nos enfileirássemos ao grupo dos que esquecem, muito cedo, enfim, os benefícios que receberam. Honra-nos, por isto, o registro do Snr. Costa Porto, o frio comentador político do Diário de Pernambuco, a que já nos referimos em nosso primeiro discurso. Pois que muito nos honra isso de sairmos a campo em defesa do Governo do "amigo de outrora", que continua, hoje, o mesmo amigo. Atitude que "honra o líder pessedista - escreveu Costa Porto - em cujo "garajau" de pecados de certo não há por que arrolar a ingratidão".

Realmente, Snr. presidente e Srs. deputados, em nosso acervo de pecados não figura o da ingratidão. E não figura tão pouco o da falsidade. Por isto é, que, ao invés de atirar pedras no amigo de outrora, estamos decididos a não permitir, sem o nosso mais veemente protesto, que se ataque, impunemente, a um homem a quem Pernambuco deve tão grandes e inestimáveis benefícios.

DEPUTADO CUNHA PRIMO - Deputado Elpídio Branco, por ocasião de um banquete oferecido pela classe dos trabalhadores ao  general Cordeiro de farias, pelo Sindicato de Construção Civil, o aparteante foi o intérprete do sentimento dos trabalhadores. Naquela ocasião tive oportunidade de dizer a S. Excia., que ele tinha mudado a sua vocação, não era um militar e sim um diplomata sincero, e se houve alguém prejudicado pelo general Cordeiro de Farias, foi, apenas, o PSD., pois S. Excia., tinha um sistema, altamente, democrático de tratar o povo.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - O aparte de V. Excia. ressalta, realmente, uma das facetas do caráter do ex-governador de Pernambuco.

DEPUTADO LUÍS DE FRANÇA - Deputado Elpídio Branco, quando V. Excia., ressalta a retidão de proceder do general Cordeiro de farias como governador do Estado, vale relembrar um discurso de S. Excia., proferido no município de Belo Jardim, quando ali recebeu uma manifestação de todos as partidos políticos, quase inédita naquela terra, pelos grandes e relevantes serviços que havia prestado ao município, dizendo que a circunstância de ter sido derrotado nesse ou naquele município não fizera com que ele criasse, na sua  alma, o sentimento de perseguir aquela região, mas, ao contrário, de  demonstrar àquela gente e isenção de espírito para com o município de Belo Jardim, onde ele fôra derrotado por mil e trezentos votos em todo aquele município. No entanto, deu para aquela região posto médico, posto de puericultura, instalação de luz, escolas rurais, estradas, e tudo, enfim, de que o município necessitava. O povo foi reconhecido a S. Excia., que deu uma demonstração visível de  que todos os partidos tomaram parte, dando uma prova de estima e consideração que o município tinha ao governador de Pernambuco.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecemos o aparte de V. Excia. É mais um valioso testemunho a respeito da conduta com que se houve, no Governo de Pernambuco, o general Cordeiro de farias. A afirmativa de V. Excia., ao lado das verdades que estamos acentuando em discursos, nesta Casa, há de suscitar na consciência do povo pernambucano, em dia que não irá longe, a ideia de perpetuar-se no bronze o nome daquele que foi o maior governador que passou pelo Campos das Princesas.

Fomos daqueles que acompanharam, de perto, o general Cordeiro de Farias. Fomos dos que, diariamente, estávamos em contato com o ínclito governador pernambucano do período de 1955 a 1958. Fomos dos que privaram da sua estima pessoas e foram honrados com a sua intimidade. Por isso podemos dar o nosso testemunho acerca do interesse, da dedicação, do amor que, desde logo ao assumir as rédeas pelas coisas que diziam respeito ao bem estar do povo de Pernambuco. Vimo-lo, muitas vezes, quase desesperado quando, à falta de recursos materiais, não podia levar avante uma realização que sabia ser de interesse para a comunidade pernambucana. É de sua autoria uma carta memorável que, no dia 16 de outubro de 1958, escreveu ao presidente da República, pleiteando liberação de verbas. Os termos dessa carta Pernambuco e o Brasil precisam conhecer, na íntegra, para que, por ela, se possa inferir da dignidade e da invulgar coragem com que  representou ao presidente da República contra injustiças que estavam sendo cometidas contra o nosso Estado. É um documento que, pela sua importância, requeremos seja transcrito nos anais desta Casa, como um valioso subsídio oferecido à história que tiver de fixar o que, realmente, foi o Governo Cordeiro de Farias.

DEPUTADO ANTÔNIO LUIZ FILHO - Venho acompanhando a série de discursos que V. Excia., vem pronunciando nesta Casa, a respeito da administração Cordeiro de Farias. Neste momento, quero dizer a V. Excia., que, representando o PDC e tendo concorrido para a eleição do general Cordeiro de Farias ao cargo de governador de Pernambuco, posso dar o meu testemunho, testemunho aliás insuspeito, porque não recebi de S. Excia., nenhum favor de ordem pessoal; mas posso dizer, neste instante, nesta Casa, que foi um homem que olhava, acima de tudo, o bem estar do povo de Pernambuco. Foi um homem tolerante demais, ao ponto de ser ofendido em sua honra pessoal e como democrata tudo suportava, visando uma única coisa que era a paz da família pernambucana.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Registramos o aparte de V. Excia., por ser justo e verdadeiro.

DEPUTADO LUIZ DE FRANÇA - V. Excia., que como eu, conviveu com o general Cordeiro de Farias, sabe a que ponto chegava a  sua integridade em matéria de interesse de Pernambuco. S. Excia., homem do sul criado noutro ambiente, ninguém se integrou melhor com as aspirações de Pernambuco do que S. Excia. Em várias oportunidades, teve ocasião de externar o pensamento de brasileiro, reclamando as injustiças e chegando mesmo a afirmar que se esse estado de coisas continuasse, o Estado periclitaria.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecendo o aparte com que acaba de nos honrar o nobre deputado Luiz de França, concedemos agora, o aparte que nos fora solicitado pelo deputado Cunha Primo.

DEPUTADO CUNHA PRIMO - Sr. deputado, peço vênia para fazer uma sugestão a essa magnífica série de discursos que V. Excia., vem fazendo sobre a vida e administração do governador Cordeiro de Farias, que irá para os anais desta Casa. V. Excia., deveria fazer uma plaquete, do seu trabalho, para que todo o povo de Pernambuco tomasse conhecimento do Governo democrático e serenos, que foi o do general Cordeiro de Farias.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Deputado Cunha Primo, essa prova de reconhecimento, vamos dizer, de sentimento democrático e patriótico que V. Excia., acaba de revelar, sugerindo a publicação desses modestos, desses despretensiosos discursos, a respeito da administração Cordeiro de Farias, calou, profundamente em nosso espírito, muito embora já fosse o nosso objetivo: a publicação em plaquete dessa série de discursos que vimos pronunciando.

verificamos, sempre, por outro lado, a ufania que, ele experimentava quando podia prestar contas das realizações levadas a cabo. Como, por exemplo, quando conseguiu fazer concluir as imperecíveis obras de Manjope e da Serra das Russas (em que os céticos não acreditavam por julgarem impossíveis) e, por fim, para não citar inúmeras outras, as obras da CAGEP. Só em função de realizações desse porte, seria, perfeitamente, caracterizada uma administração de real proveito para o povo e para Pernambuco. Um dia, quando a consciência geral se restabelecer, ter-se-ão de assimilar, em marco indelével na praça pública, realizações do porte daquelas com que o general Cordeiro de Farias agradeceu a Pernambuco a sua investidura no Governo.

DEPUTADO ANTÔNIO HERÁCLIO - Sr. deputado Elpídio Branco, V. Excia. está tomando uma atitude muito digna quando registra a magnífica obra administrativa do grande general Cordeiro de Farias; mas V. Excia., deve salientar que o maior aspecto da obra de S. Excia., foi o respeito aos adversários, a garantia que ele assegurou a todos os pernambucanos.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - V. Excia., diz muito bem e esse aspecto do Governo do general Cordeiro de Farias foi objeto de um dos discursos que pronunciamos, nesta Casa. Nenhum governador, não só em Pernambuco, como em qualquer Estado do Brasil, respeitou tanto aos meus adversários como o general Cordeiro de farias. Assistimos, muitas vezes, quando amigos nossos, os mais ortodoxos, os mais intransigentes, chegavam a S. Excia., para chamar-lhe a atenção no sentido de que adversários de seu Governo estavam obtendo favores de sua administração. V. Excia., respondia sempre a esses, que era governador de Pernambuco e tinha obrigação de fazer justiça a todos. Sendo amigo dos seus correligionários, não esquecia, porém, a justiça que deveria fazer aos seus próprios adversários.

DEPUTADO FELIPE COELHO - Sr. deputado Elpídio Branco, fui daqueles deputados que colaboraram no Governo do general Cordeiro de Farias e não me arrependi de o ter feito, porque encontrei em S. Excia., sempre, um homem democrático e interessado pelos problemas de Pernambuco e do Brasil.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Muito agradecemos a V. Excia., o valioso aparte que acaba de conceder-nos.

DEPUTADO OSVALDO COELHO - Gostaria que V. Excia., registrasse o meu aparte o ao magnifico discurso que vem pronunciando nesta Casa, para que nesse discurso de V. Excia. - que certamente pertencerá à História de Pernambuco, - ficassem anotadas a gratidão e o reconhecimento do povo sertanejo àquele governador que, tendo um mandato todo coincidente com quatro anos de seca cruel e avassaladora, teve a consciência do mandato de governador do Estado e enfrentou o problema com uma bravura e uma coragem desconhecidas por Pernambuco, que nos últimos anos foi governado por dois eminentes homens do sertão - Agamenon Magalhães e Etelvino Lins - mas, inegavelmente, não poderíamos deixar de frisar que Cordeiro de Farias, militar e gaúcho, enfrentou esse problema da seca com muito mais firmeza e decisão, indo ao encontro das necessidades do povo sertanejo, na luta pela água, esse líquido  que vem tornando os sertões de Pernambuco cada vez mais semelhante a um deserto.

Quero ainda dizer a V. Excia., que a obra empreendida pelo eminente, general Cordeiro de Farias foi tão grande, que está desafiando a capacidade do atual governador. E esta Casa está iludida e está enganada: o atual governador anunciou a Pernambuco inteiro que  havia recomendado a continuação das obras dos açudes paralisados mas, infelizmente, deputado Elpídio Branco, não falou a verdade o Sr. governador do Estado, pois alguns açudes não foram incluídos naquela relação para a continuação das obras - não sei se por vindicta política, ou por outro qualquer propósito. Mas, a verdade é que o açude de Sobrado, no meu município, não consta daquela relação. Por consequência, a obra do general Cordeiro de Farias está desafiando a capacidade do atual Governo de Pernambuco.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - O brilhante e feliz aparte com que V. Excia., acaba de nos honrar, ressalta, exatamente, uma das principais características que acentuaram a operosidade do governador Cordeiro de Farias, ou seja aquela de que ele não esqueceu um só dia, um só instante sequer, os sertanejos do Estado de Pernambuco. A preocupação que ele tinha, e todos nós que acompanhamos a sua administração, bem o sabemos, era das mais cruciantes quando procurava correr em socorro dos sertanejos e não dispunha de recursos. Por isso queremos fazer nova referência à carta que  ele escreveu, um ano antes de deixar o Governo, ao Presidente da  República, chamando a atenção para o crime que estava se cometendo contra Pernambuco, deixando os nordestinos, aqueles que habitavam o sertão, quase morrendo a mingua.

DEPUTADO PE. WANDERLEI SIMÕES - Quanto ao assunto da seca durante o Governo Cordeiro de Farias, sinto-me no dever de testemunhar a preocupação absorvente que dominou o general, no sentido de prestar assistência aos flagelados. Acompanhei-o ao município de Buíque e, sensibilizado, vi a emoção que dominava S. Excia., não só ao presenciar a fome daquela gente, mas a emoção com que confraternizava nos abraços dados por ele, de irmão, a irmãos humildes e flagelados.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Registramos o aparte que V. Excia., acaba de oferecer, porque, realmente, a respeito desse assunto, quando o governador Cordeiro de Farias procurou atender aos flagelados pernambucanos e a isso se comprometeu, foi realmente  contando com uma ajuda que o Presidente da República prometera de  trinta milhões de cruzeiros. Com os parcos recursos de Pernambuco, é que nada poderia fazer. Do prometido o Estado recebeu apenas seis milhões. Mas, ainda assim, o Estado de Pernambuco não deixou de atender aos necessitados, embora no limite dos poucos recursos de que dispunha.

DEPUTADO JOÃO MARQUES DE SÁ - É com a mais profunda tristeza que vou dar meu testemunho como florestano, porque o município de Floresta ficou esquecido durante o flagelo da seca. Tendo recebido a visita do governador não foi contemplado com nenhuma obra. É com tristeza que dou meu testemunho, a bem da verdade.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Assim como o colega nos aparteia com profunda tristeza, respondemos ao aparte de V. Excia., com uma espécie de desolação quanto à gratidão dos homens. Porque  V. Excia., que hoje, representa, nesta Casa, o município de Floresta, não podia, jamais fazer a afirmativa de que o general Cordeiro de Farias esqueceu Floresta, e estamos certos, absolutamente certos de que, se nesta cadeira onde V. Excia., está agora sentado, estivesse o ex-deputado Afonso Ferraz, ele não faria uma confissão  melancólica e inverdadeira como a que V. Excia., acaba de fazer. Floresta foi aquinhoado várias vezes pela administração Cordeiro de Farias. Se não recebeu ajuda na época dos socorros aos flagelados, é porque, conforme afirmamos, há pouco, a V. Excia., e a esta Casa, contando ele com o oferecimento do Presidente da República de trinta milhões de cruzeiros, não os recebeu e não poderia atender caso, a todos os flagelados, inclusive aos necessitados de Floresta. A confissão que V. Excia. devia fazer, a bem da verdade, para não aparecer como um desmemoriado e um ingrato é a de que Floresta foi aquinhoado muito bem no Governo findo, inclusive através de  favores até de caráter pessoal... Esta seria a confissão que representaria a verdade e não a que V. Excia., acaba de fazer e que tão tristemente acaba de ser ouvida nesta Casa.

DEPUTADO ANTÔNIO CORRÊA - Do Governo do general Cordeiro de Farias de que divergi, logo após à sua ascensão ao poder, não posse deixar de reconhecer e proclamar que como governador do Estado, procurou orientar sua administração para resolver os magnos problemas do povo pernambucano. E basta uma realização de S. Excia. - a construção de silos, para evitar que o modesto agricultor ser vítima de comerciantes gananciosos - para credenciá-lo como um dos grandes administradores de Pernambuco.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Ao sermos honrados com o aparte de V. Excia., deputado Antônio Correia, somos forçados, com tristeza, a fazer um paralelo entre o aparte do deputado João Marques de Sá, representante de Floresta, município que recebeu tudo do general Cordeiro de Farias, e o aparte que acaba de oferecer-nos o nobre e brilhante deputado governista, que não foi um dos beneficiados daquela grande e imperecível administração. Registre-se esse  entristecedor contraste...

Prosseguindo:

Embora militar e gaúcho, embora negado pelos que não seriam capazes de querer tanto a Pernambuco, nem de tanto fazer por  Pernambuco, o general Cordeiro de Farias fôra, no Governo, um  civil na mais exata acepção do termo e um pernambucano do mais alto gabarito ao descer as escadas do Palácio das Princesas.

DEPUTADO MIGUEL SANTOS - V. Excia., faz muito bem em  testemunhar ao plenário desta Assembleia a vivência do Governo do general Cordeiro de Farias, daquele homem que, como acentuou V. Excia., sem ser pernambucano, sem ser civil, se comportou, no  Governo de Pernambuco, como o mais pernambucano dos governos. Sou testemunha do quase carinho que possuía o general Cordeiro de Farias para com os problemas de Pernambuco, mesmo com os problemas que dizem respeito às classes produtoras que, infeliz e lamentavelmente, entraram, em mais de uma ocasião, em choques, às  vezes agressivos à pessoa do general Cordeiro. Mas a resposta que recebiam em encontra no governador do Estado sempre um servidor em torno das classes produtoras, desde que essas causas representassem, realmente, os fundamentais interesses da nossa terra. Mas, permiti-me que lhe diga: se V. Excia., está dignificando o Governo do general Cordeiro de Farias, mais dignificado ainda sai desta tribuna V. Excia., porque está oferecendo a esta Casa um exemplo raro: é fazer elogio a um governante que passou. Isso é realmente raro. Receba, portanto, V. Excia., neste instante, meu apreço e minhas homenagens.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO  - Agradecemos a V. Excia., e generosidade em que se refere à atitude que vimos de tomar, que é  uma atitude apenas, filha de uma gratidão que temos a um homem que muito fez por Pernambuco.

DEPUTADO OLÍMPIO FERRAZ - Deputado Elpídio Branco, como filho do município de Floresta, embora não seja aqui seu representante legítimo, porque recebi pequena votação naquele município, posso dar meu testemunho de um grande e inestimável serviços prestado pelo general Cordeiro de Farias ao nosso município, que foi a instalação da Escola Normal Regional. No campo da educação, posso informar a V. Excia., que o general Cordeiro de Farias prestou esse grande serviço, aliado à criação de várias cadeiras de ensino primário naquele município. Posso adiantar, também, a V. Excia., que na época da seca o Governo do Estado estava ultimando a construção da estrada Floresta-Belém de São Francisco, por delegação do Governo federal. Estava construindo, também, por delegação da Comissão do Vale do São Francisco, a estrada Petrolândia-Floresta, deixando, em fase de conclusão, 18 quilômetros dos 64 estudados que, naquela época, já se encontravam com dezoito quilômetros de construção e nesse serviço, deputado Elpídio Branco, foram empregados flagelados de Floresta.

DEPUTADO EPÍDIO BRANCO - O oportuno aparte de V. Excia., vem responder ao ingrato aparte do deputado João Marques de Sá, representante do município que recebeu aqueles benefícios de que fala o nobre colega, benefícios que, hoje, estão esquecidos porque o  general Cordeiro de Farias não é mais governador de Pernambuco e não dispõe de outros benefícios, de outras benesses com que cumular aqueles que se serviram do seu Governo.

DEPUTADO ANTÔNIO NEVES - Quero parabenizar V. Excia., pela maneira como vem se portando nesta tribuna, fazendo elogios a um  homem que não tem mais nada que oferecer a V. Excia., e quero aproveitar a oportunidade para contar um episódio. O professor Edgar Altino, na época do governador Cordeiro de Farias, pleiteou a representação do Estado no Conselho de Curadores da Universidade do Recife, que estava nas mãos do Dr. João Marques de Sá. O general Cordeiro de Farias, atendendo aquele apelo do Sr. Edgar Altino, fez a nomeação e com isso desgostou o Dr. João Marques, que pediu exoneração de diretor dos Psicopatas e, nessa oportunidade, o Reitor Amazonas falou ao general e este afirmou que faria aquilo apenas por um ano e depois nomearia, novamente, o Dr. João Marques. Entretanto, antes de terminar o ano, o doutor Edgar Altino faleceu, e eu mesmo falei e fui portador de um pedido do Reitor Amazonas para que nomeasse uma determinada pessoa pensando que o general Cordeiro de Farias jamais faria a nomeação do Dr. João Marques de Sá, porque ele havia se demitido, como uma espécie de protesto. Entretanto o general Cordeiro de Farias mandou dizer, como resposta, ao Reitor Amazonas, que era um homem de palavra, e que apesar da atitude do Dr. João Marques de Sá, faria a sua nomeação, como, realmente, fez.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - O testemunho que V. Excia., traz, nesse momento, é daqueles que estarrecem a opinião pública. Com ele chegamos a uma evidência dolorosa,  a de que os homens se esquecem muito cedo, dos favores que recebem e, nesse caso, está o nobre amigo ex-colega deputado João Marques de Sá, que a esta hora o general Cordeiro de Farias não é mais governador do  Estado, esqueceu aquela atitude que nem todos teriam...

DEPUTADO CONSTANTINO MARANHÃO - Quero esclarecer a V. Excia., que acabou de ser narrado pelo deputado Antônio Neves eu também ouvi. Fui pedir coisa idêntica ao general, isto é a nomeação de um amigo para a Direção da Assistência aos Psicopatas e ele disse-me que tinha um compromisso com o Dr. Edgar Altino e não poderia falhar, mesmo porque ele era um homem que estava às portas da morte e já havia, até, tido um enfarte e que, caso algo ocorresse, o lugar seria do Sr. João Marques de Sá, pois ele não faltará sua palavra.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Agradecemos ao deputado Constantino Maranhão o seu nobre testemunho e, concedemos, agora, o a aparte que o deputado Luiz de França vem, de há muito, nos solicitando.

DEPUTADO LUIZ DE FRANÇA - Sr. deputado Elpídio Branco, o outro aspecto que é interessante ressaltar na atuação do general Cordeiro de Farias como governante, foi sua alta dose de espírito democrático de respeito às liberdades públicas. Os que como eu, com ele convivemos, sabem, entretanto, que S. Excia.,  nesta matéria, ao ponto de, às vésperas do pleito municipal, no município de Belo Jardim, apesar de ter por mim consideração muito alta, às vésperas de uma eleição, demitiu autoridades municipais que ali mantinha, simplesmente porque estava convencido de que aquelas autoridades estavam se desmandando, fato que não era real. Mas, V. Excia., com seu alto espírito democrático, chegou a  acreditar e concorreu assim, para que eu fosse derrotado no pleito do município. Era, assim, um homem para quem as liberdades públicas tudo valiam. Homem acima de tudo, de um desprendimento sem limite, porque na sucessão governamental nos deu mais uma demonstração, preferindo deixar o Governo, quando poderia ter saído de Pernambuco como senador, com apoio integral do Estado inteiro, pois tudo se fez para fazê-lo representar-se na alta Câmara do País.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Registrando e agradecendo, nobre deputado Luiz de França, o brilhante aparte com que nos honrou, vamos concluir o nosso trabalho de hoje, que tem o objetivo de mostrar a situação financeira que caracterizou o Governo do general Cordeiro de Farias. Mas, antes de fazê-lo, queremos nos congratular com a unanimidade desta Casa ( e isto porque a voz dissonante do deputado João Marques não chegou a comprometê-lo) nos aplausos com que se reporta às considerações em torno da administração que findou, sem que, no coro desses aplausos, se notassem quais os correligionários ou adversários daquele Governo.

DEPUTADO AUDÁLIO TENÓRIO - Sr. deputado, ao contrário do município de Floresta, o município das Águas Belas não está no esquecimento do Sr. general Cordeiro de Farias pois, além de vários outros benefícios, ele deu às Águas Belas um prédio escolar e um motor que tirou das trevas aquele município.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Como o Sr. presidente insiste para que terminemos as nossas modestas observações, tentaremos resumi-las, tanto quando possível.

Ainda hoje não nos é possível fazer o relato completo, como é  de nossa intenção, das realizações do governador Cordeiro de Farias.

Vamos aproveitar, no entanto, os minutos que nos restam, na tribuna para tecer algumas considerações em torno da política financeira que o general Cordeiro de Farias imprimiu ao seu Governo: política da mais severa austeridade, no que disse respeito à Aplicação dos dinheiros públicos. Pode  ter cometido erros. Pode até, ter deixado de ser advertido acerca de fatos que, se conhecidos, não teriam contato com a sua aquiescência. Todos nós sabemos que  a centralização dos serviços burocráticos é um dos grandes males de nossa organização político-administrativa. Mas o rígido critério com que arrecadou e gastou, no seu Governo, constituiu, entre outras, uma das mais nobres características de sua honrada administração. E disto é prova exuberante o volume da arrecadação em seu  período, o que lhe permitiu levar a cabo um mundo de realizações, em todos os setores do estado, conforme demonstraremos. E por onde se verá que, não obstante a excessiva percentagem gasta com pessoal em relação à receita, o seu Governo despendeu, em obras, quantias que excedem quaisquer estimativas ordinárias.

E vale a pena, a bem da verdade, acentuar que realizou um vasto programa de obras sem recorrer a empréstimos. Utilizando-se apenas dos recursos do estado e cosendo-se, portanto, com as  suas próprias linhas.

Nos seus três anos e nove meses de administração, conseguiu arrecadar Cr$ 7.277.027.167,20, sendo Cr$ 1.403.831.577,30 em 1955; Cr$ 1.604.191,217,50 em 1956; Cr$ 2.386.787.372,40 em 1957 e Cr$ 1.882.217.000,00 até setembro de 1958, quando por  circunstâncias já sobejamente conhecidas, deixou o Governo. Dessa arrecadação, gastou Cr$ 7.143.490.813,20, sendo Cr$ 1.393.546.691,40 em o primeiro ano; Cr$ 1.536.872,20 no segundo; Cr$ 2.363.606.249,60 no terceiro e Cr$ 1.850.703.000,00 até o mês de setembro de 1958, donde se apura haver se verificado saldo em  todos os exercícios.

Encontrou uma dívida flutuante de Cr$ 116.960.551,80 e fê-la descer para Cr$ 71.526.862,80, pagando, assim, Cr$ 45.443.689,00 de compromissos assumidos por governos anteriores.

Encontrou a conta de "Restos a Pagar" em Cr$ 74.658.067,30, que reduziu para Cr$ 30.964.157,90 o que vale dizer haver pago, sob esta rubrica, a quantia de Cr$ 43.693.909,40.

Descriminando: despendeu, só em obras de real valor, conforme se vê abaixo, em número exato, a vultosa quantia de Cr$ 1.813.283.161,00, como sejam: em estradas de rodagem Cr$ 24.785.264,50, em pavimentação, inclusive na grandiosa obra da  Serra das Russas, Cr$ 300.650.320,00, em construções e reconstruções de prédios; Cr$ 68.755.185,30; em energia elétrica, Cr$ 194.745.837,50; em saneamento do interior; Cr$ 156.509.958,80; em saneamento da Capital, Cr$ 376.882.656,70, onde se sobressai o  o incomensurável empreendimento de Monjoe; em assistência econômica ao Agreste, Cr$ 68.540.083,20; na mesma assistência ao sertão, Cr$ 162.495.334,70; no serviço de açudagem Cr$ 87.273.219,70; no Serviço Social Contra o Mocambo, Cr$ 73.245.000,00.

Tenha-se, ainda, bem presente, a seguinte verdade: enquanto só em obras assim, de incontestável vulto, o Governo Cordeiro de Farias despendeu quase 30% do que arrecadou (sem incluir, nesse computo várias e numerosas despesas de outros serviços), a máquina administrativa funcionou com absoluta normalidade, e não se verificou a paralisação de serviços em qualquer setor de atividade. Enquanto todos eles funcionaram com absoluta regularidade, sem sofrer qualquer interrupção, o pagamento do funcionalismo público, acrescido da grande majoração por força da lei de reclassificação de 1956, se processou em dia e hora. Enquanto isso, os fornecedores do Estado tiveram suas contas pagas, perfeitamente, em dia. E ao renunciar o Governo, deixou em cofre a quantia de Cr$ 133.635.354,00.

Sem que isso possa importar em qualquer desprimor aos governos anteriores ao do general Cordeiro de Farias, os quais muito fizeram em benefício do Estado, dentro dos recursos de que puderam dispor, precisamos afirmar, a bem da verdade, que não pode e nem deve ser ocultado, haver o Governo Cordeiro de Farias despendido mais do que nos oito anos anteriores, em quase todos os  setores de atividades, percentagens que, na sua eloquência, confirmam a convicção de que sua administração desafia confrontos.

DEPUTADO EUDES COSTA - Sr. deputado, quero colaborando com V. Excia., dar um aparte que não é meu, porque é do governador Cid Sampaio. V. Excia., veja que não é meu, mas do próprio governador do estado, essa vestal, que queria recuperar tudo, e criticando os atos dos governos Cordeiro de Farias e Otávio Correia, atacava em comício, na Praça de São José, os contratos que  estavam sendo feitos pelo Departamento Geral do Serviço Público. Deputado Elpídio Branco, apresentei um requerimento de informações a esse respeito ao governador do estado, e a resposta assinada pelo Sr. Cid Sampaio, informa que cento e dois novos contratos foram feitos, onde constam quatorze auxiliares de escrita, cozinheiros, copeiros, jardineiros, escriturários, auxiliares de enfermagem, guardas de material, uma verdadeira bacanal administrativo essa recuperação em bancarrota que é a moral em concordata do Sr. Cid Sampaio.

DEPUTADO ELPÍDIO BRANCO - Um governo que pode, ao deixar o Poder, presentar-se aos seus concidadãos, com as credenciais de  haver, realmente, conduzido tão bem as rédeas de uma administração; um Governo que deve e pode, com orgulho, proclamar, alto e bom som, que construiu um pedestal sobre o qual poderá resistir, impavidamente, a qualquer crítica com que se tente empanar o brilho de sua administração, desafia a constelação ridícula e impotente de fatos e de cifras que documentam uma verdade insofismável: a operosidade de um Governo que contribuiu, decisivamente, para a grandeza e para o futuro de Pernambuco.

(Palmas, sendo o orador cumprimentado pelos seus colegas).

Fonte: Memórias Brancas / Elpídio Branco / Ano 1963.                                                                             

Morre José Cícero Pinto o "Coronel Barros"

Faleceu  neste sábado (20), no Hospital Português, no Recife, José Cícero de Barros Pinto, Coronel Barros. Natural de Brejão, nasceu em 10 de setembro de 1946. Filho de Izaías Pinto de Matos e Luíza Teles de Matos.  Em 1959 José Cícero conclui curso de alfabetização e primário na "Escola de Quedê" no Sítio Cágados, município de Brejão; Em 1963 conclui curso ginasial no Colégio Diocesano de Garanhuns; Em 1966 é aprovado no Curso de oficiais da Polícia Militar do Estado e aprovado no Colégio Universitário da Universidade Federal Rural convênio com a Sudene; Em 1969 conclui o Curso de Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco; Em 1970 é aprovado no Curso de Engenharia Civil pela Universidade Católica de Pernambuco; Em 1975 conclui o Curso de Engenharia Civil. Em 1992 conclui Curso Superior da Polícia, na FUNDAJ. 

Abaixo transcrevemos crônica do ex-prefeito de Garanhuns Luiz Souto Dourado sobre a trajetória do Coronel Barros,  primo deste blogueiro.

O MENINO DE BREJÃO  

Luiz Souto Dourado*

De Brejão a Garanhuns, ele viajava quase sempre de caminhão e quase sempre de favor. Ia estudar à noite no Ginásio e pensava que o estudo, como o transporte, nada lhe custava. Às vezes, voltava para dormir no sítio; às vezes dormia debaixo das marquises das lojas. Mas para ele o importante não era dormir, era estudar. E nessa rotina, dura demais para um adolescente, foi levando a vida durante anos, até que um dia, e curso concluído, apareceu na minha casa.

O padre Adelmar revelara quem era o deputado que destinava a sua verba no orçamento aos meninos pobres de Garanhuns, e cuja destinação ficava ao critério de diretor do colégio. Estava agora na minha casa para agradecer os estudos, que na verdade fora o próprio Estado que lhe proporcionara, e pedir um conselho. Queria saber do seu "protetor", que mal lhe conhecia, se entrava na SUDENE, por concurso, ou por concurso, ingressava na Polícia Militar do Estado. Diante da responsabilidade da opção, perguntei-lhe o que pretendia vir a ser. Engenheiro, respondeu. Ponderei-lhe então que na Polícia Militar uma carreira ajudava a outra, já que sua vocação coincidia com ambas e os seus conhecimentos garantiram o  caminho que melhor lhe parecesse.

Ingressou na Polícia Militar e o perdi de vista até que  numa manhã de sábado procurou-me em Boa Viagem para fazer da minha filha a sua madrinha na entrega da espada de oficial. O menino de Brejão estava agora recebendo os cumprimentos dos parentes e amigos. Agora era oficial, não mais dormia nos bancos de jardim, não mais usava o caminhão de favor, pois até aparecia dirigindo o seu carro esporte, não de playboy, mas de estudante de Engenharia.

Foi quando me fez o seu primeiro e estranho pedido: queria trabalhar de graça numa repartição especializada do Estado. Para não desapontá-lo, levei-o a um Secretário do Governo que me deu a mais desestimulante e ao mesmo tempo correta desculpa. Não era permitido a contratação de serviços sem a justa remuneração. Ficou bem comigo e com o regulamento. Um jovem futuro engenheiro praticar de graça uma  profissão que iria exercer, não era possível aqui. O jeito era  sair para Exterior, participar de congressos de sua especialidade. E ele foi a quantos foi possível ir. Na volta, aparecia para me mostrar os certificados de aproveitamento. Por outro lado, na Polícia Militar de Pernambuco, com igual esforço e tenacidade, foi fazendo a sua carreira com  regularidade e eficiência, de modo que se ainda não é maior, capitão deve ser o seu posto.

Neste fim de ano de 1975, entre tantos convites de formatura, o do menino de Brejão, José Cícero de Barros Pinto, trazido por ele próprio, foi-me particularmente honroso. O seu esforço vencendo todos os obstáculos até o recebimento do seu  diploma, foi uma caminhada: direi mesmo heroica. Começa no trecho que vai do sítio do seu pai em Brejão à margem da estrada que o levava a Garanhuns, onde concluiu o seu curso e  partiu para novas conquistas.

Foi pensando no seu exemplo, engenheiro José Cícero de  Barros Pinto, que criamos a Faculdade de Administração de  Garanhuns, que ficou no papel, e mais ainda fomos a Brasília falar com Ministro da Educação para transferir para Garanhuns a Universidade Rural, problema que não ficou no papel porque esse nem papel tinha. Ficou na ideia, válida mas  sempre adiada, da interiorização do ensino superior, cuja demora vem enfraquecendo tantas vocações e, o que é mais grave, adiando o futuro de tantos jovens, como se isso fosse possível.

*Transcrito do livro "GARANHUNS ANO 100", publicado em 1979 pelo Dr. Luiz Douto Dourado, filho de Garanhuns, ex-deputado Estadual, ex-Prefeito de Garanhuns e Secretário de Justiça do 1º Governo de Miguel Arraes.

Minha Homenagem

Dom Adelino Dantas, Mons. Adelmar, Irmã Cândida e as concluintes da 1ª turma da 4ª Série do Ginásio do Arraial. 5 de dezembro de 1959.
Dada à urgência de mais uma Escola de excelência que, em Garanhuns, viesse satisfazer à crescente demanda de matrículas para as novas gerações, principalmente para as meninas - nasceu em 1956 o Ginásio do Arraial, Avenida Júlio Brasileiro no Bairro Heliópolis, fundado por Mons. Adelmar da Mota Valença, que foi seu 1º diretor.

Uma estrutura bem planejada, bonito, com salas amplas, pátios, áreas ajardinadas, área de esporte, enfim, tudo adequado para atender as múltiplas atividades de um escola moderna.

É jubilosa e especial a promessa do novo Colégio, as  mensalidades, módicas, beneficiando a classe menos abastada da região. Uma nova esperança de educação para todos os filhos adentrou no coração dos muitos pais cuja prole era, de no mínimo, 6 a 10 filhos. Foi uma bênção para os pequenos fazendeiros, situados de Brejão, Bela Vista, Neves, Águas Belas, Tará, Venturosa, Caetés, São João e todas aquelas adjacências.

Para dirigir o novo educandário foram convidadas no Recife, as Irmãs Missionárias Nossa Senhora de Fátima. Assim, foi nossa 4ª diretora, a carismática e querida Madre Tereza.

Minhas irmãs e eu fomos das suas primeiras alunas - a 1ª turma de formando.

Como nos orgulhamos do nosso Colégio! Quantas vívidas impressões, quantas lições de coragem, de entusiasmo, de cidadania e de um cristianismo autêntico ali nos transmitiam.

Todavia, na realidade, não se pode falar do Colégio do Arraial sem lembrar que este era uma extensão do nosso velho e amado "Colégio do Padre" - Ginásio Diocesano de Garanhuns. O Ginásio do Arraial foi um projeto do Monsenhor Adelmar da Mota  Valença - um sacerdote católico exemplar, o professor inato, o amigo, ser humano excepcional - um  verdadeiro líder da formação moral, intelectual de grande contingente de jovens deste Nordeste.

Para Garanhuns, especificamente o internato do "Colégio do Monsenhor" em Pernambuco, chegaram cada ano, levas de jovens da Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia e Ceará, cujos pais acreditavam na disciplina, no amor, com que o monsenhor Adelmar conduzia o seu ginásio.

Muitos meninos imaturos, insubordinados cresceram e, ali se transformaram em homens prudentes, justos,  destacados profissionais, homens de "Ciência de Fé" - os reais cidadãos úteis à Pátria e à humanidade.

Dia 12 de outubro, aniversário do Colégio um aluno ou ex-aluno do Colégio Diocesano, do Ginásio do Arraial, esteja onde estiver ele volta a Garanhuns. Porque ele sente necessidade de homenagear, de agradecer ao monsenhor Adelmar pelo seu exemplo de homem forte, de cidadão íntegro, de homem de fé.

A cidade de Garanhuns, cada aluno, professor, ex-aluno, ex-professor, funcionários do colégio do monsenhor Adelmar sente profunda admiração e orgulho de ter sido privilegiado com o seu convívio.

A sua humildade, desprendimento, amor aos mais necessitados, a ternura de sua compaixão pelo próximo nas lições de vida que nunca vamos olvidar.

Monsenhor Adelmar partiu para glória de Deus, mas, ele está vivo, pois já disse alguém "não morre, quem nos vivos vive."

Maria Margarida de França Almeida
Ex-aluna do Ginásio do Arraial

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra / Centenário de Nascimento 1908-2008 / Irmãs Cândida Araújo Corrêa e Maria Mirtes de Araújo Corrêa. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Cadastro para vacinação dos trabalhadores de saúde acima de 60 anos é prorrogado em Garanhuns


A Prefeitura de Garanhuns, por meio da Secretaria de Saúde, prorrogou o cadastro dos profissionais de saúde com mais de 60 anos, que residem no município, para a Campanha de Vacinação Contra a Covid-19. O grupo faz parte da atual etapa da campanha no município.

O cadastro pode ser realizado até o dia 26 de fevereiro, por meio do link: (https://abre.ai/vemvacinagaranhuns). A data e local de vacinação de cada pessoa será informada posteriormente, mediante contato da Secretaria de Saúde.

No ato de vacinação é necessário que o profissional esteja munido dos seguintes documentos: declaração de vínculo empregatício de instituição pública ou privada, RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência. Já os trabalhadores de saúde com 60 anos e mais, que sejam autônomos, além do RG, CPF, cartão SUS e comprovante de residência, devem estar com a carteira do seu conselho profissional, e assinar uma autodeclaração confirmando as informações do cadastro.

Secom/PMG.

Academia de Letras de Garanhuns divulga Edital de eleição


Visando a composição da nova Diretoria da Academia de Letras de Garanhuns (ALG), para o próximo biênio, esta entidade literária torna público o Edital de eleição, que deverá acontecer no dia 05 de março de 2021, no período das 14h às 17h30, na sua sede, situada na Rua XV de Novembro, 287 - Centro - Garanhuns-PE - CEP 55295-230.

Ao divulgar o Edital, a ALG legitima a abertura do processo de inscrição de chapas, que se iniciou no último dia 29 de janeiro de 2021.

A inscrição será online, através de e-mail específico da ALG, cujo endereço é: eleicao@academiadeletrasgaranhuns.com.br, com cópia para o e-mail do Presidente da Academia, cujo endereço é: luis-jardim2@hotmail.com. Os pormenores da eleição serão anunciados, em breve, pela comissão eleitoral, a ser apresentada nos próximos dias.

A manifestação de impugnação de candidaturas deverá ser feita no prazo de 10 (dez) dias, a contar da afixação da relação das chapas registradas. No caso de empate entre chapas mais votadas, realizar-se-á nova eleição 15 (quinze) dias após.

Se houver a inscrição de uma única chapa, ficará facultada ao Presidente da Academia de Letras de Garanhuns a possibilidade de convocar uma Assembleia extraordinária, a ser realizada entre os associados em gozo de direitos, para deliberar sobre a escolha da nova Diretoria por aclamação.

Subscreve, 

LUIS AFONSO DE OLIVEIRA JARDIM

Presidente

Academia de Letras de Garanhuns

Mostra Pajeú de Cinema abre inscrições para oficinas gratuitas

A 6ª edição da Mostra Pajeú de Cinema - MPC que acontece de 3 a 13 de março no formato virtual, abre inscrições para oficinas gratuitas a partir desta quarta (17) até o dia 22 de fevereiro. Assim como nas edições anteriores a 6º MPC mantém a sua base em três pilares: formação, exibição e reflexão. Através das oficinas, a mostra pretende fortalecer a cadeia produtiva no interior do Estado, fazendo uso da plataforma online para maior alcance. As inscrições para as atividades de formação podem ser feitas no site da mostra: www.mostrapajeudecinema.com.br.

Nesta edição da mostra, duas oficinas integram as atividades de formação e acontecem entre os dias 3 a 5 de março. A de Direção de Arte, com Lia Letícia, tem como proposta apresentar o papel da direção de arte em produções audiovisuais, os processo criativo da direção de arte, o departamento de arte em produções de baixo orçamento/independentes, entre outros temas correlatos ao tema.

Já a oficina de Produção Executiva com Anna Andrade, irá trabalhar o papel do produtor executivo, a estrutura de uma equipe audiovisual, o gerenciamento de equipe, o planejamento e execução da planilha orçamentária, adequação orçamentária, produção executiva na filmagem, prestação de conta de projetos culturais, além de dicas de execução orçamentária em projetos audiovisuais.

Para garantir a democratização e descentralização do acesso, as atividades serão voltadas ao púbilco geral com prioridade de vagas para inscritos do interior do Estado de Pernambuco, periferias, mulheres, negros, indígenas, quilombolas, LGBTQIAP+. A lista de selecionados (as) será divulgada nas redes da 6º MPC no dia 25/02. 

A 6ª MPC é uma realização da Pajeú Filmes e conta com o incentivo da Lei Aldir Blanc, através do Edital Festivais LAB PE.

OFICINAS 6ª MPC

Direção de Arte com Lia Letícia

3 a 5 de março | 18h às 20h

Sobre a oficineira: Artista visual, natural de Viamão/RS. Seu trabalho olha para um campo ampliado de arte, pensa a partir da tensão entre práticas artísticas e sua pretensa autonomia. A construção e conflitos advindos dessa reflexão engendram seus trabalhos. No final da década de 90 muda-se para Olinda/PE e explora a pintura em diversos suportes, inclusive o audiovisual, investiga as relações entre este e a performance. Além de escrever e dirigir seus próprios filmes, trabalha como diretora de arte. Seus trabalhos transitam entre festivais de cinema e exposições de arte e, multiplica esta experiência através de ações como o Cinecão ou como artista educadora em projetos de experimentação audiovisual, como a Escola Engenho. Coordena coletivamente projetos da Galeria Maumau, faz parte do CARNI- Coletivo de Arte Negra e Indígena e do Negritude do Audiovisual PE. Atualmente finaliza dois filmes, co-roteiriza, co-dirige a série Brasil Visual e prepara exposição solo no Rio de Janeiro/RJ. Vive em Recife/PE.

Produção Executiva com Anna Andrade 

3 a 5 de março | 19h30 às 21h30

Sobre a oficineira: Anna Andrade é diretora, produtora e distribuidora audiovisual, tem especialização em Gestão de Projetos e é a fundadora da Tarrafa Produtora, produtora independente, feminina e negra localizada no Recife. Trabalha com desenho e gestão de projetos, produção e produção executiva, tradução e legendagem de conteúdo, atividades de formação e distribuição. É produtora e curadora da Semana do Audiovisual Negro, curadora do ROTA – Festival de Roteiro Audiovisual e tem 6 anos de experiência em planejamento e estratégia de distribuição de curtas e longas-metragens

SERVIÇO

Oficinas 6ª MPC

Direção de Arte + Produção Executiva

3 a 5 de março 

Gratuitas

Inscrições: www.mostrapajeudecinema.com.br 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Cine PE promove série de lives sobre empreendedorismo

Dando continuidade às conversas da programação das Quintas do Cine PE, nesta quinta-feira (18), a direção do Festival manterá o tema dos desafios de empreender em tempos de pandemia, no audiovisual e em outros segmentos culturais. Nomes importantes do audiovisual e da cultura brasileira, vão participar das lives contempladas pelos recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, ao longo de quatro semanas entre fevereiro e março de 2021. Assim, com a pandemia do Covid-19, a programação será realizada on-line, pelo canal do YouTube do evento, o que possibilitou convites a pessoas de outros estados nesse período tão turbulento.

Além dos “Novos desafios de Empreender Festivais e Mostras de Cinema”, o festival trará para o grande público temas como: ” Os Novos desafios de Empreender Cultura no Norte/Nordeste”, “Produzir Conteúdos Televisivos ou Investir em Modelos Prontos?” e “Os Novos Desafios Setoriais do Áudio Visual Brasileiro”.

Para a primeira quinta-feira, 18/2, os convidados são três: Vilma Lustosa, do Festival do Rio, uma das diretoras desse tradicional evento e que também nos traz sua experiência com a produção de filmes; Wolney Oliveira é cineasta e participa também da conversa, como diretor do Cine Ceará, e, por fim, Sandra Bertini, economista e diretora do Cine PE.

Agenda – Quintas do Cine PE 

19h – bit.ly/2YJuHyi

- Quinta-feira, 18/2

Tema: Os Novos Desafios de Empreender Festivais e Mostras de Cinema

Convidados: Sandra Bertini (Cine PE), Vilma Lustosa (Festival do Rio) e Wolney Oliveira (Cine Ceará)

- Quinta-feira, 25/2

Tema: Os Novos Desafios de Empreender Cultura no Norte/Nordeste

Convidados: Almir Rouche (Música/PE), Emanuel Freitas (Teatro/PA) e Vânia (Audiovisual/BA)

- Quinta-feira, 4/3

Tema: Produzir Conteúdos Televisivos ou Investir em Modelos Prontos?

Convidados: André Sady (Canal Brasil/RJ e Gustavo Almeida (EPC/PE)

- Quinta-feira, 11/3

Tema: Os Novos Desafios Setoriais do Audiovisual Brasileiro

Convidados: Bruno Wainer (Distribuidor/RJ), Cláudio Lins de Vasconcelos (Consultor para Direitos Autorais/RJ) e Mariza Leão (Produtora/RJ)